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Tema: Lutero, no y no

  1. #61
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    Re: Lutero, no y no



    Toda a verdade
    sobre o protestantismo evangélico




    Pe. Leonel Franca S.J.: “A Igreja, a Reforma e a Civilização”, Livro III, Capítulo III, 1. Igreja, Reforma e Moral:


    A moral escrava dos apetites contraditórios


    “O protestantismo foi o último galho lascado da árvore católica. Seus restos cobrem ainda larga parte da Europa setentrional.

    “Aos olhos de observadores superficiais apresenta ainda o viço de uma verdura luxuriante. Mas são apenas folhas. Flores e frutos já os não produz.

    “A mesma infecundidade moral que esterilizou as outras revoltas religiosas feriu também a do monge saxônio.

    “Procurai os santos do protestantismo em quatro séculos de existência, inquiri do heroísmo dos seus filhos, investigai-lhes os milagres que são sigilo da divindade; não encontrareis, sob estes títulos, senão páginas em branco.

    “Homens honestos, virtudes cristãs que não transcendem os limites da mediocridade, é o mais que nos podem oferecer os seus anais.

    “A graça, nos segredos insondáveis da sua ação sobrenatural, pode ainda fecundar a boa fé e a intenção reta dos extraviados.

    “Mas o segredo do heroísmo cristão, esse perdeu-se para as almas de escol, enquanto as grandes massas, destruídas as barreiras preservadoras, se precipitaram, sob a impetuosidade torrencial das paixões, nos grandes excessos, que cedo ou tarde acarretam a completa, dissolução da vida moral e religiosa.

    “É esta decadência do protestantismo que ora nos cumpre esboçar. Distinguiremos no nosso estudo duas questões: a questão de direito e a questão de fato.

    Martinho Lutero (1483 — 1546). History of the World, 1902.

    “Analisando abstratamente os princípios, provaremos primeiro a incapacidade profunda e insanável em que se acha o protestantismo de promover a grandeza moral dos que o abraçaram e confirmaremos, em seguida, com o exame dos fatos, a verdade das nossas conclusões teóricas.

    “Na ordem natural e na ordem sobrenatural a Reforma protestante golpeou de morte os órgãos vitais da moralidade humana e da moralidade cristã.

    “Na ordem natural, são dois os elementos fundamentais da grandeza de caráter: princípios sólidos e imutáveis a iluminar as alturas da inteligência, força e constância de querer a fortificar as energias da liberdade.

    “Sem a firmeza das verdades eternas que lhe fixam o ideal na corrente movediça das coisas que passam, o homem vive, ou, melhor, flutua à mercê dos acontecimentos.

    “Cada capricho que lhe cruza pelo espírito, inspira-lhe uma resolução passageira, cada paixão, que lhe estua na alma, imprime uma orientação efêmera à sua atividade.

    “No conflito dos apetites contraditórios nenhuma ordem, nenhuma unidade, nenhuma harmonia de tendências, nenhuma subordinação hierárquica de faculdades. é nesta hesitação vacilante acerca dos grandes princípios moderadores da atividade humana que devemos procurar a causa primeira da crise de caracteres de que adoece a nossa civilização.

    “Jouffroy: “Personne n'a du caractère dans ce temps et par une bonne raison, c'est que des deux éléments dont le caractère se compose, une volonté ferme et des principes arrêtés, le second manque et rend inutile le premier”.

    Foi o protestantismo o primeiro a abalar nas almas a estabilidade das convicções.
    Perguntai ao protestante qual o princípio regulador da sua atividade moral.

    – A Bíblia, responderá, a Bíblia, única regra dos costumes como norma única de fé.

    – Mas a Bíblia quem a interpreta? A razão individual. Se vos apraz, podereis ver no livro divino, com Lutero, a condenação da virgindade, a justificação da poligamia, a inutilidade das boas obras. A razão, pois, a razão subjetiva e mutável ao sabor das paixões, eis, em última análise, a regra de nosso operar.

    “As massas, desvinculadas assim da submissão a uma autoridade superior e incapazes de deduzir pessoalmente do livro inspirado um código de moral, deixar-se-ão levar pela torrente avassaladora dos apetites desregrados.

    “Os cultos, os intelectuais, vagando à mercê das variações da crítica racionalista, erigirão os próprios preconceitos em mandamentos étnicos, construirão uma moral “independente” e oscilante sobre a areia movediça dos sistemas filosóficos.

    Lutero, ex-frade agostiniano, tocando alaúde
    junto a sua mulher Catarina, ex-freira, e filhos

    “Para o jovem inebriado com os primeiros fumos da ciência, as regras aprendidas e praticadas na infância já não apresentam a solidez racional capaz de resistir aos embates críticos dos moderníssimos mestres do pensamento.

    “O homem maduro achar levianas e superficiais as conclusões assentadas nos fervores entusiastas da juventude. Ao velho experimentado e desiludido afigurar-se-ão inconsistentes e eivadas de orgulho as construções morais de sua virilidade.

    “Destarte, de povo para povo, de época para época, de indivíduo para indivíduo, de idade para idade, os princípios morais variarão com a índole, com os caprichos da moda intelectual, com as paixões que agitam e diversificam as massas humanas no espaço e no tempo.

    “O protestantismo em quatro séculos de existência, como não logrou assentar uma confissão de fé que reunisse o sufrágio universal das inteligências, assim não conseguiu estabelecer um código de moral que se impusesse à submissão de todas as vontades.

    “A sua moralidade furta-côr, o seu preceituário de mil fórmulas cambiantes, os seus mandamentos entregues à versatilidade interesseira do egoísmo, arvorado em norma suprema de ação, comprometeram irremediavelmente no domínio intelectual a eficácia regeneradora dos grandes e imutáveis princípios do cristianismo”.

    Citação: ”L'homme est toujours disposé à échapper à la morale, et il y échape quand cette morale n'est pas liée à une doctrine invariable”, De Broglie, Problèmes et conclusions de l'histoire des religions, Paris, 1886, pp. 115-116.



    Lutero: golpe contra a vontade


    Lutero: “a vontade do homem é semelhante a um jumento.
    Deus opera em nós o mal”

    Mais profundo ainda foi o golpe vibrado contra a vontade. O espírito, desenfreara-o Lutero com o livre exame; a liberdade, encadeou-a nos elos de um determinismo fatal.

    Esse homem, que uma crítica míope e pertinazmente hostil à Igreja proclamou o arauto das liberdades humanas, o emancipador dos povos livres, professa as teorias mais degradantes acerca do livre arbítrio, rebaixa a dignidade da nossa natureza ao nível do bruto, ao mecanismo inconsciente dos autômatos.

    Para a Igreja católica o homem é livre. O pecado original vulnerou-lhe a prerrogativa divina, mas não a destruiu.

    Na revolta das paixões desencadeadas pela primeira prevaricação, na insurreição da concupiscência e dos apetites inferiores contra os ditames superiores do espírito, a vontade, debilitada sim, mas não aniquilada, conservou na sua decadência o cetro da realeza primitiva.

    Ela é ainda rainha; o homem é ainda senhor de seus atos e, pela liberdade, o artífice dos seus destinos.

    A graça eleva, fortifica, sobrenaturaliza a vontade, mas no segredo insondável de sua ação nas almas, respeita-lhe sempre a independência nativa.

    “A felicidade suprema da glória será conquista dos nossos esforços, prêmio das nossas virtudes, triunfo de nossa liberdade sobre o mal.

    As palavras de S. Paulo: gratia Dei mecum, resumem admiravelmente toda a economia da predestinação divina. Deus e eu: Deus, com a sua graça, eu, com a minha livre cooperação: eis os elementos essenciais e inseparáveis da nossa glorificação sobrenatural. Não se poderia melhor conciliar a gratuidade das generosidades divinas com a grandeza da dignidade humana.

    Martinho Lutero pregando no Castelo de Wartburg, quadro de Hugo Vogel (1855-1934)

    À verdade destas doutrinas que elevam, opôs Lutero as degradações do erro que avilta. Aos estudos católicos sobre a liberdade contrapôs um livro desmoralizador e intitulou-o De servo arbítrio, do arbítrio escravo.

    Para envilecer o homem era mister começar por desengastar-lhe do diadema a mais preciosa das suas joias. Mas ouvi as suas próprias palavras:

    “A vontade do homem é semelhante a um jumento. Cavalga-o Deus? Ela vai aonde Deus a guia. Monta-lhe em cima o diabo? Ela vai aonde ele a conduz...

    “Tudo se realiza segundo os decretos imutáveis de Deus. Deus opera em nós o mal e o bem. Tudo quanto fazemos, fazemo-lo não livremente, mas por pura necessidade”..

    Fonte: De servo arbitrio ad Erasmum (1525) Weimar, XVIII, 635-709 ss.

    “Foi o diabo quem introduziu na Igreja o nome de livre arbítrio”, Weimar, VII, 145.

    Os discípulos fazem eco à palavra do mestre. Calvino:

    “Deus criou alguns para a condenação e morte eterna a fim de serem instrumentos de sua ira e exemplos da sua severidade, e a fim de que cheguem a esse destino... cega-os e endurece-os”.

    “Se ele determinou salvar-nos, a seu tempo nos levará à salvação; se determinou condenar-nos em vão nos atormentaríamos para nos salvarmos”..


    João Calvino (1509 — 1564).

    Fonte: Calvinus, Inst. de la relig chré t.,l. III, c. 24, n. 12; c. 23, n. 12, Opera, IV, 521, 500. Todo o cap. 2 do livro II é consagrado a demonstrar “que l'homme est maintenant dépouillé de franc-arbitre et misérablement assujetti à tout mal”, Opera, III, 296.


    Zwinglio: “Deus é o primeiro princípio do pecado. é por divina necessidade que o homem comete todos os crimes”.. Fonte: Zwinglio, Verke, II, 73, 184.

    Melanchthon: “A predestinação divina tira ao homem a liberdade porque tudo acontece segundo os seus decretos... e isto entende-se não só das obras externas mas ainda dos internos pensamentos”.

    E, levando a doutrina às mais execrandas, porém, lógicas conclusões, não hesita em afirmar que

    “o adultério de David e a traição de Judas são obra de Deus como a conversão de S. Paulo”. Fonte: Melanchthon, Comment. in Epist. ad Rom. Ver todo o trecho em Alzog, Universalgeschichte der chrislichen Kirche,Mainz, 1860, p. 755.

    – Deus, autor do mal, o homem joguete inconsciente dos seus arbítrios, tal o resumo da doutrina protestante. Nunca a blasfêmia e a indignidade, o ultraje à santidade divina e à grandeza humana concluíram mais revoltante conspiração.

    E aí temos como Lutero e os seus aniquilam o valor da personalidade. Sem livre arbítrio não há imputabilidade, não há mérito, não há moralidade. Em tudo o que se refere à sua atividade moral, o homem não passa de uma “est tua”, de um “tronco inerte”, de uma “pedra”.

    São ainda comparações do chefe reformador, que considerava este artigo da vontade escrava como a quinta essência, a fina flor da sua doutrina, “omnium optimus, et rerum nostrarum summa”. Fonte: Weimar, VII, 148. Cfr. J. T. Mühler, Die symbolischen,Bücher, p. 593.

    Após 15 séculos de liberdade cristã eis-nos novamente precipitados na escravidão do fatalismo antigo.




    O porco no chiqueiro: ideal moral de Lutero!



    Porco na lama ideal moral de Lutero

    Quereis ver ainda até a que baixezas o homem é degradado na pena de Lutero?

    Lêde esta página que peço desculpas ao leitor de transcrever em toda a nudez cínica do seu realismo cru:

    “Sei que se alguém experimentou o temor e o peso da morte preferira ser um porco a ver-se continuamente acabrunhado pelo vexame de semelhante opressão.

    “Na sua lama, o suíno julga-se num leito de plumas; descansa pacificamente, ronca suavemente, dorme tranqüilamente; não teme reis nem senhores, morte nem inferno, demônio nem cólera divina; não o agita a menor preocupação, não se inquieta mesmo com a bolota que há de comer.

    “E se o sultão de todas as Turquias acertasse de passar-lhe ao lado no fasto do seu poder e de sua realeza, ele conservaria toda a sua altivez e não sacudiria em sua honra uma só das suas cerdas.

    “Se o enxotam, solta um grunhido, e se pudera falar diria: Pobre insensato, por que te irritas?

    “Não tens a décima parte da minha felicidade, não passarás nunca uma só hora tão tranqüila, tão suave, tão calma, como todas as minhas ainda que fôras dez vezes mais rico e poderoso.

    “Numa palavra, o porco vive numa segurança completa, sua vida é toda doçuras. Se o levam para o matadouro, pensa simplesmente que é um tronco de madeira ou uma pedra que o incomoda.

    “Até morrer, não espera a morte. Antes, no momento e depois da morte, não experimenta o que é morrer; a vida lhe pareceu sempre boa e eterna.

    “Neste ponto, nenhum rei, nem mesmo o messias dos judeus (o que eles ainda esperam), homem algum por mais hábil, rico, santo e poderoso, o poderá imitar”.

    Fonte: Ap. Paquier, Luther et le luthéranisme, t. 11, pp. 10-11.

    Nos inquilinos das pocilgas achou o reformador o ideal da felicidade!

    Hino agora ao emancipador da dignidade humana, palmas ao libertador das consciências!




    A contestação protestante demolindo as verdades consoladoras


    Depois de haver assim na ordem humana desorganizado as duas grandes molas da vida moral, substituindo na inteligência a estabilidade dos princípios pela arbitrariedade do capricho e enervando a vontade com declará-la radicalmente incapaz de praticar a virtude, na sua freima demolidora atiraram-se os corifeus da Reforma sobre o edifício sobrenatural dos nossos dogmas e, um por um, destruíram os mais divinamente consoladores.

    Catedral de S.Martinho, Utrecht, atacada pela iconoclastia protestante em 1572.
    Destruíram as imagens e as virtudes que elas representavam.
    Inclusive o próprio Deus acima representado!
    Felizmente, o conjunto artístico já foi restaurado.

    Com todo o peso de sua divina autoridade, Cristo impôs ao gênero humano o jugo austero da sua moral imaculada.

    Ao homem decaído que se revolvia no lodo dos vícios mais abjetos, dirigiu a voz taumaturga da regeneração: sursum, para o alto! Eleva-te a rivalizar com os anjos na pureza da vida!

    Mas ele bem conhecia a fragilidade da nossa argila, as profundezas do abismo em que nos precipitara o pecado e por isso adoçou as severidades do dever com as suavidades do amor.

    Ao lado de cada espinho fez desabrochar uma rosa.

    Vigorizou as pusilanimidades do nosso abatimento com os raios vivificantes da esperança.

    Sobre a nossa esterilidade abriu, aos borbotões, as fontes perenes da sua graça.

    O protestantismo revoltado não teve fé nos excessos da caridade divina e, com a negação, introduziu a desordem nos planos admiráveis da economia salvadora.

    Que de mais confortante para o miserável pecador que o dogma das indulgências?

    Que de mais consolador que o dogma do purgatório onde se purificam as almas dos justos das nódoas contraídas na sua peregrinação terrena?

    Que de mais justo e misericordioso que a diferença entre o pecado mortal e o venial, a estabelecer uma distinção entre os crimes que nos matam na alma a vida divina da graça e as faltas a que se não pode subtrair a nossa fragilidade?

    Que de mais suave que a comunhão dos santos,a instituir na ordem sobrenatural esta solidariedade, em virtude da qual somos fortificados pela intercessão e pelo mérito de nossos irmãos?

    O protestantismo levantou o aluvião sacrílego contra todas estas admiráveis construções do amor divino. De todas elas não restam senão ruínas acumuladas pela negação destruidora.




    A recusa da confissão, do perdão e da Eucaristia



    O sacramento da Penitência, vitral na igreja
    de Nossa Senhora dos Mártires Ingleses, Cambridge, Inglaterra.

    Mas de todas as invenções da misericórdia encarnada não há outras que tão de perto toquem a nossa vida moral e tão intimamente se prendam ao coração do cristianismo como a confissão e a Eucaristia.

    A confissão é o arrependimento, é o perdão, é o propósito.

    O arrependimento que apaga um passado de culpas, o perdão que verte sobre o presente o bálsamo das suas consolações inefáveis, o propósito que ilumina o futuro com as perspectivas da regeneração.

    Que alavanca mais poderosa para a atividade moral?

    Lançar frequentemente nas consciências a sonda de um exame imparcial, resgatar com lágrimas sinceras os desvarios da nossa liberdade, firmar as energias do nosso querer com o vigor das resoluções incondicionadas, abrir toda a alma às influências reabilitadoras da graça, aos raios da esperança, à tranquilidade fecunda da paz de consciência – haverá humanamente falando, divinamente falando, meio mais eficaz para elevar é conservar o coração nas regiões serenas da virtude?

    O protestantismo negou tudo isto, e negando-o “desconheceu um dos meios mais suaves para dar à vida do homem uma orientação conforme aos princípios da sã moral”. Fonte: Balmes, El protestantismo, c. 30.

    Pecaste? persuade-te que Deus te perdoou, que a sua justiça cobre os teus pecados, que a tua fé é inadmissível e, com a fé, a graça.

    Se esta persuasão entrou na alma é o descanso no pecado, o hábito do mal, o endurecimento; se não, é o terror, o desespero. Compreendo agora em lábios protestantes estes gritos da alma:

    “Oh! que não daria eu para ajoelhar-me num confessionário católico! (M. de Stael).

    “Quem não lançou olhos invejosos ao tribunal da penitência?

    “Quem não desejou nas amarguras do remorso, nas incertezas do perdão divino, ouvir uns lábios, que, com o poder de Cristo, lhe dissessem: “Vai em paz, teus pecados te são perdoados”?”

    Fonte: E. Naville, Thèse defendue devant l'Académie de Genève, 1839. Cit. por E. Duplessy, Les apologistes au dix-neuvième siècle, Paris, Beauchesne, 1910, p. 238.

    A confissão é o amor que perdoa e regenera. A eucaristia é o amor que se imola, o amor que se comunica às almas nos amplexos inefáveis de uma união divina.

    Negada a confissão, como afirmar a Eucaristia?
    Lutero também aqui deu o primeiro passo na via das negações.

    Quem não teve fé no amor misericordioso, não pode compreender o amor unitivo. Negada a confissão, como afirmar a Eucaristia? Lutero também aqui deu o primeiro passo na via das negações.

    A hóstia consagrada não é o corpo de Cristo, contém-no apenas transitoriamente. Calvino foi além e no mistério dos nossos altares viu, não uma realidade consoladora, mas apenas um símbolo, uma figura vazia de verdade.

    Daí à negação completa a distância era pequena e transpuseram-na logo os seus sucessores. A missa foi proscrita como rito idolátrico e os tabernáculos ficaram vazios na solidão dos templos protestantes.

    Mas que vale um cristianismo sem Eucaristia: sem a Eucaristia-sacrifício, centro em torno do qual gravita toda a vida litúrgica, sem a Eucaristia-sacramento, fonte donde mana, em torrentes, a graça, vida sobrenatural dos crentes?

    Extinguiram o fogo; o amor entibiou-se nos corações. Estancaram os mananciais; as almas esterilizaram-se.

    As flores mais belas, que no cristianismo haviam desabrochado ao sol de Jesus-Hóstia, feneceram à míngua de calor e de luz.

    Murcharam os lírios, esmaeceram as rosas, secaram as violetas. O sacerdócio casou-se, os mosteiros despovoaram-se, o apostolado mercantilizou-se, a caridade exilada das almas buscou um refúgio nas leis e passou do coração para a algibeira.

    O protestantismo não tem Irmãzinhas dos pobres, Irmãos de S. Vicente, não tem ordens religiosas, não tem ministros continentes, não tem legiões de mártires nem de virgens.

    Onde quer que a virtude se eleva à altura do heroísmo, não achou discípulos entre os descendentes de Lutero. O heroísmo cristão alimenta-se no sangue generoso de Cristo.


    Luz de Cristo x trevas da irracionalidade: Pe. Leonel Franca S.J.

    Pious dio el Víctor.

  2. #62
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    Re: Lutero, no y no

    Negação do valor das boas obras



    Santa Isabel de Hungria fazendo caridade aos pobres

    Não parou nesta primeira fase negativa a obra nefasta de desmoralização iniciada pela Reforma. Depois de negar, o protestantismo afirmou.

    Negou todos os dogmas que inspiram, que elevam, que sustentam as almas nas esferas sublimes do sacrifício e do heroísmo.

    Afirmou em seguida um dogma novo que, em si, encerra o germe não só da corrupção mas da completa dissolução da vida moral. Refiro-me à doutrina protestante da inutilidade das boas obras.

    Falando da liberdade, já tivemos ensejo de observar como o dogma católico concilia admiravelmente a gratuidade da graça divina com o exercício da nossa atividade livre.

    O auxílio de Deus, absolutamente necessário para elevar as nossas ações à ordem sobrenatural, não dispensa de modo nenhum o esforço da nossa cooperação. Nas finezas do seu amor, dispôs Deus que o homem fosse o artista da sua felicidade.

    Destarte, nascidas do conúbio misterioso da graça divina com o livre arbítrio humano, são as nossas ações germe fecundo de vida eterna.

    Verdade altamente digna da misericórdia de Deus e da grandeza do homem, verdade altamente estimuladora da nossa atividade moral. E a Sagrada Escritura no-la ensina frequentemente, inculcando a necessidade das boas obras.

    Que é o magnífico sermão da montanha senão uma promessa da glória aos que praticam o bem?

    Que razão da suprema sentença aduzirá Cristo juiz, senão as boas obras praticadas pelos eleitos e descuradas pelos réprobos?

    Ouvi ao Príncipe dos Apóstolos: “Procurai por meio das boas obras assegurar a vossa vocação e eleição”. 1 Petr., I, 10. Ouvi a Tiago: “a fé sem obras é morta”. Jac., 11, 20. Abri os Evangelhos, lede todas as epístolas apostólicas.

    Desta leitura resultará evidente como a luz meridiana que o cristianismo é um grande código de moral imposto à humanidade para a sua salvação. Cristo é Redentor não só, mas legislador também.

    Não basta crer, é mister ajustar as obras à fé; não basta o símbolo, é necessário também o decálogo; si vis ad vitam ingredi serva mandata. Math.,XIX, 17.

    Esmagamento dos 'rústicos' (gravura de Gabriel Salmon
    ilustrando o livro Nicolas Volcyr de Serrouville, 1526)
    As desordens morais e religiosas protestantes degeneraram no caos religioso,
    social e econômico com conseguintes revoltas populares
    que Lutero mandou afogar no sangue.

    A primeira preocupação de Lutero e de seus amigos foi alijar a carga pesada das boas obras. Era mister forjar um novo cristianismo menos carrancudo, mais ameno e prazenteiro.

    “A palavra Evangelho significa boa nova, doutrina grata e consoladora para as almas... ouvir que a Lei já foi observada por Cristo, que nós não a devemos observar, mas só unir-nos pela fé àquele que por nós a observou”. Fonte: Weimar, I, 105.

    No comentário ao c. 40 de Isaías: “Esta é nossa doutrina que sabemos eficaz para consolar as consciências. viveremos livres, sem lei, e nos persuadiremos que os nossos pecados nos foram perdoados”, Weimar, XXV, 249.

    É a doutrina da justificação pela fé, que, na opinião do heresiarca, resume a quinta essência do cristianismo, e, na realidade, é a chave de abóbada de todo o seu sistema teológico. Ei-la em duas palavras.

    Sobre a teoria da justificação em Lutero e a sua dissolução gradual pelas diferentes facções protestantes, cfr. J. A. Moehler, Symbolik, oder Darstellung der dogmatischen Gegensaetze der Katholiken und Protestanten nach ihren oeffentlichen Bekenntnisschriften, Mainz, 1884, l. 1, c. 3. pp. 99-253.

