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Tema: Lutero, no y no

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    Re: Lutero, no y no



    Toda a verdade
    sobre o protestantismo evangélico




    Pe. Leonel Franca S.J.: “A Igreja, a Reforma e a Civilização”, Livro III, Capítulo III, 1. Igreja, Reforma e Moral:


    A moral escrava dos apetites contraditórios


    “O protestantismo foi o último galho lascado da árvore católica. Seus restos cobrem ainda larga parte da Europa setentrional.

    “Aos olhos de observadores superficiais apresenta ainda o viço de uma verdura luxuriante. Mas são apenas folhas. Flores e frutos já os não produz.

    “A mesma infecundidade moral que esterilizou as outras revoltas religiosas feriu também a do monge saxônio.

    “Procurai os santos do protestantismo em quatro séculos de existência, inquiri do heroísmo dos seus filhos, investigai-lhes os milagres que são sigilo da divindade; não encontrareis, sob estes títulos, senão páginas em branco.

    “Homens honestos, virtudes cristãs que não transcendem os limites da mediocridade, é o mais que nos podem oferecer os seus anais.

    “A graça, nos segredos insondáveis da sua ação sobrenatural, pode ainda fecundar a boa fé e a intenção reta dos extraviados.

    “Mas o segredo do heroísmo cristão, esse perdeu-se para as almas de escol, enquanto as grandes massas, destruídas as barreiras preservadoras, se precipitaram, sob a impetuosidade torrencial das paixões, nos grandes excessos, que cedo ou tarde acarretam a completa, dissolução da vida moral e religiosa.

    “É esta decadência do protestantismo que ora nos cumpre esboçar. Distinguiremos no nosso estudo duas questões: a questão de direito e a questão de fato.

    Martinho Lutero (1483 — 1546). History of the World, 1902.

    “Analisando abstratamente os princípios, provaremos primeiro a incapacidade profunda e insanável em que se acha o protestantismo de promover a grandeza moral dos que o abraçaram e confirmaremos, em seguida, com o exame dos fatos, a verdade das nossas conclusões teóricas.

    “Na ordem natural e na ordem sobrenatural a Reforma protestante golpeou de morte os órgãos vitais da moralidade humana e da moralidade cristã.

    “Na ordem natural, são dois os elementos fundamentais da grandeza de caráter: princípios sólidos e imutáveis a iluminar as alturas da inteligência, força e constância de querer a fortificar as energias da liberdade.

    “Sem a firmeza das verdades eternas que lhe fixam o ideal na corrente movediça das coisas que passam, o homem vive, ou, melhor, flutua à mercê dos acontecimentos.

    “Cada capricho que lhe cruza pelo espírito, inspira-lhe uma resolução passageira, cada paixão, que lhe estua na alma, imprime uma orientação efêmera à sua atividade.

    “No conflito dos apetites contraditórios nenhuma ordem, nenhuma unidade, nenhuma harmonia de tendências, nenhuma subordinação hierárquica de faculdades. é nesta hesitação vacilante acerca dos grandes princípios moderadores da atividade humana que devemos procurar a causa primeira da crise de caracteres de que adoece a nossa civilização.

    “Jouffroy: “Personne n'a du caractère dans ce temps et par une bonne raison, c'est que des deux éléments dont le caractère se compose, une volonté ferme et des principes arrêtés, le second manque et rend inutile le premier”.

    Foi o protestantismo o primeiro a abalar nas almas a estabilidade das convicções.
    Perguntai ao protestante qual o princípio regulador da sua atividade moral.

    – A Bíblia, responderá, a Bíblia, única regra dos costumes como norma única de fé.

    – Mas a Bíblia quem a interpreta? A razão individual. Se vos apraz, podereis ver no livro divino, com Lutero, a condenação da virgindade, a justificação da poligamia, a inutilidade das boas obras. A razão, pois, a razão subjetiva e mutável ao sabor das paixões, eis, em última análise, a regra de nosso operar.

    “As massas, desvinculadas assim da submissão a uma autoridade superior e incapazes de deduzir pessoalmente do livro inspirado um código de moral, deixar-se-ão levar pela torrente avassaladora dos apetites desregrados.

    “Os cultos, os intelectuais, vagando à mercê das variações da crítica racionalista, erigirão os próprios preconceitos em mandamentos étnicos, construirão uma moral “independente” e oscilante sobre a areia movediça dos sistemas filosóficos.

    Lutero, ex-frade agostiniano, tocando alaúde
    junto a sua mulher Catarina, ex-freira, e filhos

    “Para o jovem inebriado com os primeiros fumos da ciência, as regras aprendidas e praticadas na infância já não apresentam a solidez racional capaz de resistir aos embates críticos dos moderníssimos mestres do pensamento.

    “O homem maduro achar levianas e superficiais as conclusões assentadas nos fervores entusiastas da juventude. Ao velho experimentado e desiludido afigurar-se-ão inconsistentes e eivadas de orgulho as construções morais de sua virilidade.

    “Destarte, de povo para povo, de época para época, de indivíduo para indivíduo, de idade para idade, os princípios morais variarão com a índole, com os caprichos da moda intelectual, com as paixões que agitam e diversificam as massas humanas no espaço e no tempo.

    “O protestantismo em quatro séculos de existência, como não logrou assentar uma confissão de fé que reunisse o sufrágio universal das inteligências, assim não conseguiu estabelecer um código de moral que se impusesse à submissão de todas as vontades.

    “A sua moralidade furta-côr, o seu preceituário de mil fórmulas cambiantes, os seus mandamentos entregues à versatilidade interesseira do egoísmo, arvorado em norma suprema de ação, comprometeram irremediavelmente no domínio intelectual a eficácia regeneradora dos grandes e imutáveis princípios do cristianismo”.

    Citação: ”L'homme est toujours disposé à échapper à la morale, et il y échape quand cette morale n'est pas liée à une doctrine invariable”, De Broglie, Problèmes et conclusions de l'histoire des religions, Paris, 1886, pp. 115-116.



    Lutero: golpe contra a vontade


    Lutero: “a vontade do homem é semelhante a um jumento.
    Deus opera em nós o mal”

    Mais profundo ainda foi o golpe vibrado contra a vontade. O espírito, desenfreara-o Lutero com o livre exame; a liberdade, encadeou-a nos elos de um determinismo fatal.

    Esse homem, que uma crítica míope e pertinazmente hostil à Igreja proclamou o arauto das liberdades humanas, o emancipador dos povos livres, professa as teorias mais degradantes acerca do livre arbítrio, rebaixa a dignidade da nossa natureza ao nível do bruto, ao mecanismo inconsciente dos autômatos.

    Para a Igreja católica o homem é livre. O pecado original vulnerou-lhe a prerrogativa divina, mas não a destruiu.

    Na revolta das paixões desencadeadas pela primeira prevaricação, na insurreição da concupiscência e dos apetites inferiores contra os ditames superiores do espírito, a vontade, debilitada sim, mas não aniquilada, conservou na sua decadência o cetro da realeza primitiva.

    Ela é ainda rainha; o homem é ainda senhor de seus atos e, pela liberdade, o artífice dos seus destinos.

    A graça eleva, fortifica, sobrenaturaliza a vontade, mas no segredo insondável de sua ação nas almas, respeita-lhe sempre a independência nativa.

    “A felicidade suprema da glória será conquista dos nossos esforços, prêmio das nossas virtudes, triunfo de nossa liberdade sobre o mal.

    As palavras de S. Paulo: gratia Dei mecum, resumem admiravelmente toda a economia da predestinação divina. Deus e eu: Deus, com a sua graça, eu, com a minha livre cooperação: eis os elementos essenciais e inseparáveis da nossa glorificação sobrenatural. Não se poderia melhor conciliar a gratuidade das generosidades divinas com a grandeza da dignidade humana.

    Martinho Lutero pregando no Castelo de Wartburg, quadro de Hugo Vogel (1855-1934)

    À verdade destas doutrinas que elevam, opôs Lutero as degradações do erro que avilta. Aos estudos católicos sobre a liberdade contrapôs um livro desmoralizador e intitulou-o De servo arbítrio, do arbítrio escravo.

    Para envilecer o homem era mister começar por desengastar-lhe do diadema a mais preciosa das suas joias. Mas ouvi as suas próprias palavras:

    “A vontade do homem é semelhante a um jumento. Cavalga-o Deus? Ela vai aonde Deus a guia. Monta-lhe em cima o diabo? Ela vai aonde ele a conduz...

    “Tudo se realiza segundo os decretos imutáveis de Deus. Deus opera em nós o mal e o bem. Tudo quanto fazemos, fazemo-lo não livremente, mas por pura necessidade”..

    Fonte: De servo arbitrio ad Erasmum (1525) Weimar, XVIII, 635-709 ss.

    “Foi o diabo quem introduziu na Igreja o nome de livre arbítrio”, Weimar, VII, 145.

    Os discípulos fazem eco à palavra do mestre. Calvino:

    “Deus criou alguns para a condenação e morte eterna a fim de serem instrumentos de sua ira e exemplos da sua severidade, e a fim de que cheguem a esse destino... cega-os e endurece-os”.

    “Se ele determinou salvar-nos, a seu tempo nos levará à salvação; se determinou condenar-nos em vão nos atormentaríamos para nos salvarmos”..


    João Calvino (1509 — 1564).

    Fonte: Calvinus, Inst. de la relig chré t.,l. III, c. 24, n. 12; c. 23, n. 12, Opera, IV, 521, 500. Todo o cap. 2 do livro II é consagrado a demonstrar “que l'homme est maintenant dépouillé de franc-arbitre et misérablement assujetti à tout mal”, Opera, III, 296.


    Zwinglio: “Deus é o primeiro princípio do pecado. é por divina necessidade que o homem comete todos os crimes”.. Fonte: Zwinglio, Verke, II, 73, 184.

    Melanchthon: “A predestinação divina tira ao homem a liberdade porque tudo acontece segundo os seus decretos... e isto entende-se não só das obras externas mas ainda dos internos pensamentos”.

    E, levando a doutrina às mais execrandas, porém, lógicas conclusões, não hesita em afirmar que

    “o adultério de David e a traição de Judas são obra de Deus como a conversão de S. Paulo”. Fonte: Melanchthon, Comment. in Epist. ad Rom. Ver todo o trecho em Alzog, Universalgeschichte der chrislichen Kirche,Mainz, 1860, p. 755.

    – Deus, autor do mal, o homem joguete inconsciente dos seus arbítrios, tal o resumo da doutrina protestante. Nunca a blasfêmia e a indignidade, o ultraje à santidade divina e à grandeza humana concluíram mais revoltante conspiração.

    E aí temos como Lutero e os seus aniquilam o valor da personalidade. Sem livre arbítrio não há imputabilidade, não há mérito, não há moralidade. Em tudo o que se refere à sua atividade moral, o homem não passa de uma “est tua”, de um “tronco inerte”, de uma “pedra”.

    São ainda comparações do chefe reformador, que considerava este artigo da vontade escrava como a quinta essência, a fina flor da sua doutrina, “omnium optimus, et rerum nostrarum summa”. Fonte: Weimar, VII, 148. Cfr. J. T. Mühler, Die symbolischen,Bücher, p. 593.

    Após 15 séculos de liberdade cristã eis-nos novamente precipitados na escravidão do fatalismo antigo.




    O porco no chiqueiro: ideal moral de Lutero!



    Porco na lama ideal moral de Lutero

    Quereis ver ainda até a que baixezas o homem é degradado na pena de Lutero?

    Lêde esta página que peço desculpas ao leitor de transcrever em toda a nudez cínica do seu realismo cru:

    “Sei que se alguém experimentou o temor e o peso da morte preferira ser um porco a ver-se continuamente acabrunhado pelo vexame de semelhante opressão.

    “Na sua lama, o suíno julga-se num leito de plumas; descansa pacificamente, ronca suavemente, dorme tranqüilamente; não teme reis nem senhores, morte nem inferno, demônio nem cólera divina; não o agita a menor preocupação, não se inquieta mesmo com a bolota que há de comer.

    “E se o sultão de todas as Turquias acertasse de passar-lhe ao lado no fasto do seu poder e de sua realeza, ele conservaria toda a sua altivez e não sacudiria em sua honra uma só das suas cerdas.

    “Se o enxotam, solta um grunhido, e se pudera falar diria: Pobre insensato, por que te irritas?

    “Não tens a décima parte da minha felicidade, não passarás nunca uma só hora tão tranqüila, tão suave, tão calma, como todas as minhas ainda que fôras dez vezes mais rico e poderoso.

    “Numa palavra, o porco vive numa segurança completa, sua vida é toda doçuras. Se o levam para o matadouro, pensa simplesmente que é um tronco de madeira ou uma pedra que o incomoda.

    “Até morrer, não espera a morte. Antes, no momento e depois da morte, não experimenta o que é morrer; a vida lhe pareceu sempre boa e eterna.

    “Neste ponto, nenhum rei, nem mesmo o messias dos judeus (o que eles ainda esperam), homem algum por mais hábil, rico, santo e poderoso, o poderá imitar”.

    Fonte: Ap. Paquier, Luther et le luthéranisme, t. 11, pp. 10-11.

    Nos inquilinos das pocilgas achou o reformador o ideal da felicidade!

    Hino agora ao emancipador da dignidade humana, palmas ao libertador das consciências!




    A contestação protestante demolindo as verdades consoladoras


    Depois de haver assim na ordem humana desorganizado as duas grandes molas da vida moral, substituindo na inteligência a estabilidade dos princípios pela arbitrariedade do capricho e enervando a vontade com declará-la radicalmente incapaz de praticar a virtude, na sua freima demolidora atiraram-se os corifeus da Reforma sobre o edifício sobrenatural dos nossos dogmas e, um por um, destruíram os mais divinamente consoladores.

    Catedral de S.Martinho, Utrecht, atacada pela iconoclastia protestante em 1572.
    Destruíram as imagens e as virtudes que elas representavam.
    Inclusive o próprio Deus acima representado!
    Felizmente, o conjunto artístico já foi restaurado.

    Com todo o peso de sua divina autoridade, Cristo impôs ao gênero humano o jugo austero da sua moral imaculada.

    Ao homem decaído que se revolvia no lodo dos vícios mais abjetos, dirigiu a voz taumaturga da regeneração: sursum, para o alto! Eleva-te a rivalizar com os anjos na pureza da vida!

    Mas ele bem conhecia a fragilidade da nossa argila, as profundezas do abismo em que nos precipitara o pecado e por isso adoçou as severidades do dever com as suavidades do amor.

