(...)Durante dias, avistavam-se ao longe os grupos de carlistas, com os seus capotes, alpercatas e boinas azuis, ouviam-se os ecos dos combates e, mais perto, as descargas dos fuzilamentos. Guerra cruel e impiedosa. Bulhão Pato não deixa de sublinhar: «é um grande povo, o espanhol!Há,porém, momentos em que é grandemente cruel! Jubila com as pavorosas matanças, desde os cavalos estripados às dúzias, até aos fuzilamentos em massa!»3.
Uma coisa que o impressionou foi a forma como os carlistas assumiam o martírio, corajosamente, optando por morrer com o peito voltado para as balas e sem venda. Quanto na cidade se ouviam os disparos e se sabia que algum «faccioso» tinha sido arcabuzado, de porta em porta se inquiria: «Morió de pechos, ó de espaldas?». E quando respondiam – «De pechos, de pechos!» – faziam um sinal de assentimento com a cabeça e exclamavam «Muy bien, muy bien». Alguns dos condenados, perante o pelotão de fuzilamento, atiravam a boina ao ar e exclamavam: «Me voy a cenar con Maria Santíssima!»4.
Um amigo do pai de Bulhão Pato, um coronel carlista, também foi passado pelas armas, caminhando para o local da execução, fumando o seu cachimbo, calmamente. Nesse dia, ao jantar, ninguém falou à mesa.
Quando os carlistas entraram na cidade, e se aboletaram nas residências particulares, um grupo surgiu em casa dos pais de Bulhão Pato. Surpresa! O oficial que os comandava era um português de apelido Paz, e que morreu dias depois. Era um dos muitos miguelistas que, depois da derrota sofrida em 1834, foram para Espanha combater pela causa de D. Carlos. (...)
Pato, Bulhão Memórias in
http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/4200.pdf
Marcadores