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Tema: António Sardinha a través dos seus textos

  1. #1
    Avatar de Ordóñez
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    António Sardinha a través dos seus textos

    Achando alguns textos interessantisimos de António Sardinha pelo blog http://o-reaccionario.blogspot.com/; tenho pensado que pela sua dimensão, Sardinha meresce um fio aparte na temática portuguesa deste foro através dos seus próprios textos fundamentais.

    Não sei como verão. Pelo momento aqui venho a expor:

    Sabedoria árabe?


    Fala-se muitas vezes duma ciência e duma filosofia árabe, – observa ele; na realidade, durante um século ou dois na Idade Média, os árabes foram nossos mestres, mas só enquanto não conhecemos os originais gregos. A ciência e a filosofia árabe nunca deixaram de ser uma mesquinha tradução da ciência e da filosofia grega. Desde que a Grécia autêntica despertou, essas míseras traduções ficaram sem sentido e não foi sem razão que os filólogos da Renascença iniciaram contra elas uma verdadeira cruzada. De resto, olhando de perto, essa ciência não tinha nada de árabe. O seu fundo é puramente grego, e entre os que a criaram não se aponta um único semita. Eram espanhóis e persas, escrevendo o árabe. O papel filosófico dos judeus na Idade Média é também o de simples intérpretes.
    A filosofia hebraica desta época é a filosofia árabe sem modificações. Uma página de Roger Bacon encerra mais espírito científico do que toda essa ciência em segunda mão, respeitável, sem dúvida, como um anel de tradição, mas despida de grande originalidade.


    António Sardinha in Na Feira dos Mitos.


    Publicada por O Reaccionário em 18:59 2 comentários

    Etiquetas: António Sardinha, Ciência






    Plutocratismo


    Sendo contra os princípios funestos da Revolução Francesa, nós somos necessariamente contra a organização económica da sociedade moderna. O Trabalho e a Propriedade sofreram com a obra da revolução a influência duma nova ordem de coisas, donde deriva imediatamente a crise que a todos nos toca e que escurece o horizonte com tão cerradas interrogações. O proletário, que nós vemos enfeudado ao cortejo dos agitadores políticos, deve à democracia a sua situação miseranda; a desorganização individualista da revolução aboliu os quadros corporativos em que o Trabalho se protegia e defendia dos acasos da concorrência em que o trabalho deixou o produtor entregue ao arbítrio da plutocracia, que é sem dúvida a única e a verdadeira criação do espírito revolucionário. Enganam-se os humildes se nas promessas falaciosas do erro democrático supõem encontrar a realização das suas reivindicações justíssimas! Um século inteiro de experiências dolorosas mostra-nos que nunca a sorte das classes pobres pode ser tratada e minorada pelos governos saídos do voto, que são estruturalmente governos sujeitos, por defeito de origem, à venalidade e à corrupção.
    A Propriedade e o Trabalho, constituindo a pedra angular da Família, constituem os alicerces inalienáveis da Nacionalidade. Cosmopolita, mais fácil de se furtar às suas responsabilidades sociais, o Capital precisa de se restringir aos seus defeitos de relação entre a terra e o homem. Os desaforos do cambismo, envolvendo e universalizando a sociedade por meio da judiaria argentária, empurram-nos fatalmente para a dissolução do conceito supremo da Pátria. Impossibilitam por outro lado o operário de se hierarquizar como uma energia positiva e autónoma.
    As democracias resultam daqui, agora e sempre, como as formas de governo mais aptas à supremacia da alta finança. São «Le pays de cocâgne rêvê par des financiers sans scrupules» como Georges Sorel as define. A instabilidade do poder nos governos electivos e a sua conquista pela corrupção eleitoral torna-os por natureza regimes abertos, como nenhuns outros, às imposições do Plutocratismo.


    António Sardinha in Durante a Fogueira.


    Publicada por O Reaccionário em 00:00 1 comentários

    Etiquetas: António Sardinha, Capitalismo, Democracia

  2. #2
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    Respuesta: António Sardinha a través dos seus textos

    E também tenho pensado isto pela burrice de Ucronia de António Sardinha???


    1917 - António Sardinha, Fátima

    Fátima

    António Sardinha

    [Nota do Autor, em 1924; edição de 1925:
    Escrito e publicado no Outono de 1917 [in A Monarquia] , quando começaram a afamar-se as aparições misteriosas de Fátima, o presente estudo insere-se hoje aqui, não só para documentação das jornadas sofridas pelo pensamento do autor, mas ainda para se verem de futuro quais os caminhos levados pela inteligência portuguesa durante a terrível crise em que esteve submersa. Sente-se o autor bem modesto e sabe perfeitamente que as verdades que defende não são suas, — mas de Deus e da velha experiência humana, de quem as recebeu. No entanto, olhando ao egotismo cego com que pensadores arcaicos e retardatários, como o senhor António Sérgio (ainda vem por Descartes e Kant o escritor que não corou de vergonha ao chamar a D. Sebastião "pedaço de asno"), se apresentam com pretensões a influir nos nossos estreitos meios intelectuais, o autor entende-se com o direito de se apresentar como um agitador de questões e problemas, até então nem de longe abordados em Portugal. A esse número pertence o ensaio sobre Fátima. Claro que, acolhidos hoje à síntese tomista, nem de longe transigimos com as falsas filosofias da intuição. Mas não negamos que elas nos libertaram do seco e aprisionante intelectualismo em que tanto se compraz o insultador de D. Sebastião. Para o historiador e para o critico que de futuro procurarem abrir estradas na tremenda babilónia, que é ainda agora o pensamento nacional, aqui lhe deixamos um subsídio, não de todo desprezível."
    «Raison et bon sens ne suffisent pas!» — já dizia o velho Renan, ajoelhado nos degraus da Acrópole. Porque razão e bom senso não são o bastante, há na vida do homem, na vida da sua actividade interior, para além do mundo imediato dos sentidos, um outro mundo vasto e rumoroso, onde ele mergulha as raízes mais fundas e mais misteriosas da sua personalidade, e com o qual não é pela inteligência que melhor se pode comunicar. A filosofia moderna, reduzindo a inteligência a uma mera faculdade compreensiva, dá-nos, ao seu lado e com um alcance maior, um outro agente seguro de conhecimento. Refiro-me à intuição, que a psicologia experimental se viu na necessidade de admitir como um processo científico de prova, sendo, por sua obra e graça, que o racionalismo inerte e estéril do século passado não resiste mais às críticas dum William James e dum Henri Bergson.
    O caso recente de Fátima, pondo em sobressalto a mentalidade oficial da república, enquanto as legítimas autoridades eclesiásticas o não examinem e julguem no seu significado religioso, importa para nós um princípio de interrogação, cuja fórmula será esta: — se em face da ciência, e fora de toda a interpretação teológica, o Milagre é um facto aceitável e possível. Não nos socorramos assim daqueles argumentos de ordem sobrenatural e mística que, como crentes na omnipotência de um Deus-Criador, nos apresentam logo a possibilidade plena do Milagre. Encaremos antes o problema por outro aspecto, — pelo aspecto positivo e concreto das realidades quotidianas, partindo comezinhamente da simples observação dos acontecimentos para a força oculta que os haja de determinar.
    Só em Portugal o materialismo predomina ainda nos espíritos que uma meia-tintura intelectual faz presumir de cultos. Crê-se ainda aqui no absolutismo da Matéria, admitindo-se como um dogma a antiga concepção estática do Universo, regido não sei por que leis inflexíveis e automáticas, anteriores a toda e qualquer causa impulsora e, como tal, consciente. Daí um certo ateísmo pedantesco profissional, concedendo foros de livre espírito a quem simiescamente o declame, como a última palavra da Ciência. Pretende-se deste modo estabelecer entre a Ciência e a Religião urna irredutibilidade que não existe no fundo. Ciência e Religião não se excluem, porque são diversos os seus campos, como diversos são por natureza os fenómenos sobre que se exerce a sua acção e influência. O pragmatismo, delimitando e definindo o alcance da razão, veio reabilitar as razões de Pascal, que são as chamadas "razões do coração". Como há uma ordem intelectual nas coisas da vida, há também uma ordem afectiva, a que a intuição corresponde como meio de experiência. Cientificamente, a inteligência intervém depois, não para resolver só por si as questões que a intuição abrange na sua órbita mais larga, mas também para as proclamar e contraprovar como verdades reconhecidas.
    O erro fundamental do racionalismo baseia-se, assim, no orgulho da inteligência, que nega por sistema, sempre que não consegue explicar. As manifestações elevadas do misticismo entraram por essa via no capítulo das fantasias inverosímeis — quando se não qualificavam comodamente de autênticos produtos patológicos. Mas é diverso hoje, felizmente, o rumo do pensamento! A inteligência, restringida apenas à apreciação do mundo material, sobre o qual incide por intermédio dos sentidos[1], é constrangida a admitir a existência de outras realidades, que, por não serem tangíveis, são, no entanto, mais que perceptíveis. A nossa época é uma época de revisão científica. E, quanto à índole da ciência em si, nós temos que concluir com Brunetière que ela não é de forma nenhuma uma solução da vida. Se o mundo físico é susceptível de se tornar o seu domínio, escapa-lhe por inteiro o mundo moral. Ora é exactamente no mundo moral que a Religião actua como senhora das vastas extensões da consciência.
    Eis o que a filosofia contemporânea acentua como seu principal mandamento. Depois que o método intuicionista foi alevantado com tanta nobreza por sábios como Henri Poincaré, que vemos nós senão a ciência, mudada de deusa omnipotente numa modesta hipótese, que a existência se encarrega, ou não, de confirmar? Os próprios fundamentos em que a ciência constituída se cimenta são seriamente atingidos pelo revisionismo contemporâneo. A geometria, por exemplo. Repousando-se na noção euclidiana das três dimensões, Poincaré denuncia-a como deficiente, senão insubsistente, visto já hoje a ciência se ver na necessidade de trabalhar com uma outra dimensão — o tempo, que é bem a "quarta dimensão" dos ocultistas e que a inteligência, por não a solidificar, não tem direito por isso a impugná-la. O que sucede com a geometria sucede com a noção de Matéria, tida como indestrutível e eterna. Ao contrário do simplismo científico do século findo, Gustave Le Bon demonstra-nos como a matéria se desagrega e morre. A matéria decompõe-se, pulveriza-se e extingue-se, em desmentido formal à célebre lei de Lavoisier, pela qual na natureza nada se cria, nada se perde e tudo se transforma. Assente a dissociação da matéria, Gustave Le Bon ensina-nos que as suas partes primordiais são geradas por uma como que condensação de energia. A Energia, antecedendo a Matéria, é toda a concepção estática do Universo desfeita no ar. Por isso não nos admiremos que Reinke, naturalista alemão, apresentasse os organismos vivos como governados por uma dupla categoria de forças: — forças materiais, obedecendo às leis da energética geral, e forças espirituais, inteligentes, que Reinke apelida de "dominantes". Assim cientificamente, o materialismo é por todos os modos um "contra-senso biológico" — como com precisão vigorosa, lhe chama o Docteur X***, no seu notabilíssimo livro (Les conflits de Ia science et les idées modernes, Paris, Perrin, 1905).
    "Numa máquina não há só um conjunto de peças, — escreve Dastre, agora falecido; há atrás dele a finalidade que o seu inventor lhe atribuiu ao predispô-Ias num sentido determinado. As energias dispendidas no seu funcionamento são governadas pelo fim a que se propõem, isto é, pelas dominantes, saídas da inteligência do construtor." Outro tanto, e com motivos centuplicados, acontece com a Vida. É preciso não encará-la mais debaixo do ponto de vista estático para se encarar através de uma compreensão que só debaixo do ponto de vista dinâmico nos satisfaz e serve, em harmonia com as mais recentes conclusões da ciência. Ora a Energia antecedendo a Matéria e condensando-se para lhe dar unidade e duração o que é senão a afirmação da força primeira, consciente e omnipotente, que já existia no começo de todas as coisas?
    Subordinando-se à disciplina admirável dos factos, William James, fisiologista e filósofo, confessava que pela comunhão com o Ideal uma nova energia entra no mundo e dá origem a fenómenos novos. "É o princípio do Credo formulado em outras palavras —, ponderava ao cirurgião Marsal o abade Courmont do Sens de Ia mort. E, efectivamente, se as ciências de observação nos apontam a energia presidindo ao aparecimento da vida que por ela se mantém e prolonga, a psicologia, instituindo a "terceira experiência" ou "experiência religiosa", reconhece pela boca de um dos mais sinceros sábios do nosso tempo a transformação das condições ordinárias da Vida, por mercê duma força inesperada que entra no mundo e vem em nosso auxílio, sempre que nos ponhamos em comunhão com essa força mística que é Deus, — ideal supremo. Temos assim num caso a Criação, no outro a Encarnação. Credo in unum Deum, factorem coeli et terrae... et in unum Dominum Jesum Christum per quem omnia facta sunt. Qui propter nos homines et propter nostram salutem, descendit de coelis.
    Será o testemunho espantoso do dia de amanhã esse da ciência acolhendo-se à sombra do santuário, e confessando a sua inteira subordinação à verdade revelada. Já as teorias de René Quinton sobre a origem marítima da vida enchem duma actualidade invencível a passagem da Bíblia que nos figura, às vésperas da Criação, o espírito de Deus levado sobre as águas. Por outro lado, o professor Benedikt, de Viena, claramente assevera que a ordem de aparição dos seres vivos como no-la desenha o Genesis é a que mais se ajusta com as lições da verdadeira ciência, — daquela que se não tem como fim, mas unicamente como um meio. Ninguém pensa com isto em conciliar a Fé com a Ciência! A Ciência é que se inclina diante da Fé, — e não tardará que ela a adore como mestra soberana da nossa pobre existência dum momento!
    A prova da mudança profunda que a este respeito se opera na inteligência contemporânea está na discussão realizada em 28 de Dezembro de 1911 na Sociedade Francesa de Filosofia. O tema proposto foi o Milagre, que, afirmado por crentes como Le Roy e Maurice Blondel, esteve bem longe de ser considerado pelos não-crentes como um absurdo infantil e grosseiro. No seu inquérito, hoje célebre, já Agathon declarava, segundo o depoimento insuspeito de Georges Sorel, que de todos os sábios do nosso tempo os matemáticos eram os que aceitavam com mais facilidade o dogma católico!
    "Quando se interroga um algebrista, ele responde-nos em geral que o milagre não oferece nada de estranho, porque o milagre comporta a intervenção de dados que não se conhecem."
    De que carecemos mais para mostrar quanto o materialismo atingiu o seu declínio, não sendo senão o património de meia dúzia de semi-analfabetos em quem a inferioridade do raciocínio se inculca como superioridade de espírito? Ainda a William James se deve a reabilitação dos Santos dentro do puro critério psicológico, contra o falso conceito científico que os reputava meros tipos de fenomenologia hospitalar. Reduz-se à mais deplorável das insuficiências a escola de Charcot, incorporando o êxtasis místico na flora larguíssima das taras nervosas. É preciso julgar a árvore pelos seus frutos! Enquanto "as taras nervosas enfraquecem e diminuem a alma, o êxtasis, pelo contrário, torna-a mais vigorosa, fortificara e enobrece-a". A experiência mística dos Santos condu-los à alegria, ao passo que o misticismo dos loucos é triste e aniquilador. "Um exalta, o outro deprime." Não há por isso possibilidade alguma de confusão. Por seu turno, no Traité de pathologie mentale, Ballet ensina-nos ser a fé religiosa, sob todas as suas formas, uma causa de tranquilidade moral.
    Já lá vão bastantes anos desde que Myers, sem intenções confessionais, apenas conduzido pelo lado experimental da questão, concluía ruidosamente pela sobrevivência da personalidade humana, depois da desagregação material da morte. Paralelamente, aqueles princípios em que a ciência se repousava confiadamente desfazem-se como bolas de sabão. Assim, Lobatchewski e Riemann, criando uma geometria fora das bases de Euclides, convencem-nos não ser verdade o teorema que nos dá a soma dos ângulos de um triângulo como igual a dois rectos. É ela menor para Lobatchewski e maior para Riemann. Com razão escrevia Poincaré que tudo era hipótese e que a ciência não assentava senão numa rede de convenções. Mas se a ciência, — a ciência como fim, a ciência que procura inquirir das causas primárias e se entrega a romanescas explicações do Universo, não é mais que um edifício erguido sobre simples convenções, o mesmo não acontece com os milagres de Lourdes, que são pão nosso de todos os dias. Não se trata somente de casos mais ou menos complicados de histeria, com motivo na alteração dos centros nervosos. O dr. Boissarie fala-nos da cicatrização de fístulas ósseas na cara dum doente. O dr. Le Bec, cirurgião-chefe dum hospital de Paris, verificou a cicatrização dum caso de cárie no calcanhar (calcaneum) e dum abcesso revelador de tuberculose vertebral. Três médicos belgas, Van Hoestenberghe, Royer e Deschamps relatam-nos a consolidação rápida duma velha fractura numa perna, acompanhada de chagas dolorosas. O Milagre existe pleno, irrecusável! Comporta, efectivamente, a intervenção de dados que não se conhecem nem se prevêem.
    No estado actual da nossa mentalidade, é necessário que as aparições de Fátima se tomem assim como uma realidade supra-sensível, de modo nenhum contestável pelo próprio espírito científico. Até já a auréola resplandente dos Santos a ciência honesta se vê obrigada a justificá-la, desde que a descoberta dos raios nos veio revelar uma energia luminosa, emanando do cérebro, e tornando-se mais forte sua irradiação quanto mais intenso é o trabalho cerebral. Se o trabalho do cérebro se materializa assim nos raios, porque é que a elevação mística, havida por William James como o ponto máximo da vida moral, não se há-de manifestar numa luminosidade mais intensa ainda e ainda mais duradoira? Riamos dos que, em nome dum falso naturalismo, se insurgem contra o Milagre e pretendem nivelar os acontecimentos verdadeiramente prodigiosos de Fátima como a explosão duma crendice baixa e sem resistência ao mais leve e reflectido exame!
    Cumpre às autoridades eclesiásticas instaurarem o respectivo processo.
    O sentimento de presença é um sinal poderoso de afirmação divina. Experimentaram-no, numa uniformidade admirável, quantos viram o Sol empalidecer diante de Aquela que vinha qual "a Aurora nascente, mais formidável do que um exército bem ordenado".
    Não estive em Fátima, mas de longe eu creio na assistência da Virgem à pobre terra de Portugal. Antes que a Igreja o definisse como dogma não fomos nós dos primeiros que A adoraram no Mistério da Sua Imaculada Conceição? A minha crença fundamenta-se na voz ponderada da minha consciência. Tão lamentável é a incredulidade que cega, como a dúvida que escandaliza! O visível não é mais que a expressão bem limitada do invisível. Para além do mundo imediato dos sentidos um mundo há, — mais amplo e mais insondável, que a inteligência mal adivinha e de que só a Fé nos entrega o segredo. Como no epitáfio do médico de Pádua, a ciência, de senhora tornada escrava, ensina-nos apenas a não ignorar a nossa ignorância. Por isso, pois que para edificação dos incrédulos e lição dos precavidos a humildade do espírito é o caminho aberto para Deus, repitamos com o velho Renan, ajoelhado nos degraus da Acrópole, que "raison et bons sens ne suffisent pas!".
    António Sardinha