    Ao lado de cada espinho fez desabrochar uma rosa.

    Vigorizou as pusilanimidades do nosso abatimento com os raios vivificantes da esperança.

    Sobre a nossa esterilidade abriu, aos borbotões, as fontes perenes da sua graça.

    O protestantismo revoltado não teve fé nos excessos da caridade divina e, com a negação, introduziu a desordem nos planos admiráveis da economia salvadora.

    Que de mais confortante para o miserável pecador que o dogma das indulgências?

    Que de mais consolador que o dogma do purgatório onde se purificam as almas dos justos das nódoas contraídas na sua peregrinação terrena?

    Que de mais justo e misericordioso que a diferença entre o pecado mortal e o venial, a estabelecer uma distinção entre os crimes que nos matam na alma a vida divina da graça e as faltas a que se não pode subtrair a nossa fragilidade?

    Que de mais suave que a comunhão dos santos,a instituir na ordem sobrenatural esta solidariedade, em virtude da qual somos fortificados pela intercessão e pelo mérito de nossos irmãos?

    O protestantismo levantou o aluvião sacrílego contra todas estas admiráveis construções do amor divino. De todas elas não restam senão ruínas acumuladas pela negação destruidora.




    A recusa da confissão, do perdão e da Eucaristia



    O sacramento da Penitência, vitral na igreja
    de Nossa Senhora dos Mártires Ingleses, Cambridge, Inglaterra.

    Mas de todas as invenções da misericórdia encarnada não há outras que tão de perto toquem a nossa vida moral e tão intimamente se prendam ao coração do cristianismo como a confissão e a Eucaristia.

    A confissão é o arrependimento, é o perdão, é o propósito.

    O arrependimento que apaga um passado de culpas, o perdão que verte sobre o presente o bálsamo das suas consolações inefáveis, o propósito que ilumina o futuro com as perspectivas da regeneração.

    Que alavanca mais poderosa para a atividade moral?

    Lançar frequentemente nas consciências a sonda de um exame imparcial, resgatar com lágrimas sinceras os desvarios da nossa liberdade, firmar as energias do nosso querer com o vigor das resoluções incondicionadas, abrir toda a alma às influências reabilitadoras da graça, aos raios da esperança, à tranquilidade fecunda da paz de consciência – haverá humanamente falando, divinamente falando, meio mais eficaz para elevar é conservar o coração nas regiões serenas da virtude?

    O protestantismo negou tudo isto, e negando-o “desconheceu um dos meios mais suaves para dar à vida do homem uma orientação conforme aos princípios da sã moral”. Fonte: Balmes, El protestantismo, c. 30.

    Pecaste? persuade-te que Deus te perdoou, que a sua justiça cobre os teus pecados, que a tua fé é inadmissível e, com a fé, a graça.

    Se esta persuasão entrou na alma é o descanso no pecado, o hábito do mal, o endurecimento; se não, é o terror, o desespero. Compreendo agora em lábios protestantes estes gritos da alma:

    “Oh! que não daria eu para ajoelhar-me num confessionário católico! (M. de Stael).

    “Quem não lançou olhos invejosos ao tribunal da penitência?

    “Quem não desejou nas amarguras do remorso, nas incertezas do perdão divino, ouvir uns lábios, que, com o poder de Cristo, lhe dissessem: “Vai em paz, teus pecados te são perdoados”?”

    Fonte: E. Naville, Thèse defendue devant l'Académie de Genève, 1839. Cit. por E. Duplessy, Les apologistes au dix-neuvième siècle, Paris, Beauchesne, 1910, p. 238.

    A confissão é o amor que perdoa e regenera. A eucaristia é o amor que se imola, o amor que se comunica às almas nos amplexos inefáveis de uma união divina.

    Negada a confissão, como afirmar a Eucaristia?
    Lutero também aqui deu o primeiro passo na via das negações.

    Quem não teve fé no amor misericordioso, não pode compreender o amor unitivo. Negada a confissão, como afirmar a Eucaristia? Lutero também aqui deu o primeiro passo na via das negações.

    A hóstia consagrada não é o corpo de Cristo, contém-no apenas transitoriamente. Calvino foi além e no mistério dos nossos altares viu, não uma realidade consoladora, mas apenas um símbolo, uma figura vazia de verdade.

    Daí à negação completa a distância era pequena e transpuseram-na logo os seus sucessores. A missa foi proscrita como rito idolátrico e os tabernáculos ficaram vazios na solidão dos templos protestantes.

    Mas que vale um cristianismo sem Eucaristia: sem a Eucaristia-sacrifício, centro em torno do qual gravita toda a vida litúrgica, sem a Eucaristia-sacramento, fonte donde mana, em torrentes, a graça, vida sobrenatural dos crentes?

    Extinguiram o fogo; o amor entibiou-se nos corações. Estancaram os mananciais; as almas esterilizaram-se.

    As flores mais belas, que no cristianismo haviam desabrochado ao sol de Jesus-Hóstia, feneceram à míngua de calor e de luz.

    Murcharam os lírios, esmaeceram as rosas, secaram as violetas. O sacerdócio casou-se, os mosteiros despovoaram-se, o apostolado mercantilizou-se, a caridade exilada das almas buscou um refúgio nas leis e passou do coração para a algibeira.

    O protestantismo não tem Irmãzinhas dos pobres, Irmãos de S. Vicente, não tem ordens religiosas, não tem ministros continentes, não tem legiões de mártires nem de virgens.

    Onde quer que a virtude se eleva à altura do heroísmo, não achou discípulos entre os descendentes de Lutero. O heroísmo cristão alimenta-se no sangue generoso de Cristo.


    Luz de Cristo x trevas da irracionalidade: Pe. Leonel Franca S.J.


  2. #62
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    Re: Lutero, no y no

    Negação do valor das boas obras



    Santa Isabel de Hungria fazendo caridade aos pobres

    Não parou nesta primeira fase negativa a obra nefasta de desmoralização iniciada pela Reforma. Depois de negar, o protestantismo afirmou.

    Negou todos os dogmas que inspiram, que elevam, que sustentam as almas nas esferas sublimes do sacrifício e do heroísmo.

    Afirmou em seguida um dogma novo que, em si, encerra o germe não só da corrupção mas da completa dissolução da vida moral. Refiro-me à doutrina protestante da inutilidade das boas obras.

    Falando da liberdade, já tivemos ensejo de observar como o dogma católico concilia admiravelmente a gratuidade da graça divina com o exercício da nossa atividade livre.

    O auxílio de Deus, absolutamente necessário para elevar as nossas ações à ordem sobrenatural, não dispensa de modo nenhum o esforço da nossa cooperação. Nas finezas do seu amor, dispôs Deus que o homem fosse o artista da sua felicidade.

    Destarte, nascidas do conúbio misterioso da graça divina com o livre arbítrio humano, são as nossas ações germe fecundo de vida eterna.

    Verdade altamente digna da misericórdia de Deus e da grandeza do homem, verdade altamente estimuladora da nossa atividade moral. E a Sagrada Escritura no-la ensina frequentemente, inculcando a necessidade das boas obras.

    Que é o magnífico sermão da montanha senão uma promessa da glória aos que praticam o bem?

    Que razão da suprema sentença aduzirá Cristo juiz, senão as boas obras praticadas pelos eleitos e descuradas pelos réprobos?

    Ouvi ao Príncipe dos Apóstolos: “Procurai por meio das boas obras assegurar a vossa vocação e eleição”. 1 Petr., I, 10. Ouvi a Tiago: “a fé sem obras é morta”. Jac., 11, 20. Abri os Evangelhos, lede todas as epístolas apostólicas.

    Desta leitura resultará evidente como a luz meridiana que o cristianismo é um grande código de moral imposto à humanidade para a sua salvação. Cristo é Redentor não só, mas legislador também.

    Não basta crer, é mister ajustar as obras à fé; não basta o símbolo, é necessário também o decálogo; si vis ad vitam ingredi serva mandata. Math.,XIX, 17.

    Esmagamento dos 'rústicos' (gravura de Gabriel Salmon
    ilustrando o livro Nicolas Volcyr de Serrouville, 1526)
    As desordens morais e religiosas protestantes degeneraram no caos religioso,
    social e econômico com conseguintes revoltas populares
    que Lutero mandou afogar no sangue.

    A primeira preocupação de Lutero e de seus amigos foi alijar a carga pesada das boas obras. Era mister forjar um novo cristianismo menos carrancudo, mais ameno e prazenteiro.

    “A palavra Evangelho significa boa nova, doutrina grata e consoladora para as almas... ouvir que a Lei já foi observada por Cristo, que nós não a devemos observar, mas só unir-nos pela fé àquele que por nós a observou”. Fonte: Weimar, I, 105.

    No comentário ao c. 40 de Isaías: “Esta é nossa doutrina que sabemos eficaz para consolar as consciências. viveremos livres, sem lei, e nos persuadiremos que os nossos pecados nos foram perdoados”, Weimar, XXV, 249.

    É a doutrina da justificação pela fé, que, na opinião do heresiarca, resume a quinta essência do cristianismo, e, na realidade, é a chave de abóbada de todo o seu sistema teológico. Ei-la em duas palavras.

    Sobre a teoria da justificação em Lutero e a sua dissolução gradual pelas diferentes facções protestantes, cfr. J. A. Moehler, Symbolik, oder Darstellung der dogmatischen Gegensaetze der Katholiken und Protestanten nach ihren oeffentlichen Bekenntnisschriften, Mainz, 1884, l. 1, c. 3. pp. 99-253.

    Desta obra clássica escreveu Goyau : “La Symbolique est le livre le plus profond que, depuis Luther, une plume catholique allemande ait écrit sur la Reforme''.G. Goyau, Moehler, Paris, Bloud, 1905, p. 38.)

    Cfr. ainda: J. Schwane, Histoire des dogmes,trad. franc. de A. Degert, Paris, Beauchesne, 1904, t. VI, 205-239; H. Grisar, Luther, Freib. i. B., Herder, 1911, t. II, pp. 737-781. Este último autor estuda a teoria de Lutero à luz das experiências religiosas e lutas internas de consciência desta alma devorada de escrúpulos e ralada de remorsos. Não é a teologia, é a psicologia que explica a origem da justificação luterana.

    O pecado original causou a depravação total do homem. A sua inteligência nas coisas morais e divinas, não pode senão errar, a sua vontade, por mais que se esforce, não faz senão acumular pecados.





    E este estado de decadência identifica-se de tal modo com a essência da natureza humana que é impossível uma regeneração interior, uma verdadeira renovação espiritual.

    Qual será então o efeito da morte redentora de Cristo?

    Uma justificação simplesmente externa, equivalente a uma não-imputação do pecado. Cristo satisfez por nós, Cristo mereceu-nos o céu com o seus sofrimentos.

    A generosidade e abundância de sua Redenção dispensam-nos de qualquer cooperação individual, de qualquer atividade própria, dispensam-nos até do arrependimento e do amor.

    Para ser justificado basta crer na eficácia do sangue divino. A fé cobre todos os nossos pecados.

    Fontes
    : Livro da Concórdia: “Et quidem neque contritio neque dilectio, neque ulla alia virtus, sola fides tamquam medium et instrumentum quo gratiam Dei, meritum Christi et remissionem peccatorum apprehendere et accipere possumus”. Solida Declaratio, III, De justitia fidei. J. T. Mühler, Die symbolischen Bücher der evangelisch-lutheranischen Kirche, Gütersloh, 1900, p. 616.

    Na Apologia da Confissão Augustana : “Sola fide in Christum non per dilectionem, non propter dilectionem aut opera consequimur remissionem peccatorum, etsi dilectio sequitur fidem. Igitur sola fide justificamur”. Corp. Reformat., XXVII, 440.

    Em J. T. Mühler, p. 100. Lutero: “Haec est ardua et insignis dignitas veraque et omnipotens potestas, spirituale imperium in quo nulla res tam bona, nulla tam mala quae non in bonum mihi cooperetur. Nulla tamen mihi opus est cum sola fides sufficiat ad salutem”. Weimar, VII, 57.
    A Caridade: acolher o estrangeiro.

    Desacompanhada de obras, de contrição e de caridade, ela é o processo mecânico e externo, o instrumento com que nos apropriamos os merecimentos; de Cristo, alcançamos a graça e a remissão, ou, mais exatamente, a não-imputação das nossas culpas.

    Coberto assim aos olhos de Deus com o manto dos méritos do Redentor (por uma ficção jurídica indigna da santidade divina), o homem continua na realidade e intrinsecamente pecador e fonte contínua de pecados.

    Todas as suas ações, ainda depois de justificado, são pecaminosas e imundas. Mas nenhum pecado, afora o da infidelidade, pode despojá-lo da graça. Se crê, é justo, ainda que cometa os maiores delitos.

    Eis na teoria luterana a que se reduz a obra da Redenção: Cristo, para isentar e homem de observar a lei, observou-a em lugar dele; o homem, pela fé, atribui a si esta observância, assegura destarte a graça divina e pode descansar seguro na impunidade do seu pecado inauferível.

    Da teoria luterana sobre a queda original e a justificação decorre, como inevitável corolário, a inutilidade e mesmo a nocividade das boas obras.

    Rigorosamente falando, até a expressão “boas obras” é um contra-senso. Essencialmente corrupto, o homem é necessariamente pecador em todos os seus atos. A justificação exterior e forense, não lhe pode sanar este vício essencial.

    Esforçar-se nessas condições, por praticar as que chamamos boas obras não é senão multiplicar pecados.




    Emancipação de todo vínculo moral



    Martinho Lutero por volta de 1543-46

    Os reformadores não recuaram ante a enormidade dessas consequências. Antes de tudo, a inutilidade das obras na justificação do pecador.

    “Rejeitamos e condenamos as proposições em que se afirma a necessidade das boas obras para a salvação”.
    Pouco antes a mesma Fórmula da Concórdia, símbolo oficial do luteranismo, assim exprimira o artigo da nova fé:

    “Cremos, ensinamos e confessamos que as boas obras se devem totalmente excluir (penitus excludenda), não só quando se trata da justificação pela fé, senão ainda quando se discute acerca de nossa eterna salvação”. Fonte: Formula Concordiae, I, art. IV, n. 16 e 7; J. T. Mühler, pp. 533, 531.

