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Tema: Saudações !

  1. #1
    MacieLuxcitânia está desconectado Miembro graduado
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    01 ago, 10
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    Saudações !

    Olá a todos(as) ! Óbviamente , o que aqui se fala , interessa-me muito . Sou Lusitano de alma , Português de coração , mas Acredito que a Reunião da Hispânia Sagrada , tornar-nos-ia Fortíssimos a todos os níveis no planeta .
    Também concordo com uma União Hispânica , no respeito pelas individualidades nacionais . Não sei se é correcto pensar em respeitar ( infinitamente mais do que as autonomias ) todas as Nações que formam esta Grande e Sagrada Península em que Vivemos apesar de todas as dificuldades .
    Estas nações existiam antes de serem absorvidas pelo centralismo de Castela ... apesar de poder estar errado , dentro de mim é assim que sinto e penso : Uma Hispânia Espiritual e Material Indissolúvelmente Unida á Volta da Árvore Sagrada da sua Tradição , Fortemente Irmanada e Consciente de SI , das suas Ancestrais Culturas , no Imenso Respeito pelas suas nações e povos , mas com uma Acção Comum Forte e Indubitável em todos os campos da Acção Humana ... bem , não sou um especialista e por isso fica a minha questão .
    No entanto , o Sonho está Vivo em mim , e julgo que no de muitos Hispanhóis... não sei se é assim que se diz ...mas , se disser Espanhóis , fica a confusão estabelecida, uma vez que a actual "espanha" , na verdade , não é , pois está incompleta sem Portugal , mas , se disser Ibéricos , a confusão também acontece .
    Explicarei (não eu , mas Pinharanda Gomes , num texto que considero esclarecedor dessa situação) o que quero dizer :

