Ação Integralista Brasileira

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Cartaz com propaganda Integralista de 1937.


A Ação Integralista Brasileira (abreviado, AIB) foi um partido político brasileiro, fundado em 7 de outubro de 1932, por Plínio Salgado, escritor modernista, jornalista e político. O movimento espalhou-se rapidamente pelo Brasil e, tão logo iniciou suas atividades, começaram haver conflitos com grupos rivais, assim como a polícia, devido às conjunturas de cada localidade do país. Assim como outros grandes movimentos nacionalistas, o Integralismo brasileiro é considerado um movimento da classe média. Os integralistas também ficaram conhecidos como camisas-verdes, devido aos uniformes que utilizavam. Jocosamente, os inimigos os chamavam de galinhas-verdes, devido à postura orgulhosa com que marchavam.
A AIB, assim como todos os outros partidos políticos, foi extinta após a instauração do Estado Novo, golpe de estado efetivado em 10 de novembro de 1937 pelo então presidente Getúlio Vargas.
Índice

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[editar] História


Figura de Plínio Salgado divulgada na década de 1930.


Os principais intelectuais que deram corpo ao movimento integralista brasileiro foram Plínio Salgado, Gustavo Barroso e Miguel Reale. Plínio Salgado sistematizou a teoria do Estado Integral, e criou os uniformes, símbolos, costumes, hábitos e rituais dos participantes do movimento integralista, e criou o partido em 7 de outubro de 1932. Em pouco mais de 4 anos, o movimento conseguiu em torno de 500.000 adeptos, segundo a própria Ação Integralista. Não sabemos se os números são reais, pois os dados são da AIB, e hoje em dia não há como saber se o partido chegou a 500.000, ou 1 milhão, como afirmavam em fins de 1937. A despeito do número exato, o integralismo foi um movimento muito importante na conjuntura não só da década de 30, mas influenciaria muitos políticos e intelectuais com atuação posterior a esse período.
O presidente Getúlio Vargas apoiou a organização do movimento integralista desde seu início. Com o aparecimento do documento do Plano Cohen, uma tentativa bem-sucedida de Vargas de dar um golpe de estado, houve a precipitação do Estado Novo. Parte da alta cúpula integralista conhecia essas articulações de Getúlio para um golpe, e Plínio Salgado negociava o futuro cargo de ministro da Educação, tentando, com isso, garantir a presença dos integralistas no novo governo. Porém, Vargas surpreendeu os integralistas proibindo a existência de qualquer agremiação política a partir de novembro de 1937.

[editar] Levante integralista

Ver artigo principal: Levante integralista.
Devido à dissolução da AIB, com a instauração do Estado Novo em novembro de 1937, os integralistas se insurgiram, tentando dar um golpe de estado em 1938. A repressão num primeiro momento não havia sido violenta.
Severo Fournier, liderando os integralistas, atacou, em 11 de maio de 1938, o Palácio Guanabara. Eram 80 ao todo, dentre eles um membro da família real brasileira. Em resposta, muitos foram fuzilados, outros tantos feridos. Cerca de 1500 integralistas acabaram presos e ficaram sob a responsabilidade de Filinto Müller para interrogá-los. Plínio Salgado, ao final, foi exilado em Portugal.
O ocorrido ficou conhecido como Levante integralista.

[editar] Símbolos, vestimentas, rituais e iconografia


A saudação "anauê", adotada pelos integralistas Brasileiros, de origem tupi, significando "você é meu irmão".


A atitude dos integralistas Brasileiros em público chamava a atenção, pela simbologia e iconografia adotada. Em função desta mística, os integralistas angariaram rapidamente milhares de adeptos.
Os integralistas, como outros grupos nacionalistas, usavam uniformes. As camisas e bonés eram verde-oliva, as calças eram pretas ou brancas e as gravatas pretas.
Sua atitude em público chamava a atenção principalmente pela simbologia adotada ao encontrarem-se nas ruas. Cumprimentavam-se utilizando a palavra tupi "anauê", que significa "você é meu irmão", bradada a todo pulmão, com o braço esticado e mão espalmada. Este cumprimento é feito pelos integralistas até hoje.

Bandeira da AIB.


A bandeira do movimento é composta por um fundo azul com um círculo branco no centro, e no meio do círculo, a letra grega maíuscula sigma, significando a soma dos valores. Cada sub-divisão do movimento contava com símbolos próprios, como por exemplo, os plinianos (os grupos de juventude), cuja bandeira era similar à oficial, porém, com um cruzeiro do sul atrás do sigma.
Havendo uma parada militar, os participantes do movimento marchavam como soldados. Em seus encontros e concentrações, os integralistas recebiam treinamento e instrução de ordem unida, além de executar (com algumas alterações) muitos dos rituais e simbologias das Forças Armadas.