    Inúteis as boas obras; não só, senão ainda nocivas. Fale Lutero no seu Comentário da epístola aos Gálatas:

    “a lei, as obras, a caridade, os votos não só não resgatam mas agravam a maldição. Quanto mais obras fizermos tanto menos poderemos conhecer e apreender a Cristo” . Fonte: Weimar, XL, I Abt., p. 447.

    À vista das consequências imorais desta doutrina, um professor de Wittemberga, Jorge Maior, tentou modificá-la, proclamando as boas obras, necessárias, como condição sine qua non, à salvação eterna.

    Por toda a parte, surgiram os contraditores, Nicolau d'Amsdorf, amigo de Lutero e por ele consagrado “bispo” de Naumburg, saiu à estacada com uma obra apostólica a que deu por título: Que a proposição “as boas obras são nocivas à salvação” é justa, verdadeira, cristã, pregada por São Paulo e São Lutero (sic) (1559).

    Tal a teoria da justificação nos primeiros reformadores.

    Todas as formas de imoralidade passaram a ser fruto da vontade divina !

    Digo nos primeiros reformadores porque alguns símbolos e teólogos protestantes de época posterior, sob a pressão das objeções católicas, limaram as arestas de tão angulosa doutrina, e procuraram, ainda com sacrifício da coerência sistemática, inculcar de algum modo a necessidade de outras virtudes, que não só a fé.

    À luz fosca desta doutrina como se transmuda o aspecto do Evangelho!

    Julgávamo-lo todos um código elevadíssimo de moral, um conjunto de preceitos sancionados com prêmios e castigos e destinado a sublimar o homem muito acima da simples lei natural.

    Que engano!

    O Evangelho é a emancipação de toda a espécie de vínculos morais, é o fundamento de uma confiança absoluta de chegar ao céu sem esforço, é o código do prazer.

    Nele encontra o crente um título de isenção da virtude e um rescrito de indenidade para todos os vícios. Eis a boa nova, “a doutrina grata e consoladora para as almas”.

    Não se admire o leitor. Todas essas conclusões, por mais abomináveis que pareçam a quem conserva uns restos de senso moral, encontram-se não só virtualmente na doutrina protestante da justificação, mas expressa e formalmente nos escritos dos primeiros reformadores.

    Alego uma ou outra citação ao acaso entre as inúmeras que, se poderiam colher nas obras de Lutero.

    “O Evangelho não prega o que devemos fazer; não exige nada de nós. Antes, em vez de dizer-nos: faze isto ou aquilo, manda-nos simplesmente estender as vestes e receber: toma, meu caro, eis o que Deus fez por ti; por teu amor ele vestiu o próprio Filho de carne humana... aceita este dom; crê e serás salvo” .

    Fonte: Weimar, XXIV, 4; cfr. Weimar, XL, 1 Abt, 168.

    – “Não desesperes por causa dos teus pecados mas cobra ânimo e dize: posso ter feito algum bem ou, algum mal, mas isto pouco importa; Cristo sofreu por mim...

    “A isto se reduz todo o cristianismo, a sentir que não tens pecado ainda quando pecas, a sentir que teus pecados aderem a Cristo, que é salvador do pecado”.

    Fonte: Weimar, XXV, 329, 331.

    Este antagonismo entre a lei moral e o Evangelho recorre a cada passo na pena do infeliz apóstata em busca de um anestésico poderoso para a consciência dilacerada de remorsos.

    A fim de salvar o Evangelho é mister aniquilar a lei moral: são inimigos irreconciliáveis e incompatíveis.

    “É necessário que procuremos com todas as forças afastar a lei da nossa consciência quanto o céu da terra...

    “Quando a lei te aterroriza, te acusa, te mostra o pecado, te ameaça com cólera divina e com a morte, faze como se nunca houvera existido lei ou pecado, como se só existira Cristo que é todo graça e redenção.

    “Ou se sentes no fundo da alma os terrores da lei, repete: lei, não quero ouvir-te;... chegou a plenitude dos tempos, sou livre, já não suportarei o teu império”.

    Fonte: Weimar, XL, 1 Abt., p. 557; cfr. t. XXV, 249-250.

    Que esforços de uma vontade obstinada para sufocar “os terrores da lei na consciência!”

    Vede-o ainda a debater-se contra a ideia de Cristo legislador e de Cristo juiz. Vede a exorcizá-la como uma obsessão diabólica!

    “Se Cristo nos aparecesse como juiz irritado ou legislador que nos chama a contas, consideremo-lo como um demônio furioso e não como a Cristo”
    . Fonte: Weimar, XL, 2 Abt., p. 13.

    A assembleia dos heresiarcas evangélicos pelo menos concordava num ponto:
    pecar é vontade de Deus !

    “Não só com as palavras mas também com as nossas ações e com o nosso procedimento exercitemo-nos com diligência [para cauterizar a consciência é mister muito exercício!] em separar Cristo de qualquer ideia de legislador a fim de que, apresentando-se-nos o demônio sob a figura de Cristo para molestar-nos em seu nome, saibamos que não é Cristo, mas que é verdadeiramente o diabo”.

    Fonte: Weimar, XL, 1 Abt., p. 299.

    Edifiquemo-nos ainda nestas passagens do Reformador: “O cristão principalmente nas tentações, não deve absolutamente pensar em lei, em pecado”...

    Ouvimos Lutero, ouçamos os seus discípulos mais célebres.

    Melanchthon
    : “Em qualquer das tuas ações, comendo, bebendo, ensinando ou trabalhando manualmente ainda que seja evidente que pecas em tudo isto, não te preocupes com as tuas obras; considera as promessas de Deus e crê confiadamente que no céu não tens um juiz mas um bom pai todo amor e ternura”.

    Fonte: Melanchthon, De locis theologicis, Corpus Reformat, XII, 163-164.

    Como quem dissera: és ladrão, homicida, adúltero, caluniador? não te incomodes, tuas ações de nada valem. Lá no céu, Deus é um bom e velho papai que fecha os olhos complacentemente e perdoa tudo.

    Calvino atira a barra mais longe. À doutrina da justificação de Lutero acrescenta a da inadmissibilidade da fé.

    A fé que justifica, segundo o reformador de Genebra, é um dom divino concedido ao homem uma vez para sempre e para sempre .

    Os delitos mais graves, cometidos por quem uma vez se achou em estado de graça, não o poderão nunca privar da amizade de Deus. É a predestinação infalível, a carta branca para todos os excessos.




    Deturpando os Evangelhos



    Deturpando os Evangelhos.

    Mas, dirá o leitor, e a Escritura? Não a haviam proclamado os protestantes regra infalível de fé?

    Como fechar tão obstinadamente os olhos a ponto de não ver nas páginas divinas a condenação mil vezes repetida de doutrina tão imoral?

    Assim parece. Mas a Escritura deve ser interpretada pelo livre exame. Só assim é regra de fé e norma de costumes.

    A Escritura vale, pois, o que vale a sua interpretação.

    Deixada aos caprichos e paixões individuais, não há livro mais inofensivo e acomodatício.

    À “crítica” do leitor não faltarão nunca expedientes para trazer o texto ao sentido que se deseja. Em caso de rebeldia absoluta, aí estão os recursos extremos da crítica cirúrgica: a amputação. Quereis ver Lutero em exercício de suas funções de livre comentador? Ouvi-o:

    Diz S. Tiago na sua epístola que “a fé sem obras é morta”, que “o homem é justificado pelas obras e não só pela fé”? A epístola de S. Tiago é apócrifa, deve ser expungida do rol das escrituras canônicas como uma “verdadeira epístola de palha”, eine rechte stroeherne Epistel.

    Fonte: Erf., LXIII, 115; Walch, XIX, 142; XIV, 105.

    Precisa o nosso exegeta de uma autoridade que confirme a sua doutrina? Lança mão de um texto de S. Paulo na sua Epístola aos Romanos: “arbitramur justificari hominem per fidem sine operibus legis”.

    Para entender-se o verdadeiro significado deste passo cumpre observar que nele, e em tantos outros lugares de suas epístolas, combate o Apóstolo aos judeus que se obstinavam em afirmar a necessidade da Lei antiga (Lei, Thorah, era o título com que indicavam os hebreus o Pentateuco em oposição aos Profetas, nome com que se designavam os outros livros inspirados).

    Contra esse erro assevera S. Paulo que não são os ritos mosaicos que santificam o homem, mas a fé em Cristo, na sua Redenção, na sua justiça.

    De um lado, a incredulidade em Cristo e a confiança nas obras da Lei praticadas pelas simples forças naturais do homem, do outro a fé no Redentor e na sua justificação, como dom gratuito de Deus são aqui os membros da antítese, e não a fé no Salvador e as boas obras sobrenaturais inspiradas por esta fé.


    Não lhe bastou adulterar um novo Evangelho, e passou a recortar os livros inspirados.

    O Apóstolo distingue sempre as obras da Lei e as boas obras. A necessidade destas últimas, isto é, das boas obras informadas pela graça e pelo espírito do Cristo, professa-a claramente S. Paulo em mil lugares das suas epístolas.

    Nesta mesma, aos Romanos, II, 7, 13 escreve :

    “Aos que constantes no bem operar proclamam à glória, a honra, a imortalidade (dará o Senhor) a vida eterna... Porque não são justos diante de Deus os que ouvem a Lei, mas serão justificados os que a põem em prática”.

    “Aos fiéis da Galácia, V, 6 : “Em Jesus Cristo nada vale o circunciso ou o incircunciso, mas a fé que opera pela caridade”.

    “Como se vê, acontece com os protestantes o que já dizia S. Pedro : “In quibus [i. é. nas epístolas de S. Paulo] sunt quaedam difficila intellectu quae indocti et instabiles depravant, sicut et ceteras Scripturas ad suam ipsorum perditionem”, II Petr., III, 16.

    E insere fraudulentamente na sua tradução alemã a palavra só antes de fé (allein durch das Glauben).

    Reclamam naturalmente os adversários contra semelhante processo crítico. Lutero não recua e escreve a Link:

    “Se o novo papista quiser importunar-nos por causa da palavra só responde-lhe logo: assim o quer o Dr. Martinho Lutero que diz: papista e asno são a mesma coisa. Sic volo, sic jubeo, sit pro ratione voluntas...

    “Só me pesa de não haver acrescentado também a palavra nenhuma, sem obra nenhuma de lei alguma, o que exprime o meu pensamento [e o da Bíblia?] com toda a nitidez e clareza.

    “Por isto quero que a partícula fique no meu Novo Testamento e ainda que enlouquecessem todos estes asnos de papistas não vingarão eliminá-la”.

    Fonte: Carta a Link, 12 set. 1530. Weimar, XXX, 2 Abt., 635 e 643.

    Mas não basta haver criado um novo Evangelho, um Evangelho seu.

    Todos os Livros santos da primeira à última palavra protestam energicamente contra o seu erro.

    Que fará o grande paladino da Escritura?

    Desprezará e rejeitará todos os livros inspirados. Ouçam protestantes e não protestantes:

    “Se os nossos adversários fazem valer a Sagrada Escritura contra Jesus Cristo, nós fazemos valer Jesus Cristo contra a Escritura. Do meu lado, tenho o Senhor, eles têm os servos, nós, a cabeça, eles, os pés e os membros que se devem sujeitar e obedecer à cabeça.

    “Se é mister sacrificar-se a lei ou Jesus Cristo, sacrifique-se a lei, não Jesus Cristo”.

    Fonte: Opera latina, Wittemberga, I, 387-a.


    A Escritura?: “Dela me não importo”.

    “Tu fazes grande caso da Escritura que é serva de Jesus Cristo; eu, pelo contrário, dela me não importo.

    “À serva liga a importância que quiseres, eu quero valer-me de Jesus Cristo que é o verdadeiro senhor e soberano da Escritura e que mereceu e conquistou com a sua morte e ressurreição a minha justiça e a minha salvação eterna”.

    Fonte: Walch, VIII, 2140 ss.

    Assim, depois de haver o heresiarca levantado a Escritura como pendão de revolta contra a Igreja, sacrifica ora a Escritura a Jesus Cristo.

    Mas sem a Igreja e sem a Escritura, que sabe Lutero de Jesus? Cristo será apenas nos seus lábios um passaporte para todos os devaneios doutrinais, para todas as licenças de sua ímpia reforma.

    Tão verdade é que Cristo, a Escritura e a Igreja constituem uma trilogia inseparável; impossível impugnar uma destas verdades sem destruir as outras.

    Destarte, atropelando a razão, conculcando a Igreja, menosprezando e falsificando a Bíblia, injuriando sacrilegamente a Jesus Cristo, conseguiu o frade apóstata estabelecer a mais imoral das doutrinas que ainda viram os homens: a apoteose do pecado arvorado em instrumento eficaz de salvação.

    Toda essa indignidade se acha condensada nas célebres palavras:

    Sê pecador, e peca a valer, mas com mais firmeza ainda crê e alegra-te em Cristo vencedor do pecado, da morte e do mundo. Durante a vida presente devemos pecar.

    “Basta que pela misericórdia de Deus conheçamos o Cordeiro que tira os pecados do mundo. Dele não nos há de separar o pecado, ainda que cometêssemos por dia mil homicídios e mil adultérios”.

    Eis no original o texto abominável :

    “Esto peccator et pecca fortiter; sed fortius fide et gaude in Christo, qui victor est peccati, mortis et mundi. Peccantum est quamdiu hic sumus... Sufficit quod agnovimus per divitias gloriae Dei Agnum qui tollit peccatum mundi: ab hoc non avellet nos peccatum etiamsi millies millies, uno die, fornicemur aut occidamus”.

    Fonte: De Wette, II, 37 (Carta a Melanchthon, 1 agosto de 1521).



    Corrupção dos costumes


    A Nau dos Insensatos, detalhe, Hyeronimus Bosch (1450 — 1516)
    Capítulo 2. –– A moralidade dos costumes na Reforma
    Sumário – Decadência geral dos costumes.– Particularizando: abolição do celibato; divórcio; poligamia; embriagues; egoísmo.


    Dos desvios da inteligência sempre se ressente o coração. Não há no domínio especulativo doutrina errônea que, cedo ou tarde, pela lógica imanente das coisas, não tenha sua repercussão na vida moral dos povos e dos indivíduos.

    “Illuminationis puritas et arbitrii libertas,
    escreveu Bacon, Simul inceperunt, simul corruerunt. Neque datur in universitate rerum tam intima sympatia quam illa veri et boni”.

    E o critério evangélico dos frutos que abonam a qualidade da árvore recebeu sempre, no desenvolvimento paralelo do erro e do vício, a sua mais cabal justificação.