    Desta obra clássica escreveu Goyau : “La Symbolique est le livre le plus profond que, depuis Luther, une plume catholique allemande ait écrit sur la Reforme''.G. Goyau, Moehler, Paris, Bloud, 1905, p. 38.)

    Cfr. ainda: J. Schwane, Histoire des dogmes,trad. franc. de A. Degert, Paris, Beauchesne, 1904, t. VI, 205-239; H. Grisar, Luther, Freib. i. B., Herder, 1911, t. II, pp. 737-781. Este último autor estuda a teoria de Lutero à luz das experiências religiosas e lutas internas de consciência desta alma devorada de escrúpulos e ralada de remorsos. Não é a teologia, é a psicologia que explica a origem da justificação luterana.

    O pecado original causou a depravação total do homem. A sua inteligência nas coisas morais e divinas, não pode senão errar, a sua vontade, por mais que se esforce, não faz senão acumular pecados.





    E este estado de decadência identifica-se de tal modo com a essência da natureza humana que é impossível uma regeneração interior, uma verdadeira renovação espiritual.

    Qual será então o efeito da morte redentora de Cristo?

    Uma justificação simplesmente externa, equivalente a uma não-imputação do pecado. Cristo satisfez por nós, Cristo mereceu-nos o céu com o seus sofrimentos.

    A generosidade e abundância de sua Redenção dispensam-nos de qualquer cooperação individual, de qualquer atividade própria, dispensam-nos até do arrependimento e do amor.

    Para ser justificado basta crer na eficácia do sangue divino. A fé cobre todos os nossos pecados.

    Fontes
    : Livro da Concórdia: “Et quidem neque contritio neque dilectio, neque ulla alia virtus, sola fides tamquam medium et instrumentum quo gratiam Dei, meritum Christi et remissionem peccatorum apprehendere et accipere possumus”. Solida Declaratio, III, De justitia fidei. J. T. Mühler, Die symbolischen Bücher der evangelisch-lutheranischen Kirche, Gütersloh, 1900, p. 616.

    Na Apologia da Confissão Augustana : “Sola fide in Christum non per dilectionem, non propter dilectionem aut opera consequimur remissionem peccatorum, etsi dilectio sequitur fidem. Igitur sola fide justificamur”. Corp. Reformat., XXVII, 440.

    Em J. T. Mühler, p. 100. Lutero: “Haec est ardua et insignis dignitas veraque et omnipotens potestas, spirituale imperium in quo nulla res tam bona, nulla tam mala quae non in bonum mihi cooperetur. Nulla tamen mihi opus est cum sola fides sufficiat ad salutem”. Weimar, VII, 57.
    A Caridade: acolher o estrangeiro.

    Desacompanhada de obras, de contrição e de caridade, ela é o processo mecânico e externo, o instrumento com que nos apropriamos os merecimentos; de Cristo, alcançamos a graça e a remissão, ou, mais exatamente, a não-imputação das nossas culpas.

    Coberto assim aos olhos de Deus com o manto dos méritos do Redentor (por uma ficção jurídica indigna da santidade divina), o homem continua na realidade e intrinsecamente pecador e fonte contínua de pecados.

    Todas as suas ações, ainda depois de justificado, são pecaminosas e imundas. Mas nenhum pecado, afora o da infidelidade, pode despojá-lo da graça. Se crê, é justo, ainda que cometa os maiores delitos.

    Eis na teoria luterana a que se reduz a obra da Redenção: Cristo, para isentar e homem de observar a lei, observou-a em lugar dele; o homem, pela fé, atribui a si esta observância, assegura destarte a graça divina e pode descansar seguro na impunidade do seu pecado inauferível.

    Da teoria luterana sobre a queda original e a justificação decorre, como inevitável corolário, a inutilidade e mesmo a nocividade das boas obras.

    Rigorosamente falando, até a expressão “boas obras” é um contra-senso. Essencialmente corrupto, o homem é necessariamente pecador em todos os seus atos. A justificação exterior e forense, não lhe pode sanar este vício essencial.

    Esforçar-se nessas condições, por praticar as que chamamos boas obras não é senão multiplicar pecados.




    Emancipação de todo vínculo moral



    Martinho Lutero por volta de 1543-46

    Os reformadores não recuaram ante a enormidade dessas consequências. Antes de tudo, a inutilidade das obras na justificação do pecador.

    “Rejeitamos e condenamos as proposições em que se afirma a necessidade das boas obras para a salvação”.
    Pouco antes a mesma Fórmula da Concórdia, símbolo oficial do luteranismo, assim exprimira o artigo da nova fé:

    “Cremos, ensinamos e confessamos que as boas obras se devem totalmente excluir (penitus excludenda), não só quando se trata da justificação pela fé, senão ainda quando se discute acerca de nossa eterna salvação”. Fonte: Formula Concordiae, I, art. IV, n. 16 e 7; J. T. Mühler, pp. 533, 531.

    Inúteis as boas obras; não só, senão ainda nocivas. Fale Lutero no seu Comentário da epístola aos Gálatas:

    “a lei, as obras, a caridade, os votos não só não resgatam mas agravam a maldição. Quanto mais obras fizermos tanto menos poderemos conhecer e apreender a Cristo” . Fonte: Weimar, XL, I Abt., p. 447.

    À vista das consequências imorais desta doutrina, um professor de Wittemberga, Jorge Maior, tentou modificá-la, proclamando as boas obras, necessárias, como condição sine qua non, à salvação eterna.

    Por toda a parte, surgiram os contraditores, Nicolau d'Amsdorf, amigo de Lutero e por ele consagrado “bispo” de Naumburg, saiu à estacada com uma obra apostólica a que deu por título: Que a proposição “as boas obras são nocivas à salvação” é justa, verdadeira, cristã, pregada por São Paulo e São Lutero (sic) (1559).

    Tal a teoria da justificação nos primeiros reformadores.

    Todas as formas de imoralidade passaram a ser fruto da vontade divina !

    Digo nos primeiros reformadores porque alguns símbolos e teólogos protestantes de época posterior, sob a pressão das objeções católicas, limaram as arestas de tão angulosa doutrina, e procuraram, ainda com sacrifício da coerência sistemática, inculcar de algum modo a necessidade de outras virtudes, que não só a fé.

    À luz fosca desta doutrina como se transmuda o aspecto do Evangelho!

    Julgávamo-lo todos um código elevadíssimo de moral, um conjunto de preceitos sancionados com prêmios e castigos e destinado a sublimar o homem muito acima da simples lei natural.

    Que engano!

    O Evangelho é a emancipação de toda a espécie de vínculos morais, é o fundamento de uma confiança absoluta de chegar ao céu sem esforço, é o código do prazer.

    Nele encontra o crente um título de isenção da virtude e um rescrito de indenidade para todos os vícios. Eis a boa nova, “a doutrina grata e consoladora para as almas”.

    Não se admire o leitor. Todas essas conclusões, por mais abomináveis que pareçam a quem conserva uns restos de senso moral, encontram-se não só virtualmente na doutrina protestante da justificação, mas expressa e formalmente nos escritos dos primeiros reformadores.

    Alego uma ou outra citação ao acaso entre as inúmeras que, se poderiam colher nas obras de Lutero.

    “O Evangelho não prega o que devemos fazer; não exige nada de nós. Antes, em vez de dizer-nos: faze isto ou aquilo, manda-nos simplesmente estender as vestes e receber: toma, meu caro, eis o que Deus fez por ti; por teu amor ele vestiu o próprio Filho de carne humana... aceita este dom; crê e serás salvo” .

    Fonte: Weimar, XXIV, 4; cfr. Weimar, XL, 1 Abt, 168.

    – “Não desesperes por causa dos teus pecados mas cobra ânimo e dize: posso ter feito algum bem ou, algum mal, mas isto pouco importa; Cristo sofreu por mim...

    “A isto se reduz todo o cristianismo, a sentir que não tens pecado ainda quando pecas, a sentir que teus pecados aderem a Cristo, que é salvador do pecado”.

    Fonte: Weimar, XXV, 329, 331.

    Este antagonismo entre a lei moral e o Evangelho recorre a cada passo na pena do infeliz apóstata em busca de um anestésico poderoso para a consciência dilacerada de remorsos.

    A fim de salvar o Evangelho é mister aniquilar a lei moral: são inimigos irreconciliáveis e incompatíveis.

    “É necessário que procuremos com todas as forças afastar a lei da nossa consciência quanto o céu da terra...

    “Quando a lei te aterroriza, te acusa, te mostra o pecado, te ameaça com cólera divina e com a morte, faze como se nunca houvera existido lei ou pecado, como se só existira Cristo que é todo graça e redenção.

    “Ou se sentes no fundo da alma os terrores da lei, repete: lei, não quero ouvir-te;... chegou a plenitude dos tempos, sou livre, já não suportarei o teu império”.

    Fonte: Weimar, XL, 1 Abt., p. 557; cfr. t. XXV, 249-250.

    Que esforços de uma vontade obstinada para sufocar “os terrores da lei na consciência!”

    Vede-o ainda a debater-se contra a ideia de Cristo legislador e de Cristo juiz. Vede a exorcizá-la como uma obsessão diabólica!

    “Se Cristo nos aparecesse como juiz irritado ou legislador que nos chama a contas, consideremo-lo como um demônio furioso e não como a Cristo”
    . Fonte: Weimar, XL, 2 Abt., p. 13.

    A assembleia dos heresiarcas evangélicos pelo menos concordava num ponto:
    pecar é vontade de Deus !

    “Não só com as palavras mas também com as nossas ações e com o nosso procedimento exercitemo-nos com diligência [para cauterizar a consciência é mister muito exercício!] em separar Cristo de qualquer ideia de legislador a fim de que, apresentando-se-nos o demônio sob a figura de Cristo para molestar-nos em seu nome, saibamos que não é Cristo, mas que é verdadeiramente o diabo”.

    Fonte: Weimar, XL, 1 Abt., p. 299.

    Edifiquemo-nos ainda nestas passagens do Reformador: “O cristão principalmente nas tentações, não deve absolutamente pensar em lei, em pecado”...

    Ouvimos Lutero, ouçamos os seus discípulos mais célebres.

    Melanchthon
    : “Em qualquer das tuas ações, comendo, bebendo, ensinando ou trabalhando manualmente ainda que seja evidente que pecas em tudo isto, não te preocupes com as tuas obras; considera as promessas de Deus e crê confiadamente que no céu não tens um juiz mas um bom pai todo amor e ternura”.

    Fonte: Melanchthon, De locis theologicis, Corpus Reformat, XII, 163-164.

    Como quem dissera: és ladrão, homicida, adúltero, caluniador? não te incomodes, tuas ações de nada valem. Lá no céu, Deus é um bom e velho papai que fecha os olhos complacentemente e perdoa tudo.

    Calvino atira a barra mais longe. À doutrina da justificação de Lutero acrescenta a da inadmissibilidade da fé.

    A fé que justifica, segundo o reformador de Genebra, é um dom divino concedido ao homem uma vez para sempre e para sempre .

    Os delitos mais graves, cometidos por quem uma vez se achou em estado de graça, não o poderão nunca privar da amizade de Deus. É a predestinação infalível, a carta branca para todos os excessos.




    Deturpando os Evangelhos



    Deturpando os Evangelhos.

    Mas, dirá o leitor, e a Escritura? Não a haviam proclamado os protestantes regra infalível de fé?

    Como fechar tão obstinadamente os olhos a ponto de não ver nas páginas divinas a condenação mil vezes repetida de doutrina tão imoral?

    Assim parece. Mas a Escritura deve ser interpretada pelo livre exame. Só assim é regra de fé e norma de costumes.

    A Escritura vale, pois, o que vale a sua interpretação.

    Deixada aos caprichos e paixões individuais, não há livro mais inofensivo e acomodatício.

    À “crítica” do leitor não faltarão nunca expedientes para trazer o texto ao sentido que se deseja. Em caso de rebeldia absoluta, aí estão os recursos extremos da crítica cirúrgica: a amputação. Quereis ver Lutero em exercício de suas funções de livre comentador? Ouvi-o:

    Diz S. Tiago na sua epístola que “a fé sem obras é morta”, que “o homem é justificado pelas obras e não só pela fé”? A epístola de S. Tiago é apócrifa, deve ser expungida do rol das escrituras canônicas como uma “verdadeira epístola de palha”, eine rechte stroeherne Epistel.

    Fonte: Erf., LXIII, 115; Walch, XIX, 142; XIV, 105.

    Precisa o nosso exegeta de uma autoridade que confirme a sua doutrina? Lança mão de um texto de S. Paulo na sua Epístola aos Romanos: “arbitramur justificari hominem per fidem sine operibus legis”.

    Para entender-se o verdadeiro significado deste passo cumpre observar que nele, e em tantos outros lugares de suas epístolas, combate o Apóstolo aos judeus que se obstinavam em afirmar a necessidade da Lei antiga (Lei, Thorah, era o título com que indicavam os hebreus o Pentateuco em oposição aos Profetas, nome com que se designavam os outros livros inspirados).

    Contra esse erro assevera S. Paulo que não são os ritos mosaicos que santificam o homem, mas a fé em Cristo, na sua Redenção, na sua justiça.

    De um lado, a incredulidade em Cristo e a confiança nas obras da Lei praticadas pelas simples forças naturais do homem, do outro a fé no Redentor e na sua justificação, como dom gratuito de Deus são aqui os membros da antítese, e não a fé no Salvador e as boas obras sobrenaturais inspiradas por esta fé.


    Não lhe bastou adulterar um novo Evangelho, e passou a recortar os livros inspirados.

    O Apóstolo distingue sempre as obras da Lei e as boas obras. A necessidade destas últimas, isto é, das boas obras informadas pela graça e pelo espírito do Cristo, professa-a claramente S. Paulo em mil lugares das suas epístolas.

    Nesta mesma, aos Romanos, II, 7, 13 escreve :

    “Aos que constantes no bem operar proclamam à glória, a honra, a imortalidade (dará o Senhor) a vida eterna... Porque não são justos diante de Deus os que ouvem a Lei, mas serão justificados os que a põem em prática”.

    “Aos fiéis da Galácia, V, 6 : “Em Jesus Cristo nada vale o circunciso ou o incircunciso, mas a fé que opera pela caridade”.

    “Como se vê, acontece com os protestantes o que já dizia S. Pedro : “In quibus [i. é. nas epístolas de S. Paulo] sunt quaedam difficila intellectu quae indocti et instabiles depravant, sicut et ceteras Scripturas ad suam ipsorum perditionem”, II Petr., III, 16.

    E insere fraudulentamente na sua tradução alemã a palavra só antes de fé (allein durch das Glauben).

    Reclamam naturalmente os adversários contra semelhante processo crítico. Lutero não recua e escreve a Link:

    “Se o novo papista quiser importunar-nos por causa da palavra só responde-lhe logo: assim o quer o Dr. Martinho Lutero que diz: papista e asno são a mesma coisa. Sic volo, sic jubeo, sit pro ratione voluntas...

    “Só me pesa de não haver acrescentado também a palavra nenhuma, sem obra nenhuma de lei alguma, o que exprime o meu pensamento [e o da Bíblia?] com toda a nitidez e clareza.

    “Por isto quero que a partícula fique no meu Novo Testamento e ainda que enlouquecessem todos estes asnos de papistas não vingarão eliminá-la”.

    Fonte: Carta a Link, 12 set. 1530. Weimar, XXX, 2 Abt., 635 e 643.

    Mas não basta haver criado um novo Evangelho, um Evangelho seu.

    Todos os Livros santos da primeira à última palavra protestam energicamente contra o seu erro.

    Que fará o grande paladino da Escritura?

    Desprezará e rejeitará todos os livros inspirados. Ouçam protestantes e não protestantes:

    “Se os nossos adversários fazem valer a Sagrada Escritura contra Jesus Cristo, nós fazemos valer Jesus Cristo contra a Escritura. Do meu lado, tenho o Senhor, eles têm os servos, nós, a cabeça, eles, os pés e os membros que se devem sujeitar e obedecer à cabeça.

    “Se é mister sacrificar-se a lei ou Jesus Cristo, sacrifique-se a lei, não Jesus Cristo”.

    Fonte: Opera latina, Wittemberga, I, 387-a.


    A Escritura?: “Dela me não importo”.

    “Tu fazes grande caso da Escritura que é serva de Jesus Cristo; eu, pelo contrário, dela me não importo.

    “À serva liga a importância que quiseres, eu quero valer-me de Jesus Cristo que é o verdadeiro senhor e soberano da Escritura e que mereceu e conquistou com a sua morte e ressurreição a minha justiça e a minha salvação eterna”.

    Fonte: Walch, VIII, 2140 ss.

    Assim, depois de haver o heresiarca levantado a Escritura como pendão de revolta contra a Igreja, sacrifica ora a Escritura a Jesus Cristo.

    Mas sem a Igreja e sem a Escritura, que sabe Lutero de Jesus? Cristo será apenas nos seus lábios um passaporte para todos os devaneios doutrinais, para todas as licenças de sua ímpia reforma.

    Tão verdade é que Cristo, a Escritura e a Igreja constituem uma trilogia inseparável; impossível impugnar uma destas verdades sem destruir as outras.

    Destarte, atropelando a razão, conculcando a Igreja, menosprezando e falsificando a Bíblia, injuriando sacrilegamente a Jesus Cristo, conseguiu o frade apóstata estabelecer a mais imoral das doutrinas que ainda viram os homens: a apoteose do pecado arvorado em instrumento eficaz de salvação.

    Toda essa indignidade se acha condensada nas célebres palavras:

    Sê pecador, e peca a valer, mas com mais firmeza ainda crê e alegra-te em Cristo vencedor do pecado, da morte e do mundo. Durante a vida presente devemos pecar.

    “Basta que pela misericórdia de Deus conheçamos o Cordeiro que tira os pecados do mundo. Dele não nos há de separar o pecado, ainda que cometêssemos por dia mil homicídios e mil adultérios”.

    Eis no original o texto abominável :

    “Esto peccator et pecca fortiter; sed fortius fide et gaude in Christo, qui victor est peccati, mortis et mundi. Peccantum est quamdiu hic sumus... Sufficit quod agnovimus per divitias gloriae Dei Agnum qui tollit peccatum mundi: ab hoc non avellet nos peccatum etiamsi millies millies, uno die, fornicemur aut occidamus”.

    Fonte: De Wette, II, 37 (Carta a Melanchthon, 1 agosto de 1521).



    Corrupção dos costumes


    A Nau dos Insensatos, detalhe, Hyeronimus Bosch (1450 — 1516)
    Capítulo 2. –– A moralidade dos costumes na Reforma
    Sumário – Decadência geral dos costumes.– Particularizando: abolição do celibato; divórcio; poligamia; embriagues; egoísmo.


    Dos desvios da inteligência sempre se ressente o coração. Não há no domínio especulativo doutrina errônea que, cedo ou tarde, pela lógica imanente das coisas, não tenha sua repercussão na vida moral dos povos e dos indivíduos.

    “Illuminationis puritas et arbitrii libertas,
    escreveu Bacon, Simul inceperunt, simul corruerunt. Neque datur in universitate rerum tam intima sympatia quam illa veri et boni”.

    E o critério evangélico dos frutos que abonam a qualidade da árvore recebeu sempre, no desenvolvimento paralelo do erro e do vício, a sua mais cabal justificação.

    Não seria, pois, difícil ao filósofo antever nas doutrinas imorais do protestantismo o germe desgraçadamente fecundo de uma abominável corrupção de costumes.

    A história dá a estas previsões teóricas a mais sinistra confirmação experimental. Carlos Pereira, sem se dar ao trabalho de provar as suas asserções, afirma aos que lhe quiserem piamente crer que

    “a reforma pôs um dique a esses desregramentos e o puritanismo protestante salvou o mundo da completa dissolução dos costumes, dando aos homens uma têmpera moral incomparável”, pp. 121-2.

    Francamente, não experimento em mim este devoto sentimento de credulidade nas palavras do mestre gramático. Prefiro abrir a história e recolher-lhe o testemunho insuspeito.


    A Nau dos Insensatos,
    Hyeronimus Bosch (1450 — 1516)

    E que depõe a história?

    Só lhe ouço uma voz para acusar, nos países em que prevaleceu a pregação do ‘novo evangelho’, um extravasamento de imoralidade, que não encontra semelhante senão nas eras mais abominosas da ruína de Sodoma, das orgias de Babilônia ou da decomposição do paganismo agonizante.

    É o que pretendo agora provar, documentos à vista. Na instrução do processo só admitirei, como testemunhas, os próprios protestantes contemporâneos e de preferência os pais da Reforma.

    A Lutero, como é de justiça, o primeiro lugar. Em 1529:

    “Os evangélicos são 7 vezes piores que outrora. Depois da pregação da nossa doutrina, os homens entregaram-se ao roubo, à mentira, à impostura, à crápula, à embriaguez e a toda espécie de vícios.
    “Expulsamos um demônio [o papado] e vieram sete piores. Príncipes, senhores, nobres, burgueses e agricultores perderam de todo o temor de Deus”.

    Fonte: Weimar, XXVIII, 763.

























    Luz de Cristo x trevas da irracionalidade: Pe. Leonel Franca S.J.
    Última edición por Hyeronimus; 03/04/2017 a las 20:01
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    Re: Lutero, no y no

    Qual a causa deste desencadeamento do mal? A nova doutrina.

    “Depois que compreendemos não serem as boas obras necessárias para a justificação, ficamos muito mais remissos e frios na prática do bem.

    “É admirável (dictu mirum) com que fervor nos dávamos às boas obras outrora, quando por meio delas nos esforçávamos por alcançar a justificação.

    “Cada qual porfiava em vencer os outros em piedade e honestidade.

    “E se hoje se pudesse voltar ao antigo estado de coisas, se de novo revivesse a doutrina que afirma a necessidade do bem fazer para ser santo, outra seria a nossa alacridade e prontidão no exercício do bem”.

    Fonte: Weimar, XXVII, 443.
    Carroça de Feno, detalhe
    (Museu do Prado, Madrid),
    Hyeronimus Bosch (1450 — 1516).

    O heresiarca leva a sinceridade ao ponto de confessar os efeitos dissolventes da Reforma sobre a própria consciência. Num sermão pregado em 1532:

    “Quanto a mim confesso – e muitos outros poderiam sem dúvida fazer igual confissão – que sou desleixado assim na disciplina como no zelo, sou muito mais negligente agora que sob o papado; ninguém tem agora pelo Evangelho o ardor que se via outrora.

    Quanto mais certos estamos da liberdade que nos conquistou Cristo, tanto mais frios e negligentes somos em pregar, orar, fazer o bem e sofrer o mal”.

    Fonte: Weimar, XL, 2 Abt., 61.

    À medida que o “novo evangelho” se propagava, avultava e engrossava também a onda da imoralidade.

    Com o tempo as expressões do Reformador carregam-se de tintas cada vez mais escuras. Em 1542 escrevia a Amsdorf:

    “é tanto o desprezo pela palavra de Deus, tão desmesurado o crescer dos vícios, da avareza, da usura, da licença, dos ódios, das perfídias, das invejas, da soberba, da impiedade e das blasfêmias que não é provável que Deus use ainda de misericórdia com a Alemanha”.

    Fonte: De Wette, V, 462.

    No ano seguinte, ao mesmo amigo:

    Tal era o mundo antes da destruição de Jerusalém, antes da devastação de Roma, antes da perda da Grécia e da Hungria, tal será e é, antes da ruína da Alemanha”.

    Fonte: De Wette, V, 600-601.

    Um ano antes de sua morte, em 1545, em carta a Gaspar Beier:

    O mundo está cheio de Satanás e de homens satânicos”. Fonte: De Wette, V, 721.




















    Lutero: o “berço do puro Evangelho”
    virou “foco de abominável corrupção”



    O Jardim das delicias terrenas.
    Hyeronimus Bosch (1450 — 1516).