    « …A Lusitânia não é mito dos humanistas do Renascimento 6. É, a par de um nome que individualiza uma região planetária, um sinal que indicia uma realidade existencial própria, mesmo que os resíduos utilizáveis pelos sucessores e posteriores, careçam de global inteligência e compreensibilidade. A Lusitânia corresponde à zona húmida da Hispânia, onde se constituiu o meio entrópico de Portugal hispânico, como que diverso da zona de sequeiro da Península, onde prevaleceu a masculinidade castelhana, mais arrebatada do que a feminilidade, a frouxidão e a cisma da vertente lusitana. Quando dizemos que antes dos Lusitanos o que sabemos é o pouco que sabemos acerca dos povos anteriores — povos sem história — queremos significar que esse ‘sem história’ se refere mais à nossa ignorância do que à inexistência de uma história, mas da Lusitânia sabemos quanto importa a uma definição, ainda que mais prospectiva do que perspectiva. Olhada retrospectivamente, a Lusitânia é mais do que uma perspectiva da origem, uma prospectiva do meio em que se afirmou uma entidade singular e diferente. É o carro da criação de Portugal.
    A Lusitânia não é Ibéria, a Ibéria não é Lusitânia. Comete erro de juízo‘ de facto e de valor, a corrente histórica e política que força a realidade até ser capaz de meter a Lusitânia na União Ibérica, por não compreender que não há recta União Ibérica, mas correcta União Hispânica. Na União Hispânica cabem Lusitânia e Ibéria, enquanto na União Ibérica só cabem os povos iberos, ou da Ibéria. A tese iberista releva do projecto de sujeição da vertente atlântica à vertente mediterrânica e, por via dela, da sujeição dos povos da periferia ao centro impulsor do iberismo. A União Ibérica, tornada doce paliativo, é na ordem política o projecto anti-autonomista do Duque de Olivares: Braga dominada por Toledo.
    A Hispânia tem quatro vertentes: a vertente atlântico-cantábrica, especiosa, ainda que aparentada com a vertente pirenaica e com a vertente lusitana; a vertente mediterrânica (ibérica); a vertente pirenaica, com Aragão, e que por si mesmo é também específica; e a vertente lusitano-atlântica, em que amplamente se insere a galega ou galaica. É supérfluo considerar as vertentes pirenaica e cantábrica, porque a díade dualista se põe somente quanto às vertentes ibérica e lusitana. Os geógrafos que vieram de fora nunca se enganaram e, por isso, jamais confundiram Lusitânia e Ibéria. A Lusitânia é a vertente atlântica - "Lusitânia… que mare Atlanticum spectat" 7, enquanto a Ibéria é a região do Ebro, que o Mediterrâneo contempla. Em sentido figurado, diríamos que a Ibéria olha para Oriente, enquanto a Lusitânia olha para onde o mar começa e a terra se acaba, por repouso do Sol ocitânico. A diferença geográfica não inclui uma diferença cultural, (dos círculos culturais de Frobenius sabemos como em África e na Europa há culturas análogas, ainda que Frobenius haja sublinhado que importa não confundir analogia com homologia), mas deve suscitar a vocação para definir identidade geográfica, identidade étnica, e identidade existencial. Lusitânia e Ibéria são duas regiões distintas, tão significativas uma como a outra, mas nem a Ibéria é fusível para a Lusitânia, nem há Lusitânia fusionável com Ibéria. A pré-história dos povos peninsulares é diferente, mas torna-se sintomático o nível diferencial entre projecto ibérico e excurso lusitano, como se a Lusitânia e a Ibéria houvessem sido berços de duas diferentes raças humanas, como queria o enciclopedismo evolucionista 8. Na diversidade, as duas versões antigas projectaram-se sempre num dualismo geográfico e histórico, de modo que à díade nómica da Lusitânia / Ibéria correspondeu a díade, algumas vezes antinómica, de Portugal / Espanha. Oliveira Martins não teve pejo em considerar a adopção do erro, provindo de muito antes, mas aprofundado em Herculano, da confusão de Ibéria e Lusitânia, o que lhe valeu as acerbas críticas de Teófilo Braga, apoiado na geografia clássica, sobretudo na Púnica, de Sílio Itálico, que soube salientar a longa distinção entre Iberos e Celtas e, por concomitância, entre Iberos e Lusitanos, os que ocuparam uma região afastada e diferenciada, onde permaneceram e perduraram como Lusitanos. A Lusitânia é algo de comprimido a oeste, mas é também algo de não assimilado a leste 9.
    A Hispânia é um microcosmos, disse o geógrafo Méndez Silva, onde há de tudo e nada falta, o que já antes dele haviam visto os apologistas das esquadras mafamédicas. Microcosmos, cume da Europa, cabeça do boi, é envolvida na sua maior extensão pelo Rio Oceano, Atlântico identificado, apesar do jogo de estilo elaborado por Homero, ou pelos homeríadas, mas reino microcosmos divertido em dois olhares: o limite atlântico, span, sepharad, ao modo fenício e hebraico, que é a nossa finisterra, como que a sugerir que Hispânia é a Lusitânia com as terras do meio que olham para o mar do meio das terras, de onde se gera o dualismo atlântico-mediterrânico da Hispânia, mas onde por igual se gera o atlantismo da Lusitânia 10. As diversidades regionais podem não servir de base a divisões de território, nem são de molde a criar regionalismos vinculados a um exclusivismo étnico, mas, no caso Lusitânia/Ibéria, houve lugar a uma configuração excêntrica, centrífuga e oceânica, de tal modo que seria sensato postular que o nacionalismo das nações hispânicas, incluída a nação portuguesa, encontra raízes e águas acolhedoras nos regionalismos. A afirmação de Portugal é um acto de nacionalismo; mas a afirmação da Lusitânia prevalece no acto do regionalismo. A Lusitânia afirma-se pagus, terra nostra, perante a urbe mediterrânica. A extensa teoria literária e político-ideológica da antítese Castela/Portugal, mormente elaborada no ciclo de 1580/1700 não é um fenómeno de erupção palaciana; ela vem de longe, e os ideólogos palacianos limitaram-se a pôr em letra de ler, ou em papel de prelo, uma interpretação de mitos, de imagens avoengas.
