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Tema: Katyn, masacre comunista: el muro de Berlín intelectual no ha caído

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  1. #1
    Avatar de Hyeronimus
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    Respuesta: Masacre de oficiales polacos de la nobleza católica en Katyn

    Blog dos leitores (Putin e Katyn)


    Texto e tradução enviados pelo leitor António Campos:


    "Se há virtude que todos unanimemente reconhecem em Vladimir Putin, será a sua extrema habilidade política. E tal ficou mais do que provado no seu recente discurso em Katyn, que obteve a proeza de receber elogios generalizados e incondicionais de um lago espectro da classe política internacional, bem como de muitos comentadores que seguem a realidade daquela parte do mundo. No entanto, uma análise mais profunda das suas palavras na cerimónia revela não mais do que uma simples manobra de charme, com poucos ou nenhuns resultados conducentes à resolução desta disputa histórica. Boris Sokolov, num ensaio publicado recentemente no site Grani.ru, tem uma visão crítica sobre o verdadeiro alcance da postura do primeiro-ministro russo.




    Segue abaixo a tradução do comentador. Peço antecipadamente desculpas por eventuais incorrecções da tradução do original em russo.




    "Atolados em Mentiras




    Vladimir Putin usou uma cerimónia fúnebre na floresta de Katyn para pressionar a Polónia a parar de discutir a história. Do seu ponto de vista, "uma via conjunta para compreender a memória nacional e as feridas históricas poderá ajudar-nos a evitar o impasse da incompreensão e do eterno ajuste de contas, bem como da divisão primitiva de povos entre justos e culpados, tal como é a intenção de alguns políticos menos escrupulosos...". Além disso, referiu que "no nosso país temos uma clara avaliação política, jurídica e moral das atrocidades do regime totalitário, que não está aberta a revisão". O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, afirmou em resposta que a verdade sobre Katyn não deve servir como pretexto para dividir os povos russo e polaco.




    Estas palavras soam inteiramente correctas. Pelos padrões russos, trataram-se de declarações sensatas de um líder nacional.

    À vista dos dois chefes de governo ajoelhados em memória das vítimas inocentes, os polacos ficaram aparentemente bem impressionados. Todavia, surpreendentemente, o primeiro-ministro russo falou muito sobre a sua simpatia para com as vítimas, mas quase nada sobre a responsabilidade dos carrascos. E não se coibiu também de atirar mais umas achas para a fogueira.




    Por exemplo, Vladimir Vladimirovich afirmou: "Durante décadas, mentiras cínicas tentaram ocultar a verdade sobre o massacre de Katyn; mas as mesmas mentiras procuravam atribuir a responsabilidade ao povo russo." Esta formulação tem implícita a exigência polaca de que a Rússia assuma a sua responsabilidade moral pelos massacres e compense as vítimas. Em princípio, as palavras de Putin sobre as tentativas ilícitas de culpar o povo russo por Katyn poderão ser vistas no contexto da visita de Tusk e Kaczynski no dia 10 de Abril ao local onde estão previstas as cerimónias, ainda que as reivindicações polacas abranjam não o povo russo, mas sim o estado russo, que se autoproclamou sucessor directo da URSS.




    Por outro lado, Putin afirmou hipocritamente que a única coisa que restringe o acesso às informações sobre a tragédia de Katyn são questões humanitárias, ou seja, o desejo de não prejudicar os familiares dos envolvidos nesse acontecimento trágico. Somos levados a imaginar cenas em que os familiares das vítimas perseguem os familiares dos carrascos com facas e pistolas, numa tentativa de ajustar contas.




    De facto, estas "considerações humanitárias" destinam-se apenas a justificar as reticências do gabinete do procurador militar russo em desclassificar os documentos de acusação do caso de Katyn, onde se apontam todos os supostos responsáveis. E a preocupação aqui não é com o público polaco, mas com o russo. Todos os documentos importantes contendo, entre outras coisas, os nomes dos envolvidos no crime de Katyn, foram entregues mesmo antes da investigação oficial aos historiadores polacos, já se encontrando disponíveis nos arquivos do Instituto da Memória Nacional. Porém, se os documentos da investigação russos, incluindo a lista dos responsáveis, fossem desclassificados, tal não impediria a sua publicação na Rússia, ficando o país finalmente a saber a verdade sobre os seus heróis da polícia secreta. E tal é algo que a soberania russa não pretende que aconteça.