    Wittemberga, berço do puro Evangelho e residência habitual de Lutero, tornara-se outrossim um foco de abominável corrupção. Poucos anos depois de iniciada a “reforma”, já o heresiarca se queixava num sermão:

    “Que fazer convosco, Wittembergenses? Já não vos pregarei o reino de Cristo que não quereis receber.

    “Sois ladrões, rapaces e cruéis... brutos ingratos. Arrependo-me de vos haver libertado da tirania dos papistas. Vós, ingratissimae bestiae,sois indignos do tesouro do Evangelho”.

    Fonte: Weimar, XXVII, 408-411.

    Com a veemência de semelhantes impropérios, os costumes não melhoravam.

    “Vivemos ou melhor morremos nesta Sodoma, nesta Babilônia”.
    Fonte: De Wette, V, 722.

    Escrevia em 1545 ao Príncipe de Anhalt, Jorge; e poucos meses depois à sua Catarina: “Fora, fora desta Sodoma”.

    Fonte: De Wette, V, 753.

    Do estado moral de Wittemberga já em 1527 escrevia Melanchthon a Justo Jonas:

    “Quando vieres a Wittemberga verás como tudo o que havia de bom ameaça ruína, que ódios dividem os homens, que desprezo de toda a honestidade, que ignorância nos que governam as igrejas, e quão [duas palavras gregas]”.

    Corpus Reformatorum,I, 888.

    Ickelsamer escrevia a Lutero: “Quanto mais se aproxima alguém de Wittemberga, tanto pior cristão se vai tornando”.

    O incêndio, que assim crescia de dia para dia com imensa ruína das almas, não podia deixar, de quando em quando, de remorder-lhe a consciência atordoada pelo orgulho.

    “Vejo esses males e os deploro. Muitas vezes pensei se não teria sido melhor conservar o Papado, do que ver tamanha perturbação. Melhor é, porém, arrancar alguns das fauces do demônio do que perecerem todos”.

    Fonte
    : Weimar, XX, 674.

    Nestes momentos de angústia, para tranqüilizar os sobressaltos da consciência, acolhe-se à convicção fanática da sua missão divina.

    A Nau dos Insensatos, detalhe, Hyeronimus Bosch (1450 — 1516)

    “A idéia que é divina a minha missão é-me de grande conforto. Com ela muitas vezes me defendo do pensamento satânico de que o Evangelho é a causa dos grandes escândalos que presenciamos.

    “Confesso, porém, que se Deus não me fechara os olhos, se houvera previsto todos esses males, nunca certamente teria começado a pregar o Evangelho”.

    Fonte: Walch, VI, 920 (Doellinger, Die Reformation,2(2), 304).

    “Quem de nós, dizia ele em 1538, se teria abalançado a pregar, se pudera prever que tanta desgraça, tanto escândalo, tanto crime, tanta ingratidão e malvadez seriam o resultado da nossa pregação?

    “Agora, uma vez que chegamos a este estado, soframos-lhe as conseqüências”.

    Fonte: Walch, VIII, 564, (Doellinger, Die Reformation,I(2), 305).
    Último pensamento, enfim, que o consola em meio do dilúvio de males por ele desencadeado é a iminente destruição universal. A aniquilação do mundo,
    ele a invoca com esperança como supremo remédio.

    “Desejo sair, com todos os meus, deste mundo satânico; anelo pelo supremo dia que porá termo aos furores de Satã e dos seus”.

    Fonte: De Wette, V, 703.

    Ao mesmo amigo J. Probst escrevera dois anos antes, em 1542:

    “O mundo ameaça ruína; disto tenha certeza: tal é o furor de Satanás, tal o embrutecimento geral.

    “Só me resta como consolo a iminência do dia derradeiro... a Alemanha foi e nunca voltará a ser o que foi”.

    Fonte: De Wette, V, 451.



    Muskulus: “não é possível piorar”


    A ideia do fim iminente do mundo tornou-se nos últimos anos uma verdadeira obsessão para o heresiarca, que ainda uma vez arriscou nela os seus créditos de profeta.

    O mundo não duraria 100 anos, nem mesmo 50! A corrupção era tão geral e tão profunda que já não podia crescer e só o juízo final lhe poderia pôr termo. Sobre as idéias de Lutero acerca do fim próximo do mundo, cfr. Grisar, Luther, III, 202-211.

    Já nos parece ouvir nestas expressões coloridas ainda de tintas cristãs, o grito pessimista de Hartmann apelando para “o suicídio cósmico” como único termo aos males irremediáveis da vida.

    Em Melanchthon, discípulo predileto de Lutero, a mesma persuasão, sugerida pelos mesmos motivos.

    “Cresce de dia para dia o desprezo da religião, não só entre o novo a quem se pode perdoar, mas entre os sábios que ou se fazem epicureus ou acadêmicos.

    “A corrupção dos homens, a tristeza dos tempos e a insânia dos príncipes bem mostram [quatro palavras gregas] e que é iminente o advento de Cristo”.

    Fonte: Corpus Reformatorum, III, 895.
    Andreas Musculus 'não é possível piorar'.
    O Triunfo da Morte, Pieter Brugel

    Andreas Musculu: “se os nossos filhos,
    já afogados na desordem e na dissolução,
    tiverem descendentes será preciso
    que se transformem em verdadeiros demônios,
    porque não vejo como cheguem a ser piores que nós”.

    Depois dos mestres os discípulos.

    André Muskulus, um dos mais fogosos campeões do luteranismo, escrevia em 1561:

    “Chegamos a tal extremo que já não há, entre nós, quem não confesse claramente que nunca, desde que o mundo é mundo, houve tanta corrupção na juventude.

    “Não é possível piorar... Se o mundo durar ainda algum tempo e se os nossos filhos, já afogados na desordem e na dissolução, tiverem um dia descendentes que nos sobrelevem no vício e na malícia, será preciso que os homens se transformem em verdadeiros demônios, porque realmente não vejo como, conservando caráter humano, cheguem a ser piores que nós”.

    Fonte: A. Muskulus, Von der Teufels Tyrannei, no Theatrum diabolorum f. 160. Cfr. etiam f. 128, 137 b.

    Pouco mais tarde, Belzius que, com o seu divórcio beneficiara também da emancipação geral das consciências, assim pinta os costumes do tempo:

    “Quereis ver reunida no mesmo lugar uma população inteira de selvagens e ímpios, entre os quais toda a espécie de iniquidade é de prática cotidiana e, por assim dizer, de moda?

    “Ide às nossas cidades luteranas, onde se acham os pregadores mais estimados e onde o santo Evangelho é pregado com mais zelo: aí a encontrareis...

    “Dos púlpitos já se brada que as boas obras são não só desnecessárias senão ainda nocivas à salvação das nossas almas”.

    Fonte: Belzius, Von Jammer und Elenden menscht. Lebens, Kurzer Unterricht aus dem 90 Psalm, Lipsiae, 1575, C. 6, D. 6.
    Belzius: “Ide às nossas cidades luteranas:
    aí encontrareis.uma população inteira de selvagens e ímpios”

    Comparando os novos costumes com os antigos, escreve Pirkheimer em 1527:

    “Esperávamos que a malvadeza romana bem como os maus costumes dos monges e padres se devessem corrigir; mas, a quanto vemos; as coisas foram de tal jeito piorando, que em confronto dos velhacos evangélicos os antigos seriam santos”.

    Fonte: Ap. Hermann, Documenta litteraria, Aldorfii, 1758, p. 59.

    Um franciscano apóstata Eberlin de Günzburg, confessa igualmente:

    “somos duas vezes piores que os papistas, antes piores que Tiro, Sidônia e Sodoma”
    .
    Fonte: B. Riggenbach, Jah, Eberlin von Günzuburg, 1856, p. 242.

    Se assim é, por confissão dos próprios chefes da Reforma, quanto mais se esforçam os modernos protestantes por pintar com tintas carregadas a época anterior a Lutero, tanto mais negro deverá aparecer o luteranismo.




    A obra-prima do fanatismo


    O sono da razão produz monstros.
    Francisco Goya (1746 - 1828), Museu do Prado.

    A doutrina da inutilidade das boas obras era o grande agente corruptor. À sua sombra organizava-se a licença autorizada.

    Afirma-o, entre muitos outros, Diogo André com a autoridade de quem, como inspetor, empreendeu inúmeras viagens e recolheu muitas observações, publicadas em 1568:

    “A fim de que saiba o mundo inteiro que não são papistas e não põem a sua confiança nas boas obras, os nossos luteranos diligenciam por não praticar nenhuma.

    “Em vez de jejuar, comem e bebem noite e dia; em vez de socorrer os pobres, acabam de esbulhá-los; em vez de orar, blasfemam e desonram a Jesus Cristo, por modos que excedem a ousadia dos próprios turcos.

    “Finalmente, em vez da humildade cristã, aninham no coração o orgulho e o amor do erro. Tais são os costumes dos nossos evangélicos”.

    Fonte: Jacob Andreas, Erinnerung nach dem Lauf der Planeten gestellt,Tübingen, 1508, pp. 140 ss.

    Insistamos um pouco mais em mostrar como o desmando geral dos costumes se apresentava evidentemente como uma consequência das doutrinas e da pregação da Reforma.O reitor protestante I. Rivius escreve em 1547:

    “Se és adúltero ou libertino, dizem os pregadores, crê simplesmente e serás santo.

    Eis a obra-prima do fanatismo!

    “Nem temas a lei, porquanto Cristo a cumpriu e satisfez pelos homens... Semelhantes discursos levam à vida ímpia”.

    Fonte: I. Rivius, De Stultitia mortalium, Basilae, 1557, I. 1, p. 50 s.

    Em 1525, Jorge, duque de Saxônia, escrevia ao corifeu reformador:

    “Quando se viu maior número de adultérios como depois que escreveste: se uma mulher é estéril, una-se a outro e os filhos sejam alimentados pelo primeiro marido. E outro tanto façam os homens?”.

    Fonte: Enders, V, 289; ed Jena, 1556, III, 211.

    E como não haveria de ser assim quando se ouvia Lutero ensinando desde 1523:

    “Deus só te obriga a crer e a confessar.

    “Em todas as outras coisas te deixa livre e senhor de fazer o que quiseres, sem perigo algum de consciência; antes é certo que, de si, ele não se importa, ainda mesmo se deixasses tua mulher, fugisses do teu senhor e não fosses fiel a vínculo algum.

    “E que se lhe dá, se fazes ou deixas de fazer semelhantes coisas?”.

    Fonte: Weimar, XII, 131 ss
    A tentação de Santo Antônio, detalhe.
    Hieronymus Bosch (1450 — 1516)

    Cabe aqui a observação que em 1565 fazia Joannes Jacobus na obra sobre a sua conversão:

    “entre os católicos os pecados atribuem-se às pessoas, entre os luteranos às doutrinas e às pessoas”.

    Räss, Die Convertiten seit der Reformation,Freiburg i. B., 1866, I, 522.

    Fechemos esta primeira série de testemunhas acerca da corrupção geral desencadeada pelo protestantismo com o depoimento de Pedro Arbiter, interessante sobretudo no ponto de vista da psicologia dos primeiros reformadores:

    “Porque permanecem alguns fiéis ao papismo e outros a ele voltam depois de o haver renunciado, senão porque de tal modo os cega o espírito das trevas, que, quer entre nós, quer entre eles, consideram como nonada o que deveriam estimar como coisa principal e atribuem, pelo contrário, gran-díssima importância ao que não na tem nenhuma?

    “Porquanto, que vale todo o bem do mundo, que é a perfeição, a sabedoria, a autoridade, a ordem, a concórdia e as outras virtudes que admiramos entre os papistas, se a doutrina é má e para a salvação só a doutrina é indispensável?...

    “Permiti que vos dê um conselho? Para julgar entre a Igreja papista e a nossa, atendei à doutrina e não às aparências”.

    Fonte: P. Arbiter, Die christl. Busselehre mit der papitschen verglichen, Magdeburg, F. 2, 3.

    Ironia das coisas! A depravação dos costumes da Igreja Romana fora o pretexto da revolta religiosa que se apresentou ao povo sob o especioso nome de Reforma.

    Ora, diante da corrupção avassaladora que babilonizava os povos, diante dos desmandos protestantes, a cuja comparação os costumes católicos eram confessadamente a perfeição, a ordem, a sabedoria, e outras virtudes admiráveis, que fazem os paladinos da regeneração do cristianismo?

    Em lugar de arrepiarem carreira, proclamam a dissolução moral uma bagatela para desprezar-se e apelam cinicamente para a doutrina, – para esta doutrina, que abalando os princípios, negando a liberdade, inculcando o pecca fortiter, assegurando a certeza da salvação sem virtudes, a inadmissibilidade da graça, emancipara as consciências da lei e da responsabilidade, abrira a porta a todos os desmandos, soltara o freio a todos os apetites brutais, estimulara todas as paixões, divinizara o pecado!

    Eis a obra-prima do fanatismo!








    Luz de Cristo x trevas da irracionalidade: Pe. Leonel Franca S.J.
    Pious dio el Víctor.

  4. #64
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    Re: Lutero, no y no

    Degeneração do casamento e desprezo da mulher



    Mas não paremos nas linhas gerais deste quadro moral digno dos tempos do paganismo.

    Examinemos-lhe por miúdo as particularidades vergonhosas. Só contrafeito é que revolvemos esta vermineira em fermentação.

    Mas como ao médico, também ao historiador e ao moralista incumbe, por vezes, este penoso dever. A verdade merece que lhe sacrifiquemos os melindres de uma delicadeza descabida.

    O catolicismo plantara sobre os restos putrefatos do paganismo uma flor desconhecida da humanidade: a pureza.

    Fecundados pela seiva cristã, medraram os lírios no sacerdócio, no matrimônio, na juventude, em todas as idades, em todas as condições, em todas as camadas da sociedade.

    O “sentido depravado”, de que nos fala Lacordaire, continuou sempre a exercer sobre a argila humana a tirania das suas seduções, mas a Igreja não cedeu nunca, não transigiu nunca com a fraqueza da carne.

    O ideal de pureza, conservou-o sempre elevado a iluminar com as suas luzes as trevas das eras barbáricas e a atrair com os seus encantos as almas nobres e sedentas de amor e de sacrifício.

    À sua sombra reuniu-se em todos os tempos um manípulo de escol: exemplo vivo aos contemporâneos dos heroísmos da abnegação, espetáculo de paraíso a exercer sobre as multidões da terra a influência saneadora da virtude celeste em ação.


    Ulrich Zwinglio: “Bem sabeis a vida vergonhosamente nefanda
    que temos levado com mulheres que induzimos ao mal”.

    O primeiro cuidado da Reforma foi destruir este jardim do céu. Os seus chefes, cansados do celibato, procuraram no matrimônio um remédio aos apetites que já não sentiam força de refrear.

    Em 1522, Zwinglio, em seu nome e no de alguns outros sacerdotes, apresentava aos magistrados uma súplica em que, entre outras coisas edificantes, dizia:

    “Bem sabeis a vida vergonhosamente nefanda que até aqui (falamos só de nós) infelizmente temos levado com mulheres que induzimos ao mal e com as quais temos dado muitos escândalos”.


    Fonte: Zwinglio, Werke, I, 225.

    Ao mau exemplo estava reservada mais alta consagração. Lutero, que já se havia dado a todos os excessos da embriaguez e da crápula, pôs o remate à sua vida licenciosa, profanando criminosamente com uma ex-freira, ele, ex-frade, um corpo duplamente sagrado virgem, pela unção sacerdotal e pelos juramentos da vida religiosa.

    Quando os pastores titulados são assim, não é difícil conjeturar o que será a grei comum dos anônimos.

    Os sacerdotes escandalosos bateram as palmas ao ouvir a “boa nova”, do evangelho de Wittemberga; os mosteiros de religiosos, esquecidos da dignidade da sua vocação, despovoaram-se.

    A grande tragédia da reforma terminou na comédia de um casamento universal. A expressão é de Erasmo:

    “Parece que a Reforma se resolve em desfradar alguns monges e casar alguns padres; e esta grande tragédia termina num desfecho cômico, porque tudo acaba num casamento como nas comédias”.

    Não se pode tocar impunemente na grande hierarquia das virtudes cristãs. À incontinência no celibato abriu Lutero a porta do matrimônio; à incontinência no matrimônio abriu a porta do divórcio.

    Quando esse apóstolo fogoso da dissolução bradou à Europa que o matrimônio não era sacramento, vibrou um golpe mortal à família cristã.

    Reduzido a simples contrato civil, o ato augusto que une os esposos, santificando-os, foi despojado de toda a sua dignidade. Renasceu o sensualismo e a família retrocedeu às eras pagãs.

    Ouçamos Fr. Staphylus que escrevia em 1562:

    Enquanto o matrimônio foi considerado como sacramento, o pudor e a honestidade na vida conjugal eram estimados e amados, mas quando se leu nos livros de Lutero que o estado conjugal é uma invenção dos homens... logo os seus conselhos foram de tal modo atuados que, relativamente ao matrimônio há quase mais honestidade e dignidade na Turquia que entre os nossos evangélicos da Germânia”.


    Lutero e Calvino vituperaram o culto dos santos,
    mas acabaram sendo cultuados como santos à moda evangélica.
    Incorreram nas mesmas contradições a respeito da família.
    Vitral da igreja evangélica de Wiesloch, Baden-Wurtenberg, Alemanha.

    Fonte
    : Fr. Staphuylus, Nachdruck zu Verfechtung des Buchs vom rechten wahren Vorstandt des goettichen Worts, etc., Ingolstadt, 1562, fol. 202 b.

    Com a degeneração do matrimônio a mulher caiu no desprezo e na ignomínia. Mais que nenhum outro, para isso contribuiu Lutero com uma indignidade sem nome. Para o reformador a mulher não passa de “um animal estúpido” (Weimar, XV, 420), simples instrumento de satisfações sensuais do homem. Na vilania de sua linguagem, chega compará-la a uma vaca prenhe:

    “também as mulheres se cansam e finalmente arrebentam durante a gestação; não importa, deixá-las arrebentar, são para isso”. Erl. XX, 84.

    Façamos ponto aqui. Repugna-nos transcrever citações como estas.

















    Da ‘segunda união’ ao ‘amor livre’ pelo divórcio e a poligamia


    Hnrique VIII, com a terceira mulher Jane Seymour
    de quem divorciou logo a seguir, (Hans Holbein).

    Também aqui um exemplo do alto devia inaugurar ruidosamente na cristandade o divórcio sancionado pelas autoridades religiosas da Reforma.

    Depois de 19 anos de união conjugal com Catarina de Aragão obcecado por uma paixão ilegítima, pediu Henrique VIII a dissolução do matrimônio sob pretexto de nulidade.

    Negou-lha a Igreja, que à complacência de frontes coroadas nunca sacrificou um princípio moral.

    Henrique rompe com a Sé Apostólica; a Tomás Moore, que, com serena hombridade, lhe repetia o non licet do Batista, manda, novo Herodes, decepar a cabeça; arvora-se em reformador e une-se com Ana Boleyn, que manda decapitar quatro meses depois.

    No dia da execução, o rei vestiu-se de branco e na manhã seguinte esposa Joana Seymour. Falecida Seymour a breve trecho, une-se a Ana de Cleves, para despedi-la logo, porque lhe não agradava.

    Agrada-lhe, porém, Catarina Howard, mas por pouco; seis meses apenas volvidos, manda cortar-lhe a cabeça por adultério. Finalmente casou com Catarina Paar, que sobreviveu ao tirano, e duas semanas depois da sua morte, já havia contraído novas núpcias.

    Fonte: Cfr. Dixon (protestante), History of the church of England from the aboliton of the roman jurisdiction, I, 384; II, 327; III, 9.

    E mister retroceder aos anos de decrepitude do paganismo e às monstruosidades impudicas e sanguinárias de Calígula ou de Tibério, para encontrar espetáculo semelhante. E foi neste charco de lodo e sangue que se embalou o berço da Reforma na Inglaterra!


    Jan van Leiden, líder da seita extremista 'anabatista'
    instalou em Münster um regime teocrático comunista e com poligamia.

    O divórcio é uma poligamia sucessiva.
    Quem o autorizou, por que havia de recuar diante da poligamia simultânea?

    Por que não havia de pregar para o homem “os costumes fanerógamos”, que mais tarde reclamará Fourier? Foi quanto fez o protestantismo.

    Os anabatistas logo de princípio professaram e praticaram, sem pejo, a mais desavergonhada poligamia. João de Leida, um dos seus chefes, contava nada menos que 14 mulheres.

    Direis: extremos de uma facção que se atirou logo à nimiedade dos mais escandalosos excessos de que se não deve responsabilizar toda a Reforma. Não, engano.

    O ponto foi estudado, discutido, à luz das Escrituras já se vê, e sancionado pelos grandes mestres da seita.

    Num comentário sobre o Gênese, afirma Lutero que “não é proibido ao homem ter mais de uma mulher”. Havendo Carlostadt autorizado uma bigamia, o chefe, consultado, respondia a 13 de janeiro de 1524:

    “Confesso chãmente não poder proibir que alguém tenha muitas mulheres. À Escritura não repugna; não quisera, porém, ser o primeiro a introduzir este exemplo entre cristãos”.

    Fonte: De Wette, II, 459.

    Em 1527:

    “Não é proibido que um homem possa ter mais de uma mulher; eu ainda hoje não o poderia impedir, mas não o quero aconselhar”.

    Weimar, XXIV, 305.

    O mesmo repete em 1528, Weimar, XXVI, 523 e em 1539, De Wette, VI, 243. No De Captivitate Babyloniae (Weimar, VI, 558) aconselha dessasombradamente a poligamia e a poliandria.

    Um episódio tirou-o logo desta hesitação e ofereceu-lhe a oportunidade de uma aplicação solene de sua edificante teoria.

    Felipe, landgrave de Hesse, não estava satisfeito com uma só esposa; queria outra de sobressalente para as freqüentes viagens fora dos seus domínios.

    Uma segunda consorte volante, além de muitas outras vantagens, representava a economia de enorme dispêndio no deslocamento da corte.

    Mas, evangélico de consciência delicada, queria estar em paz com Deus e a sua igreja. Recorre, para isto, aos representantes autorizados do novo cristianismo.


    Felipe, landgrave de Hesse: Lutero lhe autorizou ter várias mulheres.

    Na instrução dada a Bucero, o príncipe luterano declarava “que não queria por mais tempo ficar nos laços do demônio, mas que, para se libertar deles, não podia nem queria tomar outra via senão a que indicava (a da bigamia), e, por isso, pedia a Lutero, a Melanchthon e ao próprio Bucero que lhe dessem uma declaração por escrito, autorizando a segui-la”.

    Assim, acrescentava ele, “se poderia viver mais alegremente, morrer pela causa do Evangelho, e empreender-lhe a defesa” contra os adversários.

    Uma vez obtida a almejada licença, “far-lhes-ia tudo o que razoavelmente lhes pedissem como os bens dos mosteiros ou outras coisas semelhantes”. Em caso de recusa, ameaçava-lhes politicamente de recorrer ao imperador.

    O landgrave sabia tocar todas as teclas sensíveis aos reformadores: o receio de um apelo ao imperador (era Carlos V), a perspectiva de novos bens eclesiásticos, a promessa de pôr as armas ao serviço do evangelho contra os papistas.

    Quem, por um pontinho insignificante de moral cristã, havia de resistir à bateria de tantas seduções?

    Reuniu-se o conselho, folheou-se a Escritura... e tudo se pôde legitimar. “Em consciência tranqüila podia o landgrave esposar segunda mulher, se a isto estivesse decididamente resolvido, contanto que o caso se conservasse secreto”.

    O crime, praticado às ocultas, deixava de o ser. De fato, o segundo matrimônio foi celebrado em forma.