    Lusitânia situa-se entre Ibéria e Oceano, ou, na configuração pré-romana, numa forma quadrangular que o domínio romano por considerações estratégicas encurtou, ao dividir a Hispânia em três províncias, a Lusitânia (diminuída da Galécia), a Tarraconense e a Bética. Das três províncias, a que corresponde ao vector do iberismo é a Tarraconense, porque Tarracona, pago ibérico, estende os elos até ao Atlântico, subjugando a Galiza e, o mais curioso a região dos Brácaros. A divisão provincial romana carece de toda a lógica étnico-cultural, mas abunda em intencionalidade dominativa. Tarracona é a Ibéria tal como os iberistas sonham: uma grande província absorvente das que lhe ficam, diminuídas, a seus pés, a Bética e a Lusitânia. A estratégia romana elaborava com base em interpretações comprometidas, pois, com efeito, Estrabão, que era mais submisso do que Mela, confundira Iberos e Lusitanos, ainda que afirmasse serem, os Lusitanos, os mais fortes dos Iberos 11. Estrabão tem interesse em identificar Iberos e Lusos para justificar a extensão da Ibéria tarraconense até à Lusitânia bracarense e lucense; Pompónio Mela sabe da forte identidade lusitana face à Ibéria, e convém-lhe sujeitar a fortaleza da finisterra à esperteza da mediterra. Ao não compreender o jogo de intenções, Herculano acabaria por cair na tese negativa da identidade nacional com base regional, por oposição a quem vira melhor do que ele, Bernardo de Brito e André de Resende — o que, aliás, vem já dito em Leite de Vasconcellos 12. A Lusitânia Romana é uma Lusitânia diminuída talhada a esquadro e régua, segundo o interesse dominacional do império, a Lusitânia natural é todo o oeste peninsular. Vai do Promontório Sacro, para além do Minho, até à vertente norte-atlântica, e do oeste atlântico até bem dentro: incluí, pelo menos, Mérida e grande parte da Estremadura, por isso chamada Extrema: a fronteira da Lusitânia com a Ibéria. A Lusitânia é o país dos quatro rios: Guadiana, Tejo, Douro e Minho; a Ibéria é a região de um só rio: o Ebro. O Ebro unifica, os quatro Lusitanos diversificam, de modo que é viável assinalar uma Lusitânia minhota (brácaro-lucense), uma Lusitânia duriense, uma Lusitânia tagana, e uma Lusitânia guadiânica.
    Ninguém sabe de onde vem o nome de Lusitânia. Há muitas hipóteses, todas por igual verosímeis, a mor parte delas mais provável do que demonstrável.
    A pesquisa da história das origens, fenómeno humanista, é coetânea do Renascimento. Enquanto o primeiro Renascimento indaga as matrizes clássicas, o Renascimento do século XVI tende a transferir do plano clássico para o plano antigo das autoctonias, pelo que o Ocidente assiste a uma espécie de movimento renascentista de fundo e propósito nacionalista, de algum modo oposto ao renascentismo de fundo macro-cultural europeu. Neste quadro quinhentista, "o maior e mais judicioso antiquário português do século XVI" 13 foi o humanista André de Resende, cujo gosto pela erudição clássica o orientou para a indagação dos valores da sua terra, como factores reais, a par dos clássicos grego e romano. O De Antiquitatibus Lusitaniae (1593) continua sendo o pórtico da história lusitana antiga, pórtico esse por onde discorreram os geógrafos e antropólogos do século XVII, desde Bernardo de Brito, (cuja parte primeira da Monarquia Lusitana alarga os conhecimentos de Resende, por recurso a Laimundo Ortega) a Faria e Sousa, a Rodrigo Méndez Silva, e a Gaspar Estaço (+ 1626), bem como a Teodósio de Bragança, que as crónicas registam como um dos mais curiosos autores do seu tempo, em matéria lusitana 14.
    O laboratório de pesquisa das formas lusitanas prosseguiu no século XVIII, com aproveitamento das colheitas prévias, nos exercícios da Academia Real de História Portuguesa 15, fundada em 1720, e a cuja actividade se deve não só a recuperação documental de que usufruímos, mas também a sequência historiográfica e metodológica no âmbito das ciências históricas, que viria a culminar em Alexandre Herculano, ele já um fruto da linha metodológica aberta por Manuel Caetano de Sousa. Equivalente crédito tem a haver a Academia Real das Ciências de Lisboa, cujos trabalhos relativos a esta problemática se acham nas importantes colecções de Memórias de Literatura Portuguesa e de História e Memórias da Academia das Ciências. O século XIX, com o desenvolvimento das ciências auxiliares, trouxe novos contributos à pesquisa da antiguidade lusitana, em todos os domínios, desde o mesológico ao antropológico, nesse capítulo merecendo realce as obras de João Bonança, Augusto Coelho e Oliveira Martins, entre outros, complementados, com alto espírito de síntese, por Leite de Vasconcellos. Na transposição do século XIX para o século XX, há a assinalar a actividade arqueológica de Carlos Ribeiro (+ 1882), bem como os trabalhos da Associação dos Arqueólogos Portugueses, fundada (1863) por Possidónio da Silva; da Sociedade de Geografia de Lisboa e, sobretudo, da Escola Antropológica Portuense, cujas raízes têm muito a ver com a obra desenvolvida por Martins Sarmento, obra essa que seria continuada pelo núcleo que à sua volta se criou em Guimarães, a Sociedade Martins Sarmento 16. Neste ciclo de estudos há efemérides: em 1880, o Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-Histórica (Lisboa); em 1888, a fundação da Sociedade Carlos Ribeiro, por Rocha Peixoto, Ricardo Severo, Adolfo Coelho e outros; em 1899, o aparecimento da revista Portugália; em 1911, a criação da cadeira de Antropologia na Faculdade de Ciências do Porto, em que pontificaram um António L. Ferreira Girão e um Câmara Sinval. Deste núcleo escolar nasceria a Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (1918), onde se distinguiram personalidades quais Aarão de Lacerda, Damião Peres, Teixeira Rêgo, Bento Carqueja, e onde outros continuam a distinguir-se em nossos dias. Análogo papel competiu à antropologia conimbricense, desde a fundação (1885) da cadeira de antropologia na Universidade, que teve desenvolvimento com o magistério positivista de H. Teixeira Bastos 17.
    As ciências da antiguidade lusitana progrediram em monografias desde o século XVI até à síntese elaborada no primeiro quartel do nosso século por Leite de Vasconcellos mas, depois deste, vive-se uma nova fase monográfica, analítica e pormenorística, já a carecer de síntese ampliada.
    A tese mais aceite é a de que os Lusitanos eram um povo pré-celta, ocupante, nativo ou imigrado, da região da Lusitânia. Os antropólogos identificam outros povos, a que os antigos chamam raças, v. g., cúnios, taganos, transcudanos, etc., mas as designações não correspondem a etnias rácicas, identificam apenas etnias regionais. Transcudanos eram, por exemplo, somente os lusitanos de Ribacoa; e o mesmo dos taganos — os lusitanos do Tejo. Estas designações serviam para identificar núcleos populacionais habitando uma determinada região. Não designam nem nominam povos muito diferentes, apesar das eventuais variantes heteroétnicas, tal como sucede em nossos dias entre beirões, minhotos, saloios, alentejanos e algarvios. O toponímico sobrepõe-se ao antroponímico, mas não o subverte, nem cria diferenças desidentificativas.