    Não seria, pois, difícil ao filósofo antever nas doutrinas imorais do protestantismo o germe desgraçadamente fecundo de uma abominável corrupção de costumes.

    A história dá a estas previsões teóricas a mais sinistra confirmação experimental. Carlos Pereira, sem se dar ao trabalho de provar as suas asserções, afirma aos que lhe quiserem piamente crer que

    “a reforma pôs um dique a esses desregramentos e o puritanismo protestante salvou o mundo da completa dissolução dos costumes, dando aos homens uma têmpera moral incomparável”, pp. 121-2.

    Francamente, não experimento em mim este devoto sentimento de credulidade nas palavras do mestre gramático. Prefiro abrir a história e recolher-lhe o testemunho insuspeito.


    A Nau dos Insensatos,
    Hyeronimus Bosch (1450 — 1516)

    E que depõe a história?

    Só lhe ouço uma voz para acusar, nos países em que prevaleceu a pregação do ‘novo evangelho’, um extravasamento de imoralidade, que não encontra semelhante senão nas eras mais abominosas da ruína de Sodoma, das orgias de Babilônia ou da decomposição do paganismo agonizante.

    É o que pretendo agora provar, documentos à vista. Na instrução do processo só admitirei, como testemunhas, os próprios protestantes contemporâneos e de preferência os pais da Reforma.

    A Lutero, como é de justiça, o primeiro lugar. Em 1529:

    “Os evangélicos são 7 vezes piores que outrora. Depois da pregação da nossa doutrina, os homens entregaram-se ao roubo, à mentira, à impostura, à crápula, à embriaguez e a toda espécie de vícios.
    “Expulsamos um demônio [o papado] e vieram sete piores. Príncipes, senhores, nobres, burgueses e agricultores perderam de todo o temor de Deus”.

    Fonte: Weimar, XXVIII, 763.

























    Luz de Cristo x trevas da irracionalidade: Pe. Leonel Franca S.J.
    Última edición por Hyeronimus; 03/04/2017 a las 20:01

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    Re: Lutero, no y no

    Qual a causa deste desencadeamento do mal? A nova doutrina.

    “Depois que compreendemos não serem as boas obras necessárias para a justificação, ficamos muito mais remissos e frios na prática do bem.

    “É admirável (dictu mirum) com que fervor nos dávamos às boas obras outrora, quando por meio delas nos esforçávamos por alcançar a justificação.

    “Cada qual porfiava em vencer os outros em piedade e honestidade.

    “E se hoje se pudesse voltar ao antigo estado de coisas, se de novo revivesse a doutrina que afirma a necessidade do bem fazer para ser santo, outra seria a nossa alacridade e prontidão no exercício do bem”.

    Fonte: Weimar, XXVII, 443.
    Carroça de Feno, detalhe
    (Museu do Prado, Madrid),
    Hyeronimus Bosch (1450 — 1516).

    O heresiarca leva a sinceridade ao ponto de confessar os efeitos dissolventes da Reforma sobre a própria consciência. Num sermão pregado em 1532:

    “Quanto a mim confesso – e muitos outros poderiam sem dúvida fazer igual confissão – que sou desleixado assim na disciplina como no zelo, sou muito mais negligente agora que sob o papado; ninguém tem agora pelo Evangelho o ardor que se via outrora.

    Quanto mais certos estamos da liberdade que nos conquistou Cristo, tanto mais frios e negligentes somos em pregar, orar, fazer o bem e sofrer o mal”.

    Fonte: Weimar, XL, 2 Abt., 61.

    À medida que o “novo evangelho” se propagava, avultava e engrossava também a onda da imoralidade.

    Com o tempo as expressões do Reformador carregam-se de tintas cada vez mais escuras. Em 1542 escrevia a Amsdorf:

    “é tanto o desprezo pela palavra de Deus, tão desmesurado o crescer dos vícios, da avareza, da usura, da licença, dos ódios, das perfídias, das invejas, da soberba, da impiedade e das blasfêmias que não é provável que Deus use ainda de misericórdia com a Alemanha”.

    Fonte: De Wette, V, 462.

    No ano seguinte, ao mesmo amigo:

    Tal era o mundo antes da destruição de Jerusalém, antes da devastação de Roma, antes da perda da Grécia e da Hungria, tal será e é, antes da ruína da Alemanha”.

    Fonte: De Wette, V, 600-601.

    Um ano antes de sua morte, em 1545, em carta a Gaspar Beier:

    O mundo está cheio de Satanás e de homens satânicos”. Fonte: De Wette, V, 721.




















    Lutero: o “berço do puro Evangelho”
    virou “foco de abominável corrupção”



    O Jardim das delicias terrenas.
    Hyeronimus Bosch (1450 — 1516).

    Wittemberga, berço do puro Evangelho e residência habitual de Lutero, tornara-se outrossim um foco de abominável corrupção. Poucos anos depois de iniciada a “reforma”, já o heresiarca se queixava num sermão:

    “Que fazer convosco, Wittembergenses? Já não vos pregarei o reino de Cristo que não quereis receber.

    “Sois ladrões, rapaces e cruéis... brutos ingratos. Arrependo-me de vos haver libertado da tirania dos papistas. Vós, ingratissimae bestiae,sois indignos do tesouro do Evangelho”.

    Fonte: Weimar, XXVII, 408-411.

    Com a veemência de semelhantes impropérios, os costumes não melhoravam.

    “Vivemos ou melhor morremos nesta Sodoma, nesta Babilônia”.
    Fonte: De Wette, V, 722.

    Escrevia em 1545 ao Príncipe de Anhalt, Jorge; e poucos meses depois à sua Catarina: “Fora, fora desta Sodoma”.

    Fonte: De Wette, V, 753.

    Do estado moral de Wittemberga já em 1527 escrevia Melanchthon a Justo Jonas:

    “Quando vieres a Wittemberga verás como tudo o que havia de bom ameaça ruína, que ódios dividem os homens, que desprezo de toda a honestidade, que ignorância nos que governam as igrejas, e quão [duas palavras gregas]”.

    Corpus Reformatorum,I, 888.

    Ickelsamer escrevia a Lutero: “Quanto mais se aproxima alguém de Wittemberga, tanto pior cristão se vai tornando”.

    O incêndio, que assim crescia de dia para dia com imensa ruína das almas, não podia deixar, de quando em quando, de remorder-lhe a consciência atordoada pelo orgulho.

    “Vejo esses males e os deploro. Muitas vezes pensei se não teria sido melhor conservar o Papado, do que ver tamanha perturbação. Melhor é, porém, arrancar alguns das fauces do demônio do que perecerem todos”.

    Fonte
    : Weimar, XX, 674.

    Nestes momentos de angústia, para tranqüilizar os sobressaltos da consciência, acolhe-se à convicção fanática da sua missão divina.

    A Nau dos Insensatos, detalhe, Hyeronimus Bosch (1450 — 1516)

    “A idéia que é divina a minha missão é-me de grande conforto. Com ela muitas vezes me defendo do pensamento satânico de que o Evangelho é a causa dos grandes escândalos que presenciamos.

    “Confesso, porém, que se Deus não me fechara os olhos, se houvera previsto todos esses males, nunca certamente teria começado a pregar o Evangelho”.

    Fonte: Walch, VI, 920 (Doellinger, Die Reformation,2(2), 304).

    “Quem de nós, dizia ele em 1538, se teria abalançado a pregar, se pudera prever que tanta desgraça, tanto escândalo, tanto crime, tanta ingratidão e malvadez seriam o resultado da nossa pregação?

    “Agora, uma vez que chegamos a este estado, soframos-lhe as conseqüências”.

    Fonte: Walch, VIII, 564, (Doellinger, Die Reformation,I(2), 305).
    Último pensamento, enfim, que o consola em meio do dilúvio de males por ele desencadeado é a iminente destruição universal. A aniquilação do mundo,
    ele a invoca com esperança como supremo remédio.

    “Desejo sair, com todos os meus, deste mundo satânico; anelo pelo supremo dia que porá termo aos furores de Satã e dos seus”.

    Fonte: De Wette, V, 703.

    Ao mesmo amigo J. Probst escrevera dois anos antes, em 1542:

    “O mundo ameaça ruína; disto tenha certeza: tal é o furor de Satanás, tal o embrutecimento geral.

    “Só me resta como consolo a iminência do dia derradeiro... a Alemanha foi e nunca voltará a ser o que foi”.

    Fonte: De Wette, V, 451.



    Muskulus: “não é possível piorar”


    A ideia do fim iminente do mundo tornou-se nos últimos anos uma verdadeira obsessão para o heresiarca, que ainda uma vez arriscou nela os seus créditos de profeta.

    O mundo não duraria 100 anos, nem mesmo 50! A corrupção era tão geral e tão profunda que já não podia crescer e só o juízo final lhe poderia pôr termo. Sobre as idéias de Lutero acerca do fim próximo do mundo, cfr. Grisar, Luther, III, 202-211.

    Já nos parece ouvir nestas expressões coloridas ainda de tintas cristãs, o grito pessimista de Hartmann apelando para “o suicídio cósmico” como único termo aos males irremediáveis da vida.

    Em Melanchthon, discípulo predileto de Lutero, a mesma persuasão, sugerida pelos mesmos motivos.

    “Cresce de dia para dia o desprezo da religião, não só entre o novo a quem se pode perdoar, mas entre os sábios que ou se fazem epicureus ou acadêmicos.

    “A corrupção dos homens, a tristeza dos tempos e a insânia dos príncipes bem mostram [quatro palavras gregas] e que é iminente o advento de Cristo”.

    Fonte: Corpus Reformatorum, III, 895.
    Andreas Musculus 'não é possível piorar'.
    O Triunfo da Morte, Pieter Brugel

    Andreas Musculu: “se os nossos filhos,
    já afogados na desordem e na dissolução,
    tiverem descendentes será preciso
    que se transformem em verdadeiros demônios,
    porque não vejo como cheguem a ser piores que nós”.

    Depois dos mestres os discípulos.

    André Muskulus, um dos mais fogosos campeões do luteranismo, escrevia em 1561:

    “Chegamos a tal extremo que já não há, entre nós, quem não confesse claramente que nunca, desde que o mundo é mundo, houve tanta corrupção na juventude.

    “Não é possível piorar... Se o mundo durar ainda algum tempo e se os nossos filhos, já afogados na desordem e na dissolução, tiverem um dia descendentes que nos sobrelevem no vício e na malícia, será preciso que os homens se transformem em verdadeiros demônios, porque realmente não vejo como, conservando caráter humano, cheguem a ser piores que nós”.

    Fonte: A. Muskulus, Von der Teufels Tyrannei, no Theatrum diabolorum f. 160. Cfr. etiam f. 128, 137 b.

    Pouco mais tarde, Belzius que, com o seu divórcio beneficiara também da emancipação geral das consciências, assim pinta os costumes do tempo:

    “Quereis ver reunida no mesmo lugar uma população inteira de selvagens e ímpios, entre os quais toda a espécie de iniquidade é de prática cotidiana e, por assim dizer, de moda?

    “Ide às nossas cidades luteranas, onde se acham os pregadores mais estimados e onde o santo Evangelho é pregado com mais zelo: aí a encontrareis...

    “Dos púlpitos já se brada que as boas obras são não só desnecessárias senão ainda nocivas à salvação das nossas almas”.

    Fonte: Belzius, Von Jammer und Elenden menscht. Lebens, Kurzer Unterricht aus dem 90 Psalm, Lipsiae, 1575, C. 6, D. 6.
    Belzius: “Ide às nossas cidades luteranas:
    aí encontrareis.uma população inteira de selvagens e ímpios”

    Comparando os novos costumes com os antigos, escreve Pirkheimer em 1527:

    “Esperávamos que a malvadeza romana bem como os maus costumes dos monges e padres se devessem corrigir; mas, a quanto vemos; as coisas foram de tal jeito piorando, que em confronto dos velhacos evangélicos os antigos seriam santos”.

    Fonte: Ap. Hermann, Documenta litteraria, Aldorfii, 1758, p. 59.

    Um franciscano apóstata Eberlin de Günzburg, confessa igualmente:

    “somos duas vezes piores que os papistas, antes piores que Tiro, Sidônia e Sodoma”
    .
    Fonte: B. Riggenbach, Jah, Eberlin von Günzuburg, 1856, p. 242.

    Se assim é, por confissão dos próprios chefes da Reforma, quanto mais se esforçam os modernos protestantes por pintar com tintas carregadas a época anterior a Lutero, tanto mais negro deverá aparecer o luteranismo.




    A obra-prima do fanatismo


    O sono da razão produz monstros.
    Francisco Goya (1746 - 1828), Museu do Prado.

    A doutrina da inutilidade das boas obras era o grande agente corruptor. À sua sombra organizava-se a licença autorizada.

    Afirma-o, entre muitos outros, Diogo André com a autoridade de quem, como inspetor, empreendeu inúmeras viagens e recolheu muitas observações, publicadas em 1568:

    “A fim de que saiba o mundo inteiro que não são papistas e não põem a sua confiança nas boas obras, os nossos luteranos diligenciam por não praticar nenhuma.

    “Em vez de jejuar, comem e bebem noite e dia; em vez de socorrer os pobres, acabam de esbulhá-los; em vez de orar, blasfemam e desonram a Jesus Cristo, por modos que excedem a ousadia dos próprios turcos.

    “Finalmente, em vez da humildade cristã, aninham no coração o orgulho e o amor do erro. Tais são os costumes dos nossos evangélicos”.

    Fonte: Jacob Andreas, Erinnerung nach dem Lauf der Planeten gestellt,Tübingen, 1508, pp. 140 ss.

    Insistamos um pouco mais em mostrar como o desmando geral dos costumes se apresentava evidentemente como uma consequência das doutrinas e da pregação da Reforma.O reitor protestante I. Rivius escreve em 1547:

    “Se és adúltero ou libertino, dizem os pregadores, crê simplesmente e serás santo.

    Eis a obra-prima do fanatismo!

    “Nem temas a lei, porquanto Cristo a cumpriu e satisfez pelos homens... Semelhantes discursos levam à vida ímpia”.

    Fonte: I. Rivius, De Stultitia mortalium, Basilae, 1557, I. 1, p. 50 s.

    Em 1525, Jorge, duque de Saxônia, escrevia ao corifeu reformador:

    “Quando se viu maior número de adultérios como depois que escreveste: se uma mulher é estéril, una-se a outro e os filhos sejam alimentados pelo primeiro marido. E outro tanto façam os homens?”.

