II. O claustro de Sant Cugat
Imagem 8

Claustro do mosteiro de Sant Cugat (alas norte e leste), em uma bela e ensolarada tarde de inverno, durante minha segunda visita ao claustro do mosteiro. Observe que o segundo andar só foi construído no século XVI. Isso pode ser facilmente constatado pela visível diferença das colunas superiores em relação às inferiores, além do acabamento das paredes.
Foto: Ricardo da Costa (janeiro de 2005).
Considerado o conjunto mais homogêneo de esculturas românicas catalãs do século XII24 – provavelmente por não ter tido muitas interrupções em sua construção25 – o claustro de Sant Cugat está localizado à esquerda da igreja, em seu lado setentrional. Atualmente, o acesso a ele se dá através de um pórtico, construído em 1573-89, pela galeria oeste. Sua planta é quadrada, quase regular. Seu espaço possui cerca de 30 metros de largura, e cada lado cerca de quatro metros. Há uma ligeira variedade cromática no ambiente devido ao material utilizado: pedras de Girona (para as colunas), de Montjuïc (para os capitéis e arcos), e da própria região (para o restante da obra).26
No claustro há 144 capitéis, distribuídos em 72 pares de colunas (18 pares de colunas em cada galeria). Seguindo a classificação proposta por Joan Tortosa, os capitéis estão organizados em dez temas: 1) Ornamentais, 2) Coríntios, 3) Aves, 4) Animais diversos, 5) Motivos profanos, 6) Cenas do Antigo Testamento, 7) Cenas do Novo Testamento, 8) Monstros, 9) Seres mitológicos e 10) Cenas monásticas.
Imagem 9
Esquema dos capitéis do claustro, iniciando a numeração com a lateral norte (no ângulo inferior, à esquerda). Decidimos seguir a proposta de numeração de Joan Tortosa (1998), por ser a mais simples e prática em seu ordenamento. Imagem originalmente publicada em J. TORTOSA, El Claustre de Sant Cugat del Vallès. Més enllà de les formes, Sabadell, Editorial Ausa, 1998, p. 136.
A construção do claustro era parte de um ambicioso projeto resultante do crescimento do poder senhorial monástico. Um dos primeiros textos que se refere a isso tem o título de Fedancius, architetus et magister edorum (1010).27 Fedancius foi o mestre de obras que dirigiu a remodelação do conjunto monacal (igreja, campanário e claustro).28 No que se refere ao claustro, há um documento muito importante considerado o ponto de referência para o início das obras: um testamento do nobre Guilherme de Claramunt, de 1190, para o mosteiro. Os especialistas concordam que nessa data as obras já haviam sido iniciadas.
Abaixo, a distribuição dos capitéis nas galerias, bem como sua posição (no interior ou no exterior das galerias)29:
Temas |
Galeria norte |
Galeria sul |
Galeria leste |
Galeria oeste |
Total |
Posição externa |
Posição interna |
Ornamentais |
10 |
8 |
11 |
9 |
38 |
24 |
14 |
Coríntios |
9 |
2 |
2 |
6 |
19 |
19 |
--- |
Aves |
5 |
4 |
8 |
3 |
20 |
8 |
12 |
Animais diversos |
3 |
3 |
3 |
3 |
12 |
9 |
3 |
Profanos |
3 |
1 |
2 |
9 |
15 |
5 |
10 |
Antigo Testamento |
--- |
4 |
--- |
1 |
5 |
--- |
5 |
Novo Testamento |
--- |
9 |
4 |
1 |
13 |
--- |
13 |
Monstros |
3 |
3 |
5 |
2 |
13 |
3 |
10 |
Mitológicos |
1 |
1 |
1 |
2 |
5 |
2 |
3 |
Monásticos |
2 |
1 |
1 |
--- |
4 |
1 |
3 |
III. A vida cotidiana e monástica em Sant Cugat: os capitéis 6, 8, 19 e 45
Imagem 10

Corredor norte do claustro do mosteiro de Sant Cugat (pares de colunas 1 a 6). Além da beleza das formas, no claustro também se destaca a suave policromia das pedras. Foto: Ricardo da Costa (janeiro de 2005).