    [1] Aconselhamos a propósito deste interessante ponto a leitura e o convívio de Jacques Maritain, no Antimoderne e nas Réflexions sur l'intelligence (1924) [Nota do Autor].
    (In Ao Ritmo da Ampulheta, 2ª ed., Lisboa, Biblioteca do Pensamento Político, 1978, pp. 209-219)
    Relacionado

    1948 - Hipólito Raposo, A benção de Ramalho
    1914 - "Nação Portuguesa - Revista de filosofia política", Anunciação
    1914 - Monarquia Orgânica, Tradicionalista, Anti-Parlamentar
    1917 - António Sardinha - 24 de Julho de 1833
    1917 - António Sardinha, A Ordem Burguesa
    1917 - António Sardinha, Carta dirigida a Sua Eminência Reverendíssima o Cardeal Mercier, Arcebispo de Malines e Primaz da Bélgica
    1917 - António Sardinha, Cultura Clássica
    1917 - António Sardinha, Fátima
    1918 - António Sardinha, El-Rei D. Carlos
    1918 - António Sardinha, Monarquia e República
    1920 - António Sardinha, Meditação de Aljubarrota
    1920 - António Sardinha, Nocturno de S. Silvestre
    1922 - António Sardinha, 1640 (Portugal Restaurado)
    1922 - Nação Portuguesa, 2ª série, nº 1, índice
    1922 - Nação Portuguesa, 2ª série, nº 2, índice.
    1922 - Nação Portuguesa, 2ª série, nº 3, índice.
    1922 - Nação Portuguesa, 2ª série, nº 4, índice.
    1922 - Nação Portuguesa, 2ª série, nº 5, índice.
    1923 - António Sardinha, Almas Republicanas
    1923 - António Sardinha, Olhando o Caminho
    1924 - António Sardinha - Teoria do Município - Teses
    1924 - António Sardinha, Madre-Hispânia
    1925 - António Sardinha, A Herança de Garrett
    1925 - Gilberto Freyre, António Sardinha
    1932 - Hipólito Raposo, Filología política
    1942 - Azinhal Abelho, Elvas - Quinta do Bispo
    1942 - ed., Luís de Almeida Braga, Caridade de Pátria
    1942 - Francisco Rolão Preto, O eixo Antero - António Sardinha e o seu prolongamento histórico
    1943 - Azinhal Abelho, António Sardinha e a Cidade de Elvas
    1949 - Manuel de Bettencourt e Galvão, Legitimidade
    1972 - Pequito Rebelo, A Aliança Peninsular. Uma Polémica Indesejável e Indesejada
    1978 - ed. , António Sardinha - A retirada para o Brasil
    1979 - Manuel Alves de Oliveira, O sentimento patriótico na poesia de António Sardinha
    1979 - Manuel Alves de Oliveira, O sentimento patriótico na poesia de António Sardinha
    1989 - Colóquio António Sardinha na Universidade Católica - Resumos
    2001 - José Manuel Quintas, «O Valor da Raça» segundo António Sardinha e o Integralismo Lusitano
    2002 - José Manuel Quintas, António Sérgio - «integralistas e seareiros são anticonservadores»
    2007 - Jorge de Azevedo Correia, António de Monforte, recensão ao livro «António Sardinha . Um Intelectual no Século» de Ana Desvignes
    António Sardinha
    Poesia de António Sardinha

  3. #3
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    Respuesta: António Sardinha a través dos seus textos

    Madre Inquisição


    Temos a África nas nossas veias.
    O mais do nosso sangue é sangue preto.
    Assim, carregadinhos de cadeias,
    onde é que irá ficar-nos o esqueleto?

    E eles mandam como as alcateias!
    Há tantos, que debalde os acometo.
    Logo ressurgem com as caras feias,
    – não sei por que feitiço ou amuleto!

    São moiros e ciganos quem governa.
    Nunca será bastante a pena eterna
    pr'a quem desfez a raça com torpeza!

    Oh Santa Inquisição, acende as chamas!
    E no fulgor terrível que derramas,
    Vem acudir à Pátria Portuguesa!


    António Sardinha in Pequena Casa Lusitana.


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    Etiquetas: António Sardinha, Poesia








    Auto de Fé


    A um poeta

    Não és da Cruz, não és do nosso rito.
    São de outro sangue os mortos que tu contas.
    Quem te vestisse a ti o sambenito
    e te impusesse a estrela de seis pontas.

    Teu verbo foi de morte! Foi maldito!
    É verbo de Israel, bramindo afrontas.
    De tudo o que deixaste um dia escrito
    perante Deus um dia darás contas!

    Iago, Saltamontes e Veneno,
    por grande que ele seja, é bem pequeno
    Meu ódio de cristão, de português!

    Deitem-lhe os livros todos à fogueira.
    E enquanto a chama os lambe justiceira,
    Ponham-lhe os santos óleos de outra vez!


