Católicos são presos na Índia após cantarem músicas de Natal
Coral foi acusado de tentar converter outras pessoas no país de maioria hindu
NOVA DÉLHI — Um grupo de 32 católicos foi detido nesta quinta-feira enquanto cantavam músicas de Natal no estado de Madhya Pradesh, na Índia, sob a suspeita de tentar converter outras pessoas ao cristianismo, informaram as autoridades, à medida que cresce o medo sobre a liberdade religiosa no país. Uma associação católica chamou as acusações de "risíveis".
Quando um grupo de sacerdotes foi à delegacia de polícia indagar sobre as detenções, carro deles foi incendiado no estacionamento. Os suspeitos pertencem a um grupo hindu de direita, de acordo com Theodore Mascarenhas, secretário-geral da Conferência Episcopal da Índia.
A minoria cristã da Índia indica haver um recente aumento dos ataques às igrejas e religiosos, apontando como culpados os radicais hindus, sobre os quais eles afirmam terem aumentado sua influência desde 2014, quando o governo de direita do primeiro-ministro Narendra Modi assumiu o poder.
Mascarenhas disse que 32 católicos, incluindo dois sacerdotes, foram detidos enquanto "conduziam um programa de canto de canções de Natal".
— A acusação de conversão sobre a qual os sacerdotes e seminaristas foram detidos é frívola e risível — disse Mascarenhas em comunicado na sexta-feira.
Segundo ele, o coral participa da temporada de Natal em Satna há 30 anos. A polícia de Satna disse à "AFP" que deteve o grupo para interrogatório depois de um residente se queixar de ser "atraído por um grupo de cristãos para se converter". Induzir uma conversão ilegal pode significar uma prisão de até um ano. Cinco estados indianos, incluindo o Madhya Pradesh, têm leis que exigem que os indivíduos obtenham permissão de funcionários do governo antes que eles possam se converter em outra fé.
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Oito outros sacerdotes que foram à delegacia de polícia para procurar o grupo detido também foram levados sob custódia, disse o oficial de investigação Mohini Sharma. Durante a sua detenção, uma multidão incendiou seu carro num ataque condenado por Mascarenhas como uma violência feita por "terroristas que assumiram o traje da polícia religiosa". Todas as 40 pessoas foram liberadas enquanto não foram realizadas prisões no caso do incêndio criminoso, segundo Sharma.
Grupos hindus de direita acusam igrejas e missionários de ter comunidades pobres como alvo de incentivos financeiros, na tentativa de convertê-las no cristianismo. Tais alegações são, contudo, negadas pela Igreja Católica.
Cerca de 80% da população Índia, formada por 1,2 bilhão de pessoas, é hindu. O país também abriga, porém, um grande número de muçulmanos, cristãos e budistas.
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