    Na Ilha das Nascentes de água, que Diodoro Sículo afere à Hispânia, situa-se o paraíso, ou, pelo menos, o proémio do paraíso, descrito e projectado no Pseudo-Aristóteles (por onde os Árabes o aprenderam e, por isso, vieram de onde vieram à sua procura, tendo havido entre eles quem tomou o Andaluz por ele, enquanto uns marinheiros de Alfama o procuraram mais adiante, no mar…) e no antigo Liber de Mirabilibus Auscultationibus, em que se descrevem as Ilhas Afortunadas, que Pompónio Mela inteligiu da tradição remota e pré-platónica, como sendo a terra das ilhas das produções espontâneas: a agricultura sem trabalho, o sacramento do alimento sem suor do rosto e, por isso, o Paraíso reavido, reencontrado ou desencoberto. A Hispânia não foi porém, para nenhum dos povos imigrantes, o paraíso anelado. Mostrou-se terra convidativa, por certo, mas dura por excelência, divisa entre os álacres montes iberos e as verdejantes e aquáticas montanhas e veigas barrocas da Lusitânia, espaço de árvores e de águas.
    Do Mar Cantábrico ao Algarve - depois, o centrípetismo lusitânico permitiu significar o mesmo em Portugal e Algarves, do Minho a Timor, porque Minho é Galécia - pelo centro oeste da Meseta, cortada por caminhos de serpentear, rede de comunicações pagãs, ou de uns pagos para outros, Portugal é a Lusitânia sem cabeça geográfica, mas de pernas longas: do Minho ao Algarve, com mais pernas do que cabeça, significado mais em Amadis, que possui Oriana sob o verde tapete da relva à beira do regato, do que em Quixote, seco e estéril, louco de cabeça desértica, por isso honrado e casto. O amor liga Amadis, enquanto a honra isola Quixote. Em duas figuras antropomórficas se consubstanciaram em símbolo as duas Hispânias: a do barroco e a do gótico, a das meias terras e a das finisterras.
    Lusitânia é a terra dos Lusitanos, o maior dos povos ibéricos, mégiston tón Ibericón Étheon, no dizer de Estrabão 18, que, no tempo das invasões romanas sendo mais celtas do que iberos, eram, não obstante, do ponto de vista colonial romano, considerados mais iberos do que celtas, por isso ser conveniente à rota imperial 19. Lusitânia é o pré-Portugal que se fenomeniza qual anfiteatro levantado em frente do Atlântico, para brincar à gesta providencial.
    Lusitânia é um nome deduzido de Ligusitani, através da forma Lusitani no achado de Martins Sarmento, que por essa via, dificultou a fácil explicação mítica renascentista de Lusos, filhos de Luso, deus grego 20. A forma luso apresenta-se qual ramo lígur ou pré-celta, por isso que, na invasão céltica, os invasores não tiveram de actuar tão fortemente como noutras regiões despidas de caracteriologia céltica, uma vez que factores celtas já se encontravam patentes e operantes na Lusitânia, habitada por gente da heráldica celta, gente vinda do norte da Grécia, de onde a razão dos que, no decurso do tempo (S. Bráulio de Saragoça, Santo Isidoro de Sevilha, Otero Pedrayo, Ramón Pineiro) defendem a origem grega dos povos galaico-lusitanos. As unidades étnicas não se apagam, antes continuam, sempre metamórficas na tradição subsequente e consequente. Na ordem sucessória, Lusitânia é somente outro nome de Ophiussa, a Terra da Serpente, onde sopra o vento Zéfiro, atlântico chamado na Odisseia, o vento que empurrou Ulisses. Ulisses deixa de ser um homem para ser o vento que fecunda as éguas de Montejunto. É o vento da Primavera, que faz rebentar as flores nos campos e, nos animais, o cio procriador.
    Martins Sarmento postulou a tese ligúrica, acompanhado por Schülten, mas parece que Sarmento leu a seu modo. Lusus não aparece em nenhum texto antigo, nem mesmo na Ora Marítima, de Avieno, por isso, em Avieno, convém ler, ou Pernix lucis, ou Pernix ligus. Num caso, pretendido por Sarmento, vamos para a genealogia lígure; noutro caso, vamos para uma estrita genealogia lusitana. Ora, como na sequência do debate veio a demonstrar Mendes Corrêa, a leitura ligus, em vez de lucis, esclarece o enigma e postula a origem, dando força à tese sarmentina. Lusitânia é a Ligugitâna, a terra dos Ligures, mesmo que, noutras instâncias, ela possa ser entendida como terra das amêndoas - Almendra - como sucede na versão que deriva Lusitânia de luz (amêndoa, fenício amydgdalum). A dificuldade reside na tendência unitarista, quando nunca foi necessário que o povo lusitano fosse o dos Lusitanos puros. Mais provável se apresenta a tese que lobriga a Lusitânia como o nome dado a uma área geográfica onde se acoitaram povos vários, assimilados até à constituição da Lusitânia propriamente dita. Os Lusitanos não eram um único povo, antes assistiram no centro das Beiras, sendo o mar o elemento dinâmico que os formulou em unidade, quando o factor celta para tanto contribuiu vigorosamente, como pretendeu António Ribeiro dos Santos. Virgílio Correia recua. Na sua ideia, os Celtas são um fenómeno histórico mas, antes deles, há um povo bem definido, nem ibero nem celtibero, mas um povo com fundas raízes no território, o povo dos construtores de dólmens 21. Esse território foi sempre mantido, com algumas variantes fronteiriças, através dos domínios celta, visigótico e árabe, chamando-se Lugidânia, cujos povos curvaram a cerviz aos invasores, como referiu Idácio.
    O paradoxo alerta para a tese futura de que a origem de Portugal e da língua portuguesa não é exclusivamente latina. Portugueses e Portugal procedem de matrizes acasaladas de diversa proveniência, unidas num fluxo ribeirinho, a Lusitânia. Nela, Lusitânia, achamos os arquétipos da nossa situação antropológica e ambiental, a terra dos Ligures, povo sacerdotal, e a terra onde, numa coordenação sacerdotal ou sacrificial, etnias múltiplas se orientaram para o mesmo centro, o centro do Mundo, sem sujeição ao primado do meio como factor de transformação social. O meio funcionou tão-só como veículo de potência para o acto, como ponte cultural.
    Lusitânia é a matriz de uma condição histórica, o poente barroco, a extremitate mundi. No Oriente, há uma ponte, a balcânica, da Europa para a Ásia. No Ocidente há a ponte hispânica, funcionando da Europa para todo o mundo. Ponte cultural é, mais do que um fenómeno geográfico, uma capacidade de leitura, de síntese e de transmissão, é a virtude do pontificado cultural. Receber a herança e não a delapidar, antes a inscrever e transmitir. A categoria apresenta-se diurna e nocturnamente. A Lusitânia é um campo, um pagus, uma região, que separa da Europa e, no entanto, a ela se mantém unida, tanto como procura unir-se a todo o mundo. Mais do que Nação, onde se nasce, é uma Pátria.