    António Sardinha in Pequena Casa Lusitana.


    Publicada por O Reaccionário em 23:59 0 comentários

    Etiquetas: António Sardinha, Poesia









    Da verdadeira Monarquia


    A restauração da Monarquia – ponderava já De La Barre De Nanteuil – não é simplesmente a restituição do poder ao rei, mas a restauração de todas as leis fundamentais do povo. Pois, exactamente, nas «leis fundamentais» do povo, é que a nossa Monarquia tradicional assentava a sua razão histórica de existir. Não pensemos, de modo nenhum, em que seriam preceitos escritos, formando o que em boa mitologia política se convencionou chamar uma «constituição». Saídas de vários condicionalismos, tanto sociais como físicos, duma nacionalidade, formariam, quando muito, pelo consenso seguido das gerações, a observância dos princípios vitais da colectividade, – Família, Comuna e Corporação, ou seja, Sangue, Terra e Trabalho, cujo conjunto admirável Le Play designaria de «constituição-essencial».
    De «Monarquia limitada pelas ordens», classificaram os tratadistas portugueses a nossa antiga Realeza. Correspondendo às forças naturais da sociedade, organizadas e hierarquizadas em vista ao entendimento e bases do comum, as «ordens» do Estado eram, a dentro dos seus foros e privilégios, as depositárias natas dessas «leis fundamentais». Cada associação, cada classe, cada município, cada confraria rural, cada behetria, possuía na Idade Média o seu estatuto próprio, a sua carta de foral. Legislação positiva destinada a normalizar e a coordenar as exigências da vida quotidiana, tomava o «costume» por base e consagrava a experiência como sua regra inspiradora.


    António Sardinha in A Teoria das Cortes Gerais.


    Publicada por O Reaccionário em 20:45 0 comentários

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  4. #4
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    Respuesta: António Sardinha a través dos seus textos

    Versos a Dona Sol


    Fosse eu familiar do Santo Ofício,
    levava-te à prisão sem grande pena!
    Neta de moiro, herdaste o malefício
    Da tua raça morena!

    (...)

    Se houvesse Inquisição – que desengano!
    terias sido já queimada viva!

    Tição de varonias de Castela,
    o povo hebreu deixou vestígio em todas.
    Se és nódoa escura da linhagem dela,
    não temos de estranhar as tuas bodas!

    (...)

    Que airosa não ficavas, que elegante,
    de sambenito, algemas e carocha!
    Houvesse Inquisição!... E assim ligeira,
    em modos de possessa que estrebucha,
    terias já bailado na fogueira,
    oh filha dum cigano e duma bruxa!

    (...)

    eu próprio te levava ao Santo Ofício,
    oh Dona Sol de túnica amarela,
    que me puseste um dia malefício!...


    António Sardinha in Quando as Nascentes Despertam...


    Publicada por O Reaccionário em 23:30 1 comentários

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  5. #5
    Avatar de Hyeronimus
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    Parece que el enlace a O reaccinario está mal. Al pinchar me encuentro con este mensaje:

    Página não encontrada

    Lamentamos, mas a página que estava a procurar no blogue O Reaccionário não existe.



    A ver si este enlace funciona mejor:

    O Reaccionário

  6. #6
    Avatar de Hyeronimus
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    Sí, funciona. Muy recomendable el blog.

  7. #7
    Avatar de Irmão de Cá
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    Respuesta: António Sardinha a través dos seus textos

    O blogue é excelente! Desconhecia-o por completo!

    António Sardinha foi um intelectual admirável, de múltiplas expressões e abordagens. A figura do século XX para o tradicionalismo político português - talvez a figura de mais de um século.
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  8. #8
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    Cita Iniciado por Irmão de Cá Ver mensaje
    O blogue é excelente! Desconhecia-o por completo!

    António Sardinha foi um intelectual admirável, de múltiplas expressões e abordagens. A figura do século XX para o tradicionalismo político português - talvez a figura de mais de um século.
    É um autor muito interessante, de facto. É sempre uma lufada de ar fresco ler os seus textos.

    Gostei muito como desmonta o romantismo ocidental, muitas vezes revestido de um certo pedantismo ingénuo, que existe à volta da filosofia árabe e judaica, por oposição à filosofia cristã iluminada pela fé.

  9. #9
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    1924 - António Sardinha - Teoria do Município - Teses




    Teoria do Município



    António Sardinha

    Apêndice à “Teoria do Município”

    Para o Congresso Nacional Municipalista do Porto em 1924, que não chegou a realizar-se, escreveu António Sardinha, então Presidente da Câmara Municipal de Elvas, as teses seguintes:
    1ª Tese

    O Município não é uma criação legal. Anterior ao Estado, é preciso defini-lo e tê-lo como organismo natural e histórico.

    2ª Tese

    A descentralização administrativa não é, por isso, suficiente para resolver o problema municipalista.

    3ª Tese

    Órgão da vida local, inteiramente extinta, mas que é preciso ressuscitar para que haja vida nacional consistente e intensa, o Município deve ser restaurado nos termos em que vicejaria hoje o velho e tradicional município mediévico, se o seu desenvolvimento não tivesse sido estrangulado por factores de sobejo conhecidos.

    4ª Tese

    Essa restauração do nosso antigo Município equivale a considerá-lo não como uma simples função administrativa, mas como um centro de vida própria, espécie de unidade orgânica, abrangendo todas as relações e interesses dos seus convizinhos, desde o ponto de vista familiar e económico até ao ponto de vista cultural e espiritual.

    5ª Tese

    Restaurado em tais condições, o Município, simultaneamente suporte e descongestionador do Estado, contribuirá para atenuar a crise mortal que este atravessa, vítima do centralismo excessivo que o depaupera e abastarda.

    6ª Tese

    Como, em harmonia com o meio físico e a sua estrutura económica específica, os Municípios se não podem reduzir a um tipo único, – e esse é o erro da legislação herdada da revolução francesa – os Municípios poderão e deverão classificar-se segundo as características que lhe imprimam personalidade em MUNICÍPIOS RURAIS, MUNICÍPIOS INDUSTRIAIS, MUNICÍPIOS MARÍTIMOS, etc., havendo que admitir o MUNICÍPIOS-CIDADE, para os grandes centros urbanos.

    7ª Tese

    A classificação dos municípios, requerida por eles, importa consigo uma lei orgânica própria, – ou foral –, que o Município redigirá, entrando em vigor desde que receba a sanção do poder central.

    8ª Tese

    E como, na tendência crescente para a substituição do “indivíduo” pelo “grupo”, é preciso constranger o sufrágio a aceitar novos moldes, a constituição das câmaras municipais deverá sair, em número igual, de vereadores eleitos directamente e de representantes ou delegados das associações e sindicatos existentes na área de concelho.

    9ª Tese

    Na eleição municipal terão voto, além dos cidadãos em pleno exercício desse direito, as mulheres viúvas com lar constituído.

    10ª Tese

    Revogar-se-ão, com critério prudente, as leis de desamortização no tocante aos Municípios, podendo estes adquirir terrenos para aforar nos termos do “casal de família”, – regímen a que igualmente poderão ficar sujeitos os baldios ainda existentes.

    11ª Tese

    Para semelhante fim necessitam os Municípios ser autorizados ao lançamento de um tributo ou imposto especial sobre os proprietários absentistas.

    12ª Tese

    Dentro dos Municípios e onde houver Misericórdias, a estas admiráveis e tão portuguesas instituições deverão pertencer as funções de assistência pública, como base local e consequentemente descentralizada, cabendo às câmaras municipais dispensar o apoio e auxílio de que as Misericórdias careçam para bem cumprirem a sua augusta missão.

    13ª Tese

    Poderão os Municípios federar-se constituindo “regiões” em substituição dos “distritos” – decalque da legislação francesa, sem realidade geográfica nem justificação tradicional.

    14ª Tese

    Aos Municípios que pela sua pequenez ou insuficiência financeira não seja possível existência autónoma, permitir-se-á também que se federem com outros, mas sem a perda da sua personalidade.

    15ª Tese

    A instrução primária deve ser de base técnica e regional.

    16ª Tese
    É imperioso restaurar as Províncias, dotando-as de órgãos próprios e adequados.
    In À Sombra dos Pórticos

    (reed. in INTEGRALMENTE LVSITANO: Teoria do Município de António Sardinha)

  10. #10
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    Respuesta: António Sardinha a través dos seus textos

    Da infecção maçónica


    O internacionalismo maçónico contaminara-nos já desde atrás, com os soldados que serviram a fortuna de Napoleão e que no regresso nos empurravam francamente para a União Ibérica, saudada e propagada nas Lojas Peninsulares como o triunfo maior da causa da Liberdade. Só numa história escrita ao contrário, como a nossa anda, é que Gomes Freire pode figurar de mártir da Pátria. O militar valente, mas desnacionalizado, da epopeia napoleónica não era o único, porém. Os seus irmãos do triângulo simbólico enraizaram-se farta e fortemente no solo português, mal o senhor Intendente deixou de farejar por toda a Lisboa do começo do século findo os agentes perniciosos da grande conspiração universal que foi, na verdade, a Revolução. Pois da Maçonaria descende o nosso liberalismo, como da Maçonaria surgiu esta república, já adivinhada e procurada com entusiasmo de sentimento e oratória pelos homens de 1820.

    António Sardinha in Na Feira dos Mitos.


    Publicada por O Reaccionário em 16:51 0 comentários

    Etiquetas: António Sardinha, Democracia, Iberismo, Liberalismo, Maçonaria, República, Revolução

  11. #11
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    Re: Respuesta: António Sardinha a través dos seus textos

    Da infiltração maçónica na Igreja


    Filho da Revolução, o Liberalismo recolheu-lhe toda a herança, embora nas suas formas atenuadas. Aproveitando-se duma desastrada disputa dinástica, nós sabemos como tomou posse do nosso país. A Maçonaria foi como agente universal da indisciplina e da negação entre nós. E a Igreja não escapou à infiltração do seu morbo dissolvente e pertinaz. Os frades de S. Bento e os cónegos regrantes de Santo Agostinho, sobretudo, forneceram um meio propício ao maçonismo invasor. Noviço de Santa Cruz de Coimbra, José Liberato Freire de Carvalho, – D. Fr. José de Loreto –, desempenha um papel primacial no desenvolvimento da Maçonaria entre nós.
    Enlaçada a Maçonaria ao Liberalismo, a política religiosa inspirou-se imediatamente na figura regalista de Pombal. É nos clubes secretos que se conspira contra as bases tradicionais da sociedade, saindo de lá, em grande carnaval pelo país abaixo, a Revolução de 1820. Na lista dos cabecilhas avulta Fr. Francisco de S. Luís, mais tarde Bispo-Conde eleito, com a designação de Cardeal Saraiva. Segundo a relação das lojas existentes em Portugal por volta de 1821 e dada nesse ano à estampa em Paris, o futuro Cardeal-Patriarca fazia parte do estado-maior do Grande Oriente Lusitano com o crisma maçónico de Condorcet. Funcionavam com ele os Irm. Spartacus (D. Pascoal, membro do Grande Oriente Espanhol e encarregado da correspondência), Temístocles (Cónego Castelo Branco), Durac (Padre Portela, declarado profano por não ser exacto nas contas), e Tarquínio (José Pedro, dono dum botequim em que se alistavam adeptos). Como se mostra, era, na verdade, a melhor companhia para quem se cobriria ainda com a púrpura cardinalícia.
    Não é isolado o caso de Fr. Francisco de S. Luís. Não me refiro já aos simples tonsurados – legião inúmera nas hostes do Liberalismo e ao serviço da Maçonaria. Refiro-me apenas aos prelados. Ninguém ignora que o clero constitucionalista, se encarna à maravilha no tipo rechonchudo e cínico do Padre Marcos, teve quem o precedesse nos juramentos prestados sobre o compasso e o esquadro, à face do Supremo Arquitecto do Universo! O Arcebispo da Baía, D. Fr. Vicente da Soledade, presidiu às Constituintes de 22. No horror dos vintistas ao padre, não se lhe confiaria um lugar de proeminência, se a inscrição nos fastos do grémio lhe não abonasse a conduta. Mas o episódio mais impressivo sucedeu com o penúltimo Bispo de Elvas, D. Fr. Joaquim de Meneses e Ataíde.
    Na sua História da Maçonaria em Portugal, Borges Grainha, ao mencionar a loja Liberalidade, instalada em Elvas no ano de 1818, informa pertencerem a ela as principais pessoas daquela praça, entre outras o Bispo Ataíde, o General Stubs, o Visconde de Vila Nova de Gaia, José Lúcio Valdez, depois Conde do Bonfim, o Cónego João Travassos, o Tenente-Coronel Manuel Geraldes Ferreira Passos, que era o venerável e António Manuel Varejão, então ajudante de infantaria 8 e liberal exaltado, mas que serviu de testemunha contra os Irm. da sua loja, depois da queda da Constituição de 1820.