    Fonte: Enders, V, 289; ed Jena, 1556, III, 211.

    E como não haveria de ser assim quando se ouvia Lutero ensinando desde 1523:

    “Deus só te obriga a crer e a confessar.

    “Em todas as outras coisas te deixa livre e senhor de fazer o que quiseres, sem perigo algum de consciência; antes é certo que, de si, ele não se importa, ainda mesmo se deixasses tua mulher, fugisses do teu senhor e não fosses fiel a vínculo algum.

    “E que se lhe dá, se fazes ou deixas de fazer semelhantes coisas?”.

    Fonte: Weimar, XII, 131 ss
    A tentação de Santo Antônio, detalhe.
    Hieronymus Bosch (1450 — 1516)

    Cabe aqui a observação que em 1565 fazia Joannes Jacobus na obra sobre a sua conversão:

    “entre os católicos os pecados atribuem-se às pessoas, entre os luteranos às doutrinas e às pessoas”.

    Räss, Die Convertiten seit der Reformation,Freiburg i. B., 1866, I, 522.

    Fechemos esta primeira série de testemunhas acerca da corrupção geral desencadeada pelo protestantismo com o depoimento de Pedro Arbiter, interessante sobretudo no ponto de vista da psicologia dos primeiros reformadores:

    “Porque permanecem alguns fiéis ao papismo e outros a ele voltam depois de o haver renunciado, senão porque de tal modo os cega o espírito das trevas, que, quer entre nós, quer entre eles, consideram como nonada o que deveriam estimar como coisa principal e atribuem, pelo contrário, gran-díssima importância ao que não na tem nenhuma?

    “Porquanto, que vale todo o bem do mundo, que é a perfeição, a sabedoria, a autoridade, a ordem, a concórdia e as outras virtudes que admiramos entre os papistas, se a doutrina é má e para a salvação só a doutrina é indispensável?...

    “Permiti que vos dê um conselho? Para julgar entre a Igreja papista e a nossa, atendei à doutrina e não às aparências”.

    Fonte: P. Arbiter, Die christl. Busselehre mit der papitschen verglichen, Magdeburg, F. 2, 3.

    Ironia das coisas! A depravação dos costumes da Igreja Romana fora o pretexto da revolta religiosa que se apresentou ao povo sob o especioso nome de Reforma.

    Ora, diante da corrupção avassaladora que babilonizava os povos, diante dos desmandos protestantes, a cuja comparação os costumes católicos eram confessadamente a perfeição, a ordem, a sabedoria, e outras virtudes admiráveis, que fazem os paladinos da regeneração do cristianismo?

    Em lugar de arrepiarem carreira, proclamam a dissolução moral uma bagatela para desprezar-se e apelam cinicamente para a doutrina, – para esta doutrina, que abalando os princípios, negando a liberdade, inculcando o pecca fortiter, assegurando a certeza da salvação sem virtudes, a inadmissibilidade da graça, emancipara as consciências da lei e da responsabilidade, abrira a porta a todos os desmandos, soltara o freio a todos os apetites brutais, estimulara todas as paixões, divinizara o pecado!

    Eis a obra-prima do fanatismo!








    Luz de Cristo x trevas da irracionalidade: Pe. Leonel Franca S.J.

  4. #64
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    Re: Lutero, no y no

    Degeneração do casamento e desprezo da mulher



    Mas não paremos nas linhas gerais deste quadro moral digno dos tempos do paganismo.

    Examinemos-lhe por miúdo as particularidades vergonhosas. Só contrafeito é que revolvemos esta vermineira em fermentação.

    Mas como ao médico, também ao historiador e ao moralista incumbe, por vezes, este penoso dever. A verdade merece que lhe sacrifiquemos os melindres de uma delicadeza descabida.

    O catolicismo plantara sobre os restos putrefatos do paganismo uma flor desconhecida da humanidade: a pureza.

    Fecundados pela seiva cristã, medraram os lírios no sacerdócio, no matrimônio, na juventude, em todas as idades, em todas as condições, em todas as camadas da sociedade.

    O “sentido depravado”, de que nos fala Lacordaire, continuou sempre a exercer sobre a argila humana a tirania das suas seduções, mas a Igreja não cedeu nunca, não transigiu nunca com a fraqueza da carne.

    O ideal de pureza, conservou-o sempre elevado a iluminar com as suas luzes as trevas das eras barbáricas e a atrair com os seus encantos as almas nobres e sedentas de amor e de sacrifício.

    À sua sombra reuniu-se em todos os tempos um manípulo de escol: exemplo vivo aos contemporâneos dos heroísmos da abnegação, espetáculo de paraíso a exercer sobre as multidões da terra a influência saneadora da virtude celeste em ação.


    Ulrich Zwinglio: “Bem sabeis a vida vergonhosamente nefanda
    que temos levado com mulheres que induzimos ao mal”.

    O primeiro cuidado da Reforma foi destruir este jardim do céu. Os seus chefes, cansados do celibato, procuraram no matrimônio um remédio aos apetites que já não sentiam força de refrear.

    Em 1522, Zwinglio, em seu nome e no de alguns outros sacerdotes, apresentava aos magistrados uma súplica em que, entre outras coisas edificantes, dizia:

    “Bem sabeis a vida vergonhosamente nefanda que até aqui (falamos só de nós) infelizmente temos levado com mulheres que induzimos ao mal e com as quais temos dado muitos escândalos”.


    Fonte: Zwinglio, Werke, I, 225.

    Ao mau exemplo estava reservada mais alta consagração. Lutero, que já se havia dado a todos os excessos da embriaguez e da crápula, pôs o remate à sua vida licenciosa, profanando criminosamente com uma ex-freira, ele, ex-frade, um corpo duplamente sagrado virgem, pela unção sacerdotal e pelos juramentos da vida religiosa.

    Quando os pastores titulados são assim, não é difícil conjeturar o que será a grei comum dos anônimos.

    Os sacerdotes escandalosos bateram as palmas ao ouvir a “boa nova”, do evangelho de Wittemberga; os mosteiros de religiosos, esquecidos da dignidade da sua vocação, despovoaram-se.

    A grande tragédia da reforma terminou na comédia de um casamento universal. A expressão é de Erasmo:

    “Parece que a Reforma se resolve em desfradar alguns monges e casar alguns padres; e esta grande tragédia termina num desfecho cômico, porque tudo acaba num casamento como nas comédias”.

    Não se pode tocar impunemente na grande hierarquia das virtudes cristãs. À incontinência no celibato abriu Lutero a porta do matrimônio; à incontinência no matrimônio abriu a porta do divórcio.

    Quando esse apóstolo fogoso da dissolução bradou à Europa que o matrimônio não era sacramento, vibrou um golpe mortal à família cristã.

    Reduzido a simples contrato civil, o ato augusto que une os esposos, santificando-os, foi despojado de toda a sua dignidade. Renasceu o sensualismo e a família retrocedeu às eras pagãs.

    Ouçamos Fr. Staphylus que escrevia em 1562:

    Enquanto o matrimônio foi considerado como sacramento, o pudor e a honestidade na vida conjugal eram estimados e amados, mas quando se leu nos livros de Lutero que o estado conjugal é uma invenção dos homens... logo os seus conselhos foram de tal modo atuados que, relativamente ao matrimônio há quase mais honestidade e dignidade na Turquia que entre os nossos evangélicos da Germânia”.


    Lutero e Calvino vituperaram o culto dos santos,
    mas acabaram sendo cultuados como santos à moda evangélica.
    Incorreram nas mesmas contradições a respeito da família.
    Vitral da igreja evangélica de Wiesloch, Baden-Wurtenberg, Alemanha.

    Fonte
    : Fr. Staphuylus, Nachdruck zu Verfechtung des Buchs vom rechten wahren Vorstandt des goettichen Worts, etc., Ingolstadt, 1562, fol. 202 b.

    Com a degeneração do matrimônio a mulher caiu no desprezo e na ignomínia. Mais que nenhum outro, para isso contribuiu Lutero com uma indignidade sem nome. Para o reformador a mulher não passa de “um animal estúpido” (Weimar, XV, 420), simples instrumento de satisfações sensuais do homem. Na vilania de sua linguagem, chega compará-la a uma vaca prenhe:

    “também as mulheres se cansam e finalmente arrebentam durante a gestação; não importa, deixá-las arrebentar, são para isso”. Erl. XX, 84.

    Façamos ponto aqui. Repugna-nos transcrever citações como estas.

















    Da ‘segunda união’ ao ‘amor livre’ pelo divórcio e a poligamia


    Hnrique VIII, com a terceira mulher Jane Seymour
    de quem divorciou logo a seguir, (Hans Holbein).

    Também aqui um exemplo do alto devia inaugurar ruidosamente na cristandade o divórcio sancionado pelas autoridades religiosas da Reforma.

    Depois de 19 anos de união conjugal com Catarina de Aragão obcecado por uma paixão ilegítima, pediu Henrique VIII a dissolução do matrimônio sob pretexto de nulidade.

    Negou-lha a Igreja, que à complacência de frontes coroadas nunca sacrificou um princípio moral.

    Henrique rompe com a Sé Apostólica; a Tomás Moore, que, com serena hombridade, lhe repetia o non licet do Batista, manda, novo Herodes, decepar a cabeça; arvora-se em reformador e une-se com Ana Boleyn, que manda decapitar quatro meses depois.

    No dia da execução, o rei vestiu-se de branco e na manhã seguinte esposa Joana Seymour. Falecida Seymour a breve trecho, une-se a Ana de Cleves, para despedi-la logo, porque lhe não agradava.

    Agrada-lhe, porém, Catarina Howard, mas por pouco; seis meses apenas volvidos, manda cortar-lhe a cabeça por adultério. Finalmente casou com Catarina Paar, que sobreviveu ao tirano, e duas semanas depois da sua morte, já havia contraído novas núpcias.

    Fonte: Cfr. Dixon (protestante), History of the church of England from the aboliton of the roman jurisdiction, I, 384; II, 327; III, 9.

    E mister retroceder aos anos de decrepitude do paganismo e às monstruosidades impudicas e sanguinárias de Calígula ou de Tibério, para encontrar espetáculo semelhante. E foi neste charco de lodo e sangue que se embalou o berço da Reforma na Inglaterra!


    Jan van Leiden, líder da seita extremista 'anabatista'
    instalou em Münster um regime teocrático comunista e com poligamia.

    O divórcio é uma poligamia sucessiva.
    Quem o autorizou, por que havia de recuar diante da poligamia simultânea?

    Por que não havia de pregar para o homem “os costumes fanerógamos”, que mais tarde reclamará Fourier? Foi quanto fez o protestantismo.

    Os anabatistas logo de princípio professaram e praticaram, sem pejo, a mais desavergonhada poligamia. João de Leida, um dos seus chefes, contava nada menos que 14 mulheres.

    Direis: extremos de uma facção que se atirou logo à nimiedade dos mais escandalosos excessos de que se não deve responsabilizar toda a Reforma. Não, engano.

    O ponto foi estudado, discutido, à luz das Escrituras já se vê, e sancionado pelos grandes mestres da seita.

    Num comentário sobre o Gênese, afirma Lutero que “não é proibido ao homem ter mais de uma mulher”. Havendo Carlostadt autorizado uma bigamia, o chefe, consultado, respondia a 13 de janeiro de 1524:

    “Confesso chãmente não poder proibir que alguém tenha muitas mulheres. À Escritura não repugna; não quisera, porém, ser o primeiro a introduzir este exemplo entre cristãos”.

    Fonte: De Wette, II, 459.

    Em 1527:

    “Não é proibido que um homem possa ter mais de uma mulher; eu ainda hoje não o poderia impedir, mas não o quero aconselhar”.

    Weimar, XXIV, 305.

    O mesmo repete em 1528, Weimar, XXVI, 523 e em 1539, De Wette, VI, 243. No De Captivitate Babyloniae (Weimar, VI, 558) aconselha dessasombradamente a poligamia e a poliandria.

    Um episódio tirou-o logo desta hesitação e ofereceu-lhe a oportunidade de uma aplicação solene de sua edificante teoria.

    Felipe, landgrave de Hesse, não estava satisfeito com uma só esposa; queria outra de sobressalente para as freqüentes viagens fora dos seus domínios.

    Uma segunda consorte volante, além de muitas outras vantagens, representava a economia de enorme dispêndio no deslocamento da corte.

    Mas, evangélico de consciência delicada, queria estar em paz com Deus e a sua igreja. Recorre, para isto, aos representantes autorizados do novo cristianismo.


    Felipe, landgrave de Hesse: Lutero lhe autorizou ter várias mulheres.

    Na instrução dada a Bucero, o príncipe luterano declarava “que não queria por mais tempo ficar nos laços do demônio, mas que, para se libertar deles, não podia nem queria tomar outra via senão a que indicava (a da bigamia), e, por isso, pedia a Lutero, a Melanchthon e ao próprio Bucero que lhe dessem uma declaração por escrito, autorizando a segui-la”.

    Assim, acrescentava ele, “se poderia viver mais alegremente, morrer pela causa do Evangelho, e empreender-lhe a defesa” contra os adversários.

    Uma vez obtida a almejada licença, “far-lhes-ia tudo o que razoavelmente lhes pedissem como os bens dos mosteiros ou outras coisas semelhantes”. Em caso de recusa, ameaçava-lhes politicamente de recorrer ao imperador.

    O landgrave sabia tocar todas as teclas sensíveis aos reformadores: o receio de um apelo ao imperador (era Carlos V), a perspectiva de novos bens eclesiásticos, a promessa de pôr as armas ao serviço do evangelho contra os papistas.

    Quem, por um pontinho insignificante de moral cristã, havia de resistir à bateria de tantas seduções?

    Reuniu-se o conselho, folheou-se a Escritura... e tudo se pôde legitimar. “Em consciência tranqüila podia o landgrave esposar segunda mulher, se a isto estivesse decididamente resolvido, contanto que o caso se conservasse secreto”.

    O crime, praticado às ocultas, deixava de o ser. De fato, o segundo matrimônio foi celebrado em forma.

    O príncipe declarou tomar segunda esposa “não por leviandade ou curiosidade”, senão por “necessidades inevitáveis do corpo e da consciência, que sua alteza havia explicado a muitos doutos, prudentes, cristãos e devotos pregadores, os quais lhe haviam aconselhado de assim tranqüilizar a alma e pôr em paz o espírito”, escrupuloso e delicado.

