¡Mi amigo Cruzado, siempre un placer!Voy responderte en portugués, ya que me has dado el honor de escribir tu cuestión en portugués.
Durante a Reconquista do território peninsular aos sarracenos, os diversos Reis Cristãos foram ostentando títulos de Rei das terras conquistadas, conjuntamente com os dos reinos originais, para engrandecer a sua glória e prestígio junto da Cristandade e, sobretudo, junto de Roma.
O Rei de Leão e Castela fez isso e o de Portugal também. Nunca existiu o Reino Cristão dos Algarves, para algum efeito que não fosse o de exaltar a vaidade do Rei e do Reino de Portugal.
Quanto ao que dizes de Barrancos e dos Barranquenhos, à vezes na Raia é difícil lidares com a tua identidade, que é uma mescla de elementos das duas culturas, ainda que ambas sejam muito próximas. Barrancos é um caso típico, cuja especificidade de costumes e tradições foi, depois de alguns protestos, reconhecida pelo Estado Português: em mais parte nenhuma do país se podem fazer Corridas de Touros à Espanhola que não em Barrancos. Creio que apesar disso, há suficientes razões para que os habitantes de Barrancos e outras localidades da Raia não se sentirem suficientemente integrados num lado ou no outro, e desabafarem que não se sentem nem portugueses nem espanhóis: mas não é mais do que isso - um desabafo.
Quanto ao Mirandês, é uma língua quase extinta, falada talvez por algumas centenas de pessoas: a sua promoção a segunda língua oficial foi uma tentativa do Estado Português de a tentar salvar, como património cultural que é: mas ninguém além de Miranda do Douro tem interesse em aprender a língua e, com a desertificação dessa zona do país, não lhe afiguro grande futuro. Aquí é ao contrário que em Espanha: como ninguém quer usar essa tradição linguística como arma nacionalista ou independentista, ela caminha para a sua própria extinção, o que eu acho lamentável, pois contém uma importante componente de comunhão hispana: trata-se da fusão do leonês original com o português arcaico e moderno, uma língua de união hispana e não de separação...
Há rivalidades entre portugueses de diversas regiões, sobretudo entre Norte e Sul mas só as Regiões Autónomas (Açores e Madeira) apresentam periodicamente alguma tensão pró-reforço de autonomia. Não é visível todavia nenhuma vontade separatista, pelo menos de momento...
Um abraço, amigo Cruzado
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