    António Sardinha in Ao Ritmo da Ampulheta.

    ***
    Plano Maçónico para a destruição da Igreja Católica.


    Publicada por O Reaccionário em 23:59 0 comentários

    Etiquetas: Anti-Cristo, António Sardinha, História, Maçonaria

  12. #12
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    O Reaccionário


    Cruzado sou


    Cruzado sou. Envergo uma couraça,
    Jurei meus votos num missal aberto.
    – eu me persigno em nome do Encoberto.

    Alto, bem alto, quando a lua passa,
    a lua me dirá se o avisto perto.
    Eu me persigno – ou seja noite baça,
    ou rompa o dia, com o sol desperto.

    Meu S. Cristóvão, de menino ao ombro,
    ó Portugal, – eu me comovo e assombro –
    nas tuas mãos ergueste o mundo inteiro.

    Entrei por ti na religião da Esperança,
    Pois na alvorada que de além avança,
    vem tu vestir-me o arnez de cavaleiro!


    António Sardinha in Pequena Casa Lusitana.

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    Etiquetas: António Sardinha, Poesia




    Portugal Crucificado


    Crucificado sobre um alto cerro,
    com moiros a jogar-lhe a roupa aos dados,
    eis Portugal pagando o antigo erro,
    eis Portugal penando os seus pecados.

    Insultam-no de baixo com aferro
    esses a quem o insulto fez medrados.
    Hora de expiação. Um ar de enterro
    tingiu de treva os longes carregados.

    E exclama Portugal: – «Senhor! Senhor!
    A mim, alcaide-mor da Cristandade,
    assim me abandonaste na agonia!»


    António Sardinha

    Publicada por O Reaccionário em 15:45 1 comentários

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    Viriato


    Deus fez a Terra. E a Terra fez a Raça,
    Da Raça e mais da Terra tu vieste.
    (O barro anónimo incarnou por graça
    e a treva encheu-se dum clarão celeste!)

    P'ra trás de ti há só a névoa baça,
    há só a argila que o teu corpo veste,
    parente das raízes, em quem passa
    toda a rijeza duma noite agreste!

    Porque és ajuda e segurança antiga,
    pode bem ser que a tua voz consiga
    guardar dos lobos o revolto gado...

    Erguido sobre os longes pardacentos,
    ó filho das levadas e dos ventos,
    acode ao teu rebanho tresmalhado!


    António Sardinha

    Publicada por O Reaccionário em 15:07 0 comentários

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  13. #13
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    Cruzado sou


    Cruzado sou. Envergo uma couraça,
    Jurei meus votos num missal aberto.
    – eu me persigno em nome do Encoberto.

    Alto, bem alto, quando a lua passa,
    a lua me dirá se o avisto perto.
    Eu me persigno – ou seja noite baça,
    ou rompa o dia, com o sol desperto.

    Meu S. Cristóvão, de menino ao ombro,
    ó Portugal, – eu me comovo e assombro –
    nas tuas mãos ergueste o mundo inteiro.

    Entrei por ti na religião da Esperança,
    Pois na alvorada que de além avança,
    vem tu vestir-me o arnez de cavaleiro!


    António Sardinha in Pequena Casa Lusitana.

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    Portugal Crucificado


    Crucificado sobre um alto cerro,
    com moiros a jogar-lhe a roupa aos dados,
    eis Portugal pagando o antigo erro,
    eis Portugal penando os seus pecados.

    Insultam-no de baixo com aferro
    esses a quem o insulto fez medrados.
    Hora de expiação. Um ar de enterro
    tingiu de treva os longes carregados.

    E exclama Portugal: – «Senhor! Senhor!
    A mim, alcaide-mor da Cristandade,
    assim me abandonaste na agonia!»


    António Sardinha

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    Viriato


    Deus fez a Terra. E a Terra fez a Raça,
    Da Raça e mais da Terra tu vieste.
    (O barro anónimo incarnou por graça
    e a treva encheu-se dum clarão celeste!)

    P'ra trás de ti há só a névoa baça,
    há só a argila que o teu corpo veste,
    parente das raízes, em quem passa
    toda a rijeza duma noite agreste!

    Porque és ajuda e segurança antiga,
    pode bem ser que a tua voz consiga
    guardar dos lobos o revolto gado...

    Erguido sobre os longes pardacentos,
    ó filho das levadas e dos ventos,
    acode ao teu rebanho tresmalhado!


    António Sardinha

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  14. #14
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    Re: Respuesta: António Sardinha a través dos seus textos

    O Reaccionário


    Direito de revolta


    Superior aos indivíduos duma triste hora passageira, a Pátria não é, com efeito, de modo nenhum o pretexto das nossas paixões transitórias, nem a nós nos assiste o poder de a transformarmos segundo os nossos caprichos e conforme as nossas ideologias. O estrangeiro não é, portanto, unicamente aquele que nasceu de outra comunidade com outra língua e outros costumes. É também estrangeiro o que, insurreccionando-se contra a regra que o conformou socialmente, realiza em si a tremenda palavra de Comte, ao condenar a Revolução como sendo a "rebeldia do ser contra a espécie".
    Ora quando esse estrangeiro, que é bem o estrangeiro do interior, desnacionalizado por ideias cosmopolitas, maçonizado por interesses baixos de seita, se apodera do governo duma nação para lhe imprimir uma finalidade adversa aos seus sentimentos fundamentais, não haverá legitimamente, até da parte duma minoria, o direito de revolta?


    António Sardinha in A Prol do Comum.


    Publicada por O Reaccionário em 02:00 0 comentários

    Etiquetas: António Sardinha, Contra-Revolução, Reacção



    "Pátria para sempre passada, memória quase perdida!"


    Pois para que não o seja é que nós voltamos ao mais alto exercício do nosso dever de portugueses, que não é senão o de promover entre nós uma restauração da Inteligência. Dum e doutro lado da trincheira em que Portugal se corta de cima a baixo, pululam, numa inconsciência torpe de arraial, os mesmos bonecos, os mesmos postiços, cuja genealogia Eça de Queiroz nos traçou na sua obra cheia da mais elevada intenção demolidora. Portugal morre, porque, tal como uma tribo de berberes, deixou secar as raízes que o prendem à alma eterna da História. Cabe-nos a nós por isso – minoria que por acaso nos julguem – reconstruir, antes de mais nada, a fisionomia moral da Nacionalidade, indo beber ao património das gerações transactas os estímulos sagrados que nos abrirão, de par em par, as portas misteriosas do Futuro.
    Assim se define o nosso nacionalismo, que não é nacionalismo somente, porque o tempera, como regra filosófica, o mais rasgado e genuíno tradicionalismo. Aceitação das razões fundamentais da Pátria com todas as leis derivadas da Raça e do Meio, nós não nos fechamos, porém, nessa moldura estática, em que por vezes pode tumultuar um forte vento anárquico, como o provam na sua incapacidade conhecida as diversas improvisações nacionalistas provocadas pela guerra europeia. Há que ir mais longe e realizar pela projecção do génio de cada pátria numa consciência maior um ideal superior de civilização – o da civilização cristã que formou o mundo e esperamos confiadamente o salvará ainda.


    António Sardinha in A Prol do Comum.


    Publicada por O Reaccionário em 21:40 0 comentários

    Etiquetas: António Sardinha, Nacionalismo, Tradicionalismo

  15. #15
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    Re: Respuesta: António Sardinha a través dos seus textos

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    Direito de revolta


    Superior aos indivíduos duma triste hora passageira, a Pátria não é, com efeito, de modo nenhum o pretexto das nossas paixões transitórias, nem a nós nos assiste o poder de a transformarmos segundo os nossos caprichos e conforme as nossas ideologias. O estrangeiro não é, portanto, unicamente aquele que nasceu de outra comunidade com outra língua e outros costumes. É também estrangeiro o que, insurreccionando-se contra a regra que o conformou socialmente, realiza em si a tremenda palavra de Comte, ao condenar a Revolução como sendo a "rebeldia do ser contra a espécie".
    Ora quando esse estrangeiro, que é bem o estrangeiro do interior, desnacionalizado por ideias cosmopolitas, maçonizado por interesses baixos de seita, se apodera do governo duma nação para lhe imprimir uma finalidade adversa aos seus sentimentos fundamentais, não haverá legitimamente, até da parte duma minoria, o direito de revolta?


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    "Pátria para sempre passada, memória quase perdida!"


    Pois para que não o seja é que nós voltamos ao mais alto exercício do nosso dever de portugueses, que não é senão o de promover entre nós uma restauração da Inteligência. Dum e doutro lado da trincheira em que Portugal se corta de cima a baixo, pululam, numa inconsciência torpe de arraial, os mesmos bonecos, os mesmos postiços, cuja genealogia Eça de Queiroz nos traçou na sua obra cheia da mais elevada intenção demolidora. Portugal morre, porque, tal como uma tribo de berberes, deixou secar as raízes que o prendem à alma eterna da História. Cabe-nos a nós por isso – minoria que por acaso nos julguem – reconstruir, antes de mais nada, a fisionomia moral da Nacionalidade, indo beber ao património das gerações transactas os estímulos sagrados que nos abrirão, de par em par, as portas misteriosas do Futuro.
    Assim se define o nosso nacionalismo, que não é nacionalismo somente, porque o tempera, como regra filosófica, o mais rasgado e genuíno tradicionalismo. Aceitação das razões fundamentais da Pátria com todas as leis derivadas da Raça e do Meio, nós não nos fechamos, porém, nessa moldura estática, em que por vezes pode tumultuar um forte vento anárquico, como o provam na sua incapacidade conhecida as diversas improvisações nacionalistas provocadas pela guerra europeia. Há que ir mais longe e realizar pela projecção do génio de cada pátria numa consciência maior um ideal superior de civilização – o da civilização cristã que formou o mundo e esperamos confiadamente o salvará ainda.


    António Sardinha in A Prol do Comum.


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  16. #16
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    Re: Respuesta: António Sardinha a través dos seus textos

    O Reaccionário: Da Monarquia tradicional



    A restauração da Monarquia, – ponderava já De La Barre de Nanteuil –, não é simplesmente a restituição do poder ao rei, mas a restauração de todas as leis fundamentais do povo. Pois, exactamente, nas «leis fundamentais» do povo, é que a nossa Monarquia tradicional assentava a sua razão histórica de existir. Não pensemos, de modo nenhum, em que seriam preceitos escritos, formando o que em boa mitologia política se convencionou chamar uma «constituição». Saídas de vários condicionalismos, tanto sociais como físicos, duma nacionalidade, formariam, quando muito, pelo consenso seguido das gerações, a observância dos princípios vitais da colectividade, – Família, Comuna e Corporação, ou seja Sangue, Terra e Trabalho, cujo conjunto admirável Le Play designaria de «constituição-essencial».
    De «Monarquia limitada pelas ordens», classificaram os tratadistas portugueses a nossa antiga Realeza. Correspondendo às forças naturais da sociedade, organizadas e hierarquizadas em vista ao entendimento e bases do comum, as «ordens» do Estado eram, a dentro dos seus foros e privilégios, as depositárias natas dessas «leis fundamentais». Cada associação, cada classe, cada município, cada confraria rural, cada behetria, possuía na Idade Média o seu estatuto próprio, a sua carta de foral. Legislação positiva destinada a normalizar e a coordenar as exigências da vida quotidiana, tomava o «costume» por base e consagrava a experiência como sua regra inspiradora.