    Acima de tudo, no seu discurso sobre Katyn, Putin não conseguiu resistir a criticar a conduta sobre os prisioneiros de guerra do lado polaco em 1920: "A minha opinião é a de que Estaline sentiu a responsabilidade pessoal pela tragédia do conflito militar polaco-soviético de 1920 e foi motivado, nesta matança, por um desejo de vingança...tenho vergonha de admitir a minha ignorância do facto de Estaline ter supervisionado directamente as operações militares durante a guerra polaco-soviética de 1920. Como sabemos, o Exército Vermelho foi derrotado. Muitos dos seus soldados foram feitos prisioneiros. De acordo com dados recentes, morreram em cativeiro devido a fome e a doença 32 mil soldados cativos dos polacos.”




    Sou levado a perguntar como é que o nosso primeiro-ministro citou o número de 32 mil. Os historiadores polacos afirmam que cerca de 18 a 20 mil militares do Exército Vermelho morreram em cativeiro, o que é comprovado por documentos polacos e pelo número aproximado de sepulturas. Contudo, os nossos historiadores patrióticos referem geralmente um número de 60 mil mortes de soldados capturados. Aquele será então provavelmente um número apenas conveniente, pois excede o número de polacos assassinados pelo NKVD na Primavera de 1940 (22 mil).




    De facto, Estaline foi um dos mais importantes actores da guerra polaco-soviética de 1920. No entanto, é improvável que tenha tido alguma ideia sobre o número de mortes do Exército vermelho em cativeiro (a propósito, o seu exército não era menos propenso a mortes por febre tifóide ou outras epidemias). Como as experiências das guerras entre a Finlândia e a URSS e da Segunda Guerra Mundial comprovam, Estaline considerava os prisioneiros do Exército Vermelho cobardes e traidores, tendo-os recambiado para o GULAG após a libertação. Vingar 1920 não lhe terá pois seguramente passado pela cabeça.




    Na senda de alguns historiadores russos, Putin afirmou: "A questão, claro, é saber porque é que alguns foram exilados para a Sibéria, enquanto que outros foram executadas. Não há nenhuma explicação racional para isso, nem nos documentos. A razão para estes crimes não é clara e não existem indícios que nos permitam chegar a uma conclusão." De facto, foram enviados para a Sibéria e para a Ásia Central familiares dos executados em Katyn, bem como polacos que não eram oficiais nem vistos como "exploradores", mas que eram considerados desleais. Entre os oficiais houve excepções, tais como o general Anders, informadores do NKVD e, nas palavras de Beria, indivíduos com "pensamento politicamente correcto", tais como Sigmund Berling, que estava pronto a organizar um novo exército polaco controlado pelos soviéticos.




    A razão pela qual os oficiais polacos foram chacinados em Abril e Maio de 1940 foi o objectivo de Estaline de organizar um exército polaco totalmente controlado, e, por inerência, um estado polaco fantoche. Este previa que, o mais tardar em Maio, Hitler iniciasse uma ofensiva generalizada contra a França, o que lhe permitiria atacar a sua retaguarda quando a Wehrmacht estivesse atolada na linha Maginot. De seguida, a França, a Inglaterra e o governo polaco no exílio tornar-se-iam aliados soviéticos e os oficiais polacos prisioneiros seriam libertados. Não sendo estes, na sua maioria, muito dados ao comunismo, o novo exército polaco sob o seu comando não seria facilmente controlado por Moscovo. Por isso, Estaline decidiu assassiná-los. No entanto, esta explicação não poderia sair da boca do primeiro-ministro russo.