    O príncipe declarou tomar segunda esposa “não por leviandade ou curiosidade”, senão por “necessidades inevitáveis do corpo e da consciência, que sua alteza havia explicado a muitos doutos, prudentes, cristãos e devotos pregadores, os quais lhe haviam aconselhado de assim tranqüilizar a alma e pôr em paz o espírito”, escrupuloso e delicado.

    Com efeito, o precioso documento de autorização havia sido assinado por Lutero, Melanchthon, Bucero e cinco outros evangélicos teólogos de Wittemberga.

    Fonte: Quem não dispuser de outros livros à mão poderá consultar os documentos autênticos deste edificantíssimo episódio em Bossuet, Histoire de variations, em anexo ao l. VI, ou melhor ainda em Janssen, Geschichte des deutschen Volkes,III (17-18), pp. 450-454, onde vêm indicadas as fontes.




    Extinguindo a santidade do matrimônio com a pastoral ‘misericordiosa’ de Lutero


    Martinho Lutero arvorou o estandarte da incontinência
    e atraiu os que são consumidos pelas paixões animais.

    Custa a crer, mas a realidade histórica entra-nos pelos olhos com a força convincente de uma evidência irrecusável.

    O exemplo do landgrave não ficou sem imitadores nas cortes protestantes. Jorge IV (m. 1694), príncipe eleitor da Saxônia, vivendo a primeira mulher, casou-se publicamente com uma concubina, alegando a autoridade da Escritura e os exemplos de concessão semelhante outorgada “pela nossa igreja”.

    Frederico Guilherme II, que já tinha dado a mão direita à rainha, deu a esquerda a Júlia de Voss.

    O Rev. Zoellner pregador da corte a 25 de maio de 1787 abençoou o novo matrimônio na capela do castelo de Charlottemburgo. Eberardo Luís (m. 1739), duque de Würtemberg, Carlos Luís (m. 1680), príncipe eleitor palatino, Frederico IV (m. 1730) rei da Dinamarca, com público matrimônio, duplicaram solenemente as respectivas esposas.

    A abolição do celibato, a permissão do divórcio, a sanção oficial da poligamia, pregadas, praticadas, inculcadas, autorizadas pelos chefes reformistas, fácil é de ver que repercussão corruptora teriam nas multidões iluminadas pela luz do novo e consolador evangelho.

    A dissolução extravasou como uma cheia imunda e ameaçou afundar a sociedade numa inundação de lama. Aos documentos.

    Em 1552 escrevia Staupitz a Lutero que a sua doutrina só era abraçada pelos que “lupanaria colunt”. Fonte: De Wette, II, 215.

    “Sob este reino do Evangelho, dizia Wizel, vêem-se homens e mulheres que no mesmo dia da morte do próprio consorte já se ocupam em lhe dar sucessor.

    “Há quem creia de boa fé ser consoante ao espírito do evangelho não ficar um instante sem mulher e tema pecar conservando-se alguns meses em estado de viuvez”.

    Fonte: Wizel, Von den todten und ihrem Begraebnisse,Leipzig, 1536, G. a B.

    “Desde que Lutero, é Czecanovius quem fala, arvorou o estandarte da incontinência, todos os que comem, bebem e sentem o aguilhão das paixões animais, correram sem pejo a alistar-se sob a nova bandeira.

    Os jovens não cessam de entregar-se abertamente à dissolução... e as jovens desonradas sabem, como os jovens, entrincheirar-se nos seus vícios com as leis de Lutero”.


    Extinguindo a santidade do matrimônio com a pastoral ‘misericordiosa’ de Lutero
    o inferno entrou na família.

    Fonte
    : Sylvester Czecanovius, De corruptis moribus utriusque partis, pontificorum videlicet et evangelicorum, s. l. et a. F. 3. ss.
    A imoralidade subiu a tal ponto que no dizer de Ossiandro (1537):

    “coisa monstruosa! a inocência e a honra das mulheres correm justamente maiores perigos entre os que mais interesse têm em conservá-las, entre os próprios parentes”.

    Fonte
    : Osiander, V. d. verbotenen Heirathen,A. 2.

    Aos lamentos individuais vêm associar-se as medidas de ordem pública.

    Em Norimberga vemos que nos anos de 1524, 1525 e 1527 o conselho não pôde dar vazão aos processos de bigamia que se amontoavam de um dia para outro; por este motivo, dirige-se aos doutos para saber que providências cumpria adotar a fim de obviar as graves consequências da nova doutrina sobre o matrimônio.

    Fonte: Cfr. Nürnberg Rathsbücher,1524, Fasc. III, fol. 6; 1525, Fasc. XI, f. 9, II, 16; 1527; Fasc. XIV, f. 2, 5.

    Em Würtemberg, no ano de 1534, promulga-se uma ordenação contra as pessoas brutais que, conculcando os sentimentos do pudor mais rudimentar entre povos civilizados, não se pejavam de contrair matrimônios com consanguíneos do 3º e 2º grau (entre irmãos e irmãs: Lutero declarara lícitas semelhantes uniões).

    Na lei sobre o matrimônio publicada em 1586, na mesma cidade, queixava-se o legislador “que a dissolução se tomava tão comum que apenas se considerava como pecado”.

    Fonte: Sattler, Würtemberg, Gesch, III, Beil, p. 140; V. 102.

    No principado de Ansprach, uma memória dirigida em 1530 ao margrave Jorge pede-lhe:

    “a fundação nos seus estados de um tribunal matrimonial para dar despacho ao grande número de petições de separação e processos de adultério, para os quais já não eram bastantes os juízes ordinários”.

    Dois anos depois André Altamer suplicava de novo ao príncipe

    “quisesse levar em séria consideração a frequência, de dia para dia, mais notável, dos adultérios, a fim de que se possam determinar os meios de repressão de tão grande mal e ao mesmo tempo pôr obstáculos ao divórcio e ao concubinato que, a se descurarem, acabarão por invadir toda a sociedade”.

    Fonte: Religionsakta, t. XI. Ver a miscelânea em apêndice.
    Trocava-se de mulher como se troca de roupa branca ou de cavalo

    Na Saxônia, na Prússia, no Brunswick e no Hannover idênticas providências públicas contra a corrupção introduzida pela Reforma.

    Fora da Alemanha, o puro evangelho produziu os mesmos efeitos desastrosos.

    Na Dinamarca, Frederico II, em 1576, toma sérias medidas contra as transgressões do 6º mandamento.

    “Assim o fazemos, rezava o decreto, em consideração das inumeráveis queixas que nos chegaram da medonha libertinagem que reina presentemente em nossos estados entre jovens e senhoras casadas. ...”

    Na Suécia, uma ordenação de 1554 chama a atenção dos magistrados contra o mesmo vício,

    “visto como os habitantes das fronteiras que fazem frequentes viagens entre a Suécia e a Dinamarca não costumam ligar grande importância aos vínculos contraídos, tomam e deixam sucessivamente várias mulheres como quem muda de roupa branca ou de cavalos”.

    Na Noruega, dirigida a Frederico IV em 1714, os “bispos” confessam que:

    “com exceção de poucos filhos de Deus, entre nós e os pagãos, nossos ascendentes só há uma diferença: é que nós temos o nome de cristãos”.

    Fonte: Cit. por Doellinger, Kirche und Kirchen, München, 1861, p. 362.

    Na Inglaterra, o próprio Henrique VIII declara ao parlamento que as consequências imediatas da Reforma foram

    “a caridade esmorecida, a lei de Deus desprezada, a avareza, a opressão, o homicídio, a venalidade da justiça, a corrupção do clero, o adultério, a libertinagem, a inveja nos grandes, a insolência e a revolta do povo”.

    Fonte: Cit Aug. Nicolas, Du protestantisme et de toutes les hérésies dans leur rapport avec le socialisme, L. III, c. 4 (na trad. italiana, Milano, 1857, p. 238).




    O ‘reino do Evangelho’ vira ‘império da embriaguez e de todos os vícios’


    Lutero: “Quando eu era jovem, a embriaguez era grande ignomínia
    ... (agora) a Alemanha é um país pobre, ferido pelo diabo do copo
    e de todo submergido neste vício”
    Ilustração: 'O vinho da festa de São Martinho'.
    Pieter Bruegel (1525-1530 — 1569), detalhe.

    Companheiras inseparáveis da impureza são a embriaguez e a crápula; uma não cresce sem que se desenvolvam as outras.

    “Os nossos bons velhos, diz o reformador Diogo André, não admitiam os bêbados em nenhuma função pública; o mundo os detestava; as crianças perseguíam-nos nos campos com gritos e apupos como a seres abjetos e opróbrio da espécie humana.

    “Ora, se estes eram os sentimentos dos nossos pais, num tempo em que o mundo vivia ainda nas trevas da idolatria papística, como nos poderemos justificar diante de Deus, nós que retouçamos na crápula entre os esplendores da luz evangélica?

    “Perguntará talvez alguém como explicar que poucos anos tenham bastado a soltar as rédeas a vicio tão execrando e que os nossos maiores tinham em tanto horror.

    “Ao que responderei que só por malefício do demônio se poderá explicar tão grande mal”.

    Fonte: Jacobus Andreas, Erinnerung nach dem Lauf der Planeten gestellt, Tübingen, 1568, p. 440.
    Veit Dietrich: “de todos os lados se clama que os homens
    são hoje piores que antes da propagação do evangelho...
    não se via outrora esse exército de sórdidos avarentos e onzeneiros”.
    A Festa de Baco, Diego Velázquez (c.1628-9)

    Com André concorda o próprio Lutero.

    “Quando eu era jovem, a embriaguez era uma grande ignomínia na nobreza... mas presentemente ela é mais frequente entre os nobres que entre os camponeses.

    “Seu horror e vergonha contaminou também a juventude que aprende dos velhos... Por isso, a Alemanha é um país pobre, castigado e ferido pelo diabo do copo e de todo submergido neste vício”.

    Fonte: Erl., VIII, 293 ss.

    Leia-se todo este lugar. Por esse tempo chegou a formar-se na Alemanha uma ordem de beberrões, provavelmente em substituição das antigas ordens monásticas.

    Primeira condição para ser nela admitido era a capacidade de beber bem. O resto seguia-se naturalmente...

    Nos charcos da dissolução não há seiva para o espírito de sacrifício e sem sacrifício definha e morre a mais bela das virtudes, a caridade cristã.

    Em seu lugar crescem e desenvolvem-se todos os vícios que gravitam em torno do egoísmo: avareza, usura, rapacidade, ambição, opressão de fracos e pobres. é o triste espetáculo que ainda nos oferece a Reforma.

    “De todos os lados se clama que os homens são hoje piores que antes da propagação do evangelho. Com efeito não se via outrora esse exército de sórdidos avarentos e onzeneiros que são a vergonha do nosso tempo...

    “Os que outrora eram acusados de usurários eram santos em confronto destes ignóbeis judeus que, se bem se contem entre as pessoas honestas, engordam hoje com a substância dos pobres...




    A tentação de Santo Antônio.
    Hyeronimus Bosch (ca. 1450-1516), detalhe.

    “De que poderá isto provir? O mundo acusa a boa semente, a santa palavra e é natural.

    “Os papistas, nossos adversários, não são tão cegos que não vejam o escândalo, a avareza, o egoísmo, a cobiça, a usura, o orgulho, o luxo, a intemperança, a blasfêmia, a libertinagem, a mentira, etc., que se acobertam com o Evangelho.

    “Dizem que todas estas abominações são seus frutos. Se a doutrina fosse boa, argumentam eles, os costumes seriam como ela. Não há dúvida que tudo isso causa grande prejuízo ao nosso evangelho”.

    Fonte: Veit Dietrich, Kinderpostille, Nürnberg, 1546, f. 34, 62, 76..

    Excelente, precioso evangelho!

    “Lançai um olhar sobre as transações cotidianas assim entre pastores: como entre a gente do mundo. Que vedes senão egoísmo, avareza, rapacidade?

    “Hoje, reina o dinheiro. Combatem-se, dilaceram-se, arruínam-se mutuamente os homens só por havê-lo...

    “Refinaram com tanta sutileza os meios de ganhar e gozar que se chegou a perder o sentimento da vergonha e do opróbrio...

    “Não há mais consciência, não há mais remorso desde que os homens se persuadiram que as obras não valem e que só a fé basta para a salvação”.

    Fonte: Frank's Chronik, I, F. 262, a. b. Ed. 1565.

    Infelizmente é-me necessário ter mão nas citações, que se poderiam ainda multiplicar sem outra dificuldade que a da escolha.




    Desaparição do amor e do respeito ao pobre



    Não posso, porém, deixar de chamar a atenção dos leitores para as modificações introduzidas pela Reforma nas relações de caridade entre ricos e pobres.

    A introdução do protestantismo vibrou um golpe de morte contra o espírito da fraternidade cristã.

    Desapareceram o amor e o respeito ao pobre.

    Aboliram-se, aos poucos, os santos costumes que tanto contribuíam para estreitar os laços de simpatia entre os que a Providência desigualou na fortuna.

    É impossível não ver nesta ruptura com as tradições da genuína caridade cristã a primeira origem das rivalidades e ódios de classes que, aumentando com a revolução francesa, vieram em nossos dias a desencadear-se como verdadeiro cataclismo social, que ameaça a estabilidade da civilização moderna.

    Fiéis ao nosso programa, demos a palavra a testemunhas contemporâneas.

    “No passado havia cristãos que amavam os pobres ao extremo de chamá-los seus senhores, seus filhos; lavavam-lhes os pés; davam-lhes de comer, serviam-nos à mesa como nosso Senhor Jesus Cristo.

    “Hoje, se lhes proíbe a entrada nas cidades; expulsam-nos e fecham-lhes a porta no rosto como se foram réprobos e inimigos públicos...

    “Que purificação da Igreja! Que Reforma! Que elementos de união e de concórdia!”.

    Fonte: Wizel, Relectio luterismi, II, f. 91-246.

    Falando do pauperismo na Inglaterra, tivemos ensejo de notar como entre os protestantes se perpetuou semelhante maneira de tratar a pobreza desvalida.

    “Era uso antigo na Saxônia, diz-nos outro reformador, quando se convidava algum estranho, de trazer uma grande bandeja, chamada a bandeja de Deus, na qual de todos os pratos se punha uma porção para os pobres.

    “Este caridoso uso infelizmente já vai muito em decadência nas nossas famílias. Era também costume nos domingos e dias de festa oferecer jantar a algum pobre pensionário do hospital ou a outro indigente.

    “Hoje só em poucas famílias se conserva esta boa usança”.

    Fonte: Chemnitz, Postille, p. 517. Sermão para a XVII Dom. depois da SS. Trindade.

    Façamos ponto aqui e concluamos. Evidentemente, a Reforma traz no seu nome o mais pungente dos epigramas. A história no-la mostra, como um grande aborto moral.

    Em baixo deste quadro de cores tão carregadas escrevei as inocentes palavras do Sr. Carlos Pereira:

    “A Reforma pôs um dique a esses desregramentos... o puritanismo protestante salvou o mundo da completa dissolução dos costumes”.

    Bibliografia
    .



    Balmes, El protestantismo comparado con el catolicismo,c 23-32;

    Baudrillart, L'Eglise calholique, la Renaissance et le Protestantisme, Paris, 1908 ;

    H. Denifle, Luther und Luthertum in der ersten quellenmaessig dargestellt, Mainz, 1904, t. 1 passim ;

    Doellinger, Die Reformation, ihre innere Entwicklung und ihre Wirhungem im Umfange des lutherischen Bekenntnissen,Regensburg, 1846-1848, t. II, pp. 427-452 ; t. III;

    Grisar, Luther, Freiburg i. B., 1911, c. 21, pp. 538-63 ;

    Janssen, Geschichte des deustschen Volkes t. VIII, Freiburg i. B., 1894 pp. 359-493;

    Auguste Nicolas, Du protestantisme et de toutes les hérésies dans leur rapport avec le socialisme, l. II, cc. 4-5; l. 111, c 4 ;

    Henry O' Connor, The only reliable evidence concerning Martin Luther, London, Burns & Oates, 1884, pp. 50-57.
    FIM



    Autor: Pe Leonel Franca S.J., “A Igreja, a Reforma e a Civilização”, in Obras completas do Pe Leonel Franca S.J., vol. II, 7ª ed., Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro, 1958. (págs. 375-405)
    O livro “A Igreja, a Reforma e a Civilização” do Pe. Leonel Franca S.J.



    Luz de Cristo x trevas da irracionalidade: Pe. Leonel Franca S.J.

  5. #65
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    Re: Lutero, no y no

    Profissão de fé de São Pedro Canísio S.J.: “abomino Lutero, detesto Calvino, amaldiçoo todos os hereges”

    São Pedro Canísio S.J. (1521-1597).
    Doutor da Igreja chamado “Martelo dos Hereges”.
    São Pedro Canísio S. J. (1521-1597), holandês foi o primeiro jesuíta da província alemã da Companhia de Jesus.

    É considerado pela Igreja como o segundo mais importante apóstolo da fé católica na Alemanha, após São Bonifácio.

    Foi apelidado “Martelo dos Hereges” pela clareza e eloquência com que criticava as posições dos cristãos não católicos. Foi canonizado e proclamado Doutor da Igreja pelo Papa Pio XI em 1925.

    Veja mais sobre a vida de São Pedro Canísio em CATOLICISMO.

    Assim reza a Profissão de fé do santo e douto jesuíta:

    Professo diante de Vós a minha fé, Pai e Senhor do Céu e da terra, Criador e Redentor meu, minha força e minha salvação, que desde os meus mais tenros anos não cessastes de nutrir-me com o pão sagrado da vossa Palavra e de confortar o meu coração.

    A fim de que eu não vagasse, errando como as ovelhas transviadas que não têm pastor, Vós me congregastes no seio de vossa Igreja; colhido, me educastes; educado, continuastes a me ensinar com a voz daqueles Pastores nos quais Vós quereis ser ouvido e obedecido como em pessoa pelos vossos fiéis.

    Confesso em alta voz, para a minha salvação, tudo aquilo que os católicos sempre acreditaram de bom direito em seus corações.

    Abomino Lutero, detesto Calvino, amaldiçoo todos os hereges; não quero ter nada em comum com eles, porque não falam nem ouvem retamente, nem possuem a única regra da verdadeira Fé proposta pela Igreja una santa católica apostólica e romana.

    Uno-me, em vez disso, na comunhão, abraço a fé, sigo a religião e aprovo a doutrina daqueles que ouvem e seguem a Cristo, não apenas quando ensina nas Escrituras, mas também quando julga pela boca dos Concílios Ecumênicos e define pela boca da Cátedra de Pedro, testemunhando-a com a autoridade dos Padres.

    Professo-me também filho daquela Igreja romana que os ímpios blasfemos desprezam, perseguem e abominam como se fosse anticristã; não me afasto de nenhum ponto de sua autoridade, nem me recuso a dar a vida e derramar o meu sangue em sua defesa, e creio que os méritos de Cristo podem obter a minha salvação e a de outros somente na unidade desta mesma Igreja.

    São Pedro Canísio S.J. col priv.
    O segundo maior apóstolo da fé católica na Alemanha.
    Professo francamente, com São Jerônimo, de ser unido com quem é unido à Cátedra de Pedro, e protesto, com Santo Ambrósio, seguir em todas as coisas aquela Igreja romana que reconheço respeitosamente, com São Cipriano, como raiz e mãe da Igreja universal.

    Confesso essa Fé e doutrina que aprendi ainda criança, confirmei na juventude, ensinei como adulto, e que agora, com minha força débil, defendi.

    Ao fazer esta profissão, não me move outro motivo senão a glória e honra de Deus, a consciência da verdade, a autoridade das Sagradas Escrituras, o sentimento e o consenso dos Padres da Igreja, o testemunho de fé que devo dar aos meus irmãos e, finalmente, a salvação eterna que espero no Céu e a felicidade prometida aos verdadeiros fiéis.

    Se acontecer de eu vir a ser desprezado, maltratado e perseguido por causa desta minha profissão, considerá-lo-ei uma graça e um favor extraordinários, porque isso significará que Vós, meu Deus, me destes a ocasião de sofrer pela justiça e não quereis que me sejam benevolentes aqueles que, como inimigos declarados da Igreja e da verdade católica, não podem ser vossos amigos.

    No entanto, perdoai-os, Senhor, porque, instigados pelo diabo e cegados pelo brilho de uma falsa doutrina, não sabem o que fazem, ou não querem saber.

    Concedei-me, contudo, esta graça: de que na vida e na morte eu renda sempre um testemunho autêntico da sinceridade e fidelidade que devo a Vós, à Igreja e à verdade, que não me afaste jamais do vosso santo amor, e que esteja em comunhão com aqueles que Vos temem e guardam os vossos preceitos na Santa Igreja romana, a cujo juízo, com ânimo pronto e respeitoso, eu me submeto e toda a minha obra.

    Todos os santos, triunfantes no Céu ou militantes na terra, que estais indissoluvelmente unidos no vínculo da paz na Igreja Católica, mostrai a vossa imensa bondade e rezai por mim.

    Vós sois o princípio e o fim de todos os meus bens; a Vós sejam dados, em tudo e por tudo, louvor, honra e glória sempiterna. Amém.


    (Fonte: Pe. Benigno Hernández Montes, S.J. (1936-1996), “San Pedro Canisio, autobiografia y otros escritos”, Editorial Sal Terrae, Santander, 2004, 366 páginas. Cfr. páginas 121 e 122. Link: CLIQUE AQUI)

    Nota do Autor: 97. Esta profissão de fé foi impressa por Canísio em vários de seus livros a partir de 1571, ano em que a publicou por vez primeira em sua Summa doctrinae christianae.

    As principais razões desta pública profissão da fé foram que em 1568 espalhou-se em algumas regiões que Canísio tinha ficado protestante e que alguns de seus adversários (como Felipe Melanchton, João Marbach e João Gnyphaeus) afirmavam em seus livros que Canísio defendia a doutrina católica malgrado saber que era falsa.

    Nesta belíssima página Canísio manifesta sua firmeza na fé católica, sua adesão inquebrantável à Igreja de Roma e ao Sumo Pontífice, seu rechaço frontal do protestantismo e a disposição a dar sua vida pela Fé católica. (id. ibid., p. 121)


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  6. #66
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    Re: Lutero, no y no

    Nueva York, junio 2017, mes del Sagrado Corazón de Jesús. El pasado mes de abril se puso a la venta el libro Luther and His Progeny. 500 Years of Protestantism & Its Consequences for Church, State, and Society (Lutero y su progenie. 500 años de protestantismo. Sus consecuencias para la Iglesia, el Estado y la sociedad). Una edición al cuidado del Profesor John C. Rao que reúne las intervenciones en el XXIV simposio veraniego de The Roman Forum, celebrado hace un año en Gardone Riviera. Éste se inscribió en la serie de congresos y actos varios que iniciara en abril de 2016 el Consejo de Estudios Hispánicos Felipe II junto con la Asociación Mexicana de Juristas Católicos, para contrarrestar la exaltación de la Protesta luterana que, contra la Fe y contra la historia, desencadenaría poco después el establishment vaticanosegundista.

    El volumen que ahora reseñamos viene también a unirse a las publicaciones de gran envergadura que sobre el mismo tema han ido apareciendo durante los últimos meses. De las cuales fueron también pioneras las promovidas por el Consejo Felipe II. Tras una introducción cuyo título ("Medio milenio de depravación total, 1517-2017") remite al de las jornadas de Gardone Riviera en las que hubo origen, Luther and His Progeny se abre con un ensayo de su propio editor, seguido de otros --de interés variable-- por Thomas H. Stark, Sebastian Morello, Miguel Ayuso, Christopher A. Ferrara, Richard A. Munkelt, Brian M. McCall, Brian Muzas, Ignacio Barreiro Carámbula, John Hunwicke y Clemens Cavallin. Doscientas noventa densas páginas que cubren múltiples aspectos sobre el heresiarca, sobre el luteranismo y sobre sus consecuencias en todos los órdenes.