A construção de um claustro na Idade Média obedecia a certas regras práticas gerais: o espaço deveria ser amplo, cômodo e bem distribuído e, acima de tudo, provido das coisas necessárias à vida coletiva30, de maneira que os monges não tivessem que sair, como afirma a Regra de São Bento:
Seja, porém, o mosteiro, se possível, construído de tal modo que todas as coisas necessárias, isto é, água, moinho, horta e os diversos ofícios, se exerçam dentro do mosteiro, para que não haja necessidade de os monges vaguearem fora, porque, de nenhum modo convém às suas almas (
Regra de São Bento, 66, 6-7).
De todas as partes do mosteiro, o claustro, “oficina da arte espiritual”, era o local por excelência para se praticar “os instrumentos das boas obras”. Espaço de quietude e do recolhimento preparatório para o reino celestial, no claustro as almas tinham que não satisfazer os desejos da carne, “’não abraçar as delícias” e “odiar a própria vontade” (Regra de São Bento, 4, 12 e 59-60). Só assim o monge poderia meditar em silêncio os bens celestiais.
Mas, para isso, era importante que o claustro fosse construído à semelhança da Jerusalém celeste, da Jerusalém futura do Apocalipse de São João. Por esse motivo, o claustro de Sant Cugat foi projetado na forma quadrangular: “A cidade é quadrangular: seu comprimento é igual à largura” (Ap 21, 16). Também por esse motivo, o claustro tem 144 capitéis, quadrado de 12, número sagrado para o cristianismo.31
Assim, aproximando-se mesmo que imperfeitamente da Jerusalém celeste, o claustro preparava os espíritos para a outra vida. Por isso, em Sant Cugat a virtude da humildade é a primeira que se apreende ao observar a maioria de seus capitéis, a humildade “do temor a Deus” e o “medo do inferno”, a humildade da “não realização das vontades”, da “obediência e da paciência”, da “constante confissão dos pecados”, da “alegria com o que há de mais vil”, da “crença de ser o mais inferior de todos” e da “economia do riso” (Regra de São Bento, 7, 10-66): “enquanto meditavam ou relaxavam dando voltas pelo claustro, os monges aprendiam a grande lição de humildade presente nos capitéis, com cenas bem determinadas”.32
As imagens esculpidas nos capitéis e consideradas mais importantes para a reflexão e meditação se encontram no lado voltado para o interior, nas galerias, isto é, no lado que os monges caminhavam. Do tema que selecionamos para nossa análise – a vida cotidiana monacal – há quatro capitéis, três deles voltados para as galerias, o que demonstra sua importância para a meditação deambulatória.
Seguindo a numeração proposta por Joan Tortosa, iniciamos com o capitel número 6, que está voltado para o interior da galeria, o último da primeira seqüência da galeria norte, a mais antiga construída no claustro. Trata-se, portanto, do capitel mais antigo de Sant Cugat com o tema iconográfico monacal. A cena monástica ocorre em um emaranhado de elementos vegetais, cintas com pérolas que nascem dos dois ângulos superiores, se mesclam e dão frutos acima das cabeças dos monges. Essa rica profusão vegetal que adentra pela cena cotidiana representa a maravilhosa natureza criada por Deus.33
A cena do capitel mostra três monges. Ao centro, sentado, um deles inclina sua cabeça, apoiando as mãos nos joelhos. À sua direita, outro irmão se inclina até ele, enquanto um terceiro, atrás, coloca sua mão direita na cabeça. Entre os dois, no chão, um vaso de barro (alguidar). Como as cabeças dos monges estão mutiladas, é bastante difícil definir com precisão a cena, que parece ser a representação de uma tonsura: o monge ao centro estaria sendo tonsurado pelo primeiro, enquanto o irmão com a mão na cabeça pode estar se lavando (esta cena também está representada no claustro de Girona).34
A tonsura (ou cercilho) era o símbolo da coroa religiosa, do exercício dos ofícios divinos. O noviço tinha a parte superior da cabeça raspada quando era introduzido no estamento eclesiástico e recebia a primeira ordem do clericato.35Inicialmente a tonsura era feita cerca de sete vezes por ano, em vigílias de festividades importantes. No século XIII, os estatutos de cada mosteiro regulamentaram um número de vezes maior para essa atividade simbólica e higiênica.36
Imagens 11 e 12
Capitel 6 (ala norte, interior). Fotos: Cristina Cullell i March (maio de 2005).