    Com efeito, o precioso documento de autorização havia sido assinado por Lutero, Melanchthon, Bucero e cinco outros evangélicos teólogos de Wittemberga.

    Fonte: Quem não dispuser de outros livros à mão poderá consultar os documentos autênticos deste edificantíssimo episódio em Bossuet, Histoire de variations, em anexo ao l. VI, ou melhor ainda em Janssen, Geschichte des deutschen Volkes,III (17-18), pp. 450-454, onde vêm indicadas as fontes.




    Extinguindo a santidade do matrimônio com a pastoral ‘misericordiosa’ de Lutero


    Martinho Lutero arvorou o estandarte da incontinência
    e atraiu os que são consumidos pelas paixões animais.

    Custa a crer, mas a realidade histórica entra-nos pelos olhos com a força convincente de uma evidência irrecusável.

    O exemplo do landgrave não ficou sem imitadores nas cortes protestantes. Jorge IV (m. 1694), príncipe eleitor da Saxônia, vivendo a primeira mulher, casou-se publicamente com uma concubina, alegando a autoridade da Escritura e os exemplos de concessão semelhante outorgada “pela nossa igreja”.

    Frederico Guilherme II, que já tinha dado a mão direita à rainha, deu a esquerda a Júlia de Voss.

    O Rev. Zoellner pregador da corte a 25 de maio de 1787 abençoou o novo matrimônio na capela do castelo de Charlottemburgo. Eberardo Luís (m. 1739), duque de Würtemberg, Carlos Luís (m. 1680), príncipe eleitor palatino, Frederico IV (m. 1730) rei da Dinamarca, com público matrimônio, duplicaram solenemente as respectivas esposas.

    A abolição do celibato, a permissão do divórcio, a sanção oficial da poligamia, pregadas, praticadas, inculcadas, autorizadas pelos chefes reformistas, fácil é de ver que repercussão corruptora teriam nas multidões iluminadas pela luz do novo e consolador evangelho.

    A dissolução extravasou como uma cheia imunda e ameaçou afundar a sociedade numa inundação de lama. Aos documentos.

    Em 1552 escrevia Staupitz a Lutero que a sua doutrina só era abraçada pelos que “lupanaria colunt”. Fonte: De Wette, II, 215.

    “Sob este reino do Evangelho, dizia Wizel, vêem-se homens e mulheres que no mesmo dia da morte do próprio consorte já se ocupam em lhe dar sucessor.

    “Há quem creia de boa fé ser consoante ao espírito do evangelho não ficar um instante sem mulher e tema pecar conservando-se alguns meses em estado de viuvez”.

    Fonte: Wizel, Von den todten und ihrem Begraebnisse,Leipzig, 1536, G. a B.

    “Desde que Lutero, é Czecanovius quem fala, arvorou o estandarte da incontinência, todos os que comem, bebem e sentem o aguilhão das paixões animais, correram sem pejo a alistar-se sob a nova bandeira.

    Os jovens não cessam de entregar-se abertamente à dissolução... e as jovens desonradas sabem, como os jovens, entrincheirar-se nos seus vícios com as leis de Lutero”.


    Extinguindo a santidade do matrimônio com a pastoral ‘misericordiosa’ de Lutero
    o inferno entrou na família.

    Fonte
    : Sylvester Czecanovius, De corruptis moribus utriusque partis, pontificorum videlicet et evangelicorum, s. l. et a. F. 3. ss.
    A imoralidade subiu a tal ponto que no dizer de Ossiandro (1537):

    “coisa monstruosa! a inocência e a honra das mulheres correm justamente maiores perigos entre os que mais interesse têm em conservá-las, entre os próprios parentes”.

    Fonte
    : Osiander, V. d. verbotenen Heirathen,A. 2.

    Aos lamentos individuais vêm associar-se as medidas de ordem pública.

    Em Norimberga vemos que nos anos de 1524, 1525 e 1527 o conselho não pôde dar vazão aos processos de bigamia que se amontoavam de um dia para outro; por este motivo, dirige-se aos doutos para saber que providências cumpria adotar a fim de obviar as graves consequências da nova doutrina sobre o matrimônio.

    Fonte: Cfr. Nürnberg Rathsbücher,1524, Fasc. III, fol. 6; 1525, Fasc. XI, f. 9, II, 16; 1527; Fasc. XIV, f. 2, 5.

    Em Würtemberg, no ano de 1534, promulga-se uma ordenação contra as pessoas brutais que, conculcando os sentimentos do pudor mais rudimentar entre povos civilizados, não se pejavam de contrair matrimônios com consanguíneos do 3º e 2º grau (entre irmãos e irmãs: Lutero declarara lícitas semelhantes uniões).

    Na lei sobre o matrimônio publicada em 1586, na mesma cidade, queixava-se o legislador “que a dissolução se tomava tão comum que apenas se considerava como pecado”.

    Fonte: Sattler, Würtemberg, Gesch, III, Beil, p. 140; V. 102.

    No principado de Ansprach, uma memória dirigida em 1530 ao margrave Jorge pede-lhe:

    “a fundação nos seus estados de um tribunal matrimonial para dar despacho ao grande número de petições de separação e processos de adultério, para os quais já não eram bastantes os juízes ordinários”.

    Dois anos depois André Altamer suplicava de novo ao príncipe

    “quisesse levar em séria consideração a frequência, de dia para dia, mais notável, dos adultérios, a fim de que se possam determinar os meios de repressão de tão grande mal e ao mesmo tempo pôr obstáculos ao divórcio e ao concubinato que, a se descurarem, acabarão por invadir toda a sociedade”.

    Fonte: Religionsakta, t. XI. Ver a miscelânea em apêndice.
    Trocava-se de mulher como se troca de roupa branca ou de cavalo

    Na Saxônia, na Prússia, no Brunswick e no Hannover idênticas providências públicas contra a corrupção introduzida pela Reforma.

    Fora da Alemanha, o puro evangelho produziu os mesmos efeitos desastrosos.

    Na Dinamarca, Frederico II, em 1576, toma sérias medidas contra as transgressões do 6º mandamento.

    “Assim o fazemos, rezava o decreto, em consideração das inumeráveis queixas que nos chegaram da medonha libertinagem que reina presentemente em nossos estados entre jovens e senhoras casadas. ...”

    Na Suécia, uma ordenação de 1554 chama a atenção dos magistrados contra o mesmo vício,

    “visto como os habitantes das fronteiras que fazem frequentes viagens entre a Suécia e a Dinamarca não costumam ligar grande importância aos vínculos contraídos, tomam e deixam sucessivamente várias mulheres como quem muda de roupa branca ou de cavalos”.

    Na Noruega, dirigida a Frederico IV em 1714, os “bispos” confessam que:

    “com exceção de poucos filhos de Deus, entre nós e os pagãos, nossos ascendentes só há uma diferença: é que nós temos o nome de cristãos”.

    Fonte: Cit. por Doellinger, Kirche und Kirchen, München, 1861, p. 362.

    Na Inglaterra, o próprio Henrique VIII declara ao parlamento que as consequências imediatas da Reforma foram

    “a caridade esmorecida, a lei de Deus desprezada, a avareza, a opressão, o homicídio, a venalidade da justiça, a corrupção do clero, o adultério, a libertinagem, a inveja nos grandes, a insolência e a revolta do povo”.

    Fonte: Cit Aug. Nicolas, Du protestantisme et de toutes les hérésies dans leur rapport avec le socialisme, L. III, c. 4 (na trad. italiana, Milano, 1857, p. 238).




    O ‘reino do Evangelho’ vira ‘império da embriaguez e de todos os vícios’


    Lutero: “Quando eu era jovem, a embriaguez era grande ignomínia
    ... (agora) a Alemanha é um país pobre, ferido pelo diabo do copo
    e de todo submergido neste vício”
    Ilustração: 'O vinho da festa de São Martinho'.
    Pieter Bruegel (1525-1530 — 1569), detalhe.

    Companheiras inseparáveis da impureza são a embriaguez e a crápula; uma não cresce sem que se desenvolvam as outras.

    “Os nossos bons velhos, diz o reformador Diogo André, não admitiam os bêbados em nenhuma função pública; o mundo os detestava; as crianças perseguíam-nos nos campos com gritos e apupos como a seres abjetos e opróbrio da espécie humana.

    “Ora, se estes eram os sentimentos dos nossos pais, num tempo em que o mundo vivia ainda nas trevas da idolatria papística, como nos poderemos justificar diante de Deus, nós que retouçamos na crápula entre os esplendores da luz evangélica?

    “Perguntará talvez alguém como explicar que poucos anos tenham bastado a soltar as rédeas a vicio tão execrando e que os nossos maiores tinham em tanto horror.

    “Ao que responderei que só por malefício do demônio se poderá explicar tão grande mal”.

    Fonte: Jacobus Andreas, Erinnerung nach dem Lauf der Planeten gestellt, Tübingen, 1568, p. 440.
    Veit Dietrich: “de todos os lados se clama que os homens
    são hoje piores que antes da propagação do evangelho...
    não se via outrora esse exército de sórdidos avarentos e onzeneiros”.
    A Festa de Baco, Diego Velázquez (c.1628-9)

    Com André concorda o próprio Lutero.

    “Quando eu era jovem, a embriaguez era uma grande ignomínia na nobreza... mas presentemente ela é mais frequente entre os nobres que entre os camponeses.

    “Seu horror e vergonha contaminou também a juventude que aprende dos velhos... Por isso, a Alemanha é um país pobre, castigado e ferido pelo diabo do copo e de todo submergido neste vício”.

    Fonte: Erl., VIII, 293 ss.

    Leia-se todo este lugar. Por esse tempo chegou a formar-se na Alemanha uma ordem de beberrões, provavelmente em substituição das antigas ordens monásticas.

    Primeira condição para ser nela admitido era a capacidade de beber bem. O resto seguia-se naturalmente...

    Nos charcos da dissolução não há seiva para o espírito de sacrifício e sem sacrifício definha e morre a mais bela das virtudes, a caridade cristã.

    Em seu lugar crescem e desenvolvem-se todos os vícios que gravitam em torno do egoísmo: avareza, usura, rapacidade, ambição, opressão de fracos e pobres. é o triste espetáculo que ainda nos oferece a Reforma.

    “De todos os lados se clama que os homens são hoje piores que antes da propagação do evangelho. Com efeito não se via outrora esse exército de sórdidos avarentos e onzeneiros que são a vergonha do nosso tempo...

    “Os que outrora eram acusados de usurários eram santos em confronto destes ignóbeis judeus que, se bem se contem entre as pessoas honestas, engordam hoje com a substância dos pobres...




    A tentação de Santo Antônio.
    Hyeronimus Bosch (ca. 1450-1516), detalhe.

    “De que poderá isto provir? O mundo acusa a boa semente, a santa palavra e é natural.

    “Os papistas, nossos adversários, não são tão cegos que não vejam o escândalo, a avareza, o egoísmo, a cobiça, a usura, o orgulho, o luxo, a intemperança, a blasfêmia, a libertinagem, a mentira, etc., que se acobertam com o Evangelho.

    “Dizem que todas estas abominações são seus frutos. Se a doutrina fosse boa, argumentam eles, os costumes seriam como ela. Não há dúvida que tudo isso causa grande prejuízo ao nosso evangelho”.

    Fonte: Veit Dietrich, Kinderpostille, Nürnberg, 1546, f. 34, 62, 76..

    Excelente, precioso evangelho!

    “Lançai um olhar sobre as transações cotidianas assim entre pastores: como entre a gente do mundo. Que vedes senão egoísmo, avareza, rapacidade?

    “Hoje, reina o dinheiro. Combatem-se, dilaceram-se, arruínam-se mutuamente os homens só por havê-lo...

    “Refinaram com tanta sutileza os meios de ganhar e gozar que se chegou a perder o sentimento da vergonha e do opróbrio...

    “Não há mais consciência, não há mais remorso desde que os homens se persuadiram que as obras não valem e que só a fé basta para a salvação”.

    Fonte: Frank's Chronik, I, F. 262, a. b. Ed. 1565.

    Infelizmente é-me necessário ter mão nas citações, que se poderiam ainda multiplicar sem outra dificuldade que a da escolha.




    Desaparição do amor e do respeito ao pobre



    Não posso, porém, deixar de chamar a atenção dos leitores para as modificações introduzidas pela Reforma nas relações de caridade entre ricos e pobres.

    A introdução do protestantismo vibrou um golpe de morte contra o espírito da fraternidade cristã.

    Desapareceram o amor e o respeito ao pobre.

    Aboliram-se, aos poucos, os santos costumes que tanto contribuíam para estreitar os laços de simpatia entre os que a Providência desigualou na fortuna.

    É impossível não ver nesta ruptura com as tradições da genuína caridade cristã a primeira origem das rivalidades e ódios de classes que, aumentando com a revolução francesa, vieram em nossos dias a desencadear-se como verdadeiro cataclismo social, que ameaça a estabilidade da civilização moderna.

    Fiéis ao nosso programa, demos a palavra a testemunhas contemporâneas.

    “No passado havia cristãos que amavam os pobres ao extremo de chamá-los seus senhores, seus filhos; lavavam-lhes os pés; davam-lhes de comer, serviam-nos à mesa como nosso Senhor Jesus Cristo.

    “Hoje, se lhes proíbe a entrada nas cidades; expulsam-nos e fecham-lhes a porta no rosto como se foram réprobos e inimigos públicos...

    “Que purificação da Igreja! Que Reforma! Que elementos de união e de concórdia!”.

    Fonte: Wizel, Relectio luterismi, II, f. 91-246.

    Falando do pauperismo na Inglaterra, tivemos ensejo de notar como entre os protestantes se perpetuou semelhante maneira de tratar a pobreza desvalida.

    “Era uso antigo na Saxônia, diz-nos outro reformador, quando se convidava algum estranho, de trazer uma grande bandeja, chamada a bandeja de Deus, na qual de todos os pratos se punha uma porção para os pobres.

    “Este caridoso uso infelizmente já vai muito em decadência nas nossas famílias. Era também costume nos domingos e dias de festa oferecer jantar a algum pobre pensionário do hospital ou a outro indigente.

    “Hoje só em poucas famílias se conserva esta boa usança”.

    Fonte: Chemnitz, Postille, p. 517. Sermão para a XVII Dom. depois da SS. Trindade.

    Façamos ponto aqui e concluamos. Evidentemente, a Reforma traz no seu nome o mais pungente dos epigramas. A história no-la mostra, como um grande aborto moral.