    Putin não se conteve de repetir a mentira, propagada pela imprensa russa, de que em Katyn estão também enterrados, juntamente com os oficiais polacos e com as outras vítimas das repressões do NKVD, cidadãos soviéticos mortos pelos nazis. No entanto, é sabido que os alemães não mataram prisioneiros soviéticos em Katyn, tendo mesmo, ignorando a existência das vítimas aí enterradas, montado nas imediações um quartel de comunicações. Putin serviu-se desta falsidade para adiantar que a comissão Burdenko terá apenas cometido um erro honesto, em vez de ter falsificado deliberadamente os factos ao afirmar que os polacos foram fuzilados pelos alemães. Sendo estes também carrascos, seria fácil ser induzido em erro.




    Por outro lado, Putin tentou como que diluir o assassínio de quase 22 mil polacos na primavera de 1940, misturando-o com os crimes estalinistas contra cidadãos soviéticos, quando afirmou que "a repressão esmaga pessoas, independentemente da nacionalidade, convicção ou religião. A lógica era espalhar o medo, despertando os instintos mais primários, incitar uns contra outros e levá-los a obedecer cegamente e sem pensar." Assim, de forma não muito elegante, o primeiro-ministro russo tentou evitar acusações de genocídio em Katyn.




    No entanto, o camarada Estaline tinha bem presente a questão da nacionalidade. É tristemente notória a decisão do Politburo de 5 de Março de 1940 sobre a execução de oficiais polacos e representantes dos "exploradores de classe", bem como de exploradores "bielorrussos e ucranianos" a "reprimir ao abrigo de outros regulamentos". Mas pouco antes do Katyn, em 1937-1938, o NKVD conduziu uma operação contra "contingentes nacionais" no âmbito das quais foram executados ou enviados para campos de concentração centenas de milhares de polacos, alemães, estónios, letões, lituanos e outros grupos étnicos "duvidosos", cujo único crime era pertencerem a estados não incorporados na URSS. De entre essas operações, o grupo dos "polacos" foi o mais sangrentamente afectado.




    Assim, a cerimónia comemorativa não trouxe nenhum dos avanços históricos sobre Katyn que eram aguardados tanto pelos políticos como pelo público polaco. Putin não forneceu nenhum dos documentos desclassificados sobre a investigação, nem anunciou a reabertura do inquérito, mau grado as solicitações do lado polaco. Além disso, na véspera da cerimónia, foi publicada a resposta do gabinete do procurador militar ao pedido de Estrasburgo, na qual aquele se recusou a entregar ao tribunal os autos do inquérito. Em nenhum dos textos oficiais russos é possível ler as expressões "crimes" ou "assassínios", optando o Ministério Público por usar termos como o "caso" ou os "acontecimentos de Katyn".




    O melhor que as autoridades russas se dispuseram a fazer foi autorizar a exibição, no canal "Kultura", do filme "Katyn" de Andrzej Wajda. Foi uma boa iniciativa. Contudo, se o filme tivesse sido exibido num dos canais principais, muito mais pessoas teriam ficado a saber a verdade.



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  2. #2
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    Respuesta: Katyn, masacre comunista: el muro de Berlín intelectual no ha caído

    ENTREVISTA: Conmoción en Polonia ANDRZEJ WAJDA Cineasta y autor de la película 'Katyn'

    "Si nos reconciliamos con Alemania, nos podemos reconciliar con Rusia"


    El reciente estreno en la televisión rusa de la película Katyn (2007), sobre el exterminio de la élite militar polaca por la policía secreta de Stalin en 1940, ha sido considerado como un gesto sin precedentes de Rusia hacia Polonia y un paso clave en el camino hacia la reconciliación de dos viejos enemigos. El responsable del filme, el director polaco Andrzej Wajda, de 84 años, no daba crédito cuando se enteró de que la película se había emitido en Rusia y cree que se están dando las condiciones para que Varsovia y Moscú puedan normalizar sus relaciones.