No entanto, há pelo menos duas possíveis interpretações para essa cena do capitel 6. Primeiro, ela pode representar o ingresso do noviço na vida monástica e o abandono do mundo, representado pela tonsura, como disse antes. Mas também poderia simplesmente relembrar aos monges que caminhavam nas galerias que circundam o claustro essa atividade regular e anual, feita no mosteiro, sem ter uma relação direta com o ingresso monástico. Segundo, pode haver uma seqüência progressiva, pois se o primeiro monge (imagem 11) com a mão na cabeça pode estar se lavando, como acredita Joan Tortosa, também pode representar o monge do centro momentos antes, se preparando para a tonsura.
A vida monástica prossegue no capitel 8, um dos mais interessantes do claustro. Ao contrário do capitel 6, que parece progredir seqüencialmente, como dissemos, o capitel 8 desenvolve sua cena de uma maneira perfeitamente circular. Uma procissão de oito monges, alguns com o capuz do hábito, envolve e circunda todos os lados do capitel e se dirige na direção leste-oeste para retornar à igreja, representada pelo portão (imagem 13, à esquerda). Os monges parecem seguir o chamado do abade que, no meio do fórnice, faz soar o sino, chamando todos para a oração (imagem 13).
O abade que faz soar a campana está encimado por uma auréola que se repete em cada lado da procissão, dividindo harmoniosa e geometricamente os espaços acima das figuras humanas. Mas a procissão não é somente um ato meditativo de caminhar: parece mais a representação de um momento de leitura, pois dois dos monges caminham com um livro nas mãos – repare que o monge à direita na imagem 15 caminha folheando com um livro aberto. Dois deles ainda portam um pergaminho enrolado, outros dois levam objetos de difícil precisão e dois não têm nada nas mãos.
Imagens 13 e 14
Capitel 8 (ala norte, interior e lateral). Fotos: Cristina Cullell i March (maio de 2005).
Em cada ângulo dos lados, acima da cabeça de cada monge, há uma sintética representação do templo. Os corpos estão muito bem proporcionados, e tanto as vestes quanto as expressões dos rostos que ainda se conservam denotam uma bela serenidade (imagem 14).
Esse capitel, portanto, além de mostrar o deambulatório dos anjos, ressalta a leitura que também ocorria nas galerias do claustro, uma atividade espiritual e ascética realizada no claustro durante o verão.37 A Regra de São Bento já previa a prática da leitura espiritual durante os intervalos do trabalho físico ou do ofício divino (Regra de São Bento, 48), e a leitura silenciosa era uma prática comum nos mosteiros medievais, além dos trabalhos no campo, no scriptorium, ou nas dependências do claustro.38
A leitura mais praticada era a da lectio divina, isto é, a leitura da Bíblia. O papa Gregório I, conhecido como Gregório Magno (c. 540-604), um dos mais influentes da tradição espiritual beneditina39, já havia afirmado a unidade da leitura e da existência: ler a palavra de Deus era interiorizá-la, pois “a leitura progride com os que a lêem” (Moralia in Job, 20, 1, 1).40 O que hoje chamaríamos de “atitude metodológica de leitura” era uma abertura de corpo e alma para o estudo, para com o texto, seguindo sempre uma trilogia de receptividade: 1) uma pureza no coração para compreender, 2) uma pureza de intenção para aproveitar o que leu, e 3) uma disposição sincera e firme para obedecer aos preceitos lidos, pois “a verdadeira lectio divina não é assunto de inteligência, mas de retidão de coração”.41
Imagens 15 e 16


Capitel 8 (ala norte, exterior e lateral). Fotos: Cristina Cullell i March (maio de 2005).