    António Sardinha in A Teoria das Cortes Gerais.


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  17. #17
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    Re: Respuesta: António Sardinha a través dos seus textos

    O "Reaccionário" escreve agora no blogue Acção Integral


    Somos tradicionalistas!



    Somos tradicionalistas. Ser tradicionalista não é devolver-nos ao Passado, morto, inerte nos seus moldes cristalizados. É aceitar do passado o impulso dinâmico, a sua força vivificadora. Para nós tudo o que é repousa naquilo que foi. A tradição não é assim um ponto imóvel na distância. É continuidade no desenvolvimento, é aquela ideia directriz que já Claude Bernard apontava como presidindo à vida dos seres. Não acatar as regras inalienáveis da nossa confirmação histórica o mesmo é que pretender substituir estultamente a nossa hereditariedade individual por qualquer outra que seja mais da nossa simpatia.
    Os princípios que defendemos, antes de serem princípios, foram conclusões. Nós não significamos aqui mais que um voto unânime da nacionalidade pelo apelo sagrado dos seus Mortos.
    A nossa política não é uma política de profissionais mas uma política de profissões. Assentamos numa concepção orgânica da sociedade, com a diferenciação e a competência por critérios reguladores. Se nos Insurgimos contra a democracia, é porque a democracia é a negação de todo o estímulo e de toda a prosperidade. Somos antiliberais. Mas somos antiliberais, porque, municipalistas em relação às administrações locais e sindicalistas em face da questão operária; é pelas liberdades, de sentido restrito e concreto, que dedicadamente nos bateremos.


    António Sardinha in «A Monarquia» de 20 de Fevereiro de 1917.
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  18. #18
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    Re: Respuesta: António Sardinha a través dos seus textos

    Libros antiguos y de colección en IberLibro
    :: Revista Militar ::

    «Aliança-Peninsular»

    Mestre Maria da Conceição Vaz Serra Pontes Cabrita*


    Depois do fracasso da Restauração Monárquica no Norte, proclamada a 19 de Janeiro de 1919, António Sardinha exila-se em Espanha, entre Janeiro daquele ano e Maio de 1921.

    O País vizinho, durante os quase dois anos e meio de exílio, quer seja pela influência, pela reciprocidade de pontos de vista ou pelo simples convívio com, entre outros Juan Vásquez de Mella y Fanjul, com o Marquês de Figueroa, Juan Bautista Armada y Losada, Gabriel Maura Gamazo, Duque de Maura e Conde de la Mortera, Ramiro de Maeztu, Fernando Gallego de Chaves Calleja, Marquês de Quintanar ou Juan de Contreras y López de Ayala, Marquês de Lozoya, ou até, simplesmente pela sua sensibilidade, Espanha revela-se e penetra no seu espírito de uma forma tão profunda que, em carta para sua mulher, Ana Júlia Nunes da Silva, escrita pouco tempo antes de regressar a Portugal e tendo já a confirmação da sua amnistia confessa: «Vai comigo, uma lição amarga de tanta pena, o carinho acolhedor deste vizinho admirável que eu irei ver todas as tardes […], porque não posso nem quero ser ingrato ao país que me acolheu e em que a minha inteligência adquiriu a sua plena maturação.».[1] Na verdade, o seu projecto de «aliança-peninsular»[2] ganha expansão e será um labor constante nos seus anos de exílio e até ao final da sua curta existência, concretizando-se de forma mais unitária, digamos assim, na sua obra A Aliança Peninsular - Antecedentes e Possibilidades (1924) no entanto, este plano de política internacional que António Sardinha propõe, recordemos, remonta a 1915 como alternativa à União Ibérica e correlatas doutrinas iberistas combatidas nas Conferências da Liga Naval, permanecendo sempre presente visto que, para o ensaísta, «Portugal, ligado à Espanha pela mesma finalidade exterior, recupera novamente, o senso adormecido da sua antiga vocação mundial.».[3]




    Missiva, de Juan Bautista Armada y Losada, Marquês de Figueroa, de Madrid, 28 de Março de 1921, que na qualidade de Presidente da Unión Ibero-Americana pede a António Sardinha para que concretize, com urgência, o tema da conferência que, em princípio, estaria para ser proferida no dia 2 de Abril de 1921. Universidade Católica Portuguesa, Lisboa.

    Cartão, Madrid, 1 de Abril de 1921, do escritor, jornalista e político, Ministro de Gracia y Justicia e Minstro de Agricultura, Industria, Comercio y Obras Públicas durante o reinado de Afonso XIII, que envia vários convites a António Sardinha, para sua distribuição particular, para a conferência que este realizará a 4 de Abril de 1921.
    Universidade Católica Portuguesa, Lisboa.


    As páginas que compõem À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares editadas postumamente em 1943, nas quais expõe o seu conceito de «Hispanismo», constituem um contributo para aquela obra de síntese que surgirá um mês e pouco antes da sua morte, cujo embrião foi uma conferência proferida em Abril de 1921 na Unión Ibero-Americana, em Madrid, a convite do Marquês de Figueroa,[4] havendo por isso, uma reincidência de temas, de formas de exposição, de argumentação, ainda que por vezes possam surgir de maneira mais alargada e, até, de redacção.






    A obra A Aliança Peninsular - Antecedentes e Possibilidades conheceu três edições em Portugal[5]: A primeira, surge em 1924, a segunda, em 1930, ambas pela Livraria Civilização e a terceira, de 1972, vem a lume como edição da mulher do autor, Ana Júlia Nunes da Silva. As duas primeiras edições têm a particularidade de serem ilustradas. Quando a obra é dada à estampa, em 1924, abre com um prefácio de Gabriel Maura Gámazo, Duque de Maura e Conde de la Mortera,[6]grande amigo de António Sardinha que chegou a auxiliá-lo no exílio, concedendo-lhe a sua protecção para o ensaísta se poder deslocar a Badajoz durante uma das presidências de Governo, exercida por seu Pai, António Maura.[7] No seu prefácio, o Conde de la Mortera enaltece, em termos gerais, a obra do pensador de Monforte mas sobretudo, chama a atenção do leitor para «La Alianza peninsular, nuncio venturoso del fecundisimo concierto entre todas las gentes hispánicas de Europa y América, no será jamás posible mientras no haya arraigado en las entrañas de la raza un altisimo ideal, sufocador de prevenciones y suspicacias, del recuerdo de recíprocos agravios e injusticias, de la incomprensión mutua, del legitimo orgullo y la mezquina vanidad; es decir, mientras lo que nos junte no valga y pese más que lo que nos separa.».[8] Este prefácio acompanha as três edições da obra, sendo que, a terceira edição congrega, para além de uma «Nota prévia» da autoria de Mário Saraiva,[9] os prólogos que integraram as duas edições que a obra teve em Espanha. Traduzida pelo Marqués de Quintanar, grande amigo de António Sardinha,[10] que conviveu em Coimbra com Eugénio de Castro, em Lisboa com Hipólito Raposo, Alberto de Monsaraz, Pequito Rebelo, Afonso Lopes Vieira e Martinho Nobre de Melo[11] confessa-se, em 1932, influenciado pelo ensaísta de Monforte a tal ponto que desejou divulgar a sua obra em Espanha - «De mi amistad fraternal con Antonio Sardinha, había recibido yo las primeras nociones de estas disciplinas autoritarias y antidemocráticas, hacía cerca de doce años e invariablemente, al ponerme en contacto con los integralistas retoñaba en mí el deseo de iniciar su obra en España.».[12] La Alianza Peninsular - Antecedentes y posibilidades, na sua primeira edição, é dada à estampa pela Junta de Propaganda Patriótica y Ciudadana, em 1930, com prólogo de Ramiro de Maeztu[13] que, para além de evocar a obra do autor de Glossário dos Tempos, realça «La publicación en libro castellano de La Alianza Peninsular va a servir para que empiece a erguirse, entre los pueblos de nuestra habla, una figura que antes de mucho tiempo se alzara en el horizonte del espíritu como uno de los grandes profetas de la Hispanidad.».[14] Este membro da Geração de 98 espanhola, é igualmente evocado no artigo de 1922, «Portugal, Tierra Gensor!», incluído na colectânea À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, no qual António Sardinha, exprime a sua admiração e anuência pela obra La crisis del Humanismo (1919), na qual descortina a ineficácia do individualismo[15] e tece algumas considerações sobre uma conferência que Ramiro de Maeztu proferiu sobre Portugal e o Lirismo no sentido de uma complementaridade dual, para sempre existente com Castela, pertencendo-lhe a ela o «espírito dramático».[16] Do lirismo português vê, o articulista de Monforte, despontar o Sebastianismo, de Castela o Quixotismo, «nascido do alto sentido patético da existência, que é o segredo em Castela das suas catedrais, dos seus pintores e dos seus heróis.».[17] «Sebastianismo e Quixotismo» é também o título de um artigo que compõeA Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, que António Sardinha pensava num futuro alterar quanto à forma, «na expressão aliterada, tresandando a "saudosismo" e a Teixeira de Pascoaes.»,[18] no qual reforça a ideia do espírito lírico português, fruto do meio, do localismo, do bucolismo, que concebe como uma característica inata, gerador de «O Desejado» e da saudade, enquanto que Castela, é a epopeia, canta os seus heróis, não que não tenha lirismo na sua índole mas a épica, a gesta de cavalaria, os seus valores, que a figura tocante de «D. Quijote» representa suplanta, ali, o carácter amorável da lírica.[19] Seja como for e, embora António Sardinha insista, uma vez mais, são dois aspectos que individualizam mas que não separam, antes se completam.[20] É interessante pela coincidência de pontos de vista que Ramiro de Maeztu exprime quando esteve cerca de um mês em Portugal, entre o final de 1921 e o limiar do ano seguinte, espaço de tempo que aproveitou para ler Os Lusíadas e Antero de Quental e que em Janeiro de 1922 em carta que escreve a António Sardinha refere: «Cada vez estoy más persuadido de que es cierta mi adivinación de que la integridad del alma, para un peninsular, consiste en completar la tradición cultural de Castilla con la de Portugal, sin olvidar los elementos esenciales que aportamos al espíritu otros peninsulares que, como los vascongados, no habiamos influído hasta ahora esencialmente en la cultura, salvo en el caso accidental, de Loyola. Que en lo politico vaya cada uno de nuestros países por donde quiera, pero en el espiritual hay una unidad que es salvadora para todos. Nosotros nos morimos sin el lirismo portugués y ustedes se deshacen sin nuestro realismo.».[21] A segunda edição espanhola vem a lume em 1939, publicada pela «Acción Española», abrindo com prólogo do Marquês de Quintanar que percorrendo o trabalho de António Sardinha, a História de Espanha e de Portugal, no seu momento presente, expõe que «Las razones de la "alianza peninsular," los motivos todos pueden surgir de este gran tema central, están agotados en la presente obra capital de António Sardinha. Para su cultura de historiador, para su inspiración de poeta, para su fragante patriotismo y su tierno amor a España, no puede haber secreto sin descubrir, ni hecho cuyas consecuencias deje sin explorar con la máxima eficacia. Así, la Historia, la Gran Historia de nuestra Península, que es como decir el índice de la Cultura de Occidente, recibe la consagración cordial e intelectual del primer portugués de la época moderna.».[22] La Alianza Peninsular - Antecedentes e Posibilidades não foi a única obra de António Sardinha publicada em Espanha. Mesmo antes da sua primeira edição no País vizinho, são traduzidos pelo jurista, escritor e político valenciano, Juan Beneyto Pérez, dois ensaios: «O génio peninsular» e «1640», ambos de 1922, publicados inicialmente nas páginas de Nação Portuguesa e posteriormente incluídos na colectânea, À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares.[23] Sob o título La Cuestión Peninsular,aqueles dois ensaios conhecem em Espanha, duas edições: A primeira, em 1927, pensamos que editada pelo próprio Juan Beneyto também autor do prólogo, a quem a Viúva do autor exprimiu o seu agradecimento e as suas preocupações a nível nacional[24] e, uma segunda edição, por Cerón y Librería Cervantes, em 1940, com prólogo do Marquês de Lozoya[25] que louva a obra de António Sardinha sobretudo nessa visão de unidade cultural entre Portugal e Espanha que, na sua opinião, «constituye el fondo de su obra poética y politica que fué, ciertamente, mejor comprendida en Portugal que en España.».[26] A Juan de Contreras y López de Ayala dedica António Sardinha um artigo a propósito da publicação de Poemas Castellanos (1920), no qual recorda, também,Sonetos Espirituales (1918) e se, a propósito dos primeiros, exprime a evocação da história na emoção do poeta da sua Segóvia admirada,[27] nos quais divisa uma «nobre intenção castelhanista»[28] e uma «lusitaníssima saudade»,[29] que lhe despertam um nostálgico paralelismo entre a aridez do campo castelhano e a melancólica planura dos campos despidos do seu Alentejo natal,[30] em Sonetos Espirituales, o poeta de Monforte vislumbra «uma alma aberta às supremas inquietações do Divino»[31] sentindo-se devedor, pelo tom imbuído de saudade que descortina nos poemas do Marquês de Lozoya, pela emoção que lhe despertam, como um bálsamo para a sua sensibilidade, na solidão do exílio.[32]