[editar] Direção ideológica

O Integralismo brasileiro ideologicamente não aceita o capitalismo, defende a propriedade privada, o resgate da cultura nacional, o moralismo, valoriza o nacionalismo, a prática cristã, o princípio da autoridade (e portanto a estrutura hierárquica da sociedade), o combate ao comunismo e ao liberalismo econômico. Apesar do movimento defender o resgate da tradição, não defende o conservadorismo.
Seu projeto político propunha unificar as inúmeras visões fragmentadas do ser humano e da sociedade, ora analisados apenas pelos seus aspectos econômicos, ora pelos aspectos sociais, ora políticos, ora espirituais. A nação integralista se organizaria dentro de uma hierarquia de valores, na qual sobrepunha-se "o espiritual sobre o moral, o moral sobre o social, o social sobre o nacional e o nacional sobre o particular".
O Integralismo brasileiro congregou uma grande diversidade de cidadãos brasileiros segundo as mais diferentes etnias. Nos núcleos integralistas de Blumenau, a maioria dos integralistas era da etnia alemã, exemplo típico repetido em quase todo o estado de Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, era também visível a participação de cidadãos oriundos da etnia italiana. Foi o primeiro movimento político no Brasil a ter em suas fileiras alas femininas, além da participação de negros, dada a característica da ideologia da AIB de exaltação da miscigenação racial brasileira.

[editar] Integralismo e nazismo

Apesar de muitas pessoas associarem o Integralismo com o fascismo, e a constante confusão entre fascismo e nazismo, o movimento integralista é constantemente associado ao nazismo. O integralismo é diferente em vários aspectos do facismo, inclusive, em um livro chamado Psicologia da Revolução (Plínio Salgado) ele mostra os principais pontos negativos do Nazismo e do Facismo, e que esses Partidos jamais poderiam ser implantado no Brasil, já que o país é multi-racial, embora Gustavo Barroso escrevesse vários livros anti-semitas, e foi o primeiro tradutor brasileiro dos malfamados "Protocolos dos Sábios de Sião" um texto de origem russa que teve grande impacto nos meios anti-semitas. Publicou o livro em 1936, ao auge da perseguição anti-judaica na Alemanha.

[editar] Atualmente


Departamento Feminino e de Juventude, década de 1930.


Atualmente a Frente Integralista Brasileira e o Movimento Integralista e Linearista Brasileiro[1] afirmam representar o integralismo no Brasil, porém, a herança de Salgado é disputada por vários grupos espalhados pelo Brasil. Segundo afirmam os seus membros, defendem "o combate ao materialismo oriundo, tanto do capitalismo, assim como do comunismo, além da necessidade de uma reforma espiritual do homem brasileiro".
Afirmam ainda os integralistas que comunismo e capitalismo são duas faces da mesma moeda, moeda esta pertencente ao grande capital internacional. A doutrina integralista baseia-se na tríade "Deus, Pátria e Família".

[editar] Ver também


[editar] Ligações externas


[editar] Bibliografia

  • ARAÚJO, Ricardo Benzaquen de. Totalitarismo e revolução: o integralismo de Plínio Salgado. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.
  • CALIL, Gilberto Grassi & SILVA, Carla Luciana. Velhos Integralistas - A Memória De Militares do Sigma. Porto Alegre: EdiPUC-RS
  • CHASIN, José. O integralismo de Plínio Salgado: formas de regressividade no capitalismo hiper-tardio. São Paulo: Ciências Humanas.
  • CHAUÍ, Marilena. "Apontamentos para uma crítica à Ação Integralista Brasileira". In: Ideologia e mobilização popular. São Paulo: Paz e Terra.
  • LEVINE, Robert M.. O Regime Vargas (1934-1938): Os Anos Críticos, Rio de Janeiro: Nova Fronteira
  • MOURA, Jéssica et alii. Imagens do Sigma. Rio de Janeiro: Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, 1997.
  • REALE, Miguel. O Estado Moderno.
  • SALGADO, Plínio. O estrangeiro. Ed. das Américas, 1955.
  • SALGADO, Plínio. O esperado. Ed. Voz do Oeste.
  • SALGADO, Plínio. O cavaleiro de Itararé.
  • SILVA, Carla Luciana. Onda Vermelha - Imaginários Anticomunistas Brasileiros (1931-1934). Porto Alegre, EdiPUC-RS
  • TRINDADE, Hélgio. Integralismo: o fascismo brasileiro da década de 30.