Monges caminhando pelo claustro com livros abertos, monges trazendo e levando papiros para o scriptorium do mosteiro. A vida intelectual prosseguia na Idade Média feudal dos guerreiros e camponeses. Unidos na fé e na leitura, no silêncio e no trabalho, os monges de Sant Cugat ajudaram assim a manter viva a chama do estudo. Ao contemplarmos todos os ângulos do capitel 8 – e após caminharmos tranqüilamente algumas vezes pelas galerias do claustro – podemos imaginar quão sereno deveria ser esse momento de ócio para os monges, a leitura de um livro sob uma brilhante tarde de primavera, e a meditação sob as pilastras do jardim do claustro.
Prosseguindo nossa análise dos capitéis da vida cotidiana monástica, os capitéis seguintes que expressam o mundo do claustro são os de números 17 e 18. Nessas interessantes e realistas cenas, o escultor Arnau Cadell está representado (imagem à esquerda) sentado em um tamborete e burilado um capitel coríntio, uma raríssima cena na Idade Média de auto-retrato de um artista. À frente do escultor (imagem à direita), um monge lhe oferece uma tigela (com água ou comida), provavelmente durante uma pausa do trabalho. Isso indica que tanto Arnau quanto sua equipe podem ter sido hospedados no claustro enquanto executavam o trabalho.
Vigorosamente, o escultor lapida um capitel preso em um praticado; suas pernas sustentam a força de seu golpe – infelizmente o rosto do artista também foi destruído. Repare no cajado estirado ao longo da perna esquerda do escultor: ele indica sua condição de artesão, além do hábito semelhante a uma túnica.
Imagens 17 e 18


Capitel 19 (ala norte, interior). Fotos: Cristina Cullell i March (maio de 2005).
A cena do artista esculpindo um capitel e recebendo uma tigela de um monge é complementada por uma inscrição na parede ao lado, em latim: “HEC EST ARNALLI SCULTORIS FORMA CATELLI QUI CLAUSTRUM TALE CONSTRUXIT PERPETUALE”, cuja tradução é: “Esta é a imagem do escultor Arnau Cadell, que construiu tal claustro para a perpetuidade”. Esse é um caso muito raro em que um escultor românico deixou sua assinatura!
Imagem 19

Placa comemorativa ao lado do capitel 19, com uma inscrição em latim.
Foto: Cristina Cullell i March (maio de 2005).
O último capitel que retrata uma cena cotidiana do mosteiro é o de número 45, sempre seguindo a ordenação proposta por Joan Tortosa. Em sua parte superior, os motivos ornamentais e vegetais – cintas com pérolas originadas dos ângulos superiores – se desenvolvem de uma maneira muito mais rica e generosa que no capitel 6. São palmas e frutas que, sinuosamente, envolvem dois monges sentados em bancos, chamados de setial (nome do banco adornado das igrejas).
A cena mostra monges-leitores: eles estão lendo livros que estão abertos e apoiados em estantes inclinadas (chamadas de atril, ou facistol). Um deles folheia o livro (imagem 21), o outro escreve (imagem 20). A cena, portanto, representa diretamente o laborioso trabalho de leitura de obras religiosas e clássicas que ocorria nos mosteiros medievais. No caso de Sant Cugat, seu mosteiro era muito conhecido por seus copistas e tradutores.42
Imagens 20 e 21


Mas indiretamente a cena também relembra o difícil trabalho dos monges-copistas, esses homens que poucas vezes são lembrados e que em silêncio preservaram os textos antigos. Cassiodoro (c. 485-580) já havia destacado a beleza do propósito do copista: “...pregar aos homens com a mão, abrir línguas com os dedos, dar em silêncio salvação aos mortais e – com a cana e a tinta – lutar contra as ilícitas insinuações do diabo”.43 Sem qualquer ambição, sem nenhum desejo de glória, com imenso esforço corporal eles foram chamados de livreiros, porque se consagraram à libra (balança) da justiça de Deus!Op. cit.