    Em Junho de 1925, falecido já António Sardinha, presta-lhe tributo Juan de Contreras nas páginas da Nação Portuguesa relembrando os tempos em que se conheceram na sua cidade de Segóvia, elucidando-nos sobre alguns traços do carácter do pensador alentejano que pretendia descobrir Castela, que se revelou fiel e grato a esta amizade dos seus tempos de expatriado, que se prolongou por correspondência e intercâmbio de obras, sobretudo poéticas, evocadora da sua perseverança em prosseguir essa missão em prol do hispanismo que, ao que parece, Lozoya não correspondeu com a diligência necessária pelo que António Sardinha não se revelou indiferente na dedicatória inscrita no volume A Aliança Peninsular - Antecedentes e Possibilidades que lhe ofereceu: «Ao querido Marquês de Lozoya; estas páginas dum hispanista que não encontra eco em Espanha.»[33] o que, talvez não se tivesse verificado pois, através da sua leitura, Juan de Contreras confessa-nos que fez daquele ideal um propósito de vida, que tanto seduzia o ensaísta de Monforte.[34] Vê Lozoya, no autor de À Sombra dos Pórticos, mais um historiador que um poeta, um historiador que se apresentava aos olhos do crítico de arte e literato espanhol, pelas páginas da Nação Portuguesa, pela sua colectânea de ensaios, Ao Princípio era o Verbo, como que um rectificador da História, que encarava como uma arte, que a reescreve deixando transparecer o seu espírito lírico mas ao mesmo tempo combativo e ardente enquanto, na poesia revela, em sua opinião, um desalento e enfado próprios de um esforço despendido que não corresponde ao realizado nos seus versos denunciadores de um franciscanismo que se manifesta pelo seu amor às coisas simples nas quais vê revelar-se o Criador.[35] Com Na Corte da Saudade - Sonetos de Toledo, entrevê Juan de Contreras, que os seus poemas «dieron a Toledo, y aun a toda a Castilla, tan fuerte y segura de si misma, un nuevo valor: el de la dulce añoranza de glorias pasadas y amores muertos»[36] que a irmanam a Portugal.

    Elucidativa deste esforço em prol da «Amizade Peninsular»,[37] da campanha integralista do projecto «Aliança Peninsular», foi a reunião que o Marquês de Quintanar promoveu e ofereceu a alguns exilados portugueses, no Hotel Ritz em Madrid, que reuniu alguns nomes de destaque do meio literário madrileno, que ficou registada numa fotografia publicada no jornal La Tribuna[38] e que A Monarquia reproduzirá a 3 de Agosto de 1920:



    O volume A Aliança Peninsular - Antecedentes e Possibilidades é dedicado «À memória daqueles soldados espanhóis que, regando com seu sangue anónimo as penhas de Marrocos, souberam dar vida num século sem esperança a toda a grandeza histórica da Península.».[40] De facto, a guerra do Rif, para António Sardinha é uma questão preocupante ao encará-la como uma guerra de civilização, de definição de fronteiras pelo espaço de uma hegemonia hispanista, como que uma Cruzada não apenas considerada no seu aspecto religioso mas também contra uma mentalidade e organização protagonizada pela França, cujo receio seria a asfixia da Península entre a França europeia e as suas possessões no Norte de África.[41]

    Tem esta obra em prol do hispanismo como núcleo embrionário a conferência que o seu autor proferiu, em 1921 na Unión Ibero-Americana como já fizemos referência.[42] Nela, António Sardinha busca aquilo que nos proporcionou uma união com o País vizinho, aquilo que nos une desde a História, a Arte e as Letras, onde a questão do bilinguismo-literário tem como referente D. Carolina Michaëlis de Vasconcelos, apesar de uma marcante individualidade que reconhece a cada País peninsular que não separa mas complementa.[43] Enaltecendo o que considera a política de cooperação da dinastia de Avis, que se baseava sobretudo nas alianças matrimoniais, presta homenagem às personalidades femininas da História de Portugal que foram protagonistas desta forma de coligação e que facilitaram de alguma maneira, com a sua presença ou com a sua influência, a relação entre as duas Nações, bem como àquelas, do Reino vizinho, que o ensaísta considerou mais marcantes e que talvez, nos surjam mais diluídas na terceira edição da obra do que na primeira e segunda edições uma vez que figuram nas ilustrações que as compõem.[44]

    Reconhecendo que quando veio para o exílio «trazia contra Espanha todos os preconceitos da minha inteligência e da minha sensibilidade»[45] seria pelo estudo da história e sobretudo pelo contacto directo com o País vizinho que, António Sardinha, revê algumas das noções enunciadas nas conferências da Liga Naval a partir do pressuposto do que descortina enquanto uniformidade de origem e de objectivos.[46] Será a «Hispânia»[47] dos textos clássicos que inspirará o enunciar de dois conceitos aparentemente antagónicos - união e dualidade - das duas Nações peninsulares.[48] A ideia de Raça será agora encarada não no seu sentido étnico mas no seu significado espiritual, de um mesmo património cultural, civilizacional[49] que extravasou fronteiras que «criou nacionalidades»,[50] que difundindo o Cristianismo, na sua função histórica e social, dilatou o Império, aqui encarado como um Império espiritual, do qual o génio peninsular, que exibe como principal determinante a vocação apostólica, é origem,[51] que simultaneamente, confere ao nacionalismo português uma dimensão universal no que define como uma propensão missionária ingénita de Portugal[52] na sua «vocação marítima»[53] atribuindo a Castela[54] uma «vocação terrestre»[55] numa alusão ao domínio do Mediterrâneo e da Europa Central,[56] que, um dia, se expandiu com a descoberta do Continente americano que subsequentemente entre as duas Nações, nessa criação do mare nostrum atlântico, lhes concedeu essa dimensão de «pan-Hispanismo»[57] que, no seu momento presente e no seu entender, era necessário restaurar como salvação da civilização ocidental mediante o princípio cristão, seu componente determinante e implícito.[58] Como justificação e concretização deste ideal, António Sardinha, chama a atenção para a diferença entre unitarismo, sinónimo de união política e, unidade, esta de ordem espiritual, cultural, sentimental que, apoiada na diversidade confere riqueza à Península,[59] atendendo que e, ao longo da História, existiu um perigo de absorção mútua,[60] urgindo a aproximação e o entendimento entre os dois Países com base numa plataforma comum apoiada numa abertura de espírito que clarifique o que une e o que divide na convicção de uma dualidade que se completa.[61] Se a aproximação com o Brasil é apresentada como condição para o futuro de Portugal que deverá organizar-se e fortalecer-se, a aliança com a Espanha tornar-se-á, assim, mais estreita numa identificação de um passado comum além fronteiras e, do qual a Festa da Raça é expressão, não podendo, por isso, Portugal ficar excluído dessa manifestação do internacionalismo hispânico.[62] Dando-nos como exemplo o tradicionalista Vásquez de Mella, que apontava para a necessidade de uma aliança entre os dois Países, benéfica para Espanha por necessidade de política externa e para Portugal como forma de recuperação da sua influência no mundo enquanto Nação atlântica[63] sendo, por isso, o caminho preconizado, o Continente americano, deveriam ser lançadas as bases para a constituição de uma «sociedade das nações hispânicas»[64] sob a qual, Portugal, como Nação independente e, restaurado pela Monarquia e pelo Catolicismo, em harmonia com a monárquica e católica Espanha, pudesse constituir uma Península para os autóctones longe da ingerência estrangeira formando como que um bloco invencível, um baluarte que poderia prevenir a queda do Ocidente.[65] Recomenda-nos, então Sardinha que olhemos para Camões enquanto «definidor da consciência hispânica»[66] que em Os Lusíadas, no Canto I, (est. 31) e no Canto III, (ests.17 e 18)[67] condensa o «verdadeiro pensamento do hispanismo».[68] Tornava-se ainda necessário, desmistificar «a lenda negra» de Espanha, de sujeição e reclusão,[69] «Bipartida no aspecto trágico e no aspecto burlesco, essa "lenda negra" que à Espanha picaresca das pandeiretas e dos toureiros alia a Espanha sinistra dos Autos-de-Fé e dos Filipes.»,[70] que considera uma infâmia do século XVIII e, principalmente, de origem francesa,[71] reabilitar a figura de Filipe II, em particular e em termos gerais o domínio filipino enquanto Monarquia dual através de uma sucessão legítima[72] que todavia, facilmente se desfez quando irromperam aspirações centralizadoras e as consequentes limitações e extinção de direitos e garantias,[73] ter em conta a restauração da «alma portuguesa»[74] que ocorre num severo século XVII que é necessário regenerar no qual o mito sebástico ganha alento e se manifesta como expressão do espírito português num século austero mas que, na opinião de António Sardinha, produziu alguns dos percursores das doutrinas nacionalistas.[75]

    Recordando que o Integralismo Lusitano pretende um retorno ao «Hispanismo» que se viveu no século XV, nessa partilha do mundo, o ensaísta chama a atenção para os laços especiais que unem Portugal aos Extremeños na enorme empresa marítima,[76] para a união das duas Nações nas Guerras Peninsulares,[77] para a importância do regresso à Filosofia do Ser, muito particularmente à distinção que S. Tomás de Aquino opera entre «pessoa» e «indivíduo», determinadora de uma maneira de levar avante uma forma de hegemonia no mundo,[78] a «Ordem-Nova» - o apego «à supremacia criadora do Espírito»[79] - que ao «Hispano» confere um super-nacionalismo, que no seu momento presente, considerava necessário retomar reabilitando e evocando um passado colonizador onde a vocação apostólica tem a primazia, não ignorando o paralelismo de uma barbárie fruto da condição humana, atribuindo a decadência que vislumbrava no seu tempo à ruptura com o ideal cristão.[80] Assim, pondo de lado erros e ressentimentos, António Sardinha propõe um abraço de reconciliação no qual «O Encoberto, corporizado no milagre sempre vivo de Restauração, é o Encoberto do Quinto-Império pacífico de Espanha e Portugal, fundadores de nacionalidades, pioneiros da única civilização possível.».[81]

    Dos anos passados no exílio recolhera António Sardinha novas perspectivas, o seu forte sentido religioso robusteceu-se a sua sensibilidade agudizou-se e, se o ideal integralista se centrou na reformulação plena de Portugal agora adquiriu de uma forma mais profunda uma feição que lhe podemos chamar universal determinadora de um modelo de civilização. Foi um ideal que perseguiu até ao fim dos seus dias no retiro da Quinta do Bispo, em Elvas.


