Não li o livro, mas não é a primeira vez que o facto é sugerido. De resto, é bem conhecida a filiação maçónica do Marechal Carmona e de outras grandes figuras do regime salazarista. Desde 1817 que Portugal é completamente dominado pela maçonaria - com excepção do reinado de D. Miguel - disso não me cabem muitas dúvidas. E, de resto, a ser verdade, o facto de Salazar ser pedreiro-livre ajudaria a explicar umas tantas coisas: a sua própria deriva republicana, a sua sujeição aos interesses da burguesia industrial e banqueira portuguesa, a sua posição de "interface" entre Franco e as "democracias ocidentais", particularmente a Grã-Bretanha...
O autor é um juiz que creio também ser maçon, pelo conhecimento que revela do meio e linguagem maçónicos, bem como da apologia que lhes faz. Resta saber se os indicios que aponta - não corroborados por provas irrefutáveis - são ou não de fiar, vinda a sua revelação de quem vem...
À consideração dos investigadores: Salazar foi iniciado maçon na Loja Revolta n.º 336, em Coimbra, no ano de 1914, no fim do seu curso de Direito, tendo adoptado o nome simbólico de Pombal (cf. os registos da referida Loja). A Loja Revolta fora fundada por Bissaya Barreto, em 1909, e foi a convite de Bissaya Barreto que Salazar lá foi iniciado. Sem qualquer surpresa, a Loja maçónica Revolta jamais «abateu colunas» (ou seja, nunca fechou), tendo continuado a sua actividade, serena e ininterruptamente, sem inquietação alguma, durante todo o período da Ditadura e do Estado Novo até o dia de hoje. Infelizmente, o Boletim Oficial do Grande Oriente Lusitano do ano de 1914 e seguintes foi feito desaparecer inclusive da Biblioteca Nacional — nesse Boletim se documenta grande parte da História de Portugal e dos seus líderes.
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