    "No es comparable esta tragedia con Katyn. En 1940, fueron asesinados"

    "La televisión rusa emitió mi película el domingo. Me quedé boquiabierto"


    En una entrevista en los Estudios Akson de la capital polaca -tres días después del accidente aéreo en el que perdió la vida del presidente polaco, Lech Kaczynski, junto con decenas de altos cargos políticos y militares justo cuando se dirigían al recordar a las víctimas de aquella matanza-, Wajda se declara optimista respecto a la posible reconciliación entre ambos países y afirma que, aunque Polonia ha avanzado considerablemente, todavía está presa de algunos lastres del pasado.
    Pregunta. ¿Es posible la reconciliación con Rusia?
    Respuesta. Todo lo que se está haciendo desde Moscú apunta a la posibilidad de una reconciliación. Ojalá la matanza de Katyn quede pronto aclarada. Si nos reconciliamos con Alemania, nos podemos reconciliar con Rusia. Creo que es muy posible.
    P. ¿Su película se ha convertido en un elemento de acercamiento entre ambos países?
    R. Si es así, habrá que situarla como una pieza de un rompecabezas más complejo y amplio: la actitud de los ciudadanos rusos frente a los crímenes del estalinismo. Si Moscú está dispuesto a una cierta revisión de lo sucedido en la Unión Soviética, la reconciliación con Polonia es bastante posible. Estuve en Katyn el 7 de abril, cuando el primer ministro polaco, Donald Tusk, y el ruso, Vladímir Putin, rindieron homenaje a las víctimas de aquella matanza. Hay que enfrentarse al pasado estalinista.
    P. ¿Cómo vivió la emisión de su película Katyn en el canal temático Kultura de la televisión rusa, el 2 de abril?
    R. Me quedé estupefacto. Jamás habría imaginado, jamás, que Katyn fuera emitida en la televisión rusa. Habían comprado la película hace un año y no pensé que la llegaran a programar... Al final fue en un canal temático de audiencia limitada, pero lo hicieron. Pero lo que me pareció totalmente increíble es que la emitieran el domingo pasado en la televisión pública, con millones de telespectadores, y en horario de máxima audiencia. Me quedé boquiabierto.
    P. ¿Es posible que Rusia abra los archivos secretos de la época o que llegue a pedir perdón oficialmente por Katyn?
    R. Podría ser. Se puede decir que se están dando pasos en esa dirección y las cosas no pasan por casualidad; están pensadas de antemano.
    P. Su padre fue uno de los 22.000 militares ejecutados en el bosque de Katyn en 1940. ¿Qué fue lo peor de aquella matanza?
    R. Primero, el asesinato de la élite de todo un país. Catedráticos, profesores, médicos, policías... Los más formados fueron ejecutados. Fue muy doloroso. Es algo que está en mi corazón y seguirá allí siempre. Segundo, la mentira fue también horrible. Durante la dictadura comunista no se pudo hablar del asunto.
    P. Algunos comentaristas comparan la matanza de Katyn con el accidente del sábado, puesto que en el avión iban miembros de la élite del país. ¿Está de acuerdo?
    R. No es comparable. Ni en el número de muertos, ni en las circunstancias de las muertes. En 1940 fueron asesinados y, en el segundo caso, se trata de un accidente. Claro que en lo personal todos son insustituibles.
    P. La reacción en Polonia a la tragedia aérea ha sido de unidad, por encima de las ideologías, para recordar a las víctimas del accidente. ¿Cree que esa actitud se consolidará?
    R. Hemos reaccionado de forma muy emocional y habrá que ver si ese espíritu es viable a largo plazo.
    P. En otoño de 2007, cuando hubo un cambio de Gobierno y Jaroslaw Kaczynski, el hermano del presidente fallecido, perdió las elecciones, usted parecía albergar la esperanza de que una nueva Polonia acababa de nacer. Kaczynski había centrado su política en perseguir el pasado comunista y defender los valores tradicionales. El nuevo primer ministro, Donald Tusk, prometía una renovación. ¿Le ha decepcionado?
    R. Siempre he sido muy escéptico. Antes y ahora. Pero sigo apoyando a la Plataforma Cívica. El ambiente político se ha calmado. Ya no se persigue a la gente por su pasado comunista. Y nos hemos acercado a la Unión Europea. Ha habido bastantes cambios, pero aún hay restos de lo antiguo, del pasado, como el Instituto para la Memoria Nacional
    [donde los historiadores rebuscan en los archivos de la policía secreta comunista]. Todavía no estamos ante una nueva Polonia. Para una renovación total habrá que esperar a las siguientes elecciones.
    Aquí corresponde hablar de aquella horrible y nunca bastante execrada y detestable libertad de la prensa, [...] la cual tienen algunos el atrevimiento de pedir y promover con gran clamoreo. Nos horrorizamos, Venerables Hermanos, al considerar cuánta extravagancia de doctrinas, o mejor, cuán estupenda monstruosidad de errores se difunden y siembran en todas partes por medio de innumerable muchedumbre de libros, opúsculos y escritos pequeños en verdad por razón del tamaño, pero grandes por su enormísima maldad, de los cuales vemos no sin muchas lágrimas que sale la maldición y que inunda toda la faz de la tierra.