    Puede verse parte de sus páginas en Amazon, y consultarse diversas opiniones sobre el libro en la web de Angelico Press.


    AA.VV. (Rao, John C., ed.), Luther and His Progeny. 500 Years of Protestantism & Its Consequences for Church, State, and Society. Angelico Press, Kettering 2017. 290 páginas. ISBN (rústica) 978-1-62138-254-6. ISBN (tela) 978-1-62138-255-3.


    Agencia FARO

  7. #67
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    Re: Lutero, no y no

    Martín Lutero: mitos y realidades

    Las celebraciones en torno al quinto centenario del cisma luterano, que impulsó el monje agustino, obvian los aspectos más oscuros de su figura y legado. El manto religioso oculta un conflicto político y nacionalista


    MARÍA ELVIRA ROCA BAREA


    Dice la leyenda que el 31 de octubre de 1517 el monje agustino Martín Lutero (1483-1546), escandalizado por el vergonzoso espec*táculo que la Iglesia ofrecía e indignado por la venta de indulgencias, clavó en las puertas de laiglesia de Wittenberg las 95 tesis que desafiaban el poder de Roma. Se cumplen por tanto 500 años y Alemania está celebrando con fasto este aniversario. Merkel y Obamahomenajearon el 25 de mayo a Lutero en la puerta de Brandeburgo y por las mismas fechas se inauguró una espectacular exposición en Wittenberg. Esto, por citar sólo alguno de los eventos más destacados. Desde que acabó la II Guerra Mundial los aniversarios luteranos (nacimiento, muerte, 95 tesis, iluminación divina durante la tormenta de 1505…) apenas revestían relevancia. Pero ahora esto ha cambiado. ¿Por qué?

    El gesto descrito a las puertas de la iglesia de Wittenberg es la representación mítica y ritual de lo que significó Martín Lutero para el entonces llamado Sacro Imperio Germánico. Hace mucho que se duda de que clavara sus tesis; las menciones al acto desafiante aparecen mucho después conforme se va adornando y mitificando al personaje Lutero y al cisma que trajo consigo. Pero, si non è vero, è ben trovato. Resulta mucho menos heroico mandar por correo —que es lo que con toda probabilidad sucedió— el texto de protesta al obispo de Maguncia. Así que el gesto simbólico conserva hoy toda su prosopopeya teatral pero era mucho más épico en aquel tiempo, porque el hombre del siglo XVI sabía que este era el modo en que se daban a conocer los llamados carteles de desafío, con los que un caballero insultaba públicamente a otro y le retaba a duelo. Había que responder, si no, quedaba deshonrado para siempre. Hay en la figura de Lutero un componente de heroísmo a toro pasado muy interesante para comprender su significado en la historia de Alemania y sí, no se sorprenda el lector, en la de España.


    El cisma luterano es la manifestación de un problema político, y haberlo mantenido en el orbe de lo religioso enturbia completamente su comprensión. A través de él se expresa el nacionalismo germánico de la primera hora y por eso Martín Lutero es celebrado y exaltado en Alemania cada vez que a ese nacionalismo le sube la temperatura. Desde la II Guerra Mundial no se ha conmemorado de manera significativa ninguna efemérides luterana. En 1983 pasó sin pena ni gloria en la RFA el quinto centenario del nacimiento de Martín Luteroque tan festejado fue en tiempos de Bismarck. Así, por ejemplo, el 10 de noviembre de 1883, el emperador Guillermo I encabezó el desfile del cuarto centenario del nacimiento de Martín Lutero en Eisleben.


    Lutero fue el gran valedor de las oligarquías, el garante religioso de un feudalismo tardío que mantuvo a Alemania en el atraso y la pobreza



    En Historia del año 1883 Emilio Castelar escribe: “Los pueblos protestantes han celebrado el cuarto centenario de Lutero con universales jubilaciones”; y también que aunque “los católicos y los protestantes de Alemania no han podido acordarse para celebrar al creyente, se han acordado para celebrar al patriota”. Pero lo más interesante es el colofón: “Nosotros, que no pertenecemos a la religión luterana ni a la raza germánica, españoles y católicos de nacimiento, podemos celebrar sin escrúpulo al que, iniciando la libertad de pensamiento y examen, ha iniciado las revoluciones modernas, a cuya virtud hemos roto nuestras cadenas de siervos y proclamado la universalidad de la justicia y del derecho”. No necesitamos por tanto ir a Wittenberg y leer los textos que comentan la espectacular exposición. Lo que allí se cuenta es exactamente lo mismo que Castelar nos dice: Lutero, el padre de la libertad religiosa en Europa; Lutero, el héroe por cuyo esfuerzo sin par este continente se libró de las tinieblas y de la esclavitud. Dice Castelar que “hemos roto nuestras cadenas”. A Lutero le debemos nada menos que “la justicia y el derecho”, porque resulta evidente que los españoles no teníamos. Qué simpático resulta esto de que los hijos de Roma desconozcan el Derecho, los pobres.

    Y, claro está, si Lutero rompe cadenas es que había cadenas que romper y alguien las había puesto. Si trae la libertad de pensamiento es que tal cosa no existía, ¿y quién lo impedía? No hace falta ni nombrarlo pero está ahí, constantemente presente: el oscuro y siniestro Imperio español y católico. Para que el héroe Lutero exista tiene que haber un monstruo al que él se enfrente. Si no hay monstruo, no hay héroe. Quien visita hoy Wittenberg o cualquiera de las muchas exposiciones y celebraciones que pueden verse en Alemania, incluso si es español y católico —especialmente si es español y católico— no ve el decorado que hace posible el brillo germánico. Cuando digo católico no quiero decir creyente. La fe es irrelevante en este contexto. Nos referimos a quienes han nacido en un país de cultura católica. Porque ese relumbrón germánico ha necesitado siglo tras siglo como condición sine qua non para su exaltación que el sur mediterráneo sea oscuro y atrasado, inmoral y decadente, vago y poco fiable. Es en tiempos de Lutero cuando el adjetivo welsch —una denominación geográfica poco precisa para referirse al sur— pasó a significar latino o románico, y malvado e inmoral al mismo tiempo.


    La “libertad luterana” no resiste una mirada cercana y libre de prejuicios. Comenzó provocando una guerra espantosa que se llamó la Guerra de los Campesinos y que dejó más de 100.000 muertos en los campos del Sacro Imperio. Porque los campesinos se creyeron de verdad aquellas exaltadas predicaciones en boca de Lutero y de otros que clamaban contra las riquezas acumuladas por los poderosos de la tierra con Roma como garante de tales injusticias. Esto provocó una convulsión social como no se ha conocido otra enEuropa hasta la Revolución Francesa. Los príncipes alemanes, cuyo propósito era básicamente oponerse al emperador, no pensaron que alentar aquella efervescencia antisistema (Carlos V y el catolicismo) pudiera volverse contra ellos, pero tuvieron que enfrentarse a una revuelta de proporciones gigantescas. Algunos clérigos revolucionarios como Müntzer, llamado el teólogo de la revolución, se mantuvieron fieles a sus principios hasta el final y fueron ejecutados, pero Lutero decidió sobrevivir. Desde comienzos de 1525, tras la muerte de Hutten y Sickingen, los dos cabecillas revolucionarios que lo habían amparado, Lutero se pone al servicio de los príncipes alemanes y alienta la violencia brutal con que los grandes señores germánicos acabaron con estas rebeliones de campesinos: “contra las hordas asesinas y ladronas mojo mi pluma en sangre, sus integrantes deben ser estrangulados, aniquilados, apuñalados, en secreto o públicamente, como se mata a los perros rabiosos”.


    Desde entonces Lutero se convierte en el gran valedor de las oligarquías señoriales, en el garante teológico de un feudalismo tardío que mantuvo a Alemania en un estado de pobreza y atraso ya superado en España y en la mayor parte del sur. El enquistamiento por la vía religiosa de estas oligarquías impidió la unificación de Alemania e hizo posible una supervivencia anómala del sistema feudal en esa parte de Europa. Casi todo el mundo sabe que el régimen de los siervos duró en Rusia hasta el siglo XIX, pero se ignora que en Alemania también, notablemente en las zonas protestantes. Uno de los primeros estados en abolir las leyes de servidumbre fue la católica Baviera en 1808, pero el proceso no culminó hasta mediados del siglo en la zona oriental. Bien. Esto por lo que respecta a Lutero como libertador social. Vamos ahora a Lutero como libertador mental.

    Casi la cuarta parte de las propiedades del Sacro Imperio cambiaron de manos. No hubo un latrocinio igual hasta la Revolución Rusa


    Libertad religiosa o libre examen son dos iconos lingüísticos acuñados por Lutero que no tuvieron nunca un reflejo en la realidad, como demuestra primero la lógica y luego la historia.

    Supuestamente el libre examen significa que el cristiano debe entenderse con Dios directamente a través de los textos sagrados, sin intermediarios gravosos e inmorales como “los romanos” (así llamaba Lutero al clero católico, aunque fuesen tan alemanes como él). Si esto es así, hay una consecuencia inmediata: la desaparición del clero por innecesario. La evidencia demuestra que esto jamás sucedió, porque Lutero no operó la destrucción de las iglesias, sino que creó otra. Ni Lutero dejó de ser clérigo, ni disminuyó el número de ellos en el Sacro Imperio. Simplemente se formó un nuevo cuerpo sacerdotal que también condujo al rebaño hacia donde debía ir. Solo que ahora ese cuerpo de pastores sirve únicamente al señor del territorio (y no a un papa extranjero y a un emperador aliado con el mundo welsch) que es el que le da de comer. Si le sirve bien, como hizo Lutero, vivirá bien. Vivirá incluso mejor que con los “romanos” y, así, Lutero recibió del príncipe de Sajonia, como primera prueba de gratitud, el que había sido su antiguo convento en Wittenberg. Es un muy bello palacio, donde se instaló con su nueva esposa, sus parientes y sus criados. Había nacido en el seno de una familia muy humilde y estos lujos, como monje agustino, no se los hubiera podido permitir nunca. Y no tocaremos aquí más el asunto de las críticas feroces contra los lujos del clero “romano”.


    La libertad religiosa es probablemente el tótem lingüístico más afortunado de Martín Lutero. Ha sido y es ininterrumpidamente esgrimido frente a las tinieblas del catolicismo y de su nación defensora por antonomasia, España. No hace falta siquiera pensar mucho para ver a dónde va a parar la libertad luterana. Si tal cosa hubiera existido alguna vez, siquiera teóricamente, también los católicos u otras facciones protestantes hubieran tenido derecho a ella. Si el cristiano es libre para interpretar los textos sagrados, entonces, también la interpretación católica es posible y debe ser aceptada. Y debería haber sido respetada en consonancia con la “libertad religiosa” que Lutero y sus diáconos predicaban. Si la lógica humana no es una patraña desde su misma raíz, esto es así. Pero lo cierto es que el nuevo clero creó una versión del cristianismo que fue la única aceptable y todas las demás fueron proscritas y perseguidas; la católica por supuesto, pero también los anabaptistas, calvinistas, menonitas, etcétera.


    Se le esgrime como adalid de la libertad religiosa, pero el clero luterano proscribió y persiguió las demás versiones del cristianismo



    Sin embargo, siglo tras siglo, Lutero se ha paseado por la historia de Europa inmune a la verdad, a los hechos y a la lógica. Puede el lector teclear en Internet en algún buscador la secuencia “Lutero libertad religiosa” y verá. Si lo hace en inglés y alemán, se quedará pasmado. Podríamos llevar este juego perverso con las palabras un poco más lejos y exasperar los argumentos históricos habitualmente aceptados. Porque aplicar la “libertad religiosa” en sentido luterano es lo que hicieron los Reyes Católicos en España, a saber, que todos los súbditos deben tener la misma religión que su señor terrenal. Este es el principio conocido como cuius regio, eius religio, y dio cobertura legal a los príncipes alemanes para obligar a las poblaciones de sus territorios a hacerse protestantes, lo quisieran o no, y no siempre con persuasivos y pacíficos sermones. Pero es evidente que los Reyes Católicos no pueden ser padres de la libertad religiosa, aunque hicieron exactamente lo mismo, porque, como dice Castelar, nosotros no somos luteranos ni pertenecemos a la raza germánica.

    A estas alturas ya estará preguntándose ¿pero por qué tenían este empeño los príncipes alemanes en hacerse protestantes? Pues no es difícil tampoco de explicar, pero para eso, como señalamos más arriba, hay que salirse del terreno religioso, de la superioridad moral y de las palabras totémicas donde empeñosamente ha insistido todo el protestantismo en situar aquel sangriento conflicto. Casi una cuarta parte de los bienes raíces del Sacro Imperio cambiaron de manos, entre las confiscaciones de propiedades eclesiásticas y las de aquellos que abandonaron los territorios protestantes por negarse a acatar la conversión forzosa. Hasta la Revolución Rusa no ha habido latrocinio comparable en Occidente. Pero, claro está, no los llamamos así, porque el uno tenía una cobertura teológica y el otro una cobertura ideológica. En definitiva: una justificación moral. Esto naturalmente no se lo van a contar al visitante en la magna exposición de Wittenberg.


    Fue furiosamente antisemita y prefigura el programa nazi. La noche de los Cristales Rotos se hizo en honor a su 450 cumpleaños



    Lutero fue no solamente anti-latino sino furiosamente antisemita. El filósofo alemán Karl Jaspers escribió que el programa nazi está prefigurado en Martín Lutero, que dedicó a los judíos párrafos espeluznantes: “Debemos primeramente prender fuego a sus sinagogas y escuelas, sepultar y cubrir con basura a lo que no prendamos fuego, para que ningún hombre vuelva a ver de ellos piedra o ceniza”. El primer gran pogromo de 1938, la noche de los Cristales Rotos, fue justificado como una operación piadosa en honor de Martín Lutero, por su 450 cumpleaños. A las elecciones de 1933 concurrió Hitler con un soberbio cartel donde la imagen de Lutero y la cruz gamada aparecen juntas. Las celebraciones luteranas de los nazis fueron espectaculares. Con idéntica ferocidad alentó y justificó Lutero la quema de brujas, que dejó en Alemania no menos de 25.000 víctimas, según Henningsen. Llevamos tantos miles, millones de muertos con este asunto que es mejor no hacer cuentas.

    Pero no hay de qué avergonzarse. Alemania celebra sin disimulo a Martín Lutero porque se siente bien, porque Lutero es el padre del nacionalismo alemán y de su iglesia y tiene por lo tanto… indulgencia teológica. Desde que se produjo la reunificación y vino luego el euro como mágico elixir, Alemania está en un tiempo nuevo y afronta sin sombras una hegemonía europea incontestada. Gran Bretaña ha desertado del barco de la Unión y Francia no está en condiciones de enfrentarse a la indiscutible supremacía germánica. Ni España ni Italia parecen darse mucha cuenta de cuán necesarias son para compensar esta hegemonía y andan perdidas, sin poder superar el complejo de inferioridad que asumieron hace siglos. Porque con todo esto llegamos al gran asunto que aquí se ventila: el de la superioridad moral frente al porcino mundo no protestante, en el cual vivimos y que ha sido tan absolutamente asumida que muchos de nuestros periódicos, como en tiempos de Castelar, se han sumado gozosos a la celebración luterana, tan ciegos y tan perdidos en el laberinto de su propia inferioridad hoy como hace 100 años.



    María Elvira Roca Barea
    es filóloga y autora de ‘Imperiofobia y Leyenda Negra’ (Siruela).


    https://internacional.elpais.com/int...89_505462.html





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    Re: Lutero, no y no

    Visto en ABC.es:

    Sociedad

    ¿Qué opinaba Lutero del islam?

    Sus escritos y declaraciones llevaron a algunos príncipes protestantes a defender el principio de que es «mejor el turbante que la tiara»

    FRANCISCO DE ANDRÉS

    04/09/2017 18:51h - Actualizado: 05/09/2017 11:18h.

    Guardado en:
    Sociedad

    Han pasado 500 años desde que Martín Lutero clavara sus 95 tesis en la puerta de la iglesia del castillo de Wittenberg, acto simbólico de la reforma protestante que cambió el orbe cristiano. La división que se produjo en el XVI en el mundo católico afectó profundamente a la Iglesia y a los cálculos políticos de los monarcas europeos, pero -salvo excepciones- no disminuyó el terror en ambos bandos ante la ofensiva musulmana sobre el Viejo Continente dirigida por el sultán turco. Hoy como ayer, católicos y protestantes en Europa coinciden en su temor ante el islam radical que difunde el terror en las grandes ciudades. El miedo nos une, pero la lectura del desafío intelectual que plantea la doctrina de Mahoma difiere en algunos presupuestos.

    ¿Qué opinaba Lutero de los musulmanes, después de romper con Roma? El reformador escribió y habló en muchas ocasiones del peligro otomano que mantenía en suspenso a la Europa del siglo XVI, pese a que, según el historiador Franco Cardini («Nosotros y el islam») Lutero no tenía en realidad una idea muy clara de la doctrina mahometana. En ocasiones la calificaba de secta herética y otras veces de religión. El ex fraile agustino alemán no tenía dudas a la hora de referirse a Mahoma como el «cuerno pequeño» de la visión del profeta Daniel, el Anticristo que también identificaba con el Papa.

    Pero en general, los escritos del fundador del protestantismo reflejan muchas incoherencias al hablar del islam, que Lutero solo conocía a raíz del poder político y militar de la Sublime Puerta. A veces admiraba sus prácticas morales y otras reprochaba su credo. Esa ambigüedad justificó más tarde la política de algunos príncipes protestantes a la hora de sellar alianzas puntuales con los turcos para combatir al emperador católico y al obispo de Roma, que muchos luteranos consideraban peores que el islam. «Mejor el turbante que la tiara», era el lema que habían heredado de Bizancio.

    En el plano ideológico, el protestantismo sintoniza con el islam en algunos de los terrenos en que se aleja del catolicismo. Por ejemplo, en su rechazo del sacerdocio; para el luteranismo no existe necesidad de una mediación entre el hombre y Dios, tal como también establece el Corán. Además, el protestantismo tiene una semilla iconoclasta -rechazo a las imágenes sagradas- que ha alcanzado su apogeo en el islam, en particular el de los wahabíes de Arabia Saudí, responsables de la construcción de buena parte de las mezquitas de Occidente.

    La llamada «teoría de la justificación», corazón de la reforma de Lutero, es quizá el terreno más afín con el islam. El fundador del protestantismo defendió la tesis de la «sola fide», la salvación solo a través de la fe, mucho más en sintonía con la doctrina de Mahoma que con la católica, que exige las obras. La «sola Scriptura» de Lutero, sin Tradición ni Magisterio, conecta también con el vínculo mahometano entre el creyente y el Corán, sin otra mediación ni autoridad suprema.

    El pecado se lava con la fe en Lutero, y con los «cinco pilares» en Mahoma. En su autobiografía, el danés converso al islam Morten Storm («Mi vida en Al Qaida») relata uno de sus proverbios favoritos, atribuidos al autor del Corán: «Si hay un río delante de tu casa y te bañas cinco veces en él, ¿quedaría en ti algún rastro de suciedad? Rezar cinco veces al día es una forma similar de limpiar los pecados».
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    Re: Lutero, no y no

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    Re: Lutero, no y no



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    Re: Lutero, no y no

    Martin Lutero, el «rayo» alemán que odiaba de forma cruel a los españoles

    Ya en 1537 el monje escribió que eran «sunt plerunque Marani, Mamelucken» (la mayoría son marranos, mamelucos). Un insulto, marrano, que los alemanes tomaron prestada de los italianos a partir de esa fecha para referirse a los españoles


    El Imperio español era odiado por sus enemigos anglosajones y germanos porque, básicamente, era católico, imperial y de habitantes latinos. Un cóctel que vertebró la propaganda contra los españoles y, con el tiempo, caló profundamente en la historiografía europea.

    Esta base racista contra los españoles tuvo su origen paradójicamente en otro pueblo latino. La mala reputación del Imperio español en Italia, transformada en hostilidad abierta durante el reinado de Carlos I de España, hundía sus raíces en la expansión mediterránea de la Corona de Aragón a finales de la Edad Media. El recelo se trasladó pronto también a los castellanos, que eran vistos como la punta de la lanza de un sistema imperial que tenía sus garras puestas en Italia. En 1527, las tropas imperiales, formadas en su mayoría por mercenarios, saquearon Roma y obligaron al pontífice del momento, Clemente VII, a refugiarse en el Castillo de San Ángelo (el antiguo Mausoleo de Adriano).

    Frente a la superioridad militar de los españoles –«Dio s´era fatto Spagnuolo» («Dios estaba de su parte»)– surgió la burla italiana. De aquella época datan los chistes sobre la virtuosidad de los militares españoles presentados como bravucones y fanfarrones, tales como el soldado español que aparece en «La ilusión cómica» de Corneille. Del sarcasmo y la burla se pasó pronto al antisemitismo a través de la proclamación de que los españoles tenían sangre de «marranos», esto es, que se mezclaban con los judíos.

    Sin ir más lejos, el Papa Paulo IV detestaba a los españoles, de los que decía ser «malditos de Dios, simiente de judíos, moros y herejes, de hez del mundo». Y sobre Carlos I y Felipe II, el napolitano afirmaba: «Quiero declararlos despojados de sus reinos y excomulgarlos, porque son herejes».


    Martín Lutero predicando en el Castillo de Wartburg, cuadro de Hugo Vogel.


    De Italia el odio racial a los españoles se trasladó a Alemania, terreno ya abonado al rechazo a otras razas. «En el caso del nacionalismo alemán hay un antisemitismo muy violento y una inquina contra lo latino ya en el siglo XVI. Es complicado encontrar el origen de tanto odio», explicó la autora de «Imperiofobia y leyenda negra» en una entrevista a ABC en marzo de este año.

    Al valerse Carlos I de España y V de Alemania del oro y la infantería española para hacerse con el cetro imperial, los príncipes alemanes temieron que un emperador con poder real pudiera amenazar su independencia. La religión solo fue una excusa para enfrentarse al Emperador del Sacro Imperio Romano, cuyo poder había sido durante la Edad Media más nominal que real, puesto que era un imperio fragmentado en muchos pequeños principados y ducados.

    En esas circunstancias, Martín Lutero inició una reforma religiosa auspiciado y protegido por algunos nobles que querían fastidiar al Emperador. Además de los agravios contra Roma y el Papa, Lutero incorporó pronto a su discurso una fuerte carga racista contra el pueblo que había proporcionado poder real al Emperador. Consideraba a los españoles y a los italianos unos ladrones de los bienes alemanes por encargo de la Iglesia de Roma. Ya en 1537 escribió que los españoles «sunt plerunque Marani, Mamelucken» (la mayoría son marranos, mamelucos). Un insulto, marrano, que los alemanes tomaron prestada de los italianos a partir de esa fecha para referirse a los españoles, no a los judíos.


    Profundamente antisemita, como buena parte de los personajes de su tiempo, Lutero dejó plasmado su odio hacia los judíos en «Sobre los judíos y sus mentiras». «Debemos primeramente prender fuego a sus sinagogas y escuelas, sepultar y cubrir con basura todo aquello a lo que no prendamos fuego para que ningún hombre vuelva a ver de ellos piedras o ceniza», afirmó en un texto que, en opinión del filósofo alemán Karl Jaspers, vertebra parte del programa nazi.

    Además de judíos, el monje alemán acusó a los españoles de aliados del Imperio turco, a pesar de que Carlos I de España fue el más incansable enemigo de esta potencia musulmana frente a franceses, holandeses e incluso príncipes luteranos, aliados con el sultán. A finales de su vida, Lutero comenzó a usar la expresión «türkischen Spanier» (español turco), porque sostenía que los españoles solo estaban disimulando ser cristianos, pero en verdad planeaban conquistar, junto a los musulmanes, toda Alemania. Satanás, el Imperio español, la Iglesia católica y el Imperio otomano eran los enemigos recurrentes, y aliados entre sí, de la propaganda coordinada por Lutero.