    Bibliografia

    BLEIBERG, German, Diccionário de Historia de España, Madrid, Alianza Editorial, 1979.
    CAMÕES, Luís de, Os Lusíadas, Lisboa, Círculo de Leitores, 1980.
    DESVIGNES, Ana Isabel de Sousa Sardinha, António Sardinha (1887-1925): Um intelectual no século, Lisboa, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, 2006.
    LÓPEZ, José Garcia, Historia de la Literatura Española, Barcelona, Vicens Vives, 1997 (20ª. edição).
    QUINTAS, José Manuel Alves, Filhos de Ramires. As origens do Integralismo Lusitano, Lisboa, Nova Ática, 2004.
    SARAIVA, Mário, Às Portas da Cidade, Lisboa, Edição do Autor, 1976.
    SARDINHA, António Maria de Sousa, Durante a Fogueira - Páginas da Guerra, Lisboa, Livraria Universal, 1927.
    Idem, La Cuestión Peninsular, Cádiz, Cerón y Librería Cervantes, 1940, (2ª edición). Idem, Glossário dos Tempos, Lisboa, Edições Gama, 1942.
    Idem, À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, Lisboa, Edições Gama, 1943.
    Idem, A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, Lisboa, Edição de Ana Júlia Nunes da Silva Sardinha, 1972 (3ª edição).

    Revistas e periódicos

    A Cidade, Revista Cultural de Portalegre, nº 2-Especial (Nova Série), Julho/Dezembro 1988.
    Academia (Publicaciones Periódicas): Boletín de la Real Academia de Bellas Artes de San Fernando,nº 77 (2º semestre), 1993.
    Acción Española, Madrid, nº 10, 1.5.1932, Tomo II.
    Nação Portuguesa - Revista de cultura nacionalista, nº 7-8 (3ª série), 1925.
    Nação Portuguesa - Revista de cultura nacionalista, nº 3, Setembro, 1928, Tomo I (série V).