    in A Patrologia Lusitana de Pinharanda Gomes »


    Voltando ao início , defendo portanto a (re)União Hispânica algo que os nossos mais insidiosos inimigos , os supostamente aliados Inglaterra e França , sempre souberam contrariar , fomentando a luta fratricida entre Portugal e Espanha .

    Existe para mim outra questão que gostaria de vos colocar . Uma parte essencial da Tradição Hispânica , é a sua Cristandade .
    Sem dúvida , a Mãe do Céu e da Terra tem encontrado nesta Terra da Promissão um Lugar santo para nos vir visitar . Basta ver a profusão de Nossas Senhoras que existem em Portugal e Espanha , a maior parte dos quais com notícias de Aparições .
    Sem dúvida que Deus Ama a Hispânia Sagrada e Cristo assim o quiz dizer quando SE Manifestou ao nosso 1º rei, D Afonso Henriques .
    Sou Cristão por essência e práctica , mas (e aqui está a questão que vos queria colocar ) sendo católico por Tradição , e , muito embora haja uma tradição de presença do Vaticano na Península , não apoio , não sigo , e não presto vassalagem ao Papa.
    Pela acção perniciosa que sempre teve ao longo da História das nações em especial a partir do Concílio de Niceia , em que a Palavra do Senhor , o Seu Evangelho foi em muito adulterada com o objectivo de um maior poder de Roma sobre as nações , com as perseguições movidas a todos os seres que não seguissem a mesma religião,mas de forma ainda mais terrível , aos que sendo Cristãos , não prestavam culto ao papa , não o posso considerar de nenhuma maneira representante de Cristo na Terra ... e não me vou alongar ainda mais , pois esta é uma apresentação que acaba por ser já uma declaração de intenções . Peço desculpa por começar logo a malhar , mas considerava importante dizer isto sobre mim , uma vez que não sei se , tendo esta posição , posso colaborar neste Projecto grandioso e neste forúm .