Por isso, embora o capitel 45 mostre somente uma cena de leitura, ele sugere todo o esforço que estava por trás desse simples e belo gesto de ler as páginas de um livro. Ademais, a invasão da natureza na cena dos monges-leitores também insinua a tranqüilidade do momento de meditação após a leitura de alguma passagem bíblica, seguindo a trilogia de receptividade ordenada pelo papa Gregório Magno, como vimos anteriormente.
Assim, o capitel 45 nada mais é que uma homenagem a essa dedicação à cultura letrada por parte dos monges. Para se ter uma idéia, segundo a Regra de São Bento, à leitura deveriam ser dedicadas mil e quinhentas horas anuais! Esse trabalhoso e desgastante ofício é também representado na cena pela postura curvada dos dois monges.
Conclusão
Imagem 22

Corredor leste do claustro do mosteiro de Sant Cugat. À esquerda, encontra-se a atual entrada de acesso ao claustro. Foto: Ricardo da Costa (janeiro de 2005).
Contemplar as cenas dos capitéis no claustro de Sant Cugat era, para os monges medievais, retornar ao estado original do homem no Paraíso, pois “o homem foi originalmente criado para a contemplação” (Moralia in Job, 8, 34).44 Ao perder o Paraíso, Adão perdeu a contemplação de Deus. Portanto, construir o claustro seguindo os parâmetros bíblicos, a concepção mística dos números e da proporção, moldar os capitéis para a recordação necessária à meditação da leitura e, por fim, se dedicar de corpo e alma à leitura e à meditação, tudo isso fazia parte da idéia de criar uma semelhança terrena do Paraíso perdido.
Graças a essa vida contemplativa monástica medieval, graças a esse laborioso trabalho dos copistas, graças enfim, ao hábito de ler cultivado pelos monges medievais, a civilização manteve acesa a chama do estudo e da leitura, transmitindo aos pósteros a sabedoria e o conhecimento adquiridos e herdados da Antiguidade e desenvolvidos na Idade Média.
De nossa parte, ter desfrutado da hospitalidade de Sant Cugat e, especialmente, ter caminhado algumas vezes na paz do mosteiro medieval santcugatense para contemplar as cenas esculpidas nos capitéis pelo artista Arnau Cadell com a ajuda dos olhos sensíveis e apurados de Joan Tortosa, foi uma experiência única de retorno a um distante momento cultural de um passado que tantas vezes li e estudei.
*
–Agradeço a Joan Tortosa as horas agradáveis em que passamos no claustro do mosteiro. Ali pude aprender como um artista olha para a obra de outro artista! –
– Este trabalho é dedicado à senhora Nuria Tomas Roset, a Cristina Cullell i March, e aos professores Pere Villalba e Tomàs Gimeno Fabregat (ambos da Universitat Autònoma de Barcelona). À primeira, por me acolher em sua casa (e me ensinar os dias da semana em catalão!), à segunda, pela generosidade de ter fotografado os capitéis em um agitado sábado (em que ocorria uma apresentação gratuita de música clássica no jardim interno do mosteiro – com a presença do prefeito de Sant Cugat): ambas são orgulhosas santcugatenses de nascimento; a Pere Villalba e Tomàs, pelos agradáveis encontros com diálogos platônicos, sempre regados a vinho e com petiscos catalães; ambos são orgulhosos santcugatenses, mas de coração! –
Notas
- 1. Peristephanon (Livro das coroas, uma coleção de hinos dedicada a alguns santos) II, 4, 33. Internet, AURELIUS CLEMENS PRUDENTIUS, Peristephanon, IntraText Edition CT.
- 2. Também chamado de Cucuphas, Guinefort, ou Qaqophas. Sua festa é comemorada no dia 25 de julho. Ver Catolic Online.
- 3. SARTAGAL I PELLICER, Ramon. Diccionari dels Sants. Barcelona, Edicions 62, 1996, p. 52.
- 4. O próprio Augusto passou três anos em Tarraco (atual Tarragona), durante os anos 27-25 a. C., para acabar com a resistência ao poder romano que existia na região.