    Encíclica Mirari Vos, Gregorio XVI


  3. #3
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    Respuesta: Katyn, masacre comunista: el muro de Berlín intelectual no ha caído

    REPORTAJE: LA MATANZA DE KATYN

    Los 22.000 tiros en la nuca de Stalin

    La URSS asesinó en 1940 a la élite polaca, en su mayoría oficiales del Ejército. Fue la matanza de Katyn. Esa era la tragedia que iban a conmemorar los dirigentes muertos el 10 de abril en un accidente aéreo


    Con el viejo libro abierto por la mitad, Anna Maria Wolinska busca en una lista el nombre de su padre. "Waclav Wolinski, deportado en 1939". Capitán de artillería ligera del Ejército polaco, tenía 38 años cuando se marchó a la guerra en agosto de ese año. Su hija estaba a punto de cumplir cinco: "Yo era entonces muy pequeña, pero recuerdo perfectamente el día en que mi padre se fue. Los bolcheviques le hicieron prisionero a las pocas semanas". Nunca volvió.



    La Unión Soviética detuvo a 230.000 polacos. De ellos, 22.000 fueron encerrados y liquidados en bosques uno por uno

    El Gobierno polaco en el exilio preguntó a Stalin dónde estaban sus presos. "Escaparon", se limitó a responde


