"Meu Deus, o que foi que nós fizemos?"


oi a primeira reação de um dos tripulantes do avião Elona Gay, após presenciar a devastação produzida pela bomba atômica jogada sobre a cidade de Hiroshima. Eram 8h, 16min. e 8s. do dia 6 de agosto de 1945. A cidade havia desaparecido embaixo de uma nuvem em forma de cogumelo.
No dia 9, três dias depois, um piloto americano deveria atingir alguns galpões de fábricas bélicas na cidade de Kyushu, mas as nuvens impediram a visualização e ele voou para o segundo objetivo, a cidade de Nagasaki. “Naquela explosão – relembra o Arcebispo de Nagasaki, Dom Joseph Takami Mitsuaki – morreram 8.500 cristãos”.
Os efeitos das duas bombas atómicas foram horrorosos! Morreram cerca de 100 mil pessoas em Hiroshima e 80 mil em Nagasaki. As vítimas eram civis, pois nenhuma das duas cidades era alvo militar muito importante.?
O IMPACTO DA BOMBA ATÔMICA
Nos segundos que antecederam o fato, aquele clarão imenso expandiu-se frente aos olhos dos habitantes. Para eles, o sol revoltara-se contra o Japão! Outros, mais a distância da explosão, ainda puderam ver os ferros se entortarem, as paredes se esfarelarem e sentir como o chão ardia embaixo deles.
Homens e mulheres viam desprender-se a pele e o descarnar-se de suas mãos, enquanto seus cabelos pulverizavam-se em milésimos e os olhos simplesmente saltavam das órbitas. A nuvem que os cobriu, em apenas 30 segundos, avançou por 11 quilômetros, devorando tudo que encontrou pelo caminho.
Se os Estados Unidos tivessem sido derrotados na guerra contra o Japão, o presidente e vários generais, como também os físicos que inventaram tal arma, certamente teriam sido julgados por crimes contra a humanidade. Mas a vitória, como sempre acontece, absolve tudo e dá aos vitoriosos o título de heróis.
A terrível herança das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki perdura até hoje. Feridas físicas e psicológicas ainda estão abertas. Muitos dos que sobreviveram, até hoje carregam consigo, alguma forma de câncer.
Para completar sua infelicidade, por muito tempo foram proibidos de falar a respeito do que havia acontecido, temendo a repressão dos americanos que, naquela época, invadiram o Japão. Em 2 de setembro, a Segunda Guerra chegava ao fim deixando um saldo de 50 milhões de mortos em seis anos. Só o Japão teve mais de um milhão e oitocentas mil vítimas, além de 40% das cidades arrasadas e a economia totalmente destruída.
A LIÇÃO DE NAGASAKI
Está havendo atualmente uma acirrada discussão entre a Coréia do Norte, o Irã e os países ocidentais encabeçados pelos Estados Unidos, sobre o uso da energia nuclear. Sobre a experiência nuclear de Hiroshima e Nagasaki, existem posicionamentos diferentes. A Alemanha, por exemplo, apesar de algumas forças insistentes, resiste à utilização desta fonte de energia. Alguns países, mesmo sabendo dos riscos, continuam a utilizar porque precisam de fontes de energia.
Outros ainda, há muito tempo, possuem poderosos arsenais de bombas atômicas, mais do que suficientes para destruir o mundo. Eles justificam sua posição pela necessidade de se defender. Dessa forma eles conservam sua supremacia militar. Podemos concluir que a energia nuclear, se bem empregada, pode ser um meio para o desenvolvimento e o bem estar dos povos, contudo, o caminho para que essa energia seja usada para o bem de todos os povos, passa bem próximo daquele que o pode levar a sua destruição.
Nagasaki: o martírio de uma comunidade cristã
São Francisco Xavier, já em 1550, escrevendo aos seus irmãos em Goa, afirmava:

A comunidade de Nagasaki conta com lideranças atuantes

- “As pessoas que encontramos no extremo oriente são os melhores jamais encontrados. Não creio que encontraremos um outro povo igual aos japoneses”. Em 1580, os católicos já contavam com 200 mil fiéis e a comunidade de Nagasaki cresceu a ponto de balancear o poder dos próprios budistas. Mas, em 1597, 26 cristãos, 20 japoneses e 6 missionários foram crucificados em Nagasaki, num local hoje conhecido como “Colina Santa”. O perseguidor, Tokugawa Iemitsu (1604-1651), queimou vivos os cristãos, inclusive crianças e anciãos, na frente de milhares de pessoas. Naquela noite, a “Colina Santa” ficou iluminada por tochas humanas.


Centro católico de Nagasaki

Mas os sobreviventes continuaram confessando sua fé, transmitindo-a de uma geração para outra, batizando seus filhos e rezando escondidos nas casas, nas grutas e nos bosques. Ainda hoje, os católicos japoneses são uma pequena minoria.
No entanto, a mídia destacou sua presença na assistência às vítimas do terremoto de Kobe, em 1995, como também a visita do papa ao Japão e o grande afluxo dos japoneses às celebrações do grande Jubileu de 2000, em Roma, centro do catolicismo.
A importância e a influência católica no Japão vai além dos dados numéricos. Renomadas são as universidades, escolas, hospitais e outras instituições sociais fundadas pelos missionários católicos e protestantes que retornaram ao Japão a partir de 1870.


- Nagasaki: Um Alerta!