    Un rayo llamado Lutero

    Martín Lutero, hijo de una familia burguesa de Mansfeld (Alemania), dejó sus estudios universitarios para ingresar en un monasterio agustino de Erfurt cuando, en 1505, un rayo estuvo a punto de alcanzarle de camino a la casa de sus padres. Aterrado, el joven gritó: «¡Ayuda Santa Ana! ¡Me haré monje!». Lutero entró así en el clero empujado «por el terror y la angustia de una muerte repentina», y a través de esta obsesión moral dio lugar a unos escritos donde exhortaba, entre otras cuestiones, a reestructurar la Iglesia y a regresar a las enseñanzas originales de la Biblia.

    En las 95 tesis, un texto clavado en las puertas de la Iglesia del Palacio de Wittenberg en 1517, el agustino cargó contra la doctrina papal sobre la venta de indulgencias para financiar la renovación de la Basílica de San Pedro en Roma. León X contestó excomulgando al fraile e instando a Carlos a tomar medidas. En Worms, el popular fraile y el imberbe Emperador tuvieron su primera confrontación teológica, que se celebró bajo la promesa de Carlos de que Lutero podría explicar sus tesis sin acabar en la hoguera como Juan Huss tras la Dieta de Constanza (1414). Carlos le permitió hablar e incluso marcharse. «Ayer escuchamos el discurso de Lutero y lamento haber tardado tanto en intervenir contra él. Nunca más volveré a escucharlo. Que utilice su salvoconducto, pero, a partir de hoy lo consideraré hereje notorio y espero que vosotros, por vuestra parte, cumpláis con vuestro deber de buenos cristianos», se justificó el Monarca sobre su decisión. Carlos lamentaría al final de su vida no haber matado a Lutero en Worms.

    A través del Edicto de Worms declaró a Lutero como prófugo, hereje y autorizaba a cualquiera a matarle sin sufrir consecuencias penales. Temiéndose lo peor, Federico de Sajonia simuló un secuestro cuando Lutero regresaba a su casa y lo escondió en el Castillo de Wartburg. Con el tiempo, convirtió su antiguo convento agustino en su casa particular, donde vivió y crió a sus hijos.

    El monje hereje continuó con su obra hasta su muerte, en 1546, incrementando cada vez más sus ataques contra la Iglesia, como evidencia su obra «Sobre el papado de Roma fundado por el Diablo» (1545), y contra los españoles en particular. Federico de Sajonia, cuyo apoyo había sido decisivo para que Carlos fuera elegido emperador, jamás permitió que dañaran al reformador, aunque curiosamente nunca lo conoció en persona.

    Desde su refugio alemán, Lutero alimentó la propaganda protestante que se extendió por Europa al calor de la imprenta de Gutenberg. Solo el monje reformador produjo hasta 1530, según los cálculos de John M. Todd, alrededor de 3.183 panfletos. Maestro visionario de su tiempo en este campo, el monje sabía del poder taumatúrgico de las imágenes para crear mitos sobre la Inquisición española, la codicia de la Iglesia y la inferioridad de los pueblos latinos.

    En 1545, se imprimió el libelo «Hic oscula pedibus Papae figuntur» (Aquí besan los pies al Papa), en el que Lutero encargó al pintor Lucas Cranach el Viejo nueve imágenes de fuerte contenido escatológico. Sabía que por los ojos entra todo antes que por las palabras. Claro está que otros autores procedentes del Humanismo alemán, una versión profundamente nacionalista de esta corriente surgida en Italia, también recogieron el guante.


    De Italia el Humanismo alemán aprendió que los españoles eran racialmente impuros por su contaminación semita. En la versión alemana de la «Cosmographia Universalis», de Sebastián Münster, se afirma que los españoles mezclan el latín con su propia lengua y con la de los marranos. Además, en los panfletos protestantes de aroma humanista, los hispanos son sodomitas y violadores.

    Cuando murió el Emperador, los españoles eran ya la personificación de Satanás para la Alemania protestante (no hay que olvidar la importancia de la Alemania católica: «Se denunciaba el advenimiento del Anticristo y su séquito español».

    Los rastros de este odio extremo contra los hispanos siguen presentes hoy en refranes y dichos despectivos tales como la expresión «eso me parece español» o «me suena español» (das kommt mir spanish vor) para significar que algo no es de fiar.

    La hostilidad contra los españoles, en cualquier caso, era la evolución del odio hacia lo extranjero plasmado en el adjetivo intraducible «welsch». Como explica Roca Barea en su libro «Imperiofobia y leyenda negra», la palabra significaba «céltico» en su origen, pero evolucionó con el tiempo a «italiano o románico». Y a lo largo del siglo XVI la palabra se cargó de tintes peyorativos, tales como «falso», «mentiroso», «inmoral», además de extenderse su uso a españoles y, de forma menos habitual, a franceses.

    ABC.es
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    Re: Lutero, no y no

    Conferencia presentada por Ángela Pellicciari, historiadora, profesora y ensayista italiana, el 28 de Agosto de 2017 en el marco del curso La Reforma protestante 500 años después, realizado en la Residencia La Granda en Avilés (Asturias, España).

    LUTERO Y SUS CONTRADICCIONES


    Lamento no poder hablar español. Siento también el no poder hablar libremente, como siempre hago, y estar obligada a leer con dificultad lo que he escrito en vuestro bello idioma.

    El título de la conferencia que se me ha pedido es muy acertado: en el sentido que el pensamiento de Lutero es una constante contradicción. Lutero parte de algunos principios que después, sistemáticamente, niega.

    Me he preguntado: ¿por qué? ¿Por qué Lutero teoriza ideas y sugiere acciones que están en contraste radical con los fundamentos de su doctrina?

    Me parece que la raíz, la razón de sus continuas contradicciones hay que buscarla en un sentimiento que lo domina: el odio.

    Odio a Roma.

    Odio a Roma, tanto la Roma cristiana como la pagana (es suficiente ver el modelo utilizado para caracterizar el soldado ejemplar del ejército luterano: Felipe de Hesse, el bígamo Felipe de Hesse, a quien Lutero define como el “nuevo Arminio”). Odio que consigue hacer extraordinariamente eficaz gracias a las desagradables imágenes que, durante todos los años de su vida pública (del 1520 al 1545), Lutero va elaborando obsesivamente junto con su amigo Cranagh sobre papas, curas, monjes y cardenales. Xilografías que los jesuitas Grisar y Heege consiguieron recuperar con mucho trabajo y que publicaron al inicio del siglo XX (veinte) en una serie de folletos.

    El odio contra Roma tiene como consecuencia pretender sustituir a Roma en lo que tiene de único: la universalidad. Comporta querer que Alemania tome el lugar ocupado por Roma durante dos mil años. Lutero separa a una parte importante de Alemania de la comunión con Roma, es decir de la universalidad cristiana, que lleva a cumplimiento la universalidad greco-romana, la cultura greco-romana. El daño al pueblo alemán, implícitamente abandonado a la soledad de su propia mitología pagana y al pensamiento gnóstico, es incalculable.

    Voluntad de poder.

    El resultado natural del odio de Lutero es su ilimitada voluntad de poder. Voluntad de poder que lo lleva a escribir de nuevo no solo la historia de la Iglesia, sino también toda la historia de la salvación tal como nos ha sido revelada.

    Analicemos algunas expresiones de A los príncipes cristianos de la nación alemana de 1520, título que vuelve a evocar casi literalmente el masón Fichte en 1808 en el Discurso a la nación alemana(sirva esto como ejemplo para subrayar la importancia de Lutero a la hora de forjar la identidad de la nueva Alemania anti-romana): “Despertemos, mis queridos alemanes”, “en esta batalla no luchamos contra los hombres, sino contra el príncipe de los demonios”, “hasta ahora los papas y sus seguidores con la ayuda del diablo han podido confundir al rey”.

    De esta premisa brota el imperativo dado a los príncipes para ir a la batalla contra el anticristo que está en Roma. ¿Por qué los príncipes tienen que combatir contra Roma y tomar su lugar en la guía de la Iglesia? Porque Dios, por boca de Lutero, así lo quiere: “Por ello digo: como la autoridad ha sido instituida por Dios para castigar a los malos y proteger a los buenos, se le debe dar la libertad para su función, a fin de actuar sin obstáculos dentro de todo el cuerpo de la cristiandad sin mirar a la persona, aunque caigan el Papa, los obispos, los curas, los monjes, las monjas o lo que sea”; “Deben [los príncipes] ejercer libremente su función y su obra, que tienen de Dios sobre todo el mundo, allí donde sea menester y útil desempeñarlas”, “Por tanto el poder secular cristiano ha de ejercer su función libremente y sin obstáculos”, “Debemos llegar a ser audaces y libres y no dejar que las falsas palabras del Papa mortifiquen el espíritu de libertad”.

    Libertad y libre albedrío.

    Nos encontramos de este modo con la primera gigantesca contradicción de Lutero: el monje agustino usa como un mantra la palabra libertad, pero ¿qué entiende por libertad? Entiende sólo y exclusivamente la libertad respecto a Roma. Una libertad además que vale para los príncipes y sólo para los príncipes. Libertad que comporta un totalitarismo desconocido en el ámbito cristiano: “Dad al César lo que es del César y a Dios lo que es de Dios” (Mt 22, 21) se convierte en dad al César lo que es del César y dadle también lo que es de Dios. Dad al César tanto el poder temporal como el poder espiritual. De un plumazo Lutero borra las interminables batallas libradas por el poder espiritual para ser autónomo respecto a la autoridad temporal. La libértas Ecclésiæ que la Iglesia ha reivindicado y defendido durante quince siglos, incluso con la sangre, es así destruida.

    Las revueltas campesinas.

    Cuando el odio hacia Roma –y la santificación de la revolución que comporta– inducen a caballeros y campesinos a rebelarse contra los príncipes para participar también ellos en la repartición de los bienes de la Iglesia, que Lutero ha asignado sólo a los príncipes (un tercio de la riqueza nacional alemana está en manos de la Iglesia…), Lutero invita a combatir a los campesinos sin piedad (1525, Contra las hordas ladronas y asesinas de los campesinos). ¿Por qué? Porque han robado y saqueado “con impiedad conventos y castillos que no eran suyos”; han cubierto “con el Evangelio sus crímenes” y querían “convertir en propiedad común los bienes de los demás, sin dejar de tener los suyos”. En la práctica, porque han hecho las mismas cosas que Lutero ha teorizado para los príncipes.

    ¿Con qué argumentación justifica el monje agustino un uso tan desvergonzado de dos varas de medir? Con la siguiente consideración: “El bautismo no hace comunes el cuerpo y los bienes, sino sólo el alma” ya que “Cristo pone cuerpo y bienes bajo el emperador y la ley secular”: la obediencia que Lutero reclama al poder temporal independientemente de cualquier valoración de méritos, exigida además en nombre de Dios, llega a niveles de despotismo que pueden parecer inhumanos.

    Gnosticismo.

    Niveles que descansan sobre la distinción-contraposición de alma y cuerpo que tiene en cuenta la posible existencia de un hombre dividido en dos, dividido entre el espíritu, que se considera libre, y el cuerpo, considerado como un esclavo. Por otro lado, ya en el 1520, en La libertad cristiana, Lutero había teorizado sorprendentemente la coexistencia de dos naturalezas en el hombre: “Todo cristiano posee una naturaleza espiritual y otra corporal”. En estas afirmaciones parece que Lutero comparta la visión gnóstica del hombre, que desprecia el cuerpo y exalta el espíritu (que se supone que culmina en los príncipes: Hegel no está lejos). Concepción radicalmente antitética a la revelación bíblica: “Y todo estaba muy bien”.

    Predestinación.

    El odio a Roma comporta la negación del sacramento del Orden, la anulación del magisterio, la revisión de los novíssimi: ¡los hombres no son libres! Pero si no son libres no pueden realizar ninguna obra buena. Por tanto, Dios no los premia con el paraíso y no los castiga con el infierno, sino que es Dios mismo el que, desde la eternidad, con una doble predestinación, destina a unos a la felicidad eterna y a otros al sufrimiento eterno.

    Cuando Lutero, en polémica con Roma, afirme ‘Sólo Escritura’, en nombre de esta ‘Sólo Escritura’ negará toda la visión de Dios mostrada por la Sagrada Escritura: toda la Biblia niega que la voluntad del hombre sea esclava (desde la alianza de Moisés hasta la de Josué, el hombre es presentado siempre como libre de escoger entre la vida y la muerte, el bien o el mal), como niega también la terrible visión de un Dios que cree a alguien sólo para enviarlo al infierno (el Dios bíblico es Padre, esposo, amante de la vida y de su criatura hasta promover su rescate con la muerte de su único hijo).

    Libre examen.

    Son numerosísimas las contradicciones entre la ‘Sólo Escritura’ y la Escritura, comenzando por la que se refiere al ‘libre examen’ que Lutero reivindica mientras que San Pedro lo niega expresamente en su Segunda carta (“Sabiendo, sobre todo, lo siguiente, que ninguna profecía de la Escritura puede interpretarse por cuenta propia, pues nunca fue proferida profecía alguna por voluntad humana, sino que, movidos por el Espíritu Santo, hablaron los hombres de parte de Dios”). Del ‘libre examen’ derivará un sectarismo extremo (un caso límite será el del sastre de Leiden), para canalizarlo Lutero impondrá en el 1535 a todos los pastores que salen de la facultad de Wittenberg el juramento de seguir la doctrina que se enseña en la universidad local, la llamada “Iglesia Católica de Cristo” (en las Charlas de sobremesa, Lutero dice: “El que desprecia la escuela de Wittenberg es un hereje y un mal hombre, porque Dios ha revelado su Palabra en esta escuela”). Diez años antes, en 1525, Lutero había teorizado justo lo contrario: “Las autoridades no pueden impedir que cada uno enseñe y crea lo que quiera”.

    Apología de la mentira.

    El Jesús que Lutero ama no repudia la mentira, al contrario, en algunos casos la santifica. Cuando se viene a saber que el segundo matrimonio de Felipe de Hesse, todavía en vida de la primera mujer, es celebrado en presencia de Melanchton, y que también Lutero había pretendido dar su consentimiento, como el escándalo suscitado es enorme, el “Moisés alemán” no tiene dudas: hay que negarlo todo: “Decir una mentira necesaria, útil y que te ayuda, no va en contra de Dios, al contrario, Él la acoge voluntariamente sobre sí”. Y: “Ella [la mentira] es una virtud si su objetivo es alcanzar un fin que resista a la malicia del demonio y salve el honor, la vida, el beneficio para el prójimo”.

    El matrimonio para Lutero no es un sacramento, tampoco se pueden emitir los votos religiosos, al menos para siempre, (“Yo hago un voto de castidad hasta que pueda, pero si no puedo mantenerlo, que se me permita casarme”, De votis monásticis judícium, 1522): dado que no somos libres, nuestras elecciones no pueden ser absolutas, hechas en vista del cielo. La Iglesia católica, por el contrario, siempre ha afirmado que no sólo es posible, sino también necesario escoger y elegir «para siempre» confiando en la libertad de la voluntad humana y la ayuda que Dios da a los que invocan su misericordia. Esto es cierto en todos los estados de vida, sea sacerdotal, religioso o matrimonial.

    Antisemitismo.

    Una última, dramática, consideración: a pesar de la proclamada ‘Sólo Escritura’ Lutero no reconoce el valor, no sólo de la Carta de Santiago que trata de la necesidad de las obras, sino también de la misma Carta a los Romanos: basta con ver los “consejos saludables” que Lutero da a los príncipes con respecto a los hebreos. Cito tres de los siete que da:


    • primero: “Lo que es útil es quemar todas sus sinagogas, y si alguna ruina se salva del incendio, hay que cubrirla con arena y barro, para que nadie pueda ver ni siquiera una piedra o una teja de esa construcción”;
    • segundo: “Sean destruidos y devastados también sus hogares. De hecho, las mismas cosas que ellos hacen en las sinagogas, también las hacen en las casas”;
    • séptimo: “Sea impuesto el trabajo duro a los judíos jóvenes y fuertes, hombres y mujeres, para que ganen el pan con el sudor de su frente” (La referencia a Lutero y a su séptimo consejo en la puerta de entrada de Auschwitz es evidente).


    Las contradicciones innumerables en las que Lutero se debate tienen su origen en haber separado la libertad de la verdad.

    Dos siglos más tarde los frutos del relativismo absolutista considerado como libertad, serán recogidos por la masonería, cuyas constituciones fueron escritas por el pastor presbiteriano James Anderson.
    ReynoDeGranada y César Ignacio dieron el Víctor.

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    Re: Lutero, no y no

    Este texto fue publicado en forma de folleto en la colección “Fe Íntegra” (Nº 9), por Licinio Rangel (sucesor de Mons. Antonio de Castro-Mayer en la Unión Sacerdotal San Juan Vianney), cuando los “Padres de Campos” defendían la Fe Católica tradicional. Hoy, que han caído en las garras del modernismo (por ende, del Vaticano II), queda el recuerdo de su antigua lucha por la Fe, y una lección de lo nocivo que es hacer componendas con el enemigo.

    Traducción del original en Portugués publicado en el MOVIMIENTO DE LA JUVENTUD CATÓLICA DE BRASIL (FSSPX)

    MARTÍN LUTERO, HOMICIDA Y SUICIDA.

    Estos son algunos datos históricos de la triste vida del fundador del protestantismo, y de su trágico final, después de una de sus muchas borracheras con sus amigos los príncipes.

    Martín Lutero nació en Eisleben, de la Sajonia (Alemania) en 1483, y puso fin a su propia vida en 1546, cerca de 25 años después de su revuelta contra la Iglesia de Nuestro Señor. Su madre Margarita Lindemann Ziegler fue muy religiosa, pero muy supersticiosa y dada a brujerías y encantamientos, lo que influyó mucho en el comportamiento de su hijo. El joven Lutero, después de sus estudios de humanidades en las escuelas locales de Mansfeld, fue a estudiar filosofía y derecho en la Universidad de Erfurt, donde se formó, en el año de 1505. En junio de este año entró al Convento de los Agustinos, “no por vocación, mas por miedo a la muerte”. Él mismo habló varias veces de ese “miedo a la muerte” que determinó su entrada en la religión, como lo veremos.

    LUTERO HOMICIDA.
    El Dr. Dietrich Emme (luterano), en su libro “Martín Lutero - su juventud y sus años de estudios, entre 1483 y 1505”, Bonn, 1983, afirma que Lutero entró al Convento sólo para no ser sometido a la justicia criminal, cuyo resultado habría sido, probablemente, la pena de muerte, por haber matado en duelo a un compañero de estudios llamado Jerónimo Buntz. De ahí su “miedo a la muerte” al cual se refería frecuentemente. Posteriormente un amigo le aconsejó refugiarse en el Convento de los Eremitas de San Agustín, que entonces gozaba del derecho civil de asilo, que lo colocaba al abrigo de la justicia. Fue aquí que se convirtió en monje y padre agustino.

    Lutero parecía haberse convertido. Pero no. Siempre perturbado y contradictorio, él se declara reo confeso en una prédica en 1529: “Yo fui monje, quería seriamente ser piadoso. Al contrario, me hundía siempre más: yo era un gran trapacero y homicida” (WAW, 29, 50, 18). Y un discurso transcrito por Veit Dietrich, afirma: “Me hice monje por un designio especial de Dios, a fin de que no me prendiesen; lo que hubiera sido muy fácil. Mas no pudieron porque la Orden se ocupaba de mí (esto es, los superiores del Convento lo protegían)” (WA Tr 1, 134, 32). Por tanto, Lutero fue reo de un homicidio que cometió cuando era estudiante en Erfurt. Y según sus biógrafos, el motivo habría sido despecho porque su colega obtuvo mejor nota en los exámenes.

    LUTERO EBRIO E IMPÍO.
    Él lo confiesa: “Yo aquí me encuentro insensato, y endurecido, ocioso y bebido de mañana a noche... En suma, yo que debía tener fervor de espíritu, tengo ansias de la carne, de la lascivia, de la pereza y de somnolencia”. En el ínterim, llamaba al Papa de “asno”.

    Sobre la oración decía: “No puedo rezar, pero sí puedo maldecir. En lugar de decir ‘santificado sea el tu Nombre’, diría: ‘maldito e injuriado sea el nombre de los papistas..., que el papado sea maldito, condenado y exterminado’. En verdad es así que rezo todos los días sin descanso”.

    Sobre los mandamentos, decía: “Todo el Decálogo debe ser apagado de nuestros ojos, de nuestra alma y de nosotros tan perseguidos por el diablo... Debes beber con más abundancia, y cometer algún pecado por odio y para molestar al demonio...”. Lutero no sólo afirmaba que las buenas obras nada valen para la salvación, sino que las maldecía.

    Pero sobre el pecado, él decía: “Sé pecador y peca fuertemente, pero cree com más fuerza y alégrate con Cristo vencedor del pecado y de la muerte... Durante la vida debemos pecar”.

    Sobre la castidad, Lutero incentivó a que los monjes, sacerdotes y religiosas saliesen de sus Conventos y se casaran. “El celibato -decía- es una invención maldita”. “Del mismo modo que no puedo dejar de ser hombre, así tampoco puedo vivir sin una mujer”.

    Sobre la Virgen María, “la pluma” rehusa escribir las blasfemias que profirió contra su pureza (originalmente este texto fue publicado en forma de folleto. N. del E.).

    Sobre Jesucristo, afirma que “cometió adulterio con la samaritana en el pozo de Jacob, con la mujer adúltera que perdonó..., y con la Magdalena...”.

    Sobre Dios: “Ciertamente Dios es muy grande y poderoso, bueno y misericordioso..., pero es muy estúpido; y un tirano”.

    Su último sermón en Wittenberg, en mayo de 1546, fue un furioso ataque contra el Papa, el sacrificio de la Misa y el culto a Nuestra Señora.

    LUTERO SUICIDA.
    Lutero tenía un temperamento extremamente mórbido y neurótico. Después de su revuelta contra la Iglesia, su neurosis alcanzó los límites extremos. Estudios especializados le atribuyen una “neurosis de angustia gravísima”, del tipo que lleva al suicidio (Roland Dalbies, en “Angustia de Lutero”).

    El suicidio de Lutero es afirmado tanto por católicos como por protestantes. Este es el testimonio de su criado, Ambrosio Kudtfeld, que más tarde se hizo médico:
    “Martín Lutero, en la noche que antecedió a su muerte, se dejó vencer por su habitual intemperancia, y en tal exceso, que fuimos obligados a cargarlo totalmente embriagado, y a colocarlo en su lecho. Después nos retiramos a nuestro aposento sin presentir nada de desagradable. Por la mañana volvimos a nuestro patrón para ayudarlo a vestirse, como de costumbre. Pero, ¡que dolor! Vimos a nuestro patrón Martín colgando de su cama y estrangulado míseramente.

    Tenía la boca torcida y la parte derecha del rosto oscura; el cuello morado y deformado. Ante tan horrendo espectáculo, fuimos invadidos por un gran terror. Corrimos sin demora a los príncipes, sus convidados de la víspera, para anunciarles aquel execrable fin de Lutero. Ellos quedaron aterrorizados como nosotros. Y luego se empeñaron com mil promesas y juramentos, que observásemos sobre aquel acontecimiento, eterno silencio, y que colocásemos el cadáver de Lutero en su cama, y anunciásemos al pueblo que el ‘Maestro Lutero’ había imprevistamente abandonado esta vida”.

    Este relato del suicidio de Lutero fue publicado em Amberes, en el año de 1606, por el sensato Enrique Sedulio en su libro “Præscriptiónes advérsus hæréses”, cap. XVIII, §25-27. Dos médicos comprobarán los sintomas de suicidio relatados por su criado Kudtfeld. Fueron ellos François de Coster y Lucas Fortnagel. Las informaciones de este último fueron publicadas por el escritor J. Maritain, en su libro “Los Tres Reformadores”. En ese libro el autor ofrece también una impresionante lista de amigos, compañeros y primeros discípulos de Lutero que se suicidaron.