    Uno a uno, a sangre fría, 22.000 militares polacos como Wolinski fueron ejecutados de un tiro en la nuca en 1940 y arrojados a fosas comunes en territorio de lo que entonces era la Unión Soviética. Fueron víctimas de la policía secreta de Stalin, el temido y siniestro NKVD. La conocida como matanza de Katyn -el bosque próximo a la ciudad de Smolensk en el que fueron hallados los primeros cadáveres- supuso el exterminio, en menos de un año, de la élite polaca. Durante medio siglo, el crimen fue censurado por el régimen comunista, que siempre acusó a la Gestapo de esa terrible carnicería.
    El 23 de agosto de 1939 amaneció como un día negro para el destino de Polonia. La Alemania nazi y la Unión Soviética firmaron un pacto de no agresión por el que se repartían el país centroeuropeo. Adolf Hitler invadió la parte occidental de Polonia el 1 de septiembre; las tropas polacas se replegaron hacia el este, por donde entraron las fuerzas de Josef Stalin 17 días más tarde. Aplastados por las máquinas de guerra alemana y soviética, el pánico se adueñó de Polonia. Fue arrestado "cualquiera que llevara un uniforme, desde el oficial de carrera hasta el profesor movilizado desde la reserva para ayudar al Gobierno polaco a defenderse de los enemigos", explica Richard Zelichowaski, historiador de la Academia de las Ciencias Polaca. "Eran policías, generales, coroneles, capitanes, profesores, miembros de los servicios secretos, médicos, jueces, abogados, funcionarios, empresarios... Eran la élite militar y administrativa del país", explica.
    En los años 1920 y 1930, el Ejército polaco estaba falto de gente formada, y cuando estalló la guerra, miles de profesionales e intelectuales fueron llamados a filas como oficiales. Cerca de 230.000 militares polacos fueron hechos prisioneros por los soviéticos. Se les interrogó y clasificó para identificar a los que podían representar un peligro mayor para las autoridades invasoras. De ellos, un total de 22.000, oficiales en su mayoría, fueron internados en tres campos especiales para prisioneros en territorio soviético: Kozielsk, Starobielsk y Ostaszkow.
    Lo peor no eran las condiciones inhumanas en las que vivían: lo peor fue la incertidumbre. Pasaron semanas, y en muchos casos meses, alojados en los campos sin que nadie les dijera qué quería de ellos. Algunas versiones sostienen que les interrogaron y torturaron, otras creen que simplemente les mantuvieron a la espera de órdenes que no terminaban de llegar.
    El padre de Anna Wolinska era soldado profesional. Su guarnición tenía la sede en Wolyn (en la actualidad, territorio ucranio). Tras ser detenido, acabó en el campo de Starobielsk. "Mi padre mandaba cartas a mi madre desde allí", recuerda Wolinska, que ahora tiene 75 años y vive en Varsovia. "Decía que estaban bien, pero que no sabían qué iba a pasar; nadie les decía nada". La última carta llegó el 8 de marzo de 1940. Justamente en ese mes fatídico, el Politburó de Moscú había tomado su decisión. El máximo órgano ejecutivo del Partido Comunista dictó la orden de matar a los oficiales polacos, pasando por encima de todos los convenios internacionales relacionados con el trato a los prisioneros de guerra. El exterminio fue organizado por la policía secreta de Stalin. "Un gran número de oficiales del Ejército, empleados de la policía polaca, de los servicios de espionaje, miembros de los partidos nacionalistas y contrarrevolucionarios de Polonia, todos ellos declarados enemigos de la autoridad soviética, están siendo retenidos en varios campos", afirmaba aquella orden, firmada por Laurenti Beria, mano derecha de Stalin. "Todos están esperando a ser liberados para empezar a actuar contra la autoridad soviética", añadía para justificar las ejecuciones.
    En conducciones de varias decenas cada vez, los presos fueron trasladados en camiones a bosques cercanos. Los prisioneros de Kozielsk fueron llevados a Katyn; los del campo de Starobielsk, a Járkow; los del campo de Ostaszkow, a Kalinin (Tver, en la actualidad). Uno a uno, fueron colocados frente a su propia tumba, y a veces con la cabeza tapada, a veces al descubierto, maniatados, recibieron un tiro en la cabeza. Así durante semanas, meses...
    El tiro en la nuca era un método habitual de la NKVD (entidad precursora del KGB), pero Krystyna Brydowska, de 73 años, tiene otra teoría sobre cómo murió su padre, también oficial del Ejército polaco detenido por la Unión Soviética. "Radio Europa Libre aseguró que los prisioneros del campo de mi padre, el de Ostazskow, habían sido trasladados hasta el mar Blanco