- 5. Decreto de tolerância religiosa promulgado por Licínio (328-324 d. C.) e Constantino (306-337 d. C.) e que concedia aos cristãos a igualdade de direitos com as outras religiões.
- 6. Hoje essa pequena planta quase quadrada se encontra no jardim do claustro. O martyrium foi escavado pelos arqueólogos Pere Bosch i Gimpera i Josep Serra i Ràfols em um trabalho que durou seis anos (1931-1936).
- 7. Catalunya Romànica. El Vallès Occidental – El Vallès Oriental. Enciclopédia Catalana. Barcelona, 1991, vol. XVIII, p. 159-160. Ao redor dessa primeira construção cristã há um pequeno necrotério, com tumbas de tipos variados.
- 8. Rei da França Ocidental, sucessor de Carlos, o Calvo (823-877) e filho de Luís, o Piedoso (imperador de 813 a 840).
- 9. Citado em Catalunya Romànica. El Vallès Occidental – El Vallès Oriental., op., cit., p. 161.
- 10. As crônicas antigas mencionam seis abades anteriores, mas não se provou sua existência.
- 11. Note que até a década de 60, em pleno século XX, a vila de Sant Cugat não tinha mais que três mil habitantes!
- 12. Primeiro califa de Córdoba (891-961), que governou de 912 a 961.
- 13. Rei da França (governou nos anos 936-954), chamado de o Ultramar por ter vivido em Inglaterra.
- 14. Ver A. GUILLÉN DEU, “Pregunta sin respuesta: la razzia de al-Mansur del año 985 en Sant Cugat. Una nueva aportación al tema: la visión islàmica”, Revista Valldaurex 2, abril 2000.
- 15. Ver J. RUIZ CULLEL, “Les transformacions del monestir de Sant Cugat als voltants de l’any 1000”, Actes de la LXII Assemblea Intercomarcal d’Estudiosos, octubre 1998. Reparem que nesse período se entendiam que os votos monásticos não eram impeditivos para que os abades participassem da guerra contra os mouros!
- 16. Cartulario de Sant Cugat del Vallès. Barcelona, CSIC, 1945-1947, 3 vols (com 1233 documentos, 979 dos quais relativos à formação, expansão, administração e defesa do patrimônio do mosteiro).
- 17. O repovoamento começo especialmente a partir do abaciato de Donaden (904-917). Ver J. YARZA LUACES y G. BOTO VARELA (coord.), Claustros Románicos Hispanos, Editorial Edilesa, 2003, p. 300.
- 18. Bula de 1002 do papa Silvestre II (990-1003).
- 19. Conde de Barcelona de 1082 a 1096.
- 20. Catalunya Romànica. El Vallès Occidental – El Vallès Oriental, op. cit., p. 164.
- 21. Conde de Barcelona de 992 a 1018.
- 22. Conde de Barcelona de 966 a 992.
- 23. “Os almorávidas (c. 1056-1147) eram formados por várias tribos que se diziam descender de Himyar. As mais célebres são as de lamtuna (ou lemtuna), da qual o príncipe dos crentes Ali ibn Taxufin faz parte, e os chadala. Saídas do Yêmen nos tempos de Abu Bakr Siddiq, que as enviou para a Síria, elas passaram depois para o Egito e depois se transferiram para o Magreb, com Musa ibn Nusayr. Seguiram depois para Tariq até o Tanger.” Ver R. DA COSTA, “A expansão árabe na África e os Impérios negros de Gana, Mali e Songai (sécs. VII-XVI) – Segunda Parte”.
- 24. J. SUREDA, La pintura románica em Cataluña, Madrid, Alianza Editorial, 1995, p. 25.
- 25. E. JUNYENT, Catalunya Românica. L’arquitetura del segle XII, Barcelona, Publicacions de l’Abadia de Montserrat, 1976, p. 143-144.
- 26. E. JUNYENT, Catalunya Românica. L’arquitetura del segle XII, op. cit., p. 143.
- 27. J. YARZA LUACES y G. BOTO VARELA (coord.), Claustros Románicos Hispanos, op. cit.