    Por tanto, “hermanos separados” (sic) de la Iglesia Católica por ese falso y ebrio reformador, abran los ojos, y vuelvan a la verdadera Iglesia de Jesucristo. Es fácil reconecerla. Está claro en los Santos Evangelios que a la verdadera Iglesia de Cristo es una sola (Mt. 16, 16). Es lo que aquí leemos: “Tu eres Pedro, y sobre esta piedra edificaré mi Iglesia”. (Cf “Folletos Católicos” - nº 1).

    Inútil imaginar que Cristo señalaba para Sí cuando hablaba a Pedro. Sabemos que Cristo es la “Piedra Angular” principal de su Iglesia. Pero Él tornó a Pedro participante de esa condición. Sus palabras "son palabras de vida y de verdad”. Solo Él, como único Mediador “de Redención” (1 Tim 2, 5-6), puede fundar, y realmente fundó su única y verdadera Iglesia teniendo también por fundamento visible, en este mundo, a Pedro y sus sucesores, los Papas (NOTA DEL TRADUCTOR: mientras conservasen el Dogma de la Fe). Como hay un solo Señor, una sola Fe, un solo Bautismo (Ef. 4, 5), tambien una sola tiene que ser la Iglesia de ese único Señor. Es la Iglesia de los primeros cristianos, es la Iglesia de los mártires, es la Iglesia Católica de siempre, la única que es Apostólica, porque es la única que viene desde los Apóstoles.

    Es la única que existió desde Cristo y de los Apóstoles hasta Lutero, y hasta hoy, y que existirá “hasta el fin de los siglos” (Mt 28, 28-30). Al paso que las de los protestantes son “una legión”. Ellas comenzaron a partir de ese falso reformador, en el año de 1521, que fue el primero en atreverse a hacer lo que solo Dios puede hacer: fundar una religión. La primera de las religiones de esa “legión” de iglesias llamóse iglesia luterana. Mas, ya en el tiempo de Lutero, algunos luteranos imitarán su mal ejemplo.

    Así, Calvino fundó el calvinismo en Ginebra. Luego surgieron los anabaptistas, los anglicanos, los baptistas, los metodistas, etc., etc. (Cf. “Folletos Católicos”, nº 14). Se calcula hoy en varios millares el número de sectas nacidas de los errores luteranos. Y hoy en su nueva versión, con sus “Tiendas de bendición”, praticando un verdadero curanderismo de Biblias en la mano. La mala simiente sembrada por el ebrio y neurótico monje continuó a producir sus malos frutos.

    Pero la tentación de pretenderse reformar la irreformable obra de Nuestro Señor Jesucristo, su Iglesia, continúa. Y hasta en los medios católicos autoproclamados “progresistas”, se está pretendiendo reformar, no a los hombres de la Iglesia, sino a la propia Iglesia. Ellos se asemejan hoy a los “católicos reformados" de los tiempos de Lutero, con su falsa reforma. Ante esto, la Biblia afirma que la única Iglesia de Cristo, en sí misma, “es... santa e inmaculada” (Ef. 5, 27).

    Nota: Los datos de este folleto son de “Martín Lutero, homicida y suicida”, P. Luigi Villa, revista Chiesa Viva, nº 258, Brescia, Italia; y de “Lutero”, P. Pedro de I. Muñoz, revista Tradición Católica, nº 137, Barcelona, España.

    Dom Licinio Rangel, OVS
    ReynoDeGranada y César Ignacio dieron el Víctor.

  14. #74
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    Re: Lutero, no y no

    La triste, cruel, pero real realidad muestra que Martín Lutero, mientras avanzaba en su herejía, eliminaba toda traza de devoción a la Virgen. Pero, ¿que mejor prueba que las propias palabras de quien se habla? Aquí traemos las palabras propias de Martín Lutero, con su respectiva fuente bibliográfica:

    • Que la Virgen María haya sido concebida sin pecado original, de esto no hay una sola palabra ni en el evangelio ni en otras partes de las Escrituras”. (Martín Lutero, Sermón sobre Lc. 11:27-28)
    • “La Madre María es, en verdad, digna de alabanza; pero al alabarla debemos tener mucho cuidado de no perder de vista al Hijo que Ella os dio”. (Martín Lutero, Sermón sobre Is. 9:1-7)
    • Cuanto más méritos y dignidad se atribuyen a María, tanto más mengua la gracia divina y se reduce la verdad del Magníficat”. (Obras de M. Lutero, Tomo VI, pág. 402)
    • El papa quiere que se ore en el nombre de la Virgen María; esto no significa alabar a María, sino deshonrarle de la peor manera y convertirla en un ídolo”. (Martín Lutero, Segundo sermón sobre el Magníficat)
    • María, la amada y santa Virgen y Madre de Dios, fue convertida en el papado en execrable ídolo”. (Martín Lutero, Comentario de Gén. 6:1-5)
    • El cántico Salve Regína es una gran blasfemia contra Dios pues allí se llama a María «madre de misericordia, vida, dulzura y esperanza nuestra». Y no mucho mejor es el cántico Regína Cœli, donde llaman a María «Reina del Cielo»”. (Martín Lutero, Sermón sobre Mat. 1:1-16)
    • “…en el presente, no hay quien hable tan mal de esta Madre y su Fruto como aquellos que la honran con muchos rosarios y constantemente dicen el Ave María. Estos, más que cualquier otro, blasfeman de la peor manera contra la palabra y la fe de Cristo”. (Obras de M. Lutero, Tomo XLIII, pág. 40)
    • Ridiculizando al dominico Juan Tetzel, que le había ganado la predicación de la Indulgencia en el Arzobispado de Maguncia, dice Lutero que Tetzel “tenía del papa esta gracia y potestad: que si alguien hubiese llegado a violar a la virgen María o crucificar a Jesucristo por segunda vez,
    • podía él perdonarle con tal que depositase en el arca los derechos correspondientes”. (Cf. Obras de M. Lutero, Tomo LI, pág. 538).

    Pudiéramos citar todavía más, pero la obra del monje maldito es vasta y sus blasfemias tan repugnantes, que sería fastidioso al lector (máxime a los no especializados y débiles de fe) publicarlas todas. Baste todo lo anterior como prueba inconfutable de que Lutero, cual anticristo, odiaba a Dios Uno y Trino, y a su Santuario (la Virgen María), y a los habitantes del Cielo. Pero la blasfemia y el odio contra Dios, la Virgen y la Iglesia Católica no queda impune: Martín Lutero, luego de opípara francachela y comilona en casa de sus amigos los príncipes de Sajonia, el día 18 de Enero de 1546, fiesta de la Cátedra de San Pedro en Roma, a las tres de la mañana (“la hora del diablo”), SE SUICIDÓ COLGÁNDOSE DE UNA DE LAS COLUMNAS DE SU CAMA, y su alma está en el Infierno, donde los demonios le fuerzan una y otra vez a arrodillarse clavándole una estaca en la cabeza por toda la eternidad. TODO EL QUE SIGA O DEFIENDA A MARTÍN LUTERO IRÁ AL INFIERNO, DONDE NO HAY REDENCIÓN POSIBLE.

    ADENDA.

    Lutero, en sus Conversaciones de Sobremesa, dijo
    Cristo cometió adulterio por primer vez con la mujer de la fuente, de que nos habla Juan. Eso se murmuraba en torno a él: «¿Qué hizo, después, con ella?». Más adelante con Magdalena, después que con la mujer adultera que absolvió tan livianamente. Así, Cristo, tan piadoso, también fornicó antes de morir” (Propos de table, nº 1472)
    De ahí que para muchos, sea precursor de la teoría del matrimonio entre Jesús y María Magdalena que tanto publicitó Dan Brown. Teoría además de blasfema, imposible, porque según las profecías, Jesús nacería como SACERDOTE - REY, igual que su prefiguración San Melquisedec (rey de Salem y sacerdote de Yahveh). Además, según la Ley de Moises, está prohibido que un sacerdote judío -y menos el Sumo Sacerdote, el que sobre su frente lleva la corona santificada con el Nombre de Dios- contraiga matrimonio con una mujer que no fuera virgen de Israel (mucho menos con una extranjera, prostituta o una mujer divorciada, aunque estuviera arrepentida de sus pecados). Y en el libro de Ezequiel, cuando le es revelado el Templo futuro, Dios reitera dicho mandato.
    ReynoDeGranada y César Ignacio dieron el Víctor.

  15. #75
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    Re: Lutero, no y no

    Empezando por Lutero, verdadero fundador del Protestantismo, he aquí cómo se expresa hablando de sí mismo. Confiesa que “cuando era católico pasaba su vida en la austeridad, en las vigilias, en los ayunos y en la oración, guardando siempre pobreza, castidad y obediencia”. Pero una vez hecho reformador, o sea protestante, se convirtió en un hombre enteramente distinto. En prueba de ello, continúa diciendo: “que así como no depende de su voluntad el no ser hombre, tampoco está en su mano vivir sin mujer, y que no puede prescindir de ella, como no puede dejar de satisfacer las más bajas necesidades de la naturaleza”.



    Martín Lutero reconoce que al fundar la herejía protestante, echó por la borda la moral y piedad que él mismo adquirió y ejerció en la Iglesia Católica


    Veamos ahora el juicio que formaba de él su contemporáneo Enrique VIII, quien a pesar de hallarse preso en las mismas redes, y de haberse dejado arrastrar por los mismos vicios hasta caer en la apostasía, llega a escandalizarse del libertinaje de Lutero: “Ya no me admiro de que verdaderamente no tengas vergüenza, y te atrevas a levantar los ojos ante Dios y ante los hombres, por haber sido tan ligero y voluble, que te dejaras llevar por instigación del demonio a tus más insensatas concupiscencias. Tú, fraile de san Agustín, has abusado, en primer lugar, de una virgen sagrada, que en otros tiempos habría expiado su delito con ser sepultada viva, y tú con ser azotado hasta morir. Y lejos de arrepentirte ¡cosa execrable! la has tomado públicamente por mujer, contrayendo con ella nupcias incestuosas, y abusando de la pobre y miserable doncella con escándalo del mundo, con reprobación y oprobio de tu nación, con desprecio del santo matrimonio y con injuria y vilipendio de los votos hechos a Dios. Finalmente, ¡y es lo más execrable! en vez de sentirte abatido y lleno de sentimiento y de vergüenza por tu incestuoso matrimonio, tú, ¡miserable! haces alarde de eso, y en vez de implorar el perdón de tus miserables delitos, provocas con tus cartas y escritos a todos los religiosos a que hagan otro tanto lo mismo”.

    Enrique VIII de Inglaterra, si bien cedió a la concupiscencia de la carne (llegó a tener 6 esposas durante su vida), reprochó la inmoralidad de Lutero en esa materia, y cómo se vanagloriaba de ello.


    Conrado Reiss, de la secta de los sacramentarios, y contemporáneo también de Lutero, decía de él: “Dios, para castigar el orgullo y la soberbia que se descubre en todos los escritos de Lutero, ha retirado de él su Espíritu, y le ha entregado al espíritu del error y de la mentira, que siempre poseerá a los que siguen sus opiniones mientras que no se retracten de ellas”.


    No muy diferente es la pintura que hace del doctor de Wittemberg la llamada iglesia de Zurich, respondiendo a la Confesión de Lutero en la página 61: “Lutero, dice, nos mira como una secta execrable y condenaba; mas mire bien si no es él quien se declara heresiarca, por lo mismo que no quiere ni puede asociarse a los que confiesan a Jesucristo. ¿Y cómo no, cuando es un hombre que se deja arrastrar por el demonio a toda clase de torpezas? ¡Qué sucio es su lenguaje, y cuan llenas de demonios infernales son sus palabras! Dice que el diablo habita en el cuerpo de los zwinglianos; que de nuestro seno endiablado, sub-endiablado y súper-endiablado no se exhalan sino blasfemias, y que nuestra lengua no es más que una lengua mentirosa, puesta a disposición de Satanás, rociada, bañada y empapada en su veneno infernal. ¿Han salido alguna vez semejantes palabras de la boca de un demonio, por muy furioso que estuviera? Él ha escrito todos sus libros por impulso del demonio y bajo la inspiración de Satanás, con quien se halla en comunicación, y cuyos poderosos argumentos le han convencido en la lucha que, según dice, ha sostenido con él.


    Zwinglio hace la descripción de Lutero en las siguientes palabras: “Ved cómo se esfuerza Satanás por apoderarse por completo de este hombre. No es raro el verle contradecirse de una página a otra. Al verle entre los suyos le creeríais poseído de una falange de demonios”.



    Ulrico Zwinglio y la iglesia protestante suiza consideraron a Lutero como 'emisario de satanás'


    Erasmo nos le pinta con los rasgos siguientes: “Las gentes de bien no pueden menos de lamentarse del cisma funesto que has introducido en el mundo con tu arrogancia desenfrenada y sediciosa. Lutero empieza a perder las simpatías de sus discípulos hasta el punto que muchos de ellos le tratan de hereje, y afirman que despojado del espíritu del Evangelio, ha sido abandonado a los delirios del espíritu humano”.



    Erasmo de Rotterdam, aunque condenó muchos vicios de la Iglesia Católica en su tiempo, censuró con la misma determinación el cisma suscitado por el heresiarca Lutero


    He aquí, por último, cómo nos le representa Calvino: “Verdaderamente, dice, Lutero es en extremo vicioso. ¡Pluguiese a Dios que se hubiera cuidado de refrenar la intemperancia que trasciende de toda su persona! ¡Pluguiese a Dios que se hubiera parado un poco a reconocer sus vicios! Lutero no ha hecho cosa que valga. No conviene entretenerse en seguir tus huellas siendo papista a medias... Vale más fundar una Iglesia enteramente nueva. Tu escuela, decía Calvino al luterano Westfal, no es más que una hedionda porquera. ¿Lo oyes, perro? ¿Lo oyes, frenético? ¿Lo oyes, bestia?



    Juan Calvino condenó a Lutero llamándolo 'intemperante', frenético y bestia.


    (tomado de "El protestantismo sin máscara" - de Juan Perrone)



    ReynoDeGranada y César Ignacio dieron el Víctor.

  16. #76
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    Re: Lutero, no y no

    Traducción del artículo publicado en Italiano por Danilo Castellano en la revista INSTAURARE OMNIA IN CHRISTO, año XLIV, Nº 2 (Mayo-Agosto de 2015), Udine, págs. 9-12, vía RADIO SPADA.

    PRIMERAS CONSIDERACIONES A PROPÓSITO DE «REHABILITAR» A LUTERO

    1. Se viene afirmando por algún tiempo que Lutero debe servir de inspirador en las grandes reformas, espirituales y de gobierno, que presencia la Iglesia (católica) en los próximos años. Lo ha dicho, por ejemplo, recientemente el cardenal Reinhard Marx, arzobipo de Múnich y Frisinga y actualmente presidente de la Conferencia Episcopal Alemana. La opinión es difusa. En alto y en bajo. Tanto que en alguna Iglesia particular (italiana) están ya organizando iniciativas para «beatificar» a Lutero, en un tiempo considerado herético y apóstata y contra su Reforma la Iglesia (católica) ha reunido uno de sus principales Concilios, el de Trento. Los tiempos –dicen– han cambiado. Ha pasado mucha agua debajo del puente. La misma verdad –afirman– habrá evolucionado. Perciò estaría cercano el momento de «repensar» la Reforma y de aplicar una que no sea una «Contrarreforma» sino una verdadera Reforma en continuidad con la luterana, no en oposición a esa; una Reforma radical de la Iglesia, sea bajo el perfil dogmático (los dogmas –sostienen– deberían ser abandonados), sea bajo el perfl institucional (la Iglesia debería ser solo «espiritual» y sobre todo «popular»), sea bajo el perfil moral (no más la ley, sino la promoción de la «autenticidad» de la persona; no más los Mandamientos –mucho menos los Diez dados a Moisés–, si no la libertad). No hay duda que Ecclésia semper reformánda. La reforma es una necesidad vital sobre todo de la Iglesia militante y de la Cristiandad. Esta debe tender a la contínua renovación, a comenzar por lo espiritual y por lo moral. Si ella no cultivase esta exigencia, decaerá y a la postre morirá. La renovación, la tendencia a la perfección, no es sin embargo el fin perseguido por la Reforma protestante. Es, de hecho, reforma y reforma. La Iglesia también en los siglos antecedentes a Lutero ha tenido necesidad de reformas. Y las ha realizado.

    Bastaría pensar, a título de ejemplo, en las reformas por las cuales estaba comprometido el benedectino Hildebrando de Soana (1020/21-1085), electo Papa con el nombre de Gregorio VII, y a la realizada por Francisco de Asís (1181/82-1226). Uno y otro se empeñaron en la «restauración» de la Iglesia; «restauración» que no es ni conservadurismo ni «revolución» gnóstico-ideológica, sino «renacida» como compromiso contínuo, sea en la fidelidad a la Palabra, sea a una praxis de vida coherente con y conforme al orden moral querido por Dios. La misma Contrarreforma –como ha sido ampliamente demostrado– no es una mera y estéril contraposición a la Reforma protestante: es más bien un programa y una obra de intensa renovación en la fidelidad doctrinal al Depóito recibido de Cristo, custodiado y transmitido por la Iglesia en el plano educativo. Más recientemente la Iglesia ha gozado de una notable y fructuosa reforma, la anhelada por san Pío X, que hoy o es simplemente ignorada y rechazada o, por el contrario, instrumentalizada para justificar decisiones que señalan, para usar una feliz expresión de Pablo VI, el ingreso del humo de Satanás en la iglesia posconciliar. Identificar, por tanto, la Reforma luterana con la siempre necesaria reforma de la Iglesia y en la Iglesia es un error, fruto o de la ignorancia o de la mala fe.

    2. El error más grande de esta confusión/identificación está en el no ver el carácter gnóstico de la Reforma. En su origen –es verdad– el gnosticismo luterano no es explícito. Mejor: es evidente solo a quienes llevan a las extremas consecuencias el significado de las afirmaciones y de la tesis. La Reforma manifestará en el tiempo su verdadera esencia. El develamiento del gnosticismo del luteranismo será hecho por Hegel. El luterano Hegel, de hecho, pondrá en relieve las opciones fundamentales de la Reforma, que recoge y desarrolla semillas de pensamiento esparcidas también en y por aglunos filósofos cristianos y de teólogos precedentes a Lutero y de los cuales Lutero depende en ciertos aspectos. La Reforma, por tanto, es in último análisis una «revolución gnóstica», racionalística. Ella hace depender sus afirmaciones por «decisiones originarias» que representan, justamente, opciones no justificadas por la realidad, sino solamente afirmadas, impuestas sobre y contra la realidad. Esto vale, por ejemplo, para la libertad, entendida como «libertad negativa» que, a su vez, coherentemente lleva al primado de la conciencia sobre el ordn (la conciencia como única fuente del bien y del mal; así, la conciencia subjetiva no es sensibilidad confrontada ante el orden, pero pretende ser el orden en sí) y al libre examen de la Escritura, bien como examen absolutamente individual, bien como examen «comunitario» (como examen del pueblo definido de Dios: es la posición, en última instancia, también de diversos autores católicos contemporáneos, como por ejemplo el cardenal Kasper). Las «decisiones originarias» de la Reforma apuntan el primado/afirmación del querer sobre la razón; son imposiciones de actos de (supuesto) poder del hombre sobre la realidad. Esas, por lo tanto, son la renovada manifestación del orgullo que caracteriza el pecado original: el orden de la creacióne es «plegado» a la voluntad humana.

    3. El resultado, que trae la «revuelta» de Lutero contra la Iglesia (católica) a la cual pertenecía y a la cual sugirió permanecer fiel a la madre (aunque después de haber dado vida a la autollamada «Iglesia reformada»), está ligado a esta construcción. Pudo ser favorecido por los errores del Clero católico y por exageraciones. Ciertamente fue facilitado por la decadencia de la Iglesia del siglo XVI, especialmente en Alemania; decadencia cuyas causas según, por ejemplo, el cardenal Nicolás de Cusa estaban en la entrada de muchos indignos en el estado eclesiástico, en el concubinato del clero, en el cúmulo de beneficios (sin cumplir a los oficios) y en la simonía. Eso no le quita que sea en sí un error: no es lícito, de hecho, intentar remediar un error sosteniendo uno más grave. A eventuales defectos se necesita remediar teniendo por modelo la perfección del ser; el error se corrige sobre la base de la verdad, no sobre la base de otros y más graves errores. Los errores de Lutero son muchos. Tal vez ellos son evidenciados por las contradicciones intrínsecas a sus tesis. Los errores de Lutero son principalmente dogmáticos, morales y eclesiales. No faltan, empero, errores de otro género. Sobre algunos de estos traeremos la atención en breve. Los errores de Lutero fueron sacados a la luz no solo por aquellos que luego se le opusieron «dialécticamente» (en modo particular por los Dominicos), sino también y sobre todo por la Bula Exsúrge Dómine del papa León X (15 de Junio de 1520). Con esta Bula el Papa, obrando muy y oportunamente «esclarecido», confutó con firmeza gran parte de las proposiciones de Lutero, algunas de las cuales fueron juzgadas heréticas, otras escandalosas, otras aún falsas, y otras en fin capaces de ofender particularmente las almas de los sencillos. Sobre todo, especialmente, –como se ha señalado– la doctrina luterana fue confutada y condenada por el Concilio de Trento. Que no es oportuno ni elencarlos ni entrar en el mérito de muchas tesis que tienen un relieve notabilísimo sobre el plano doctrinal y consecuencias graves sobre el plano práctico. Bastará recordar que teorías como la de la «justificación», del «libre examen», del «servo arbítrio» inciden pesadamente sobre el plano moral. No menos relevantes (erróneas y dañosas) son, además, las doctrinas de la «consubstanciación» (elaborada en polémica con la «transubstanciación»), de la «sola Scriptúra» (con la cual se intentaba negarle valor a la «Tradición»), de la ilicitud del culto a la Virgen y a los Santos, etc. León X debía intervenir con una segunda Bula, la Decet Románum Pontíficem, del 3 de Enero de 1521, con la cual excomulgó a Lutero después de haber tenido conocimiento de sus herejías y de su «gran rechazo» de presentarse a Roma.

    Está escrito –fundadamente– que la Reforma es el enzalsamiento del espíritu contra la autoridad, de la energía del individuo contra las ideas. No lo fue inmediatamente y explícitamente, porque Lutero, como observó un autor de las muchas derivas (Maritain), tenía de la vida un concepto dogmático y autoritario. Ello no le impide, todavía, dar lugar a la premisa del radical inmanentismo moderno principalmente a través de la instituida oposición de Fe y obras, del Evangelio y la ley. El desarrollo de las «opciones» luteranas conllevará, en consecuencia, a una incompatibilidad entre la autoridad y la libertad, entre la ley moral y la autenticidad. Poco importa que el mismo Lutero haya favorecido, bajo diversos perfiles perfiles y por múltiples razones ocasionales, la génesis del Estado moderno, liberal en cuanto Estado mas absolutamente iliberal en confrontación al hombre individualmente considerado. Lo que constata es el hecho que las doctrinas modernas de la libertad serían incomprensibles sin Lutero; mejor: no hubieran nacido, no se hubieran desarrollado ni afirmado históricamente. La tesis idealística, por tanto, es a este propósito descriptivamente fundada, también si el juicio de valor de Hegel, de Benedetto Croce, de Giovanni Gentile y de muchos otros sobre este proceso no es compartible.