    Cumprimenta-os da Lusitânia Sagrada , a Corôa da Hispânia ,


    Rogério Silva Maciel











  2. #2
    Avatar de Irmão de Cá
    Irmão de Cá está desconectado Miembro Respetado
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    Re: Saudações !

    Bem-Vindo. Interessante texto sobre a Lusitânia e os lusitanos, nos trouxe nesta sua apresentação. Não necessita de inventar a palavra "hispanhóis". Já existe a palavra hispano que compreende, entre outros povos, o espanhol. De resto, hispanismo também não se confunde com iberismo. Se valoriza a tradição hispana, não poderá equivocar-se quanto a qual privilegiar.

    Cumprimentos de um compatriota português (que de lusitano os portugueses não têm quase nada). Que participe muito.
    res eodem modo conservatur quo generantur
    SAGRADA HISPÂNIA
    HISPANIS OMNIS SVMVS

  3. #3
    Avatar de Donoso
    Donoso está desconectado Technica Impendi Nationi
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    Re: Saudações !

    Libros antiguos y de colección en IberLibro
    Vaya, esto sí que es una presentación.

    Esperamos que participes muchos, hay muchos temas por aquí que tratan la relación España-Las Españas-Hispania-Portugal, creo que interesarán.

    Esperamos tu participación. Bienvenido.
    Aquí corresponde hablar de aquella horrible y nunca bastante execrada y detestable libertad de la prensa, [...] la cual tienen algunos el atrevimiento de pedir y promover con gran clamoreo. Nos horrorizamos, Venerables Hermanos, al considerar cuánta extravagancia de doctrinas, o mejor, cuán estupenda monstruosidad de errores se difunden y siembran en todas partes por medio de innumerable muchedumbre de libros, opúsculos y escritos pequeños en verdad por razón del tamaño, pero grandes por su enormísima maldad, de los cuales vemos no sin muchas lágrimas que sale la maldición y que inunda toda la faz de la tierra.

    Encíclica Mirari Vos, Gregorio XVI


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