    [en la costa noroeste de Rusia], donde fueron ahogados por la policía secreta estalinista", cuenta. El historiador Piotr Gontarezyk está convencido de que no fue así: "Era lo que muchas familias querían creer, porque siempre tenían la esperanza de que al ser llevados a otros lugares existía la posibilidad de que hubieran escapado. Pero sinceramente no creo que la NKVD se hubiera molestado en llevar a los prisioneros a otro sitio para ejecutarlos a miles de kilómetros de distancia. No encaja con el sistema de exterminio organizado por el aparato del Estado soviético".
    Las primeras huellas de aquella matanza fueron destapadas en 1943. Y lo hizo Radio Berlín, en aquella época en manos de los nazis. Unos obreros polacos que trabajaban en las líneas ferroviarias en el este del país, entonces ocupado por la Alemania nazi, descubrieron los primeros cadáveres. Había decenas de fosas, llenas de esqueletos apilados unos sobre otros, en el bosque de Katyn, a pocos kilómetros de la ciudad rusa de Smolensk. Unidades del Ejército alemán desenterraron allí 4.500 cuerpos. Medio siglo después se hallaron más cementerios de este tipo, pero el nombre de Katyn ya se había convertido en el símbolo de todos ellos.
    "El hallazgo fue para Alemania un instrumento propagandístico de primer orden", cuenta Gontarezyk. Hitler y Stalin, que empezaron la guerra como amigos, eran ahora enemigos. Stalin cambió de opinión y se unió a los aliados que combatían contra Hitler. Para el Berlín hitleriano, la oportunidad era de oro para mostrar al mundo los crímenes soviéticos y, de paso, sembrar la discordia entre los aliados, incluido el Gobierno polaco en el exilio. Los medios del Tercer Reich publicaron fotografías, cartillas de vacunación y detalles sobre los objetos personales hallados en las fosas. Algunos polacos se enteraron de esta forma del fallecimiento de algunos de sus familiares.
    Stalin contraatacó de inmediato culpando a la Gestapo de los crímenes descubiertos. Su estrategia no sirvió para explicar dónde estaban los soldados polacos hechos prisioneros por Moscú que, pese a haber sido oficialmente amnistiados tras la paz firmada por Moscú con los aliados (en junio de 1941), no volvían a sus casas. El jefe del Gobierno polaco en el exilio, general Wladyslaw Sikorski, preguntó a Stalin dónde se encontraban todos esos militares de su país que no regresaban. "Escaparon", se limitó a responder el dictador soviético. "¿Adónde podrían haber escapado?", insistió otro general polaco. "A Manchuria", sugirió.
    Pese a que a ninguno de los aliados le convenía entonces que se sospechara que uno de los suyos había cometido tales crímenes, Polonia se mostró reacia a aceptar como buenas estas explicaciones. Meses después, las relaciones de Sikorski con Stalin se rompieron. En julio de 1943, el general polaco murió en un accidente aéreo nada más despegar de Gibraltar el avión Liberator en el que viajaba con 16 personas más.
    Tras el fin de la guerra, en 1945, se consumó la ocultación de los crímenes de Katyn. La censura del régimen comunista impedía pronunciar ese nombre en público. Y quienes hablaban de ello en privado podían acabar en las listas de la policía política polaca, la SB, y en algunos casos ir a parar a la cárcel. Anna Wolinska ya vivía en Varsovia. Ella y su madre huyeron del este del país, por temor a acabar en un campo de trabajo en Siberia, y se las arreglaron para pasar inadvertidas. "Mi madre quería huir a toda costa, quería evitar a los bolcheviques", cuenta. Tenía sus razones: muchos de los familiares de los oficiales asesinados acabaron recluidos en campos de diversos territorios de la URSS en Rusia, Ucrania y Bielorrusia, junto con millones de ciudadanos soviéticos, donde la mayoría perecía de frío, hambre o enfermedades.
    "Para pasar sin problemas, mi madre tuvo que quemar todos los objetos personales que tenía de mi padre, incluidas las cartas", cuenta Wolinska. Tras instalarse en Varsovia, "enseguida empezamos a buscarle. Escribimos a la Cruz Roja, al Gobierno polaco en el exilio... y no hubo noticias. Y seguimos buscando durante la etapa comunista. Una de mis tías huyó a Occidente. Tener a un familiar en Occidente, ser católica practicante e hija de un oficial que presuntamente estaba en una cárcel rusa no ayudó. Mi madre iba de un trabajo a otro. No me admitieron en la Universidad de Varsovia y tuve que estudiar en Lublín", explica.
    Anna Wolinska logró licenciarse en Filología Polaca, pero nunca logró saber qué pasó con su padre. "La palabra Katyn atemorizaba a la gente. Yo no sabía si mi padre estaba vivo o muerto... y ya se sabe que la esperanza es lo último que se pierde". Esa esperanza se vio truncada en 1990, cuando el entonces presidente de la URSS, Mijaíl Gorbachov, entregó a su colega polaco, Wojciech Jaruzelski, la lista de los fusilados y otros documentos, y se abrió una causa criminal. Las investigaciones iniciadas entonces se cerraron en 2004, durante la presidencia de Vladímir Putin, en virtud de una disposición secreta de la fiscalía militar.