    4. El modo de entender la libertad es el nodo por el cual se desarrollan coherentemente todas las doctrinas (dogmáticas, éticas, políticas, jurídicas, eclesiales, etc.) que deben su vida al luteranismo. El luteranismo la entiende como la absoluta y sola afirmación del querer. La voluntad, cualquier voluntad, que se afirma, que deviene efectiva, es realización de la libertad. La voluntad, para ser libre, no debe tener guías (no debe ser dirigida ni por la razón ni por el magisterio) y no debe experimentar intervenciones externas de ninguna clase, porque estas imponen límites a su proceder y a su afirmación. Célebre, por ejemplo, por lo concerniente a la moral es la ironía polémica de Hegel (un luterano coherente) contra las costumbres practicadas en su tiempo por los Jesuitas (erróneamente identificados con la Iglesia Católica), los cuales en medio de la noche en algunas regiones hacían sonar las campanas para recordar a los cónyuges sus deberes. También estas formas de intervención lesionarían la libertad «interior», la única libertad; la libertad que, para ser tal, debe refutar leyes, reclamos, indicaciones, guías espirituales (institucionales y personales). En síntesis, la libertad debe ser ejercitada con el solo criterio de la libertad, es decir, con ningún criterio. No es la verdad, por lo tanto, la que hace libres como se lee en el Evangelio (Juan 8, 32), sino la libertad. La libertad reivindicada por Lutero es la libertad gnóstica, la que se rehúsa a servir libremente, porque intenta solamente dominar, afirmándose a sí misma.

    5. Las consecuencias –también graves– de este modo de entender la libertad no son pocas. La época moderna es caracterizada propiamente por éste. El denominado «principio de inmanencia» propio de la Reforma ha revoluzionado todos los sectores de la vida.

    5a) Sobre el plano del conocimiento, eso ha significado el pasaje de lo teorético a lo teórico. La metafísica es abandonada. Declarada inaccesible o inútil, será sustituida por la verdad construida y, por consiguiente, convencional. Es significativo que Hegel (un luterano coherente, como se ha dicho, es un pensador de clase) había sostenido que la verdad es solo la verdad del sistema: «la verdadera forma en la cual la verdad existe –escribió, de hecho, el filósofo tedesco– puede ser solamente el sistema científico de ésta». Luego la incontrovertibilidad estaría en la sola coherencia respecto a premisas asumidas acríticamente como fundantes del sistema mismo. Así, la filosofía se hace ciencia, como ésta es entendida por el cientificismo. Por eso la filosofía sería por definición nihilista en cuanto, en primer lugar, sea convencional. La convencionalidad del saber es, sin embargo, la autonegación del saber. La convencionalidad es necesariamente racionalística en cuanto el sistema es elaborado en el escritorio y sobrepuesto a la realidad. Aún antes de Hegel, otro pensador en intermitencia protestante bajo el perfil formal pero siempre de cultura y de formación protestante (también por los breves períodos en los cuales se hizo formalmente católico), había sostenido que para «leer» la realidad se necesita elaborar primero los criterios con los cuales se la ha de leer. La realidad no era (y es) para considerarse condición del pensamiento, sino que ésta es condición de la realidad: «antes de observar –sostiene, de hecho, Rousseau– se hace necesario tener las normas para las observaciones; se necesita hacer una escala para referirse a las medidas que se tomen». Para la verdadera filosofía, consecuentemente, con la Reforma y a causa de la Reforma, inicia un período de crisis, contrario a cuanto comúnmente se piensa. La cosa es grave, porque de la convencionalidad del saber derivan las ilusiones de los sistemas y de los antisistemas; deriva la inútil carrera a los espejismos, erróneamente confundidos con la realidad. La crisis profunda en que cayó actualmente también la Iglesia (católica) es, en parte, debida propiamente a la desaparición del saber metafísico, que no solo no es investigado, sino que es combatido. La creencia según la cual las doctrinas (sobre el plano filosófico) y los dogmas (en el plano teológico) es bueno sean ni investigadas, ni repropuestas, ni consideradas está difundida también a nivel de la cultura antropológica. Por subrogar la metafísica se recurre, después, siempre más frecuentemente, a las «decisiones compartidas», las cuales ofrecen verdades «sociológicas», siempre cambiantes y privadas de real fundamento. Se considera escapar del relativismo institucionalizándolo y haciendo, así, depender la «verdad» de las modas y de los tiempos. Bajo esta premisa, la Iglesia nada tendría para decir a los hombres.

    5b) En el plano moral, la Reforma considera que la ética depende de la conciencia subjetiva: es bueno lo que el sujeto considera que es bueno, es malo lo que el sujeto tenga como malo. El bien y el mal dependon, en consecuencia, del sujeto. Él no es el dóminus. La concienza es considerada facultad naturalística, fuente del bien y del mal. Rousseau, después de Lutero pero en continuidad con Lutero, dirá que la «conciencia es la voz del alma». Ella no engaña. Ella es la verdadera (y única) guía del hombre: ella es al alma lo que el instinto es al cuerpo. La conciencia, por consiguiente, aparece exaltada. En realidad es humillada, reducida en último análisis a «pulsiones e instinto» del espíritu entendido como subjetividad caracterizada por la «libertad negativa». Una especie de vitalismo que hace del hombre una criatura sin razón, sin autonomía y sin responsabilidad: «auténtico», en el sentido de la inmediata espontaneidad; un ser, por tanto, inocente. Puede parecer extraña esta doctrina de la conciencia que debería entreabrir al optimismo, el cual pareciera no solo lejano, sino opuesto al «pesimismo» luterano. En cambio, no lo es tanto. Lutero, de hecho, pone las premisas para el elogio de esta conciencia/no conciencia, para el nihilismo ético que termina, por exigencias de sola convivencia, por buscar puntos de apoyo en la ley positiva del Estado o en la normatividad sociológica. La doctrina del Estado ético, vale decir, creador de la ética, de Hegel lo confirma.

    5c) En el plano político, la doctrina de Lutero está en el origen del Estado moderno, concebido como instrumento de castigo para la maldad humana. El Estado es necesario a causa de ésta. Lutero, también a causa de su formación agustiniana (algunos –Maritain, por ejemplo– han dicho, dicen que a causa de un agustinismo mal «leído»), considera que la autoridad no sea un bien en sí, siempre útil al hombre (Tomás de Aquino, por ejemplo, la consideró al contrario indispensable también en el paraíso terrestre; incluso antes de acontecer el pecado original). Ella es un «mal necesario», como continúan repitiendo muchos. El Estado moderno, entonces, sobre todo a partir de la paz de Ausburgo (1555), se hizo «intolerante». Tan «intolerante» que constreñía a muchos protestantes a abandonar la Europa para poder preservar sus propias, y erróneas, convenciones acerca de la consciencia, la libertad y la religión. La doctrina luterana refuerza, ya en virtud de un articulado y gradual proceso, el absolutismo, que no tardará en «invertirse» en la democracia moderna, en particular invocando la soberanía popular, la cual es la «otra» vía, respecto a la del Estado moderno «fuerte», para afirmare la «libertad negativa», la voluntad sin razón, el absoluto primado del hombre sobre cualquier orden, incluido el de la creación.

    5d) De aquí el distorsionamiento del significado de «pueblo». Lutero, por una parte, recoge para este propósito fermentos ya presentes en los siglos medievales y valoriza por tanto doctrinas ya elaboradas; por otra, inyecta en estas alimento con su teoría de la conciencia y de la libertad. el pueblo deviene politícamente un conjunto de individuos absolutamente libres de determinar su destino sobre la base de la sola voluntad. Es el pueblo «soberano» que, como el «Soberano» del absolutismo, depende (para usar las palabras de Bodin) únicamente del poder de la propia espada. El poder deviene en la fuente de «legitimación» de los actos. No, tampoco, la «potéstas» y siquiera la «auctóritas», también si estos términos se conservan, se usan y se continuará en usarlos impropiamente como atributos característicos del denominado «poder político». El poder brutal en la doctrina de Lutero es considerado característica de la política. Creencia, esta, actualmente generalmente difundida. Se trata de un error consecuente a la trasformación de la verdad en verdad del sistema o, peor, en verdad como tal asunta en virtud o de convenciones o de la efectividad sociológica. Todo esto es evidente en el slogan (erigido como criterio) «políticamente correcto», que significa simplemente «coherente» respecto al sistema. No van buscando, por tanto, el fundamento y la legitimidad del ejercicio del «poder político» (también si de hecho, después, viene erróneamente establecido en el «consenso» moderno). Lo que resalta es que el ejercicio del poder no representa una smentita de las premisas del sistema (assunte come vere) o una aplicación incoherente del sistema mismo.

    5e) Como ha sido justamente subrayado (cfr. G. SANTONASTASO, Las doctrinas politícas de Lutero a Suarez, Milán, Mondadori, 1946, p. 11), la Reforma, en lo concerniente a su aspecto político, es contradictoria: de una parte, de hecho, ella utiliza (impropiamente) la concepción sagrada de la autoridad, heredada del Medioevo; de otra, apoyándose sobre todo sobre la nueva doctrina de la conciencia y sobre la teoría del libre examen, pone –como se ha dicho– las premisas de la soberanía (sea la del Absolutismo, sea la popular). Esto vale también para lo atinente a la concepción de la Iglesia, la cual, sea a causa de la consideración de Jesús como único testigo, sea a causa de la aplicación de la tesis según la cual «omnes in Christo sumus sacerdótes et reges, quicúmque in Christum crédimus» –como escribe textualmente Lutero en De libertáte christiána (Weimar, vol. VII, p. 56)– padece un cambio radical. Ella no es vista y definida como un organismo (un cuerpo, aunque místico, visible), fundado por Cristo y animado por el Espíritu Santo, sino como una mera organización. La Iglesia como sociedad/institución convertida, así, (al menos virtualmente) en enemiga del pueblo: entre el pueblo y la sociedad habría una contraposición que debe ser resuelta a favor del pueblo que corresponde simultáneamente al sacerdocio, profecía y realeza. La sociedad perfecta de los congregados bautizados que profesan la misma fe y ley de Cristo, participan en los mismos sacramentos y obedecen a los legítimos Pastores, principalmente al Papa, viene sustituida en la asociación de los predestinados que dan vida a una comunidad puramente espiritual, privada de jerarquía. Es el «pueblo», de hecho, detentador de las riquezas, y, por tanto, los pastores de ellos deberían depender de él.

    6. No son estas las únicas cuestiones planteadas por la Reforma. Aunque limitándose a estas, sin embargo, parece que Lutero no pueda ser propuesto como modelo de las «grandes reformas» que actualmente necesita la Iglesia. A propósito, entonces, no se están aquí considerando los aspectos morales, los objetivamente conocidos, de la personalidad de Lutero. Aunque siendo cuestiones morales graves, no parece oportuno insistir (como ha hecho en el pasado cierta publicista católica) sobre el homicidio cometido por él de joven, sobre su decisión de «desposar» una monja, sobre sus hábitos no ciertamente ejemplares -por cuanto recuerdan algunos vicios que la Iglesia justamente definió como pecados-. No lo ha hecho tampoco el Concilio de Trento, que ha mantenido un nivel teológico alto aunque contraponiéndose a la Reforma. Se dirá que las cuestiones doctrinales dividen. Sobre todo hoy se asigna un primado a la praxis. La praxis, sin embargo, depende siempre (implícitamente o explícitamente) de la teoría. De cualquier modo, también el primado de la praxis es una cuestión que no puede considerarse carente de problemas. También sobre esto será oportuno regresar. Se presentaron aquí algunas reflexiones y consideraciones preliminares para un discurso (de hacerse) más amplio y más profundo.
    César Ignacio dio el Víctor.

  17. #77
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    Re: Lutero, no y no

    MEDIO MILENIO DE DEPRAVACIÓN TOTAL (1517- 2017)
    Una crítica del impacto de Lutero en la víspera de su apoteosis "católica"
    Por el Dr. John C. Rao, Director del Foro Romano
    Nuestra civilización está tan enferma que aún los mejores esfuerzos para apuntalar los pocos remanentes tambaleantes manifiestan la patética enfermedad que paso a paso ha estado tratando de desmoronar su estructura por entero. La enfermedad en cuestión es una concupiscente, soberbia, irracional e ignorante obsesión con la “libertad”. Pero esto es un mal que tuvo su entrada inicial efectiva en la Cristiandad en unión con el concepto del mundo natural como el reino de la “total depravación”.

    Es de crucial importancia que reconozcamos tanto la suprema resposabilidad de este espantoso deseo de libertad para la destrucción de nuestra cultura Clásica y Cristiana, como también el rol que jugó la idea que la “encarnó” históricamente en nuestro medio por dos razones. La primera es tanta como podamos intentar seriamente librarnos de su monstruosa influencia sobre nuestro espíritu, alma y cuerpo. La segunda es porque un gran intento para enmascarar la verdad concerniente a su real carácter y alianza será montado en conjunto con el quincentésimo (esto es, el 500°) aniversario de la devastadora aparición de Martín Lutero en la escena pública en 2017; y esto con el objeto de mantener su nefasto impacto sobre los fieles y darle a la Fe su disparo de gracia como una fuerza social relevante.


    Me permito citar a Philip Hughes sobre Lutero y sus antecedentes para encaminar el punto que quisiera llevar en este fragmento:

    Todos esas fuerzas antiinstitucionales y antiintelectualistas que han plagado y estorbado a la Iglesia medieval durante siglos, cuya acción maléfica ha sido crónica, de hecho, han sido la causa principal de por qué —como estemos propensos a decir— tan poco se hizo para mantener un nivel generalmente alto de vida Cristiana; todas las fuerzas que fueron la distracción crónica del papado medieval, ahora fueron estabilizadas e institutionalizadas en la nueva iglesia "cristiana reformada". El entronizamiento de la voluntad como la suprema facultad humana; la hostilidad a la actividad de la inteligencia en materia espiritual y en la doctrina; el ideal de una perfección cristiana que fuera independiente de los sacramentos y de la enseñanza autorizada de los clérigos; una santidad alcanzable por medio de actividades espirituales autárquicas; la negación la verdad de que el Cristianismo, como el hombre, es un ente social; —todas las crudas, foráneas y oscurantistas teorías engendradas del degradado orgullo que arriba con la ignorancia electa, la soberbia de los ignorantes porque no pueden ser sabios excepto por medio de la sabiduría de otros-, ahora tienen su lanzamiento. La propia contribución especial de Lutero —sobre y por encima de las doctrinas clave que en representan toda esta pérdida problemática— es la noción de la vida como algo radicalmente maligno. (Hughes, A History of the Church, Sheed & Ward, 1949, Tomo III, pág. 529).


    Elocuentemente Hughes hace hincapié en el hecho central que nuestro problema subyacente es en principio preluterano. En otras palabras, 1517 no es el principio de nuestra desgracia -en ninguna manera, por esa razón, como lo fue 1962 y la apertura del Concilio Vaticano II-. Todos los males espirituales, intelectuales, políticos y sociales que se han cernido por siglos sobre el Campo de los Santos se han presentado juntos, listos para inocularse en el sistema linfático de la Catolicidad como una “mega epidemia”, desde mucho antes de esas fechas. Todo eso refleja en últimas una repulsión a la necesidad para el individuo y su ambiente de ser corregidos, perfeccionados y transformados por la Realeza de Cristo con los auxilios, por una parte, de la Fe, la Gracia y la Razón, y por la otra, de una autoridad social, tanto en el orden natural como en el sobrenatural. Nadie en 1516 buscaría una explicación simple sobre por qué debería rechazar esas ayudas, y tener disponibles una confusión de argumentos de una miríada de fuentes indicando que la única cosa que importaba fuera el individuo y sus sentimientos voluntarios; y esa confianza sobre esto era de alguna forma el único modo de agradar a Dios.


    Sin embargo, la mente conflictuada de la última Edad Media claramente necesitaba de alguien con las miras y la talentosa retórica venenosa de Lutero para inocular esta mega enfermedad en el seno de la Cristiandad. El hombre cristiano estaba tan consciente del pecado para ser directamente conducido a una adulación de su voluntad individual. El concepto de Lutero de la “depravación total” del individuo y del mundo en el cual vivía después del Pecado Original ha dado a cada hombre la piadosa entrada en la obsesión con la libertad que requería. Después de todo, se le veía tan humilde para argüirle a cada creyente la necesidad de apoyarse solamente en la gracia de Dios para salvarse; por su necesidad de afirmar esa “liberación” de la “esclavitud” del “despotismo” de “la Ley” que le permitiría evitar el “desesperado” y el arrogante intento espiritual de enderezar la vida, los pensamientos y acciones diarias para alinearlas con los mandatos de Cristo.


    Aún, se probó que sería muy fácil que en el curso de un par de generaciones, esta definición negativa de la “libertad” -una “liberación” de la Ley-, se transformara, en el Siglo de las Luces, en el significado positivo de un nuevo y redentor orden de cosas. En resumen, no se tomaría más la liberación de las restricciones para la anárquica voluntad individual de la humanidad depravada de Lutero, sino que será vista como la herramienta providencial para modelar los desenfrenados pensamientos y acciones humanas en los bloques constructores de una nueva Edad de Oro. En otras palabras, más que una liberación de las restricciones, la “libertad” actualmente asegura que las pasiones pecaminosas de la humanidad serán todas desatadas en orden a que los individuos, sin vergüenza alguna, puedan verdaderamente convertirse en depravados, más aún, que esa depravación fuera ahora vista como algo intrínsecamente maravilloso, bueno, e incluso, agradable a Dios.


    Es precisamente porque este venenoso atentado para construir una civilización sobre la liberación de un esfuerzo de luchar con el Pecado Original y sus efectos en los individuos es tan tentador que éste ha infectado a casi todos nosotros en una forma u otra. Casi todos caemos presa de la seducción simplemente por encontrar que la “libertad” apela fuertemente a nuestra pasión particular, declarándola agradable a Dios, y condenando cada vez la aplicación del mismo principio cuando personalmente encontramos inaceptable cuando otros la usan, e ignorando la naturaleza de suyo completamente ponzoñosa de ese mismo concepto. Y, francamente, casi todos caemos presa de la cínica tentación de movilizar el argumento de “depravación total” de nuevo cuando nos reímos de la ingenua y utópica visión de los oponentes que quieren usar la ley y la authoridad para ayudar a hacer personas virtuosas en los lugares donde nosotros queremos “libertad”. Aunque despreocupadamente hacemos causa común con la “libertad” en un mundo que no tiene que ser totalmente depravado (pero que hace todos los esfuerzos para convertirse en ello), cabalgamos sobre de un monstruo soberbio -con el actual apelo autodestructivo a la libertad religiosa en el tope de la lista-. Es la única libertad positiva para usar nuestra Fe, la Gracia, nuestra Razón, y el auxilio de las autoridades sociales, tanto sobrenaturales y naturales, para corregir y transformarnos bajo la Realeza Social de Cristo que podemos tener una vida digna en este mundo y la felicidad eterna en el otro.


    Es triste decirlo, pero es absolutamente cierto que la mayoría de nuestros líderes eclesiásticos, como militantes del Zeitgeist que son, convertirán el 2017 en un año de panegíricos para Lutero & Cía. y “todas esas fuerzas antiinstitucionales y antiintelectualistas”; “todas las crudas, foráneas y oscurantistas teorías engendradas del degradado orgullo que arriba con la ignorancia electa, la soberbia de los ignorantes porque no pueden ser sabios excepto por medio de la sabiduría de otros” que Philip Hughes nos dijo estaban ocultas por siglos. Es nuestro deber como Católicos Tradicionalistas reforzarnos contra las mentiras que vendrán preocupadas por el maravilloso valor de esos ocultos y voluntariosos principios que ahora están “teniendo su lanzamiento” por 500 años. Es nuestro deber demoler el mal que han causado. Porque este cáncer ignorante, voluntarioso e individualista de 500 años se ha infiltrado en todos lados en la linfa de la Cristiandad, en todas las instituciones y en la mente de todos, los Católicos creyentes deberían emplear los próximos dos años a aquellos que están menos despiertos entre nosotros para ceñir sus costados. 2017, como 1517, será un juicio para todos nosotros. Y el 24° Simposio Anual de Verano del Foro Romano espera ser el despertar de una espantosa pesadilla.
    César Ignacio dio el Víctor.

  18. #78
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    Re: Lutero, no y no

    María Elvira Roca Barea - Conferencia "Lutero y su mundo"





    https://www.youtube.com/watch?v=tq5sRVrO_lY

  19. #79
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    Re: Lutero, no y no

    La verdad sobre Martin Lutero y el protestantismo (hispanofobia, nazismo,...)

    Hans Böhm, Jan Hus, Milia de Kromeriz o Girolamo Savonarola son hoy nombres vagos en la historia de Europa. Rostros desconocidos que acometieron pulsos contra la Iglesia casi idénticos a los que realizó Martín Lutero, el monje agustino que en 1517 inició el mayor cisma que ha conocido la cristiandad occidental. «Hubo muchos luteros antes. Lo excepcional de él es el contexto, con un Emperador como Carlos V a la cabeza de un poder extraordinario», destaca María Elvira Roca Barea, que presentó una exposición dedicada al agustino en el Espacio Miguel Delibes de Alcobendas.


    CONTRA LA UE DE CARLOS V

    En la resaca del V centenario del inicio de la Reforma, la autora del libro «Imperiofobia y Leyenda Negra» explora en una muestra de grabados, abierta hasta el 27 de abril, las relaciones de poder y el contexto que hicieron posibles la Reforma. Un ejercicio histórico que la mayoría de exposiciones han esquivado para centrarse solo en asuntos teológicos. «La religión solo fue la dinamita empleada por los nobles alemanes para oponerse al poder de Carlos V y a su prematuro intento de UE», apunta.

    La exposición itinerante organizada por esta célebre profesora de Harvard e investigadora del CSIC, se centra en desmitificar la idea de que la Reforma protestante trajo progreso a Europa. «Se admira a Lutero como un elemento de modernidad sin el que hubiera sido imposible un mundo democrático y civilizado. Pero es todo lo contrario: la Reforma supuso retroceder al feudalismo y perpetuar el poder de las oligarquías locales en Alemania», señala.

    Tampoco es correcta la vinculación de protestantismo y tolerancia religiosa. «Desde el minuto uno el nuevo clero fue más fanático con la disidencia, entre otras cosas, porque Roma llevaba muchos siglos gestionando las herejías. La persecución orquestada por los protestantes no dejó huella ni contaba con garantías de ningún tipo, mientras que la Iglesia empleaba instituciones como la Inquisición para iniciar procesos reglamentados».


    EL SUR DE EUROPA, INFERIOR

    El agresivo mensaje de Lutero dio lugar a sucesivas guerras y, dado su carácter xenófobo y antisemita, ha sido empleado por los elementos más extremos del nacionalismo alemán. «El humanismo alemán originó la idea de que fuerzas extranjeras, en aquel tiempo el Papa y los españoles, estaban saqueando el país», defiende Roca, que recuerda la estrecha vinculación de aquellas ideas con el III Reich: «No es casualidad que la Noche de los Cristales Rotos fuera presentada como una celebración luterana y que los nazis concurrieran a las elecciones con una imagen del reformador».

    Sí reconoce la genialidad de Lutero en el campo de la propaganda y la fabricación de mentiras. A él se le deben mitos como la inferioridad del sur respecto al norte. «El mundo católico aún hoy sigue sin comprender la lección de la importancia de la propaganda», concluye.





    https://www.youtube.com/watch?v=Ff3hAUj7Azo

  20. #80
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    Re: Lutero, no y no

    Libros antiguos y de colección en IberLibro
    Libros de interés:

    García-Villoslada, Martín Lutero, t. 1, El fraile hambriento de Dios.
    García-Villoslada, Martín Lutero, t. 2, En lucha contra Roma.
    García Villoslada, Raíces Históricas del Luteranismo.
    Hilaire Belloc, Figuras de la Reforma.
    Heinrich Denifle, Lutero y el luteranismo, t. 1.
    Heinrich Denifle, Lutero y el luteranismo, t. 2.
    Kontrapoder y Erasmus dieron el Víctor.

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