    Em baixo deste quadro de cores tão carregadas escrevei as inocentes palavras do Sr. Carlos Pereira:

    “A Reforma pôs um dique a esses desregramentos... o puritanismo protestante salvou o mundo da completa dissolução dos costumes”.

    Bibliografia
    .



    Balmes, El protestantismo comparado con el catolicismo,c 23-32;

    Baudrillart, L'Eglise calholique, la Renaissance et le Protestantisme, Paris, 1908 ;

    H. Denifle, Luther und Luthertum in der ersten quellenmaessig dargestellt, Mainz, 1904, t. 1 passim ;

    Doellinger, Die Reformation, ihre innere Entwicklung und ihre Wirhungem im Umfange des lutherischen Bekenntnissen,Regensburg, 1846-1848, t. II, pp. 427-452 ; t. III;

    Grisar, Luther, Freiburg i. B., 1911, c. 21, pp. 538-63 ;

    Janssen, Geschichte des deustschen Volkes t. VIII, Freiburg i. B., 1894 pp. 359-493;

    Auguste Nicolas, Du protestantisme et de toutes les hérésies dans leur rapport avec le socialisme, l. II, cc. 4-5; l. 111, c 4 ;

    Henry O' Connor, The only reliable evidence concerning Martin Luther, London, Burns & Oates, 1884, pp. 50-57.
    FIM



    Autor: Pe Leonel Franca S.J., “A Igreja, a Reforma e a Civilização”, in Obras completas do Pe Leonel Franca S.J., vol. II, 7ª ed., Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro, 1958. (págs. 375-405)
    O livro “A Igreja, a Reforma e a Civilização” do Pe. Leonel Franca S.J.



    Luz de Cristo x trevas da irracionalidade: Pe. Leonel Franca S.J.

  5. #65
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    Re: Lutero, no y no

    Profissão de fé de São Pedro Canísio S.J.: “abomino Lutero, detesto Calvino, amaldiçoo todos os hereges”

    São Pedro Canísio S.J. (1521-1597).
    Doutor da Igreja chamado “Martelo dos Hereges”.
    São Pedro Canísio S. J. (1521-1597), holandês foi o primeiro jesuíta da província alemã da Companhia de Jesus.

    É considerado pela Igreja como o segundo mais importante apóstolo da fé católica na Alemanha, após São Bonifácio.

    Foi apelidado “Martelo dos Hereges” pela clareza e eloquência com que criticava as posições dos cristãos não católicos. Foi canonizado e proclamado Doutor da Igreja pelo Papa Pio XI em 1925.

    Veja mais sobre a vida de São Pedro Canísio em CATOLICISMO.

    Assim reza a Profissão de fé do santo e douto jesuíta:

    Professo diante de Vós a minha fé, Pai e Senhor do Céu e da terra, Criador e Redentor meu, minha força e minha salvação, que desde os meus mais tenros anos não cessastes de nutrir-me com o pão sagrado da vossa Palavra e de confortar o meu coração.

    A fim de que eu não vagasse, errando como as ovelhas transviadas que não têm pastor, Vós me congregastes no seio de vossa Igreja; colhido, me educastes; educado, continuastes a me ensinar com a voz daqueles Pastores nos quais Vós quereis ser ouvido e obedecido como em pessoa pelos vossos fiéis.

    Confesso em alta voz, para a minha salvação, tudo aquilo que os católicos sempre acreditaram de bom direito em seus corações.

    Abomino Lutero, detesto Calvino, amaldiçoo todos os hereges; não quero ter nada em comum com eles, porque não falam nem ouvem retamente, nem possuem a única regra da verdadeira Fé proposta pela Igreja una santa católica apostólica e romana.

    Uno-me, em vez disso, na comunhão, abraço a fé, sigo a religião e aprovo a doutrina daqueles que ouvem e seguem a Cristo, não apenas quando ensina nas Escrituras, mas também quando julga pela boca dos Concílios Ecumênicos e define pela boca da Cátedra de Pedro, testemunhando-a com a autoridade dos Padres.

    Professo-me também filho daquela Igreja romana que os ímpios blasfemos desprezam, perseguem e abominam como se fosse anticristã; não me afasto de nenhum ponto de sua autoridade, nem me recuso a dar a vida e derramar o meu sangue em sua defesa, e creio que os méritos de Cristo podem obter a minha salvação e a de outros somente na unidade desta mesma Igreja.

    São Pedro Canísio S.J. col priv.
    O segundo maior apóstolo da fé católica na Alemanha.
    Professo francamente, com São Jerônimo, de ser unido com quem é unido à Cátedra de Pedro, e protesto, com Santo Ambrósio, seguir em todas as coisas aquela Igreja romana que reconheço respeitosamente, com São Cipriano, como raiz e mãe da Igreja universal.

    Confesso essa Fé e doutrina que aprendi ainda criança, confirmei na juventude, ensinei como adulto, e que agora, com minha força débil, defendi.

    Ao fazer esta profissão, não me move outro motivo senão a glória e honra de Deus, a consciência da verdade, a autoridade das Sagradas Escrituras, o sentimento e o consenso dos Padres da Igreja, o testemunho de fé que devo dar aos meus irmãos e, finalmente, a salvação eterna que espero no Céu e a felicidade prometida aos verdadeiros fiéis.

    Se acontecer de eu vir a ser desprezado, maltratado e perseguido por causa desta minha profissão, considerá-lo-ei uma graça e um favor extraordinários, porque isso significará que Vós, meu Deus, me destes a ocasião de sofrer pela justiça e não quereis que me sejam benevolentes aqueles que, como inimigos declarados da Igreja e da verdade católica, não podem ser vossos amigos.

    No entanto, perdoai-os, Senhor, porque, instigados pelo diabo e cegados pelo brilho de uma falsa doutrina, não sabem o que fazem, ou não querem saber.

    Concedei-me, contudo, esta graça: de que na vida e na morte eu renda sempre um testemunho autêntico da sinceridade e fidelidade que devo a Vós, à Igreja e à verdade, que não me afaste jamais do vosso santo amor, e que esteja em comunhão com aqueles que Vos temem e guardam os vossos preceitos na Santa Igreja romana, a cujo juízo, com ânimo pronto e respeitoso, eu me submeto e toda a minha obra.

    Todos os santos, triunfantes no Céu ou militantes na terra, que estais indissoluvelmente unidos no vínculo da paz na Igreja Católica, mostrai a vossa imensa bondade e rezai por mim.

    Vós sois o princípio e o fim de todos os meus bens; a Vós sejam dados, em tudo e por tudo, louvor, honra e glória sempiterna. Amém.


    (Fonte: Pe. Benigno Hernández Montes, S.J. (1936-1996), “San Pedro Canisio, autobiografia y otros escritos”, Editorial Sal Terrae, Santander, 2004, 366 páginas. Cfr. páginas 121 e 122. Link: CLIQUE AQUI)

    Nota do Autor: 97. Esta profissão de fé foi impressa por Canísio em vários de seus livros a partir de 1571, ano em que a publicou por vez primeira em sua Summa doctrinae christianae.

    As principais razões desta pública profissão da fé foram que em 1568 espalhou-se em algumas regiões que Canísio tinha ficado protestante e que alguns de seus adversários (como Felipe Melanchton, João Marbach e João Gnyphaeus) afirmavam em seus livros que Canísio defendia a doutrina católica malgrado saber que era falsa.

    Nesta belíssima página Canísio manifesta sua firmeza na fé católica, sua adesão inquebrantável à Igreja de Roma e ao Sumo Pontífice, seu rechaço frontal do protestantismo e a disposição a dar sua vida pela Fé católica. (id. ibid., p. 121)


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  6. #66
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    Re: Lutero, no y no

    Nueva York, junio 2017, mes del Sagrado Corazón de Jesús. El pasado mes de abril se puso a la venta el libro Luther and His Progeny. 500 Years of Protestantism & Its Consequences for Church, State, and Society (Lutero y su progenie. 500 años de protestantismo. Sus consecuencias para la Iglesia, el Estado y la sociedad). Una edición al cuidado del Profesor John C. Rao que reúne las intervenciones en el XXIV simposio veraniego de The Roman Forum, celebrado hace un año en Gardone Riviera. Éste se inscribió en la serie de congresos y actos varios que iniciara en abril de 2016 el Consejo de Estudios Hispánicos Felipe II junto con la Asociación Mexicana de Juristas Católicos, para contrarrestar la exaltación de la Protesta luterana que, contra la Fe y contra la historia, desencadenaría poco después el establishment vaticanosegundista.

    El volumen que ahora reseñamos viene también a unirse a las publicaciones de gran envergadura que sobre el mismo tema han ido apareciendo durante los últimos meses. De las cuales fueron también pioneras las promovidas por el Consejo Felipe II. Tras una introducción cuyo título ("Medio milenio de depravación total, 1517-2017") remite al de las jornadas de Gardone Riviera en las que hubo origen, Luther and His Progeny se abre con un ensayo de su propio editor, seguido de otros --de interés variable-- por Thomas H. Stark, Sebastian Morello, Miguel Ayuso, Christopher A. Ferrara, Richard A. Munkelt, Brian M. McCall, Brian Muzas, Ignacio Barreiro Carámbula, John Hunwicke y Clemens Cavallin. Doscientas noventa densas páginas que cubren múltiples aspectos sobre el heresiarca, sobre el luteranismo y sobre sus consecuencias en todos los órdenes.

    Puede verse parte de sus páginas en Amazon, y consultarse diversas opiniones sobre el libro en la web de Angelico Press.


    AA.VV. (Rao, John C., ed.), Luther and His Progeny. 500 Years of Protestantism & Its Consequences for Church, State, and Society. Angelico Press, Kettering 2017. 290 páginas. ISBN (rústica) 978-1-62138-254-6. ISBN (tela) 978-1-62138-255-3.


    Agencia FARO

  7. #67
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    Re: Lutero, no y no

    Martín Lutero: mitos y realidades

    Las celebraciones en torno al quinto centenario del cisma luterano, que impulsó el monje agustino, obvian los aspectos más oscuros de su figura y legado. El manto religioso oculta un conflicto político y nacionalista


    MARÍA ELVIRA ROCA BAREA


    Dice la leyenda que el 31 de octubre de 1517 el monje agustino Martín Lutero (1483-1546), escandalizado por el vergonzoso espec*táculo que la Iglesia ofrecía e indignado por la venta de indulgencias, clavó en las puertas de laiglesia de Wittenberg las 95 tesis que desafiaban el poder de Roma. Se cumplen por tanto 500 años y Alemania está celebrando con fasto este aniversario. Merkel y Obamahomenajearon el 25 de mayo a Lutero en la puerta de Brandeburgo y por las mismas fechas se inauguró una espectacular exposición en Wittenberg. Esto, por citar sólo alguno de los eventos más destacados. Desde que acabó la II Guerra Mundial los aniversarios luteranos (nacimiento, muerte, 95 tesis, iluminación divina durante la tormenta de 1505…) apenas revestían relevancia. Pero ahora esto ha cambiado. ¿Por qué?

    El gesto descrito a las puertas de la iglesia de Wittenberg es la representación mítica y ritual de lo que significó Martín Lutero para el entonces llamado Sacro Imperio Germánico. Hace mucho que se duda de que clavara sus tesis; las menciones al acto desafiante aparecen mucho después conforme se va adornando y mitificando al personaje Lutero y al cisma que trajo consigo. Pero, si non è vero, è ben trovato. Resulta mucho menos heroico mandar por correo —que es lo que con toda probabilidad sucedió— el texto de protesta al obispo de Maguncia. Así que el gesto simbólico conserva hoy toda su prosopopeya teatral pero era mucho más épico en aquel tiempo, porque el hombre del siglo XVI sabía que este era el modo en que se daban a conocer los llamados carteles de desafío, con los que un caballero insultaba públicamente a otro y le retaba a duelo. Había que responder, si no, quedaba deshonrado para siempre. Hay en la figura de Lutero un componente de heroísmo a toro pasado muy interesante para comprender su significado en la historia de Alemania y sí, no se sorprenda el lector, en la de España.


    El cisma luterano es la manifestación de un problema político, y haberlo mantenido en el orbe de lo religioso enturbia completamente su comprensión. A través de él se expresa el nacionalismo germánico de la primera hora y por eso Martín Lutero es celebrado y exaltado en Alemania cada vez que a ese nacionalismo le sube la temperatura. Desde la II Guerra Mundial no se ha conmemorado de manera significativa ninguna efemérides luterana. En 1983 pasó sin pena ni gloria en la RFA el quinto centenario del nacimiento de Martín Luteroque tan festejado fue en tiempos de Bismarck. Así, por ejemplo, el 10 de noviembre de 1883, el emperador Guillermo I encabezó el desfile del cuarto centenario del nacimiento de Martín Lutero en Eisleben.


    Lutero fue el gran valedor de las oligarquías, el garante religioso de un feudalismo tardío que mantuvo a Alemania en el atraso y la pobreza



    En Historia del año 1883 Emilio Castelar escribe: “Los pueblos protestantes han celebrado el cuarto centenario de Lutero con universales jubilaciones”; y también que aunque “los católicos y los protestantes de Alemania no han podido acordarse para celebrar al creyente, se han acordado para celebrar al patriota”. Pero lo más interesante es el colofón: “Nosotros, que no pertenecemos a la religión luterana ni a la raza germánica, españoles y católicos de nacimiento, podemos celebrar sin escrúpulo al que, iniciando la libertad de pensamiento y examen, ha iniciado las revoluciones modernas, a cuya virtud hemos roto nuestras cadenas de siervos y proclamado la universalidad de la justicia y del derecho”. No necesitamos por tanto ir a Wittenberg y leer los textos que comentan la espectacular exposición. Lo que allí se cuenta es exactamente lo mismo que Castelar nos dice: Lutero, el padre de la libertad religiosa en Europa; Lutero, el héroe por cuyo esfuerzo sin par este continente se libró de las tinieblas y de la esclavitud. Dice Castelar que “hemos roto nuestras cadenas”. A Lutero le debemos nada menos que “la justicia y el derecho”, porque resulta evidente que los españoles no teníamos. Qué simpático resulta esto de que los hijos de Roma desconozcan el Derecho, los pobres.