    [1]* Professora da Universidad de Extremadura (Espanha). Mestre em Filologia Portuguesa e doutoranda da mesma Universidade.
    1 «Carta de António Sardinha para Ana Júlia Nunes da Silva, s/d, com carimbo de chegada a Elvas a 14.4.1921», citada por Ana Isabel Simões de Sousa Sardinha Desvignes, António Sardinha (1887-1925): Um intelectual no século, Lisboa, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, 2006, pp. 244, 245 na p. 245.
    [2] A propósito da «Aliança-peninsular», veja-se também Joaquim Veríssimo Serrão, «O poeta António Sardinha na "Corte da Saudade"», in A Cidade, Revista Cultural de Portalegre, nº 2-Especial (Nova Série), Julho/Dezembro 1988, pp. 123-140 nas pp. 127, 128, 135-138; Ana Isabel Simões de Sousa Sardinha Desvignes, António Sardinha (1887-1925): Um intelectual no século, cit., pp. 238-243.
    [3] António Sardinha, «O nosso futuro», in Durante a Fogueira - Páginas da Guerra, Lisboa, Livraria Universal, 1927, pp. 119-130 na p. 128 citado por Ana Isabel Simões de Sousa Sardinha Desvignes, António Sardinha (1887-1925): Um intelectual no século, cit., p. 238.
    [4] António Sardinha, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, Lisboa, Edição de Ana Júlia Nunes da Silva Sardinha, 1972 (3ª edição), pp. LXIX-CXXVI na p. CVIII.
    [5] Nas referências a efectuar, utilizaremos a terceira edição.
    [6] Gabriel Maura Gámazo (1879-1963) foi político e historiador espanhol, membro do partido Liberal-Conservador, deputado nas Cortes por Calatayud, representou o seu País na Conferência de Paz em Haya em 1907 e na Conferência Naval de Londres em 1908 sendo senador vitalício em 1919. Durante a Ditadura de Primo de Rivera exerceu a oposição quando compreendeu que a Assembleia Nacional não se converteria em Cortes. Foi ainda Ministro do Trabalho no último Gabinete de Afonso XIII. No início da Guerra Civil exilou-se de Espanha regressando apenas em 1953. Foi membro da Real Academia de la Historia e da Real Academia Española. Cfr. Germán Bleiberg, «Gamazo, Gabriel Maura», in Diccionario de Historia de España, Madrid, Alianza Editorial, 1979, vol. II, p. 968.
    [7] António Sardinha, «A minha adesão à República», in Glossário dos Tempos, Lisboa, Edições Gama, 1942, pp. 251-286 na p. 256.
    [8] Gabriel Maura Gamazo, «Prólogo, Junio, 1924», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e Possibilidades, cit. pp. XVII-XXV nas pp. XXIV-XXV.
    [9] Mário António Caldas de Mello Saraiva (1910-1998), médico, que para além de ter exercido a sua profissão dedicou-se à escrita sobretudo em matéria de filosofia política colaborando em vários jornais e revistas. Acompanhou as organizações monárquicas desde os seus tempos escolares exercendo nelas vários cargos directivos, tendo sido presidente da Junta Distrital de Lisboa da Causa Monárquica e membro da sua Comissão Doutrinária. Foi fundador do movimento Renovação Portuguesa e da Biblioteca do Pensamento Político. Da sua obra destacamos: Claro Dilema (1944);Os Pilares da Democracia (1949); Coordenadas do Poder Real (1961); Razões Reais (1970); A Verdade e a Mentira (1971); Homens e Mulheres (1975) e Às Portas da Cidade (1976); Outra Democracia (1983); Impressões e Memória (1998). Cfr. Mário Saraiva, Às Portas da Cidade,Lisboa, Edição do Autor, 1976, s/p; José Manuel Alves Quintas, Filhos de Ramires. As origens do Integralismo Lusitano, Lisboa, Nova Ática, 2004, pp. 12, 15-17.
    [10] Fernando Gallego de Chaves Calleja (1889-1974), Marquês de Quintanar e Conde de Santibañez del Rio Cfr. «Homenaje a nuestro Director», Acción Española, Madrid, nº 10, 1.5.1932, Tomo II, pp. 410-423; Ramiro de Maeztu, «Prologo de la primera edición española, 1930)», inAntónio Sardinha, A Aliança Peninsular - Antecedentes e Possibilidades, cit. pp. LX-LXVII na p. LXVI; António Sardinha, La Alianza Peninsular - Antecedentes y Posibilidades, (Traducción de Marqués de Quintanar), Madrid, Junta de Propaganda Patriótica y Ciudadana, 1930 (1ª edición).
    [11] «Homenaje a nuestro Director», Acción Española, Madrid, nº 10, 1.5.1932, tomo II, pp. 410-423 na p. 420.
    [12] Ibidem.
    [13] Ramiro de Maeztu Whitney (1874-1936), membro da chamada Geração de 98 tal como Miguel de Unamuno, Pío Baroja, Antonio Machado ou José Martinez Ruiz, «Azorín», presenciou em Cuba a derrota da esquadra espanhola com a qual e com o desastre militar de Cavite, Espanha perdeu as suas últimas colónias ultramarinas. Ao regressar a Espanha, Ramiro de Maeztu alia-se ao grupo de escritores que pugnavam pela regeneração de Espanha e trava amizade com «Azorín» e Baroja. Nesta época, o autor de La crisis del humanismo (1919), mostra-se partidário da europeização de Espanha. Entretanto, parte para Londres onde é correspondente de vários jornais espanhóis começando aqui uma mudança de orientação no seu pensamento. Durante a Ditadura, é nomeado Embaixador na Argentina e ao regressar, a grandeza de Espanha não se firmava já na sua europeização mas antes na fidelidade às suas tradições. Preside à Acción Española e torna-se membro da Real Academia de Ciencias Morales. Em Outubro de 1936 é morto pelos revolucionários. Cfr. José García López, Historia de la Literatura Española, Barcelona, Vicens Vives, 1997, (20ª edição) p. 622.
    [14] Ramiro de Maeztu, «Prologo de la primera edición española, 1930)», in António Sardinha, A Aliança Peninsular - Antecedentes e Possibilidades, cit. pp. LX-LXVII na p. LXII.
    [15] António Sardinha, «Portugal, Tierra Gensor!, 1922», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, Lisboa, Edições Gama, 1943, pp. 113-128 nas pp. 115, 116.
    [16] Ibidem, p. 117.
    [17] Ibidem.
    [18] António Sardinha, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular –Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI na p. CIX.
    [19] Idem, «Sebastianismo e Quixotismo», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 87-111 nas pp. 90-93.
    [20] Ibidem, p. 110.
    [21] «Carta de Ramiro de Maeztu para António Sardinha, Monte Estoril, 22.1.1922», Biblioteca Universitária João Paulo II, Universidade Católica Portuguesa, Lisboa.
    [22] Marquês de Quintanar, «Prologo de la segunda edición española, 1939», in António Sardinha, A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. XXVII-LVI na p. XXXIV.
    [23] António Sardinha, «O génio peninsular», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit.,pp. 141-170; Idem, «1640, 1920», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 247-289.
    [24] Juan Beneyto Pérez, «Introducción», in António Sardinha, La Cuestión Peninsular, Cádiz, Cerón y Librería Cervantes, 1940, (2ª edición), pp. 9-11 na p. 9.
    [25] Juan de Contreras y López de Ayala (Segovia, 1893-1978), Marqués de Lozoya, historiador, crítico de arte e literato, foi professor de História de Arte nas Universidades de Valencia, Madrid e Navarra. Ao longo da sua vida desempenhou vários cargos relevantes no mundo da arte. Cfr. José Luís Morales y Marín, Juan Domínguez Sanchez y Fuencisla Rueda Rodríguez, «Centenário del Excmo. Sr. Marqués de Lozoya», in Academia (Publicaciones Periódicas): Boletín de la Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, nº 77 (2º semestre), 1993, pp. 9-34 nas pp. 27-34.
    [26] Marqués de Lozoya, «Prologo», in António Sardinha, La Cuestión Peninsular, cit., pp. 5-8 na p. 7.
    [27] António Sardinha, «Poemas Castellanos», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit.,pp. 55-71 na p. 60.
    [28] Ibidem, p. 58.
    [29] Ibidem, p. 60.
    [30] Ibidem.
    [31] Ibidem, p. 63.
    [32] Ibidem, p. 70.
    [33] Marquês de Lozoya, «À memória de António Sardinha - Notas sobre a obra de António Sardinha, 1925», in Nação Portuguesa - Revista de cultura nacionalista, nº 3, Setembro, 1928, Tomo I (série V), pp. 181-188 na p. 183.
    [34] Ibidem, p. 184.
    [35] Ibidem, pp. 185-187.
    [36] Ibidem, p. 187.
    [37] Idem, «Apêndice - Amizade Peninsular, 1920», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 283-289.
    [38] Ibidem, p. 286.
    [39] Cfr. António Ventura e Raul Ladeira, «Para uma Fotobiografia de António Sardinha», in A Cidade, Revista Cultural de Portalegre, nº 2-Especial (Nova Série), Julho/Dezembro 1988, fotografia nº 52; Ana Isabel Simões de Sousa Sardinha Desvignes, António Sardinha (1887-1925): Um intelectual no século, cit., fotografia nº 29.
    [40] António Sardinha, «Dedicatória», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit.,s/p.
    [41] Cfr. António Sardinha, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit.,pp. 179-245 nas pp. 234-238; Idem, «Errata necessária», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 167-185 na p. 185; Idem, «Se ainda é tempo!», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 297-320 nas pp. 301, 302, 306, 313, 320.
    [42] António Sardinha, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI na p. CVIII.
    [43] Idem, «A Unidade Hispânica», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 1-28 nas pp. 4-6
    [44] Nas ilustrações que integram a primeira e a segunda edições da obra figuram: D. Joana de Áustria, Mãe de D. Sebastião, D. Mariana Vitória de Bourbon, Mulher de D. José; D. Carlota Joaquina de Bourbon, Mulher de D. João VI Cfr. António Sardinha, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI na p. CXXIV; Idem, «A Unidade Hispânica», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit.,pp. 1-28 na p. 7.
    [45] António Sardinha, «A descoberta de Espanha, 1919», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 1-13 na p. 3.
    [46] Ibidem, pp. 3, 9.
    [47] É para o autor, a «Madre-Hispânia», que para além do seu conceito, é ainda o título de um ensaio inacabado, por morte do ensaísta, que constitui a redacção do discurso que proferiu em Badajoz, em 1924, no dia 12 de Outubro, dia da Fiesta de la Raza, a partir de 1958 Día de la Hispanidad e hoje, desde 1987, Día Nacional de España. Nesta comemoração, estiveram presentes Eugénio de Castro e alguns dos seus familiares nomeadamente a sua filha, Mafalda, que foi rainha dos Jogos Florais, que integraram a celebração, e, contaram com a colaboração de escritores portugueses dos quais, António Sardinha foi «mantenedor» pela parte de Portugal. Cfr. «Nota dos editores», in António Sardinha, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 179-245 na p. 245; «Cartas nº 26 a 30 de Eugénio de Castro para António Sardinha»,Arquivo da Universidade de Coimbra; «Das Ideias, das almas & dos factos - A Festa da Raça», in Nação Portuguesa - Revista de cultura nacionalista, nº 7-8 (3ª série), 1925, pp. CXLVI-CLII na p. CL.
    [48] Cfr. António Sardinha, «A descoberta de Espanha, 1919», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 1-13 nas pp. 12, 13; Idem, «O Pan-Hispanismo, 1922», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 171-178 nas pp. 174, 175; Idem, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 179-245 nas pp. 188, 189; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI na p. LXXIII; Idem, «A Unidade-Hispânica», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 1-28 na p. 23; Idem, «Genealogia duma Idéa», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 49-64 na p. 51; Idem, «Sebastianismo e Quixotismo», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 87-111 na p. 110.
    [49] Cfr. António Sardinha, «Prólogo, 1920», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit.,pp. XIII-XVIII nas pp. XIII, XIV; Idem, «Portugueses e Espanhóis, 1920», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 103-111 na p. 103; Idem, «O génio peninsular», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 141- 170 na p. 143; Idem, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 179-245 na p. 187.
    [50] Cfr. António Sardinha, «A descoberta de Espanha, 1919», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 1-13 na p. 9; Idem, «A Festa da Raça, 1921», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 73-80 na p. 76; Idem, «Hispanismo e Latinidade, 1922», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 89-102 na p. 97; Idem, «Portugal Restaurado, 1919», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 129-140 na p. 132; Idem, «O génio peninsular», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 141-170 na p. 150; Idem,«Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 179-245 na p. 225;Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. LXXXII, C; Idem, «A Unidade-Hispânica», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 1-28 na p. 4; Idem, «A "lenda negra"», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 187-208 nas pp. 202, 204; idem, «O que nos divide», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 209-235 nas pp. 211, 232; Idem, «Cabeça de Europa», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit.,pp. 237-267 na p. 256.
    [51] Cfr. António Sardinha, «A descoberta de Espanha, 1919», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 1-13 na p. 13; Idem, «Portugal Restaurado, 1919», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 129-140 na p. 132; Idem, «O génio peninsular», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 141- 170 nas pp. 150, 169; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possililidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. LXXIV, LXXV; Idem, «A "lenda negra"», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 187-208 nas pp. 203, 204; Idem, «Mare nostrum», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 321-352 na p. 330.
    [52] Cfr. António Sardinha, «A descoberta de Espanha, 1919», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 1-13 na p. 12; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. LXX, LXXV, XCIX, C, CIV-CVI, CXIX, CXXII.
    [53] António Sardinha, «O génio peninsular», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit.,pp. 141-170 na p. 154.
    [54] António Sardinha, por vezes, relativamente ao facto histórico prefere utilizar o apelativo «castelhano» a «espanhol» pois considera este como «uma criação política recente, não excedendo talvez no conceito geral dos Estados europeus mais que duzentos e tantos anos.», bem como lhe atribui um conceito nacionalista quando contraposto a «hispânico», de Hispânia, conotado com o espaço geográfico. Cfr. Idem, «O génio peninsular», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 141- 170 na p. 144; Idem, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 179-245 na p. 193; Idem, «A "lenda negra"», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 187-208 na p. 196; Idem, «Mare nostrum», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 321-352 na p. 325.
    [55] António Sardinha, «O génio peninsular», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit.,pp. 141- 170 na p. 154.
    [56] António Sardinha, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 179-245 na p. 191.
    [57] Cfr. Idem, «Hispanismo e Latinidade, 1922», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 89-102 na p. 101; Idem, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 179-245 na p. 193; Idem, «O Pan-Hispanismo, 1922», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 171-178 nas pp. 176, 177; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. CVII, CXXI, CXXII; Idem, «A "lenda negra"», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 187-208 na p. 204; Idem, «O que nos divide», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 209-235 nas pp. 211, 232, 233; Idem, «Cabeça de Europa», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 237-267 na p. 254;Idem, «Mare nostrum», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 321-352 na p. 350.
    [58] Cfr. António Sardinha, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit.,pp. 179-245 na p. 225; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. LXXI, XCIV, CXIX, CXXVI;Idem, «Mare nostrum», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 321-352 na p. 330.
    [59] Cfr. António Sardinha, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit.,pp. 179-245 nas pp. 188, 189, 192, 193; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. LXXIV, C, CVIII, CXXIII, CXXV; Idem, «Cabeça de Europa», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 237-267 na p. 267; Idem, «Genealogia duma Idéa», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 49-64 nas pp. 51, 52, 63, 64.
    [60] Cfr. António Sardinha, «A descoberta de Espanha, 1919», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 1-13 na p. 7; Idem, «1640, 1920», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 247-289 na p. 266; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. LXXIII, LXXVI, CXIII, CXXI; Idem, «Genealogia duma Idéa», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 49-64 na p. 57; Idem, «O lenço da Verónica», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 113-128 nas pp. 127, 128; Idem, «O que nos divide», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 209-235 nas pp. 230, 231.
    [61] Cfr. António Sardinha, «A Festa da Raça, 1921», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 73-80 na p. 76; Idem, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 179-245 na p. 226; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. LXXXV, LXXXVI, C, CVII, CVIII, CXII, CXVIII, CXXII, CXXIII; Idem, «A Unidade-Hispânica», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 1-28 nas pp. 20, 23; Idem, «A "lenda negra"», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 187-208 nas pp. 207, 208; Idem, «O que nos divide», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 209-235 na p. 235; Idem,«Cabeça de Europa», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 237-267 na p. 254.
    [62] Cfr. António Sardinha, «A descoberta de Espanha, 1919», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 1-13 na p. 11; Idem, «A Festa da Raça, 1921», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 73-80 nas pp. 75, 77; Idem, «O génio peninsular», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 141- 170 na p. 143; Idem, «O Pan-Hispanismo, 1922», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 171-178 na p. 178; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. LXXXV, LXXXVI, CVII.
    [63] António Sardinha, «Portugueses e Espanhóis, 1920», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 103-111 na p. 106.
    [64] Cfr. António Sardinha, «Portugueses e Espanhóis, 1920», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 103-111 na p. 107; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI na p. XCIV.
    [65] Cfr. António Sardinha, «Portugal Restaurado, 1919», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 129-140 nas pp. 137, 139; Idem, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 179-245 na p. 242; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. CVI, CVII, CXII, CXIV-CXVIII.
    [66] Cfr. António Sardinha, «Portugal, Tierra Gensor!, 1922», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 113-128 nas pp. 121, 127; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. LXXI, LXXV, LXXXII, LXXXIII, XCVI, CXXV.
    [67] No Canto I, (est.31) e no Canto III na (ests. 17 e 18) Camões, ao referir «Espanha» atribui-lhe o sentido clássico que engloba toda a Península Ibérica e, é nesta acepção que António Sardinha o menciona e cita. Canto I (est. 31), «Ouvido tinha aos fados que viria / ~Ua gente fortíssima de Espanha / pelo mar alto, a qual sujeitaria / da Índia tudo quanto Dóris banha, / E com novas vitórias venceria / A fama antiga, ou sua ou fosse estranha. / Altamente lhe dói perder a glória, / de que Nisa celebra inda a memória.//». Canto III (est. 17), «Eis aqui se descobre a nobre Espanha, / Como cabeça ali de Europa toda, / Em cujo senhorio e glória estranha / Muitas voltas tem dado a fatal roda; / Mas nunca poderá com força ou manha / A fortuna inquieta pôr-lhe noda, / Que lha não tire o esforço e ousadia / De belicosos peitos que em si cria.//». (est. 18), «Com Tingintânia entesta, e ali parece / Que quer fechar o mar Mediterrâneo, / Onde o sabido estreito se enobrece / C'o extremo trabalho do Tebano. / Com nações diferentes se engrandece, / Cercadas com as ondas do Oceano, / Todas de tal nobreza e tal valor, / Que qualquer delas cuida que é melhor.//» Cfr. Luís de Camões, Os Lusíadas, Lisboa, Círculo de Leitores, 1980, pp. 39, 107; António Sardinha, «A Festa da Raça, 1921», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit.,pp. 73-80 na p. 79; Idem, «Portugal, Tierra Gensor!, 1922», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 113-128 nas pp. 121, 127; Idem, «O génio peninsular», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 141-170 nas pp. 144, 145.
    [68] António Sardinha, «Portugal, Tierra Gensor!, 1922», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 113-128 na p. 127; Idem, «A Unidade-Hispânica», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 1-28 na p. 4; Idem, «A "lenda negra"», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 187-208 nas pp. 196-198; Idem, «O que nos divide», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 209-235 na p. 232, 235.
    [69] Cfr. Idem, «A Festa da Raça, 1921», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 73-80 na p. 78; Idem, «Portugueses e Espanhóis, 1920», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 103-111 na p. 107; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. LXXIX; Idem,«Quinas de Portugal», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 149-166 na p. 154; Idem, «A "lenda negra"», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 187-208 nas pp. 192, 207, 208; Idem, «O que nos divide», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 209-235 nas pp. 211-216.
    [70] António Sardinha, «A "lenda negra"», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 187-208 na p. 192.
    [71] Cfr. Idem, «O génio peninsular», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 141- 170 nas pp. 150, 151; «A "lenda negra"», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 187-208 na p. 192.
    [72] Cfr. António Sardinha, «Portugueses e Espanhóis, 1920», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 103-111 nas pp. 109, 110; Idem, «Portugal, Tierra Gensor!, 1922», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 113-128 na p. 124; Idem, Idem, «O génio peninsular», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 141- 170 na p. 160; Idem,«1640, 1920», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 247-289 nas pp. 258, 262, 267, 268, 275; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. LXXIV, LXXVI-LXXXI, CV, CVI; Idem, «A Unidade-Hispânica», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 1-28 na p. 24;Idem, «O que nos divide», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 209-235 nas pp. 216-224, 226, 228.
    [73] Cfr. António Sardinha, «Portugal Restaurado, 1919», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 129-140 na p. 139; Idem, «O génio peninsular», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 141-170 nas pp. 157, 158; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. LXXX, LXXXI, CXXIV; Idem, «O selo da raça», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 29-48 na p. 38.
    [74] Idem, «1640, 1920», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 247-289 na p. 277.
    [75] Ibidem, pp. 279, 280.
    [76] António Sardinha, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 179-245 nas pp. 181, 183, 186, 187.
    [77] Cfr. António Sardinha, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit.,pp. 179-245 na p. 195; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. CXIV, CXXIII; Idem,«Errata necessária», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 167-185 nas pp. 171, 172.
    [78] Cfr. António Sardinha, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit.,pp. 179-245 nas pp. 198, 199, 211, 232; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI nas pp. LXXV, LXXVI, XCVI.
    [79] António Sardinha, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 179-245 na p. 233.
    [80] Cfr. António Sardinha, «Madre-Hispânia», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit.,pp. 179-245 nas pp. 210, 221; Idem, «Assentando posições (conversa preliminar)», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e Possibilidades, cit., pp. LXIX-CXXVI na p. CIV; Idem, «Cabeça de Europa», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 237-267 na p. 254;Idem, «Estaremos decadentes?», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 269-295 nas pp. 277, 278; Idem, «Mare nostrum», in A Aliança Peninsular - Antecedentes e possibilidades, cit., pp. 321-352 na p. 350.
    [81] António Sardinha, «1640, 1920», in À Lareira de Castela - Estudos Peninsulares, cit., pp. 247-289 na p. 282.


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