À atenção do Ordóñez
Procura do Espanhol triplica em três anos
Ministério da Educação quer colocar docentes de outras áreas para dar resposta, mas associação de professores de castelhano contesta o concurso
Ontem
ALEXANDRA INÁCIO
O número de alunos de Espanhol nas escolas públicas não pára de aumentar. O último número oficial dá conta de 13.993 inscritos (2007), quase o triplo de 2004/05. A tutela tenta dar resposta, mas a solução está a causar polémica.
No concurso docente, que está a decorrer e irá colocar os professores até 2013, o Governo vai abrir 220 vagas para o grupo 350 e permitir que titulares de uma qualificação numa língua estrangeira, com a variante de Espanhol ou o diploma do Instituto Cervantes se candidatem.
A contestação foi crescendo durante a semana passada. Na terça-feira, o PCP enviou à ministra uma pergunta, com pedido de resposta "urgente", sobre se o ME pode "suspender os efeitos dessas orientações".
O deputado Miguel Tiago afirmou ao JN que deverá interpelar Lurdes Rodrigues quando a ministra for ao Parlamento, depois de amanhã.
O secretário de Estado da Educação reúne, no início desta semana, com a Associação de Professores de Espanhol para "esclarecer" as críticas ao referido concurso docente.
A Associação Portuguesa de Professores de Espanhol (APPEL) teme que professores licenciados em Espanhol e com profissionalização sejam ultrapassados no concurso por docentes de outras línguas, com mais anos de serviço. Sónia Duarte considera urgente a maior formação de docentes em castelhano e ao JN garantiu que há anos alerta o ME para o facto de "o crescimento da procura, por parte dos alunos, não ser acompanhada pela de formação dos professores". Antes pelo contrário, frisou, recordando o encerramento desses cursos nas faculdades de Letras das universidades de Coimbra e do Porto.
Tanto a APPEL como a Fenprof contestam é que os docentes com licenciaturas distintas possam concorrer "em pé de igualdade" para o mesmo grupo de recrutamento. "É a qualidade do ensino que poderá estar ameaçada", alerta Sónia Duarte. O assessor de Imprensa do ME assegurou ao JN que "há mais horários disponíveis do que professores com qualificação profissional" e que o Governo só alargou o acesso ao grupo a professores "com qualificação e formação científica".
De acordo com dados fornecidos pelo Ministério da Educação ao JN, o número de estudantes cresceu mais de 250%, enquanto o de professores aumentou menos de 45%. Consequência: se em 2004 o racio docente/aluno era de 37/1, em 2007 era de 68 para um.
Tanto a presidente da APPELE como o director do Instituto Cervantes defenderam ao JN que a procura crescente se deve às "oportunidade de futuro" oferecidas por Espanha, tanto em termos de ensino superior como de mercado de trabalho. A APPELE constitui grupos de trabalho para divulgar a opção, sempre com o apoio da embaixada de Espanha que chegou a financiar a publicação de panfletos, explicou ao JN Sónia Duarte, presidente da Associação.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Naci...ent_id=1178578
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