    "Aquella matanza supuso una enorme pérdida para Polonia", afirma el profesor Zelichowski. "Buena parte de la élite, la gente más formada, los más preparados, murieron, y este episodio siempre ha marcado las relaciones con Rusia", añade. A pesar de que, tras la caída del bloque comunista, se han encontrado más fosas, todavía se desconoce dónde están enterrados los cuerpos de 7.000 de aquellas víctimas. "Moscú reconoce que la matanza se produjo, pero jamás ha admitido que fuera un crimen de guerra y un genocidio, que nunca prescribe. Nunca ha rehabilitado a las víctimas y se niega a abrir los archivos. Para Rusia es muy difícil abordar este tema porque supone hacer frente a su pasado y a los millones de víctimas que perecieron durante el estalinismo". De los 183 tomos de la investigación rusa sobre Katyn, 116 son secreto de Estado.
    "Katyn es un símbolo tan poderoso, en parte, porque no se pudo poner en duda la versión oficial de la historia. Nunca se aclaró. En clase estaba prohibido explicar la tragedia, aunque algunos maestros lo hacían de forma clandestina", recuerda el sociólogo Krzysztof Pankowski, del centro CBOS en Varsovia. "Desde el punto de vista social, supuso la decapitación de la crema y nata de la sociedad. La élite que quedaba fue prácticamente eliminada en el levantamiento de Varsovia contra el Ejército alemán en 1944; a partir de entonces, la sociedad se sometió al régimen comunista", afirma. Hasta la llegada del movimiento Solidaridad, liderado por Lech Walesa en los ochenta, los ciudadanos no volvieron a rebelarse.
    Setenta años después ha vuelto a ocurrir una tragedia en Katyn. El presidente de Polonia, Lech Kaczynski, y decenas de altos cargos políticos y militares han muerto justo cuando viajaban a Smolensk, a pocos kilómetros de Katyn, para recordar los crímenes de 1940. Pero la gestión de este siniestro por parte de las actuales autoridades rusas ha impresionado a Varsovia. El primer ministro en persona, Vladímir Putin, ha supervisado la investigación y la repatriación de los cuerpos. Rusia declaró un día de luto oficial, algo muy poco habitual, dos días después de la tragedia. Incluso, la televisión estatal rusa emitió el domingo 11 de abril por la noche, en horario de máxima audiencia, la película Katyn, del director polaco Andrzej Wajda, que narra aquel exterminio. "Jamás imaginé que eso pudiera suceder", declaró a EL PAÍS el cineasta, cuyo padre también perdió la vida en Katyn. "Emocionalmente al menos, Rusia está dando algunos pasos para una nueva relación", afirma el profesor Zelichowski.
    Si la tragedia de Katyn de 1940 fue el comienzo de un túnel negro en las relaciones de Polonia y Rusia, quizá la tragedia de 2010, aunque incomparable con la primera, suponga el inicio de una etapa de esperanza.
    Aquí corresponde hablar de aquella horrible y nunca bastante execrada y detestable libertad de la prensa, [...] la cual tienen algunos el atrevimiento de pedir y promover con gran clamoreo. Nos horrorizamos, Venerables Hermanos, al considerar cuánta extravagancia de doctrinas, o mejor, cuán estupenda monstruosidad de errores se difunden y siembran en todas partes por medio de innumerable muchedumbre de libros, opúsculos y escritos pequeños en verdad por razón del tamaño, pero grandes por su enormísima maldad, de los cuales vemos no sin muchas lágrimas que sale la maldición y que inunda toda la faz de la tierra.

    Encíclica Mirari Vos, Gregorio XVI


  4. #4
    Antonio Hernández Pé está desconectado Miembro Respetado
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    Quiera Dios nuestro Señor, y así lo rogamos nosotros fervientemente, que todos los pueblos europeos se reconcilien definitivamente, reconociendo que todos han cometido crímenes (no solo este o aquel país ni este o aquel régimen político) Que todos tengan la generosidad de perdonar y la humildad de pedir perdón y que con "dolor de corazón y propósito de enmienda" (como decía nuestro viejo catecismo) retornemos a las raíces cristianas de nuestra cultura común. Paz y justicia para todas las víctimas, perdón entre todas las naciones, piedad con los vencidos en todas la guerras. Que el amor fraterno predicado por el Salvador, se extienda sobre nuestras patrias empapadas con la sangre de tantos inocentes.
    Amén.

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