- 28. Simbolicamente, o campanário simboliza a união entre Deus e os homens, e também o próprio poder da Igreja. Portanto, é construído para que seja visto a longa distância. Na arte românica – e especialmente no românico catalão – o campanário costuma ser construído no mesmo edifício do templo, e na maior parte das vezes na fachada principal.
- 29. J. TORTOSA, El Claustre de Sant Cugat del Vallès. Més enllà de les formes, Sabadell, Editorial Ausa, 1998, p. 137-138.
- 30. G. M. COLOMBÁS, La tradición benedictina, ensaio histórico, II. Los siglos VI y VII, Zamora, Ediciones Monte Casino, 1990, p. 82.
- 31. J. TORTOSA, El Claustre de Sant Cugat del Vallès. Més enllà de les formes, op. cit., p. 102-103 e 108.
- 32. J. TORTOSA, El Claustre de Sant Cugat del Vallès. Més enllà de les formes, op. cit., p. 128.
- 33. T. GREGORY, “Natureza”, J. LE GOFF & J.-C. SCHMITT (coord.), Dicionário Temático do Ocidente Medieval II, Bauru / São Paulo, Edusc / Imprensa Oficial do Estado, 2002, p. 263-277.
- 34. J. TORTOSA, El Claustre de Sant Cugat del Vallès. Més enllà de les formes, op. cit., p. 149.
- 35. “Na década de setenta do século XX, o Papa Paulo VI dando seqüência ao que foi decidido no Concílio Vaticano II promoveu uma série de reformas na Igreja principalmente relacionadas à liturgia e ao sacramento da ordem. Foi extinta a tonsura, substituída por um juramento público de fidelidade à Igreja e as ordens menores, antes em número de cinco (ostiariato até subdiaconato) foram chamadas de ministérios, agora em número de dois (leitorato e acolitato).” – Veritatis Splendor – O Esplendor da Verdade.
- 36. G. GONZALVO I BOU, La vida privada de la Comunitat de Poblet a l’Edat Mitjana i Moderna, Barcelona, Publicacions de l’Abadia de Poblet, 1999, p. 47.
- 37. G. GONZALVO I BOU, La vida privada de la Comunitat de Poblet a l’Edat Mitjana i Moderna, op. cit., p. 33.
- 38. PARKES, Malcom. “Ler, escrever, interpretar o texto: práticas monásticas na Alta Idade Média”, CAVALLO, Guglielmo e CHARTIER, Roger (org.), História da lectura no mundo occidental I, São Paulo, Editora Ática, 1998, p. 103-122.
- 39. G. M. COLOMBÁS, La tradición benedictina, ensaio histórico, II. Los siglos VI y VII, op. cit., p. 174.
- 40. Citado em G. M. COLOMBÁS, La tradición benedictina, ensaio histórico, II. Los siglos VI y VII, op. cit., p. 257.
- 41. “Hacer de la Escritura un campo de discusión, un continuo planteamiento de problemas con ánimo de solucionarlos con razonamientos más o menos primorosos, es condenarse a que no nos sirva nunca de verdadero alimento espiritual. Tal modo de proceder no sólo no tiene nada que ver con la lectio divina, sino que le es completamente contrario.” – G. M. COLOMBÁS,La tradición benedictina, ensaio histórico, II. Los siglos VI y VII, op. cit., p. 260-261.
- 42. J. TORTOSA, El Claustre de Sant Cugat del Vallès. Més enllà de les formes, op. cit., p. 201.
- 43. CASSIODORO, "Instituições, cap. 30 – sobre os copistas e a recordação da ortografia" (trad.: Jean Lauand), publicado em VIDETUR 31.
- 44. Citado em G. M. COLOMBÁS, La tradición benedictina, ensaio histórico, II. Los siglos VI y VII, op. cit., p. 265.
O deambulatório dos anjos: o claustro do mosteiro de Sant Cugat del Vallès (Barcelona) e a vida cotidiana e monástica expressa em seus capitéis (séculos XII-XIII) | História Medieval - Prof. Dr. Ricardo da Costa
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