    Y, claro está, si Lutero rompe cadenas es que había cadenas que romper y alguien las había puesto. Si trae la libertad de pensamiento es que tal cosa no existía, ¿y quién lo impedía? No hace falta ni nombrarlo pero está ahí, constantemente presente: el oscuro y siniestro Imperio español y católico. Para que el héroe Lutero exista tiene que haber un monstruo al que él se enfrente. Si no hay monstruo, no hay héroe. Quien visita hoy Wittenberg o cualquiera de las muchas exposiciones y celebraciones que pueden verse en Alemania, incluso si es español y católico —especialmente si es español y católico— no ve el decorado que hace posible el brillo germánico. Cuando digo católico no quiero decir creyente. La fe es irrelevante en este contexto. Nos referimos a quienes han nacido en un país de cultura católica. Porque ese relumbrón germánico ha necesitado siglo tras siglo como condición sine qua non para su exaltación que el sur mediterráneo sea oscuro y atrasado, inmoral y decadente, vago y poco fiable. Es en tiempos de Lutero cuando el adjetivo welsch —una denominación geográfica poco precisa para referirse al sur— pasó a significar latino o románico, y malvado e inmoral al mismo tiempo.


    La “libertad luterana” no resiste una mirada cercana y libre de prejuicios. Comenzó provocando una guerra espantosa que se llamó la Guerra de los Campesinos y que dejó más de 100.000 muertos en los campos del Sacro Imperio. Porque los campesinos se creyeron de verdad aquellas exaltadas predicaciones en boca de Lutero y de otros que clamaban contra las riquezas acumuladas por los poderosos de la tierra con Roma como garante de tales injusticias. Esto provocó una convulsión social como no se ha conocido otra enEuropa hasta la Revolución Francesa. Los príncipes alemanes, cuyo propósito era básicamente oponerse al emperador, no pensaron que alentar aquella efervescencia antisistema (Carlos V y el catolicismo) pudiera volverse contra ellos, pero tuvieron que enfrentarse a una revuelta de proporciones gigantescas. Algunos clérigos revolucionarios como Müntzer, llamado el teólogo de la revolución, se mantuvieron fieles a sus principios hasta el final y fueron ejecutados, pero Lutero decidió sobrevivir. Desde comienzos de 1525, tras la muerte de Hutten y Sickingen, los dos cabecillas revolucionarios que lo habían amparado, Lutero se pone al servicio de los príncipes alemanes y alienta la violencia brutal con que los grandes señores germánicos acabaron con estas rebeliones de campesinos: “contra las hordas asesinas y ladronas mojo mi pluma en sangre, sus integrantes deben ser estrangulados, aniquilados, apuñalados, en secreto o públicamente, como se mata a los perros rabiosos”.


    Desde entonces Lutero se convierte en el gran valedor de las oligarquías señoriales, en el garante teológico de un feudalismo tardío que mantuvo a Alemania en un estado de pobreza y atraso ya superado en España y en la mayor parte del sur. El enquistamiento por la vía religiosa de estas oligarquías impidió la unificación de Alemania e hizo posible una supervivencia anómala del sistema feudal en esa parte de Europa. Casi todo el mundo sabe que el régimen de los siervos duró en Rusia hasta el siglo XIX, pero se ignora que en Alemania también, notablemente en las zonas protestantes. Uno de los primeros estados en abolir las leyes de servidumbre fue la católica Baviera en 1808, pero el proceso no culminó hasta mediados del siglo en la zona oriental. Bien. Esto por lo que respecta a Lutero como libertador social. Vamos ahora a Lutero como libertador mental.

    Casi la cuarta parte de las propiedades del Sacro Imperio cambiaron de manos. No hubo un latrocinio igual hasta la Revolución Rusa


    Libertad religiosa o libre examen son dos iconos lingüísticos acuñados por Lutero que no tuvieron nunca un reflejo en la realidad, como demuestra primero la lógica y luego la historia.

    Supuestamente el libre examen significa que el cristiano debe entenderse con Dios directamente a través de los textos sagrados, sin intermediarios gravosos e inmorales como “los romanos” (así llamaba Lutero al clero católico, aunque fuesen tan alemanes como él). Si esto es así, hay una consecuencia inmediata: la desaparición del clero por innecesario. La evidencia demuestra que esto jamás sucedió, porque Lutero no operó la destrucción de las iglesias, sino que creó otra. Ni Lutero dejó de ser clérigo, ni disminuyó el número de ellos en el Sacro Imperio. Simplemente se formó un nuevo cuerpo sacerdotal que también condujo al rebaño hacia donde debía ir. Solo que ahora ese cuerpo de pastores sirve únicamente al señor del territorio (y no a un papa extranjero y a un emperador aliado con el mundo welsch) que es el que le da de comer. Si le sirve bien, como hizo Lutero, vivirá bien. Vivirá incluso mejor que con los “romanos” y, así, Lutero recibió del príncipe de Sajonia, como primera prueba de gratitud, el que había sido su antiguo convento en Wittenberg. Es un muy bello palacio, donde se instaló con su nueva esposa, sus parientes y sus criados. Había nacido en el seno de una familia muy humilde y estos lujos, como monje agustino, no se los hubiera podido permitir nunca. Y no tocaremos aquí más el asunto de las críticas feroces contra los lujos del clero “romano”.


    La libertad religiosa es probablemente el tótem lingüístico más afortunado de Martín Lutero. Ha sido y es ininterrumpidamente esgrimido frente a las tinieblas del catolicismo y de su nación defensora por antonomasia, España. No hace falta siquiera pensar mucho para ver a dónde va a parar la libertad luterana. Si tal cosa hubiera existido alguna vez, siquiera teóricamente, también los católicos u otras facciones protestantes hubieran tenido derecho a ella. Si el cristiano es libre para interpretar los textos sagrados, entonces, también la interpretación católica es posible y debe ser aceptada. Y debería haber sido respetada en consonancia con la “libertad religiosa” que Lutero y sus diáconos predicaban. Si la lógica humana no es una patraña desde su misma raíz, esto es así. Pero lo cierto es que el nuevo clero creó una versión del cristianismo que fue la única aceptable y todas las demás fueron proscritas y perseguidas; la católica por supuesto, pero también los anabaptistas, calvinistas, menonitas, etcétera.


    Se le esgrime como adalid de la libertad religiosa, pero el clero luterano proscribió y persiguió las demás versiones del cristianismo



    Sin embargo, siglo tras siglo, Lutero se ha paseado por la historia de Europa inmune a la verdad, a los hechos y a la lógica. Puede el lector teclear en Internet en algún buscador la secuencia “Lutero libertad religiosa” y verá. Si lo hace en inglés y alemán, se quedará pasmado. Podríamos llevar este juego perverso con las palabras un poco más lejos y exasperar los argumentos históricos habitualmente aceptados. Porque aplicar la “libertad religiosa” en sentido luterano es lo que hicieron los Reyes Católicos en España, a saber, que todos los súbditos deben tener la misma religión que su señor terrenal. Este es el principio conocido como cuius regio, eius religio, y dio cobertura legal a los príncipes alemanes para obligar a las poblaciones de sus territorios a hacerse protestantes, lo quisieran o no, y no siempre con persuasivos y pacíficos sermones. Pero es evidente que los Reyes Católicos no pueden ser padres de la libertad religiosa, aunque hicieron exactamente lo mismo, porque, como dice Castelar, nosotros no somos luteranos ni pertenecemos a la raza germánica.

    A estas alturas ya estará preguntándose ¿pero por qué tenían este empeño los príncipes alemanes en hacerse protestantes? Pues no es difícil tampoco de explicar, pero para eso, como señalamos más arriba, hay que salirse del terreno religioso, de la superioridad moral y de las palabras totémicas donde empeñosamente ha insistido todo el protestantismo en situar aquel sangriento conflicto. Casi una cuarta parte de los bienes raíces del Sacro Imperio cambiaron de manos, entre las confiscaciones de propiedades eclesiásticas y las de aquellos que abandonaron los territorios protestantes por negarse a acatar la conversión forzosa. Hasta la Revolución Rusa no ha habido latrocinio comparable en Occidente. Pero, claro está, no los llamamos así, porque el uno tenía una cobertura teológica y el otro una cobertura ideológica. En definitiva: una justificación moral. Esto naturalmente no se lo van a contar al visitante en la magna exposición de Wittenberg.


    Fue furiosamente antisemita y prefigura el programa nazi. La noche de los Cristales Rotos se hizo en honor a su 450 cumpleaños



    Lutero fue no solamente anti-latino sino furiosamente antisemita. El filósofo alemán Karl Jaspers escribió que el programa nazi está prefigurado en Martín Lutero, que dedicó a los judíos párrafos espeluznantes: “Debemos primeramente prender fuego a sus sinagogas y escuelas, sepultar y cubrir con basura a lo que no prendamos fuego, para que ningún hombre vuelva a ver de ellos piedra o ceniza”. El primer gran pogromo de 1938, la noche de los Cristales Rotos, fue justificado como una operación piadosa en honor de Martín Lutero, por su 450 cumpleaños. A las elecciones de 1933 concurrió Hitler con un soberbio cartel donde la imagen de Lutero y la cruz gamada aparecen juntas. Las celebraciones luteranas de los nazis fueron espectaculares. Con idéntica ferocidad alentó y justificó Lutero la quema de brujas, que dejó en Alemania no menos de 25.000 víctimas, según Henningsen. Llevamos tantos miles, millones de muertos con este asunto que es mejor no hacer cuentas.

    Pero no hay de qué avergonzarse. Alemania celebra sin disimulo a Martín Lutero porque se siente bien, porque Lutero es el padre del nacionalismo alemán y de su iglesia y tiene por lo tanto… indulgencia teológica. Desde que se produjo la reunificación y vino luego el euro como mágico elixir, Alemania está en un tiempo nuevo y afronta sin sombras una hegemonía europea incontestada. Gran Bretaña ha desertado del barco de la Unión y Francia no está en condiciones de enfrentarse a la indiscutible supremacía germánica. Ni España ni Italia parecen darse mucha cuenta de cuán necesarias son para compensar esta hegemonía y andan perdidas, sin poder superar el complejo de inferioridad que asumieron hace siglos. Porque con todo esto llegamos al gran asunto que aquí se ventila: el de la superioridad moral frente al porcino mundo no protestante, en el cual vivimos y que ha sido tan absolutamente asumida que muchos de nuestros periódicos, como en tiempos de Castelar, se han sumado gozosos a la celebración luterana, tan ciegos y tan perdidos en el laberinto de su propia inferioridad hoy como hace 100 años.



    María Elvira Roca Barea
    es filóloga y autora de ‘Imperiofobia y Leyenda Negra’ (Siruela).


    https://internacional.elpais.com/int...89_505462.html






  8. #68
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    Re: Lutero, no y no

    Visto en ABC.es:

    Sociedad

    ¿Qué opinaba Lutero del islam?

    Sus escritos y declaraciones llevaron a algunos príncipes protestantes a defender el principio de que es «mejor el turbante que la tiara»

    FRANCISCO DE ANDRÉS

    04/09/2017 18:51h - Actualizado: 05/09/2017 11:18h.

    Guardado en:
    Sociedad

    Han pasado 500 años desde que Martín Lutero clavara sus 95 tesis en la puerta de la iglesia del castillo de Wittenberg, acto simbólico de la reforma protestante que cambió el orbe cristiano. La división que se produjo en el XVI en el mundo católico afectó profundamente a la Iglesia y a los cálculos políticos de los monarcas europeos, pero -salvo excepciones- no disminuyó el terror en ambos bandos ante la ofensiva musulmana sobre el Viejo Continente dirigida por el sultán turco. Hoy como ayer, católicos y protestantes en Europa coinciden en su temor ante el islam radical que difunde el terror en las grandes ciudades. El miedo nos une, pero la lectura del desafío intelectual que plantea la doctrina de Mahoma difiere en algunos presupuestos.

    ¿Qué opinaba Lutero de los musulmanes, después de romper con Roma? El reformador escribió y habló en muchas ocasiones del peligro otomano que mantenía en suspenso a la Europa del siglo XVI, pese a que, según el historiador Franco Cardini («Nosotros y el islam») Lutero no tenía en realidad una idea muy clara de la doctrina mahometana. En ocasiones la calificaba de secta herética y otras veces de religión. El ex fraile agustino alemán no tenía dudas a la hora de referirse a Mahoma como el «cuerno pequeño» de la visión del profeta Daniel, el Anticristo que también identificaba con el Papa.

    Pero en general, los escritos del fundador del protestantismo reflejan muchas incoherencias al hablar del islam, que Lutero solo conocía a raíz del poder político y militar de la Sublime Puerta. A veces admiraba sus prácticas morales y otras reprochaba su credo. Esa ambigüedad justificó más tarde la política de algunos príncipes protestantes a la hora de sellar alianzas puntuales con los turcos para combatir al emperador católico y al obispo de Roma, que muchos luteranos consideraban peores que el islam. «Mejor el turbante que la tiara», era el lema que habían heredado de Bizancio.

    En el plano ideológico, el protestantismo sintoniza con el islam en algunos de los terrenos en que se aleja del catolicismo. Por ejemplo, en su rechazo del sacerdocio; para el luteranismo no existe necesidad de una mediación entre el hombre y Dios, tal como también establece el Corán. Además, el protestantismo tiene una semilla iconoclasta -rechazo a las imágenes sagradas- que ha alcanzado su apogeo en el islam, en particular el de los wahabíes de Arabia Saudí, responsables de la construcción de buena parte de las mezquitas de Occidente.

    La llamada «teoría de la justificación», corazón de la reforma de Lutero, es quizá el terreno más afín con el islam. El fundador del protestantismo defendió la tesis de la «sola fide», la salvación solo a través de la fe, mucho más en sintonía con la doctrina de Mahoma que con la católica, que exige las obras. La «sola Scriptura» de Lutero, sin Tradición ni Magisterio, conecta también con el vínculo mahometano entre el creyente y el Corán, sin otra mediación ni autoridad suprema.

    El pecado se lava con la fe en Lutero, y con los «cinco pilares» en Mahoma. En su autobiografía, el danés converso al islam Morten Storm («Mi vida en Al Qaida») relata uno de sus proverbios favoritos, atribuidos al autor del Corán: «Si hay un río delante de tu casa y te bañas cinco veces en él, ¿quedaría en ti algún rastro de suciedad? Rezar cinco veces al día es una forma similar de limpiar los pecados».
    ReynoDeGranada dio el Víctor.



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    Re: Lutero, no y no




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    Re: Lutero, no y no

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    Imperium Hispaniae

    "En el imperio se ofrece y se comparte cultura, conocimiento y espiritualidad. En el imperialismo solo sometimiento y dominio económico-militar. Defendemos el IMPERIO, nos alejamos de todos los IMPERIALISMOS."







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